O Outono é triste


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O Outono é triste
L’Autunno è triste


Aonde estou não há outono. O Outono é triste…
Aqui não deixam nunca as folhas de ser verdes
E há a relva e os rebentos e a alegria dos pássaros…
E os sítios em que amámos?... Vou contigo, Mulher,
Vamos de braço dado aos sítios de outro tempo…
Ah! Que não vemos musgo, muros velhos, mofo…
Saudades?... Nem ao menos saudades… Somos os dois
 tão jovens!...
Lá vai uma flor nova romper. Detemo-nos, deixamos
De respirar – e eis o botão rasgado e a flor aberta.
Dove sto io non v’è autunno. L'autunno è triste…
Qui le foglie non smettono mai d’essere verdi
E c’è l’erba e i germogli e l’allegria degli uccelli…
E i luoghi in cui ci amiamo?... Vengo con te, Donna,
Andiamo sottobraccio nei luoghi d’un altro tempo…
Ah! Che non si vedano muschio, muri vecchi, muffa…
Rimpianti?... Nemmeno i rimpianti… Siamo così giovani
 noi due!...
Lì c’è un nuovo fiore che sboccia. Fermi, tratteniamo
Il respiro – ed ecco il bocciolo schiuso e il fiore aperto.
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Paul Cézanne
Mandorli in Provenza (1900)
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Apresentação



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Apresentação
Presentazione


O meu nome?
Ele jaz submerso nos ecos
Destas páginas, deste silêncio.
Il mio nome?
Giace sommerso dagli echi
Di queste pagine, di questo silenzio.
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Salvador Dali
L'eco del vuoto (1935)
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Crepuscular


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Crepuscular
Crepuscolare


Já não são horas, meu Amor...
A hora...
passou
em que era grato a gente amar.
É um querer de Irmão este de agora.
Nem a Tarde
é já o cravo rubro de inda há pouco:
é um murmúrio quase... um lírio inexistente
dulcificando as coisas, perfumando-as
de carinhos...

Não é a hora, Amor.
Agora
deixa sorrir em nós a peregrina
ternura da Paisagem.
Não desprendas as mãos
das minhas...

Abandona-as, mas castas como berços... E beija-me na testa...
Quando a Noite
mansa vier vindo,
Amor, beija de manso a minha testa...
De manso, meu Amor...
Como se o lírio da Tarde se fechasse…
Non è più tempo, Amor mio...
Quel tempo...
è passato
quello in cui eravamo grati di amarci.
È un desiderio fraterno questo di ora.
E neppure la sera
è già più il rosso garofano di poco tempo fa:
è quasi un mormorio... un giglio inesistente
che addolcisce le cose, profumandole
di tenerezze...

Non è il momento, Amore.
Adesso
lascia sorridere in noi la vaga
serenità del paesaggio.
Non separare le tue mani
dalle mie...

Adagiale, ma caste come culle...
E baciami la fronte...
Quando la notte
dolcemente verrà,
Amore, baciami dolcemente la fronte...
Dolcemente, Amor mio...
Come se il giglio della sera si chiudesse…
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Theo van Rysselberghe
Tramonto ad Ambretsuse (1899)
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A uma rapariga


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A uma rapariga
A una ragazza


Somos assim aos dezassete.
Sabemos lá que a Vida é ruim!
A tudo amamos, tudo cremos.
Aos dezassete eu fui assim.

Depois, Acilda, os livros dizem,
dizem os velhos, dizem todos:
"A Vida é triste. a Vida leva,
a um e um, todos os sonhos."

Deixá-los lá falar os velhos,
deixá-los lá... A Vida é ruim?
Aos vinte e seis eu amo, eu creio.
Aos vinte e seis eu sou assim.
A diciassette anni siamo così.
Che ne sappiamo che la Vita é crudele!
Tutto amiamo, a tutto crediamo.
A diciassette anni io ero così.

Eppure, Acilda, lo dicono i libri,
lo dicono i vecchi, tutti lo dicono:
"La Vita è triste. La Vita ci porta via,
uno ad uno, tutti i nostri sogni."

Ma lascia che parlino i vecchi,
lasciali là... La Vita é crudele?
A ventisei anni io amo, io credo.
A ventisei anni io sono così.
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Marc Chagall
Il pittore della luna (1917)
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Sweet Ophelia


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Campo Aberto (1951) »»
 
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Sweet Ophelia
Sweet Ophelia


Entre as pedrinhas dormes, flor absorta,
ó pobre, doce Ofélia! Mas quem sabe?...
- Sobre a dor e a loucura, sobre a morte,
intransparente, mudas, esquecidas,
correm p'ra sempre, Ofélia doce, as águas.

E o teu sono é alga impresumível…
Tra i ciottoli tu dormi, fiore assorto,
oh povera, dolce Ofelia! Ma chissà?...
- Sopra il dolore e la follia, sopra la morte,
inesplicabile, mute e immemori,
scorrono per sempre, Ofelia dolce, l’acque.

E il tuo sonno è un’alga inenarrabile…
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Salvador Dalì
Ofelia (1973)
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