Repetição


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Repetição
Ripetizione


No abrir de cada dia
Está presente a sombra de todas as noites.
Mãos em desespero esvoaçam
Tentando atingir a fímbria da vida.
Lâmpadas reabastecidas
Na esperança da vinda do Grande Esperado.
A carne é devolvida ao pó
Enquanto a memória da nossa infância
Se apaga aos poucos na memória da infância dos
 nossos filhos
Diluída na dos nossos netos.
Memórias sem dono
Substituídas pelos tentáculos do ventre materno
Para a lenta e angustiante viagem para o exílio.
Al sorgere d’ogni giorno
È presente l’ombra di tutte le notti.
Mani disperate si dimenano
Tentando d’aggrapparsi ai bordi della vita.
Lampade ricaricate
Nella speranza della venuta del Grande Atteso.
La carne ritorna alla polvere
Mentre la memoria della nostra infanzia
Si annulla pian piano nella memoria dell’infanzia dei
 nostri figli
Diluita in quella dei nostri nipoti.
Memorie senza padrone
Sostituite dai tentacoli del ventre materno
Per il lento e angosciante viaggio verso l'esilio.
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Vincent van Gogh
L'Arlesiana (Ritratto di M.me Ginoux) (1890)
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Procissão das bestas


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Procissão das bestas
Processione di bestie


  também para Dante Milano

Mundos de conflitos que o silêncio engole,
Sombras lentas e pesadas
Reduzem os olhos a bagaços.
Ruminações da memória
No branco da vida extenuada
Na paisagem sem ninguém.
Nos gritos soltos
Sem a devolução do eco.

No oco das mãos
Ausente o suor de outra mão,
Formas amadas levadas pelo vento
Às nuvens que condensam o cansaço da
 terra,
Canções da carne traduzidas na rosa,
Promessas de fé em cada espera,
Na palavra esquecida do próprio som,

Circunferência de fogo em labaredas
Consumindo a ternura no cansaço.
Imaturas searas de amor,
Morte nos ossos das jornadas sem motivo.

Fadiga anterior à união dos sexos
Decompostos na traição de análises mútuas,
Espreitando sadicamente dois corpos nus fundidos
 na derrota.

Lodo cobrindo pés, atolando ventres,
Transformando bocas em esgotos
Reduzindo o amor a ato
Que o silêncio engole
Como fétida flor da noite.
  ancora per Dante Milano

Mondi in conflitto che il silenzio inghiotte,
Ombre lente e pesanti
Dagli occhi illividiti.
Ruminazioni della memoria
Nel bianco della vita estenuata
Nel paesaggio spopolato.
Nelle grida lanciate
Senza ritorno d’eco.

Nel cavo delle mani
Assente il sudore dell’altra mano,
Amate forme portate dal vento
Verso le nuvole che condensano la stanchezza della
 terra,
Canzoni di carne tradotte in una rosa,
Promesse di fede in ogni attesa,
Nella parola dimentica del proprio suono,

Cerchio di fuoco tra fiamme
Che esauriscono la tenerezza nello sfinimento.
Messi immature d’amore,
Morte nelle ossa per viaggi immotivati.

Tensione che precorre l’unione dei sessi
Madidi nella perfidia di reciproche esplorazioni,
Scrutando sadicamente due corpi nudi fusi nella
 disfatta.

Melma che avvolge i piedi, rende viscidi i ventri,
Trasformando le bocche in fognature
Riducendo l’amore ad atto
Che il silenzio inghiotte
Come fetido fiore della notte.
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Franz von Stuck
La caccia selvaggia (1889)
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Pré-morte


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Pré-morte
Pre-morte


  Para o poeta Dante Milano

O escuro ser profundo, coisa sobrenatural,
Vontade oculta sem objeto,
Pousado na brasa sem lume
Dos ímpetos à procura de um destino.
Companheiro de farsas, mensageiro de aflições,
Mão sustentando a máscara na face intata,
Fuga na palavra dissolvida
No vácuo da imagem esquecida,
Sobra que embala em acalanto
De agonia em agonia,
O volume da tristeza e da alegria,
Nódoa que o desespero não apaga.
Tudo tão certo e tudo tão mal articulado,
Tudo tão fundido no abandono do querer,
Tão floresta sem saída, tão rachadura sem fundo,
Tão treva preexistida
Na corrente de amarrados conjuntos
No conceito de vazios absolutos,
No escuro que não deu à luz.
Oh canção de secura cantada em silêncio!
Oh escuro ser profundo!
  Per il poeta Dante Milano

L’oscuro essere profondo, cosa ultraterrena,
Volontà occulta senza oggetto,
Poggiato sulla brace senza il fuoco
Degli impulsi in cerca d’un destino.
Compagno di farse, messaggero d'afflizioni,
Mano che sostiene la maschera sul volto intatto,
Fuga nella parola dissolta
Nel vuoto dell'immagine dimenticata,
Parvenza che illude in una nenia
Di agonia in agonia,
L’entità di tristezza e d’allegria,
Macchia che la disperazione non cancella.
Tutto così certo e tutto così mal articolato,
Tutto così fuso nell’abbandono voluttuoso,
Così foresta senza uscita, così ferita senza fondo,
Così tenebra preesistente
Nella processione di creature legate
Dal concetto di vuoti assoluti,
Nel buio che non s’è mutato in luce.
Oh canzone d’aridità cantata in silenzio!
Oh oscuro essere profondo!
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Edvard Munch
Odore di morte (1895)
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Patrimônio


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Patrimônio
Patrimonio


Pesam nos meus ossos
Os meus pensamentos,
Choram nos meus olhos
As visões neles crescidas,
Soluçam no torpor das minhas carnes
Ancestrais desalentos.

Sangram os meus pés
Na inútil andança
Da imaginação liberta,
Pulveriza o meu espírito
A solidão do suicida ignorado
E cresce assustadoramente dentro de mim
A calmaria que precede o fim.
Pesano sulle mie ossa
I miei pensieri,
Piangono nei miei occhi
Le visioni cresciute lì,
Singhiozzano nel torpore delle mie carni
Sconforti ancestrali.

Sanguinano i miei piedi
Nell'inutile vagare
Dell’immaginazione liberata,
Polverizza il mio spirito
La solitudine del suicida ignorato
E cresce spaventosamente dentro di me
La bonaccia che precede la fine.
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Julia Vengiel
La calma prima della tempesta (2024)
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Os cegos


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Os cegos
I ciechi


Não vemos o mostrador do Tempo
Assim como não vemos
Uma forma de vida fundir-se noutra.
Não vemos a vida caminhar sobre nossa origem
Construindo muralhas contra nós mesmos.
Não ouvimos o cântico de guerra
Festejando nossos fracassos
Registrados nas páginas do pensamento.

A cada hora vemos e sentimos menos
O mostrador do Tempo.
Somos mutações desordenadas
Multiplicando-se nos porões fétidos
De galeras negras, abandonadas.
Non vediamo il quadrante del Tempo
E non vediamo neppure
Una forma di vita fondersi in un’altra.
Non vediamo avanzare la vita verso la nostra origine
Costruendo muri contro noi stessi.
Non udiamo il cantico di guerra
Che celebra i nostri fallimenti
Annotati sulle pagine del pensiero.

Ora dopo ora vediamo e sentiamo meno
Il quadrante del Tempo.
Siamo mutazioni caotiche
Che si moltiplicano nelle fetide stive
Di neri galeoni, abbandonati.
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William Turner
Stonehenge al tramonto (1811)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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