Juntei-me um dia à flor da mocidade…


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Fernando Assis Pacheco »»
 
Respiração assistida (2003) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Juntei-me um dia à flor da mocidade…
Un dì mi unii al fior di gioventù…


Juntei-me um dia à flor da mocidade
partindo para Angola no Niassa
a defender eu já não sei se a raça
se as roças de café da cristandade

a minha geração tinha a idade
das grandes ilusões sempre fatais
que não chegam aos anos principais
por defeito da própria ingenuidade

a guerra era uma coisa mais a Norte
de onde ela voltaria havendo sorte
à mesma e ancestral tranquilidade

azar de uns quantos se pagaram porte
esses a que atirou a dura morte
diz-se que estão na terra da verdade
Un dì mi unii al fior di gioventù
partendo per l’Angola nel Niassa
a difendere già non so più se la razza
se il raccolto di caffè della cristianità

la mia generazione aveva l’età
delle grandi illusioni sempre fatali
che non arrivano agli anni principali
a causa della propria ingenuità

la guerra era una cosa assai lontana
da cui si può tornare avendo sorte
alla propria avita tranquillità

sventura per quanti pagarono dogana
di coloro cui toccò la dura morte
si dice che stanno nella terra della verità
________________

Stefano Serafin
Napoleone di Canova mutilato (1918)
...

Este ministro é um mentiroso


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Fernando Assis Pacheco »»
 
Respiração assistida (2003) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Este ministro é um mentiroso
Questo ministro è un bugiardo


Este ministro é um mentiroso
que agonia quando ele discursa
e se fosse só isso: balé sem jeito
às meias horas seguidas – e não pára!

bem-aventurados os duros de ouvido
a quem o céu abrirá as portas
desliguem p.f. o microfone
ou então tirem o país da ficha
Questo ministro è un bugiardo
è uno strazio quando parla
e fosse solo questo: balletto imbarazzante
per delle mezz’ore – e non smette!

fortunati i duri d’orecchio
a loro il cielo aprirà le porte
scollegate p.f. il microfono
oppure togliete il paese dalla scheda
________________

Charles Williams
The Smithfield Parliament (Stampa satirica - 1819)
...

Um vento leve, uma espuma


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Fernando Assis Pacheco »»
 
A Musa Irregular (1991) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Um vento leve, uma espuma
Un vento lieve, una spuma


Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

  Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.

Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.
Del bacio resta un sapore,
del sapore un ricordo,
un vento lieve, una spuma.

Del bacio resta un sereno
sguardo, l’amore per cose
minuscole e umili,
un uccello che va e viene
dalla nostra bocca alle parole.

Del bacio resta, suprema,
la scoperta della morte.
Un vento lieve, una spuma
salata, a fior di labbra.
________________

Maximilien Luce
Onde (1983)
...

Um tal Fernando Assis Pacheco


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Fernando Assis Pacheco »»
 
A Musa Irregular (1991) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Um tal Fernando Assis Pacheco
Un certo Fernando Assis Pacheco


Vivo com ele há anos suficientes
para poder dizer que o reconheceria
num dia de Novembro no meio da bruma
é como uma pessoa de família

adorava os pais mas tinha medo
quando zangados se punham aos gritos
e se chamavam nomes odiosos
não invento nada vi-o crescer comigo

chorava então desabaladamente
e eu com ele sentindo-nos perdidos
o cobertor puxado sobre a cabeça
seria trágico se não fosse ridículo

mesmo depois a noite que urinasse
no pijama era um protesto civil
encharcou assim grande parte das Beiras
não lhe perguntem se foi feliz
Vivo con lui da tempo sufficiente
per poter dire che lo riconoscerei
in mezzo alla nebbia d’un giorno di novembre
è come una persona di famiglia

adorava i genitori ma s’impauriva
quando arrabbiati alzavano la voce
e si gridavano improperi odiosi
non invento nulla l’ho visto crescere con me

piangeva allora sconsolatamente
e io con lui sentendoci perduti
la coperta tirata sulla testa
sarebbe tragico se non fosse ridicolo

anche il fatto che poi la notte orinasse
nel pigiama era una protesta civile
inzuppò così gran parte delle Beiras
non chiedetegli se sia stato felice
________________

Egon Schiele
Bimbo seduto (1918)
...

Sento-me aqui contigo…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (marzo 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Sento-me aqui contigo…
Mi siedo qui con te…


Sento-me aqui contigo,
Ignorando o trânsito
Enquanto como transeuntes passam
Perguntas sem resposta
Ou demasiadas respostas
Para uma só pergunta.
Estamos aqui, devagar, a ser
A alegria toda
À sombra do sacrifício.
Ambos sabemos – não vais ficar
Mas aqui estou, aqui fico,
Feliz enquanto estou
Dentro dos teus dias.
 
Mi siedo qui con te,
Ignorando il traffico
Mentre, come viandanti, passano
Domande senza risposta
O troppe risposte
Per una sola domanda.
Stiamo qui, quieti, a esibire
Tutta la gioia
All’ombra del sacrificio.
Io e te lo sappiamo – non resterai
Ma io sto qui, rimango qui,
Felice per il tempo che vivo
Dentro ai tuoi giorni.
________________

Edvard Munch
Due su una panchina (1916)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (35) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (533) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (29) Poesie inedite (342) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)