Escultura


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Escultura
Scultura


Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...
Io già ti amavo nelle fotografie.
Per quella tua aria triste e decadente dei vinti,
Per il tuo sguardo vago e incerto
Come quello di chi non indulgeva al riso e all’allegria.
Ti amavo per quelle tue ossessioni di disfatta,
per il tuo contegno in contrasto con l’esultanza degli atleti
E persino per l’indecisione dei tuoi gesti senza premura.
Ti parlai un giorno fuori dalla fotografia
Ti amai con la stessa tenerezza
Presente in una carezza data in silenzio
E tu non sentisti quante volte
Le mie mani usarono il mio pensiero,
Accarezzandoti i capelli in un’estasi immensa.
E così ti amo, vedendo nel tuo aspetto e nel tuo sguardo
Tutta un’esistenza tormentata dalla violenza e dall’angoscia
Che la realtà della vita sempre esige
E che interminabilmente devi dare!...
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Felice Casorati
Anna Maria de Lisi (1919)
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Vou folheando a memória…



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Vou folheando a memória…
Sfoglio tra i miei ricordi…


Vou folheando a memória,
Onde as datas são o eco
Das areias exauridas
Mas jamais mortas.
Releio rumores de mim,
Mas algo se perdeu
Entre os olhos presentes
E as palavras de sentido perdido,
Onde a profundidade é incompreensível:
Ler estas palavras é pedir-lhes silêncio.
Tudo se perdeu, apenas as ondulações
Transbordantes de dor ou alegria
Falam ainda com a mesma voz.
Sfoglio tra i miei ricordi,
Dove le date sono l’eco
Delle sabbie esaurite
Ma giammai morte.
Rileggo voci su di me,
Ma qualcosa s’è perso
Tra gli occhi di oggi
E le parole dal senso perduto,
La cui profondità è incomprensibile:
Leggere quelle parole è chieder loro silenzio.
Tutto s’è perso, solo le increspature
Traboccanti di dolore o di gioia
Parlano ancora con la stessa voce.
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Pierre Soulages
Lithographie 37 (1974)
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A razão de eu me gostar


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A razão de eu me gostar
Il motivo per cui mi piaccio


Eu gosto da minha forma no mundo
Porque representa uma fagulha,
Porque mostra um instante doce e perverso
Da ideia, do gesto e da realização
De Deus no Universo.

Eu gosto dos erros que pratico
Porque vejo a pureza colocada na minha essência
Desde o Início
Lutar contra todo o mal que em mim existe
E ser tão maior, que sobre a minha miséria
Ela ainda persiste.

Eu gosto de espiar
O meu olho direito
Ver o esquerdo chorar,
De sentir a minha garganta se enrolar de dor
Porque em troca de tanta coisa dolorosa
Ele construiu em mim uma coisa gloriosa,
Que é o amor.
Mi piace la mia presenza nel mondo
Perché rappresenta una scintilla,
perché mostra un istante dolce e perverso
Dell’idea, del gesto e dell’opera
Di Dio nell’Universo.

Mi piacciono gli errori che commetto
Perché vedo la purezza posta nella mia essenza
Dal Principio
Lottare contro tutto il male che in me esiste
Ed essere tanto forte, che al di sopra della mia miseria
Essa tuttora persiste.

Mi piace osservare
Il mio occhio destro
Che guarda il sinistro piangere,
Sentire la mia gola contorcersi dal dolore
Perché in cambio d’una cosa tanto dolorosa
Egli plasmò in me quella cosa gloriosa
Che è l’amore.
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Diego Rivera
Ritratto di Adalgisa Nery (1945)
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Poema natural


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Poema natural
Poesia naturale


Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar, choverá e cairei.

Abro os olhos, vejo um mar,
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tomarei.

Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Apro gli occhi, nulla ho visto
Chiudo gli occhi, tutto ho già visto.
Molto vasto è il mio mondo
E tutto ciò che penso, succede.
Quella nube là in alto?
Io sto là,
Quella son io.
Ieri con quel gran caldo
Sono salita e mi sono condensata
E, se il caldo aumenterà, pioverà e cadrò giù.

Apro gli occhi, vedo un mare,
Chiudo gli occhi e già lo so.
Quell’alga galleggiante, in cerca di una roccia?
Io sto là,
Quella son io.
Stanca del fondo marino, serena sono risalita.
Quando la marea scenderà, sulla sabbia seccherò,
Più tardi alla polvere tornerò.

Apro gli occhi nuovamente
E vedo la grande montagna,
Chiudo gli occhi e penso:
Quella roccia dormiente, immobile nel tempo,
Ricevendo sole e pioggia, disfacendosi al vento?
Io sto là,
Quella son io.
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Claude Monet
Mare agitato a Pourville (1882)
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Cemitério Adalgisa


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Cemitério Adalgisa
Cimitero Adalgisa


Moram em mim
Fundos de mares, estrelas-d'alva,
Ilhas, esqueletos de animais,
Nuvens que não couberam no céu,
Razões mortas, perdões, condenações,
Gestos de amparo incompleto,
O desejo do meu sexo
E a vontade de atingir a perfeição.
Adolescências cortadas, velhices demoradas,
Os braços de Abel e as pernas de Caim.
Sinto que não moro.
Sou morada pelas coisas como a terra das sepulturas
É habitada pelos corpos.

Moram em mim
Gerações, alegrias em embrião,
Vagos pensamentos de perdão.
Como na terra das sepulturas
Mora em mim o fruto podre,
Que a semente fecunda repetindo a vida
No sereno ritmo da Origem.
Vida e morte,
Terra e céu,
Podridão, germinação,
Destruição e criação.
In me convivono
Fondali marini, stelle mattutine,
Isole, scheletri d’animali,
Nuvole che il cielo non ha accolto,
Morti ideali, perdoni, condanne,
Gesti di salvaguardia incompleta,
La voluttà del mio sesso
E l’anelito di raggiungere la perfezione.
Adolescenze spezzate, vecchiaie rimandate,
Le braccia di Abele e le gambe di Caino.
Sento che non sono io ad abitare.
Sono abitata dalle cose come la terra delle tombe
È popolata di corpi.

In me convivono
Generazioni, gioie in embrione,
Incerti pensieri di perdono.
Come nella terra delle tombe
Abita in me il frutto marcio,
Che il seme feconda rinnovando la vita
Nel ritmo sereno dell’Origine.
Vita e morte,
Terra e cielo,
Marciume, germinazione,
Distruzione e creazione.
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Ismael Nery
La baia di Botafogo (1928)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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