L’Affaire Sardinha


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L’Affaire Sardinha
L’Affaire Sardinha


O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente na eucaristia.

E como um dia faltasse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.
Il vescovo insegnò al selvaggio
Che il pane non è pane, ma Dio
Presente nell’eucarestia.

E poiché un giorno mancò
Pane al selvaggio, questi mangiò
Il vescovo, eucaristicamente
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Theodor de Bry
Banchetto dei cannibali Tupinamba (1593)
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Os homens são os anagramas dos deuses…



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Os homens são os anagramas dos deuses…
Gli uomini sono gli anagrammi degli dei…


Os homens são os anagramas dos deuses;
A vida corre naqueles
Com a predestinação de desaguar na terra,
Na cinza, apenas com promessas
Ardendo no último fulgor dos olhos.
Os deuses possuem veias de pedra
E entretêm-se com os universos
Microscópicos e frágeis que os homens constroem,
Os homens apagam-se, arrancam-se
Como pó de uma página. Os deuses duram.

Os homens choram e amam
De acordo com a sua medida, com o que o seu horizonte
Pode abranger.
Os deuses, quando amam, criam mundos
E choram vulcões e maremotos
E sismos e fendas.
Mas há homens que moram muito acima
Do fim do tempo parado
Que a sua lápide assinala.

Os homens dependem do hausto
Da semente de ar,
Dependem da sapiência generosa dos deuses
Mas os deuses vivem

Apenas na nave da crença humana.
Gli uomini sono gli anagrammi degli dei;
La vita scorre in loro
Predestinata a defluire nella terra,
Nella cenere, e soltanto promesse
Ardono nel bagliore finale del loro sguardo.
Gli dei hanno vene di pietra
E si divertono con gli universi
Microscopici e fragili che gli uomini fabbricano,
Gli uomini scompaiono, si dissolvono
Come polvere da una pagina. Gli dei resistono.

Gli uomini piangono e amano
In base alla loro natura, a ciò che il loro orizzonte
Può abbracciare.
Gli dei, quando amano, creano mondi
E piangono vulcani e maremoti
E sismi e abissi.
Ma ci sono uomini che vivono molto al di là
Della fine del tempo inamovibile
Che la loro lapide attesta.

Gli uomini dipendono dal respiro
Che attinge alla semente dell’aria,
Dipendono dalla saggezza generosa degli dei
Ma gli dei vivono

Soltanto nel tempio dell’umana credenza.
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Bronzo di Riace (V sec. a.C.)
Museo Archeologico di Reggio Calabria
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A Cristandade


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A Cristandade
Il Cristianesimo


Padre açúcar,
Que estais no céu
Da monocultura,
Santificado
Seja o nosso lucro,
Venha a nós o vosso reino
De lúbricas mulatas
E lídimas patacas,
Seja feita
A vossa vontade,
Assim na casa-grande
Como na senzala.

O ouro nosso
De cada dia
Nos dai hoje
E perdoai nossas dívidas
Assim como perdoamos
O escravo faltoso
Depois de puni-lo.
Não nos deixeis cair em tentação
De liberalismo,
Mas livrai-nos de todo
Remorso, amém.
Padre zucchero,
Che sei nei cieli
Della monocultura,
Santificato
Sia il nostro lucro,
Venga a noi il tuo regno
Di lascive mulatte
E autentica grana,
Sia fatta
La tua volontà,
Tanto nella casa-grande
Come nelle baracche.

Dacci oggi
Il nostro oro
Quotidiano
E rimetti a noi i nostri debiti
Come noi li rimettiamo
Allo schiavo insolvente
Dopo averlo punito.
Non indurci nella tentazione
Del liberalismo,
Ma liberaci da ogni
Rimorso, amen.
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Candido Portinari
Studio per raccolto di canna da zucchero (1938)
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Ode pacífica


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Ode pacífica
Ode pacifica


Levei comigo um punhal,
Com mãos firmes, cautelosas,
Como se leva um segredo,
Como se leva uma rosa.

Assim armado, enfrentei
As emboscadas e os crimes.
Nos corredores do ódio,
Combati, gritei, perdi-me.

O punhal me dominava,
Fascinava-me a revolta.
(Vivemos presos à chave
Que em sigilo nos solta.)

Mas um dia uma verdade,
Que nega todo punhal,
Pôs brisas na minha face,
Furtou-me às vozes do mal.

Agora, Dora, a teu lado,
Estou sempre a recompor
Essa verdade tão simples,
De que me torno senhor.

Simples verdade de amor.
Portai con me un pugnale,
Con mano salda, sospettosa,
Come si porta un segreto,
Come si porta una rosa.

Così armato, affrontai
Le imboscate e i delitti.
Nei corridoi dell’odio,
Combattei, urlai, mi perdetti.

Quel pugnale mi dominava,
Trovavo la rivolta attraente.
(Viviamo prigionieri d’una chiave
Che ci libera segretamente.)

Ma un giorno una verità,
Che rifiuta ogni pugnale,
Prese a spirarmi in viso,
Mi strappò alle voci del male.

Adesso, Dora, al tuo fianco,
Mi ripeto continuamente
Questa verità così semplice,
Che m’ha sedotto la mente.

Si tratta d’amore, semplicemente.
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Roberto Sebastian Matta
L'arc obscure des heures - 12 p.m. (1975)
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Epigrama


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Epigrama
Epigramma


Entre sonho e lucidez, as incertezas.
Entre delírio e dever, as tempestades.
Ai, para sempre serei teu prisioneiro
Neste patíbulo amargo de saudades... 
Tra il sogno e la lucidità, le incertezze.
Tra il delirio e il dovere, le tempeste.
Oh, per sempre io sarò tuo prigioniero
Su questo amaro patibolo di rimpianti...
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Mario Ceroli
Balcone (1966)
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