Páscoa


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Páscoa
Pasqua


A senhora tia alisa a toalha
põe sobre ela talheres muito antigos
herdados dos avós que a terra come

quantos anos passados deste dia
ainda estaremos como agora juntos
na cozinha de Sangalhos
entre o fumo da lenha seca
e o cheiro misturado
das carnes e das hortaliças
que acabam de ferver no fogo esperto

minha mãe diz um dito qualquer
seca a vista embaciada
eu venho do pátio
certamente cantando

o tio – as urinas presas
no laço da bexiga –
conta uma história
da guerra de 14
do vizinho morto
como ele Manuel sorte infeliz

ao tempo que isto foi
La vecchia zia liscia la tovaglia
sopra ci mette delle posate molto antiche
ereditate dai nonni che già la terra consuma

quanti anni passati in questo giorno
staremo ancora insieme come adesso
nella cucina di Sangalhos
tra il fumo della legna secca
e il profumo delle carni
misto a quello delle verdure
appena cotte sul fuoco valente

mia madre dice una cosa a caso
asciuga la vista appannata
io arrivo dal patio
probabilmente cantando

lo zio – l’urina imprigionata
nella morsa della vescica –
racconta una storia
della guerra del ’14
del vicino morto
e di come costui, Manuel, ebbe mala sorte

all’epoca in cui accadde ciò
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Edith Hayllar
Pranzo di Natale al refettorio (1920)
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Os padrinhos morreram todos…


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Os padrinhos morreram todos…
I miei padrini sono tutti morti…


Os padrinhos morreram todos
já não tenho folar da Páscoa
estou triste e descoroçoado
como um cachorrinho à chuva

se agora mexesse no meu sótão
era para adoecer ainda mais
do coração vendo os trastes velhos
debruados de pó

querendo alguém ser amável
evite falar-me dessas coisas
que doem muitas vezes
como um último fio de luz
na trama do crepúsculo
breve chispa
   diluída entre as ondas
I miei padrini sono tutti morti
non ricevo più dolce pasquale
mi sento triste e sconsolato
come un cagnolino bagnato

se oggi rovistassi nella mia soffitta
starebbe ancora peggio il mio cuore
vedendo quella vecchia roba scartata
ricoperta di polvere

se qualcuno volesse esser gentile
eviti di parlarmi di queste cose
che molto sovente mi fanno male
come un ultimo sprazzo di luce
sulla tela del crepuscolo
rapida scintilla
   diluita tra le onde
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Sylvan G. Boxsius
Evening Afterglow (1932)
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Primaveras anónimas…



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Primaveras anónimas…
Primavere anonime…


Primaveras anónimas,
Apostando serenamente nas cores
Moldáveis para que cada um
Construa o seu próprio florescer.
Primavere anonime,
Gareggiando serenamente coi colori
Combinabili affinché ciascuno
Dia forma alla propria fioritura.
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Andy Warhol
Fiori (1964)
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Os Anos Quarenta


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Os Anos Quarenta
Gli Anni Quaranta


Amo-te mais quando olho quando
para a torneira do gás quando estou nu à noite
 quando

e começo a mexer em pânico os ossos da mão direita

há domingos há a infância em que se parou numas
 escadas altas
ouvia-se a guerra ia-se para a cama por causa do ciclone
e quando o vento vem e decepa e quando

as árvores da rua é a mãe que recorta
uns papéis
brancos para colar nos vidros
ou quando (da capo) esse homem
nu à noite quando olha
e vejo vê-se
o indicador direito
manchado de nicotina

depois uma vez desfila
a vitória! surpreendo-os na sala
que me dão dinheiro e corro a comprar barros
na feira e quando quando coisas assim
partia logo e isso era a tristeza
volto a pensar: que queria eu na infância
o sol? outro nome sobre o meu tão frágil?

amo-te mais à noite portanto
quando dobro as calças e começo
quando esse gesto útil quando
bate numas pernas e vê-se
de trinta e cinco anos
Ti amo di più quando guardo quando
si blocca il rubinetto del gas quando sto nudo di notte
 quando

e comincio ad agitare in panico le ossa della mano destra

ci sono domeniche c’è l’infanzia in cui ci si bloccò su alte
 scale
si ascoltava la guerra si andava a letto a causa del ciclone
e quando il vento viene e abbatte e quando

gli alberi della via c’è la madre che ritaglia
dei foglietti
bianchi per incollarli ai vetri
o quando (da capo) quell’uomo
nudo di notte quando guarda
e vedo si vede
l’indice destro
macchiato di nicotina

e poi una volta è sfilata
la vittoria! li sorprendo nella stanza
mi danno dei soldi e corro a comprar stoviglie
alla fiera e quando quando cose così
partivo subito e questo dava tristezza
torno a pensare: cosa desideravo io da bambino
il sole? un altro nome prima del mio così fragile?

ti amo di più di notte e dunque
quando piego i calzoni e comincio
quando quel gesto utile quando
si batte sulle gambe e ci si ritrova
ai trentacinque anni
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Oswaldo Guayasamin
Madre e figlio (1987)
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O dia em que nasci…


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O dia em que nasci…
Il giorno in cui son nato…


O dia em que nasci meu pai cantava
versos que inventam os pastores do monte
com palavras de lã fiada fina
cordeiro lírio neve tojo fonte

esta é uma velha história de família
para dizer como ele e eu chegámos
à raiz mais profunda do afecto
da qual nunca jamais nos separámos

nem Deus feito menino teve um pai
que o abraçasse e lhe cantasse assim
desde a primeira hora até ao fim

fui vê-lo ao hospital quando morria
olhos parados num sorriso leve
tojo cordeiro lírio fonte neve
Il giorno in cui son nato mio padre cantò
versi inventati dai pastori del monte
con parole di lana finemente filata
agnello giglio neve ginestra fonte

questa è una vecchia storia di famiglia
per dire come lui ed io giungemmo
alla radice più profonda dell’affetto
da cui mai ci siamo separati

neanche Dio da bambino ebbe un padre
che l’abbracciasse e per lui cantasse così
dal primo momento fino alla fine

andai a trovarlo in ospedale in fin di vita
occhi immobili in un sorriso lieve
ginestra agnello giglio fonte neve
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Margarita Sikorskaia
Padre e figlio (1968)
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