Salmo


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Salmo
Salmo


Meu Deus, que a poesia me salve, e salve o meu amor.
Que a minha voz ainda seja humana.
Que alguém, cansado do caminho,
Entre no meu coração para dormir.
Que o deserto não seja tudo em mim,
Que algum fruto me seja confiado.
Que a crueza em mim não encontre ninguém.
Que alguma lua seja um segredo meu
E com ela eu possa salvar um forasteiro.
Que o amor não me sepulte.

Mio Dio, che la poesia mi salvi e salvi il mio amore.
Che ancora umana sia la mia voce.
Che ci sia chi, stanco del cammino,
Entri nel mio cuore per dormire.
Che in me non sia tutto un deserto,
Che qualche frutto mi sia dato in custodia.
Che nessuno in me incontri la durezza.
Che qualche luna sia un mio segreto
E con lei io possa salvare uno straniero.
Che l’amore non mi seppellisca.

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Mario Tozzi
L’Apparizione (1966)
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Recordar é preciso


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Recordar é preciso
Ricordare è indispensabile


O mar vagueia onduloso sob os meus pensamentos.
A memória bravia lança o leme:
Recordar é preciso.

O movimento de vaivém nas águas-lembranças
dos meus marejados olhos transborda-me a vida,
salgando-me o rosto e o gosto.
Sou eternamente náufraga,
mas os fundos oceanos não me amedrontam
e nem me imobilizam.

Uma paixão profunda é a boia que me emerge.
Sei que o mistério subsiste além das águas.
Il mare s’agita ondeggiando sotto i miei pensieri.
La memoria spietata dirige il timone:
Ricordare è indispensabile.

Il movimento di viavai nelle acque-ricordo
dei miei occhi lacrimosi m’inonda la vita,
salandomi il volto e il gusto.
Sono eternamente naufraga,
ma il fondo degli oceani non mi spaventa
né mi paralizza.

Una passione profonda è la boa che mi tiene a galla.
So che il mistero sussiste al di là delle acque.
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Archibald John Motley Jr.
Portrait of my Grandmother (1922)
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Poema de Natal


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Poema de Natal
Poesia di Natale


O frio assola
os meninos no Natal
nas grutas, nas vielas,
nos condomínios...

O frio no Natal assola
a vida de muitos.
Na solidão do vazio prato,
o esbanjar da ceia
cerceia o paladar
de quem apenas em sonho,
molha a farinha seca,
no vinho tinto e extinto
pelo derramamento
do cálice do outro.

O frio no Natal
não tem nascedouro
em dezembro.
Há longas datas
o frio assola
a boca vazia
do ano inteiro.

Em dezembro porém
uma lembrança erupciona
a pele de todos.
O frio do outro Menino,
o frio do outro...

E então, no afã de exterminar
o nosso frio, fabricamos
o calor de um só dia, esquecidos
de que como deuses
também podemos milagrar a vida.

Basta tomar
o fogo-brilho da estrela
e com a chama do divino-humano
que em nós habita,
maravilhar o mundo com
a estrela-guia da justiça.
Il freddo affligge
i bambini a Natale
nelle grotte, nei vicoli,
nei condomini...

Il freddo a Natale affligge
la vita di molti.
Nella solitudine d’un piatto vuoto,
l’eccesso della cena
appiattisce il gusto
di chi, appena in sogno,
intinge il biscotto secco
nel vin santo, estinto
a causa dello svuotamento
del calice d’un altro.

Il freddo a Natale
non ha nascituro
a dicembre.
Da tanto tempo
il freddo affligge
la bocca asciutta
dell’anno intero.

A dicembre però
un ricordo irrita
la pelle di tutti.
Il freddo dell’altro Bambino,
il freddo dell’altro...

Ed ecco, nell’ansia di annullare
il nostro freddo, costruiamo
il calore d’un sol giorno, dimentichi
del fatto che, come dei,
possiamo anche noi miracolare la vita.

Basta prendere
l’ardente scintillio della stella
e con la fiamma del divino-umano
che in noi dimora,
stupire il mondo con
la stella-guida della giustizia.
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Rico de Candia
Madonna nera bizantina (XVI sec.)
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Pedra, pau, espinho e grade


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Pedra, pau, espinho e grade
Pietra, bastone, spina e grata


“No meio do caminho tinha uma pedra”,
Mas a ousada esperança
de quem marcha cordilheiras
triturando todas as pedras
da primeira à derradeira
de quem banha a vida toda
no unguento da coragem
e da luta cotidiana
faz do sumo beberragem
topa a pedra pesadelo
é ali que faz parada
para o salto e não o recuo
não estanca os seus sonhos
lá no fundo da memória,
pedra, pau, espinho e grade
são da vida o desafio.
E se cai, nunca se perdem
os seus sonhos esparramados
adubam a vida, multiplicam
são motivos de viagem.
“Nel mezzo del cammin c'era una pietra”,
Ma l’audace speranza
di chi valica cordigliere
frantumando tutte le pietre
dalla prima all’ultima
di chi unge tutta la vita
nell’unguento del coraggio
e della lotta quotidiana
fa della linfa beveraggio
inciampa nella pietra incubo
è lì che fa la scelta
verso il balzo, non per la rinuncia
non lascia ristagnare i suoi sogni
là nel fondo della memoria,
pietra, bastone, spina e grate
sono le sfide della vita.
E se cade, mai vanno perduti
i suoi sogni sparpagliati
concimano la vita, si moltiplicano
stimolano il viaggio.
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Bertina Lopes
Mafalala (n.d.)
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Para a menina


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Para a menina
Alla bambina


Para todas as meninas e meninos de cabelos
  trançados ou sem tranças.


Desmancho as tranças da menina
e os meus dedos tremem
medos nos caminhos
repartidos de seus cabelos.

Lavo o corpo da menina
e as minhas mãos tropeçam
dores nas marcas-lembranças
de um chicote traiçoeiro.

Visto a menina
e aos meus olhos
a cor de sua veste
insiste e se confunde
com o sangue que escorre
do corpo-solo de um povo.

Sonho os dias da menina
e a vida surge grata
descruzando as tranças
e a veste surge farta
justa e definida
e o sangue se estanca
passeando tranqüilo
na veia de novos caminhos,
esperança.
Per tutte le bambine e i bambini coi capelli
  intrecciati o senza trecce.


Disfo le trecce della bambina
e le mie dita tremano
paure lungo i sentieri
separati dei suoi capelli.

Lavo il corpo della bambina
e le mie mani avvertono
dolori sulle tracce-ricordo
d’una sferza traditrice.

Vesto la bambina
e ai miei occhi
il colore della sua veste
insiste e si confonde
col sangue che scorre
dal corpo-suolo d’un popolo.

Sogno i giorni della bambina
e la vita risorge grata
disfacendo le trecce
e la veste risorge piena
giusta e definita
e il sangue torna
a scorrere tranquillo
nella vena di nuovi cammini,
speranza.
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Loïs Mailou Jones
Madre del Senegal (1985)
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