Formoso é o fogo


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Formoso é o fogo
È bello il fuoco


Formoso é o fogo e o rosto
da amada junto a ele.
No lume de seu corpo
tudo em redor clareia.

Depois o que era fogo,
é espuma que se alteia.
E o mundo se faz novo
nas curvas da centelha.

Já não existe esboço,
mas desenhos, e teimam
— unos e justapostos.

Já não existe corpo:
são almas que se queimam
no amor de um mesmo sopro.
È bello il fuoco e il volto
dell’amata a lui accanto.
Alla luce del suo corpo
tutto d’intorno si rischiara.

Poi quel ch’era fuoco,
si fa spuma che s’eleva.
E il mondo si rinnova
nel guizzar di scintille.

Non v’è più schizzo alcuno,
ma disegni, e persistono
— uniti e sovrapposti.

Non esiste più corpo,
ma anime che avvampano
d’amore in uno stesso anelito.
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Sam Uhrdin
Donna accanto al fuoco (1940)
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Abandonei-me ao vento


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Abandonei-me ao vento
Mi sono arreso al vento


Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro, livre, que me sabe

quando me levantar e o corpo solte
o seu despojo vão. Em toda a parte
o vento há de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.

E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.

Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.
Mi sono arreso al vento. Chi sono, può
spiegartelo il vento che m’invade.
E ho già perso il nome al suono della morte,
ne ho avuto un altro, libero, che mi riconoscerà

quando mi rialzerò e il corpo si libererà
della sua vana spoglia. Da ogni parte
il vento spirerà, là dove per la morte
non ci sarà più posto. La morte dissolve la morte.

E i suoi frammenti ricadono nella brezza
e ciò che lei è stata sulla pietra si consuma.
Mi sono arreso al vento come pulviscolo.

Senza l’ossessione dei profitti, da oggetto,
mi sono arreso. E così son rimasto essenziale,
eterno. Ma l’amore ha serbato il mio nome.
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Adolf Boehm
Albero nella tempesta (1897)
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Vem do largo…



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Nuno Rocha Morais »»
 
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Vem do largo…
Viene da lungi…


Vem do largo, vem do mar, o vento longo,
Vem pôr cadências no teu cabelo,
O vento largo, o vento longo.
Entanto, o silêncio exíguo,
A luz sulfurosa num voo sucinto,
O céu incipiente, os rudimentos da manhã.
O que respiro não é livre.
O que chega já não é o mundo.
Aqui e agora imóveis – no preciso instante,
No ápice da agonia, que vem do fundo,
De um mar afogado num signo.
Viene da lungi, viene dal mare, il vento lungo,
Viene a dar ritmo ai tuoi capelli,
Il vento largo, il vento lungo.
Ma intanto, l’esiguo silenzio,
La luce sulfurea in un volo conciso,
Il cielo incipiente, gli albori del giorno.
Quel che respiro non è libero.
Quel che arriva non è già più il mondo.
Qui e ora immobili – nell’esatto momento,
Al culmine dell’agonia, che risale dal fondo
D’un mare annegato in un simbolo.
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Guillermo Gómez Gil
Alba (1920)
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Gazel para a sílaba sonhada


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Carlos Nejar »»
 
Livro de Gazéis (1984) »»
 
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Gazel para a sílaba sonhada
Gazhal per la sillaba sognata


Ao te dizer amor, dizia árvore
e desenhava alguma palavra.
O amor que crescia vegetal
na tua alma era a sílaba sonhada.

Ao te dizer memória, quis o amor
que fosse planura desenhada.
E morte não a disse porque, amada
a árvore cumpriu-se no que sou.

Teu nome sobre a folha:
era lenta gota de água.
Mas a sombra quem a terminava?
Per dirti amore, dicevo albero
e tracciavo qualche parola.
L’amore che cresceva vegetale
nella tua anima era la sillaba sognata.

Per dirti memoria, l’amore voleva
che fosse una pianura disegnata.
E morte non l’ho detta perché, amata,
l’albero s’è avverato in ciò che sono.

Il tuo nome sulla pagina:
era una lenta goccia d’acqua.
Ma l’ombra chi l’avrebbe finita?
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Gustav Klimt
Albero di melo - II (1912)
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Gazel da Paciente Espera


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Gazel da Paciente Espera
Gazhal della paziente attesa


  Para Regina Célia Colónia

Quanto te esperei
nas portas do dia
e te esperei
quando a terra nascia:
o espírito metáfora
boiava.

E te esperava
mas nenhuma nebulosa
te envolvia e nenhum
peixe era tu e nenhuma
circular água apascentava
esta maternidade.

Te esperava
e o dia voltava
e vinha
e nas portas
o relógio de sinais
rangia.

E te esperava,
ave lua
ovelha de tuas mãos
a noite.
Te esperava
porque as palavras
as palavras
batem à porta
e se abrem.

E te esperarei
a vida repleta
e a morte.

Depois na eternidade
recomeço.
  Per Regina Célia Colónia

Quanto t’aspettai
alle soglie del giorno
e t’aspettai
mentre la terra nasceva:
lo spirito metafora
fluttuava.

E t’aspettavo
ma nessuna nebulosa
t’avvolgeva e nessun
pesce eri tu e nessuna
acqua ti cingeva alimentando
questa maternità.

T’aspettavo
e il giorno andava
e veniva
e sulle porte
l’orologio di segnali
strideva.

E t’aspettavo,
uccello luna
pecora per le tue mani
di notte.
T’aspettavo
perché le parole
le parole
bussano alla porta
e si aprono.

E t’aspetterò
per tutta la vita
e la morte.

Poi nell'eternità
io ricomincio.
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Philippe Charles Jacquet
Il padre (2015)
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