Patrimônio


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Erosão (1973) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Patrimônio
Patrimonio


Pesam nos meus ossos
Os meus pensamentos,
Choram nos meus olhos
As visões neles crescidas,
Soluçam no torpor das minhas carnes
Ancestrais desalentos.

Sangram os meus pés
Na inútil andança
Da imaginação liberta,
Pulveriza o meu espírito
A solidão do suicida ignorado
E cresce assustadoramente dentro de mim
A calmaria que precede o fim.
Pesano sulle mie ossa
I miei pensieri,
Piangono nei miei occhi
Le visioni cresciute lì,
Singhiozzano nel torpore delle mie carni
Sconforti ancestrali.

Sanguinano i miei piedi
Nell'inutile vagare
Dell’immaginazione liberata,
Polverizza il mio spirito
La solitudine del suicida ignorato
E cresce spaventosamente dentro di me
La bonaccia che precede la fine.
________________

Julia Vengiel
La calma prima della tempesta (2024)
...

Os cegos


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Erosão (1973) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Os cegos
I ciechi


Não vemos o mostrador do Tempo
Assim como não vemos
Uma forma de vida fundir-se noutra.
Não vemos a vida caminhar sobre nossa origem
Construindo muralhas contra nós mesmos.
Não ouvimos o cântico de guerra
Festejando nossos fracassos
Registrados nas páginas do pensamento.

A cada hora vemos e sentimos menos
O mostrador do Tempo.
Somos mutações desordenadas
Multiplicando-se nos porões fétidos
De galeras negras, abandonadas.
Non vediamo il quadrante del Tempo
E non vediamo neppure
Una forma di vita fondersi in un’altra.
Non vediamo avanzare la vita verso la nostra origine
Costruendo muri contro noi stessi.
Non udiamo il cantico di guerra
Che celebra i nostri fallimenti
Annotati sulle pagine del pensiero.

Ora dopo ora vediamo e sentiamo meno
Il quadrante del Tempo.
Siamo mutazioni caotiche
Che si moltiplicano nelle fetide stive
Di neri galeoni, abbandonati.
________________

William Turner
Stonehenge al tramonto (1811)
...

O fado deixa-nos…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (maggio 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


O fado deixa-nos…
Il fado ci lascia…


O fado deixa-nos
Abandonados na praia,
As notas quebrando-nos os olhos,
Lágrimas pelos olhos adentro.
No céu, apaga-se a geografia dos astros,
Saudade súbita
De algo ainda próximo,
Mas é a saudade futura presente.
O fado desatando o coração,
O fado abrindo uma gaveta
Antiquíssima e poeirenta
Onde reencontramos um pouco de nós.
Il fado ci lascia
Abbandonati sulla spiaggia,
E le note ci spezzano gli occhi,
Riversando le lacrime all’interno.
In cielo, si cancella la geografia degli astri,
Rimpianto improvviso
Di qualcosa ancora vicino,
Ma è il rimpianto del futuro che è presente.
Fado che scioglie il cuore,
Fado che apre un cassetto
Vecchissimo e polveroso
In cui ritroviamo un po’ di noi.
________________

Giorgio de Chirico
I danzatori (1970)
...

Mulher


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Erosão (1973) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Mulher
Donna


Na face, a geografia da angústia,
Dos pânicos e das medrosas alegrias.
Cada ruga é um presságio.
E auréola da aflição constante
O esplendor dos cabelos brancos.

Uma só raiz para frutos diversos,
Uma só vida para destinos tão complexos,
Um só pranto para dores tão diversas.

O útero que gera o herói, o sábio, o poeta,
O santo, o miserável e o assassino.
Uma só raiz para frutos tão diversos!

O dom da paz em cada gesto
Cai como noites quietas
Sobre a alma em rancor,
Amor acima do amor.
Sul viso, la geografia dell’angoscia,
Del panico e delle timide gioie.
Ogni ruga è un presagio.
E aureola di costante afflizione
Lo splendore dei capelli bianchi.

Una sola radice per frutti diversi,
Una sola vita per destini tanto complessi,
Un solo pianto per dolori tanto diversi.

L’utero che genera l’eroe, il saggio, il poeta,
Il santo, il miserabile e l’assassino.
Una sola radice per frutti tanto diversi!

Il dono della pace in ogni gesto
Ricade come notti quiete
Sull’anima rancorosa,
Amore sopra l’amore.
________________

Pablo Picasso
Madre con bambino malato (1903)
...

Metamorfose


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Erosão (1973) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Metamorfose
Metamorfosi


No combate entre o gelo e o fogo
A vida universal desdobra-se em ciclos
No espaço de mil séculos.
Tomamos consciência do cósmico,
Tentamos ligações com o espírito há muito abatido
E a alma afunda em dimensões pulverizadas.
Dá-se a recuperação das espécies rejeitadas,
O achado do perdido não procurado.
Do implacável e do flamejante
O universo não está terminado.
Há mutações silenciosas em cada instante que soçobra
E que só percebemos da metamorfose de mil em mil
 séculos.

Somos casulos pendurados nas folhas de árvores sem
 nome,
Casulos à espera da metamorfose cíclica do tempo.
Nella lotta tra il ghiaccio e il fuoco
La vita universale si dispiega nello spazio
In cicli di mille secoli.
Prendiamo coscienza del cosmico,
Tentiamo un contatto con lo spirito da tempo sconfitto
E l’anima precipita in dimensioni disintegrate.
Avviene il recupero delle specie rifiutate,
Il ritrovamento di ciò che andò perso e non ricercato.
Con energia implacabile e ardente
L’universo ancora non è giunto alla fine.
Ci sono silenziose mutazioni ad ogni istante che passa
E noi avvertiamo le metamorfosi soltanto ogni mille
 secoli.

Siamo crisalidi appese alle foglie di alberi senza
 nome,
Crisalidi in attesa della metamorfosi ciclica del tempo.
________________

Bridget Tichenor
Wait (1961)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (32) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (540) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (30) Poesie inedite (348) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)