Que a tua memória seja longa…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (febbraio 2018) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Que a tua memória seja longa…
Che sia lunga la tua memoria…


Que a tua memória seja longa,
Embora, por vezes, a fites incrédulo,
E não te reconheças em nenhum
Dos outros que foste e em ti apagaste.
Memória longa para saberes
Onde se encontram perdidas as coisas,
As pessoas, os lugares,
E então talvez as causas aceitem revelar-se,
Personagens na sombra que abandonam o disfarce
Porque nada mais pode a memória
Senão murmurar-te que viver
É desencontrar.
Que seja longa e labiríntica:
O fogo sem chamas reminiscente
O que te espera é isso,
Uma longa conversa com a memória.
Che sia lunga la tua memoria,
Pur se, a volte, la fissi incredulo,
Senza riconoscerti in nessuno
Degli altri che sei stato e hai cancellato.
Memoria lunga per sapere
Dove sono andate perse le cose,
Le persone, i luoghi,
E chissà che allora le cause accettino di rivelarsi,
Personaggi nell’ombra che gettano la maschera
Perché null’altro può la memoria
Se non mormorarti che vivere
È perdersi.
Che sia lunga e labirintica:
Il fuoco senza fiamma evocativo
Quel che t’attende è questo,
Una lunga conversazione con la memoria.
________________

René Magritte
Souvenir di viaggio (1963)
...

Rangem enxárcias no ar...



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (marzo 2018) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Rangem enxárcias no ar...
Cigola il sartiame nell'aria...


Rangem enxárcias no ar
E as árvores esbracejam,
Como náufragas.
Cada folha apresta-se para a tempestade
Para desempenhar o seu papel no terror
Entre nuvens sulfúricas,
Na presúria do vento.

A tempestade que chega com um vagido
E as nossas duas almas que se rasgam
Como se, alguma vez, fossem uma,
Agora, na tempestade, no terror.
Cigola il sartiame nell’aria
E gli alberi si sbracciano,
Come naufraghi.
Ogni foglia s’appronta alla tempesta
Per svolgere il proprio ruolo nel terrore
Tra nuvole sulfuree,
Sotto gli attacchi del vento.

La tempesta che giunge con un vagito
E le nostre due anime che si squarciano
Come se mai fossero state una,
Ora, nella tempesta, nel terrore.
________________

Matthieu van Plattenberg
Nave olandese in tempesta (1650 ca.)
...

50 Anos


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adília Lopes »»
 
Dobra - 1983-2023 (2024) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


50 Anos
50 anni


Talvez escreva
poemas
que já li
que outros já escreveram
que eu mesma já escrevi
esqueço-me
da minha vida
Può darsi che io scriva
poesie
già lette
già scritte da altri
che io stesso ho già scritto
mi scordo
della mia vita
________________

Kelly Carmody
Journaling (2025)
...

Penélope


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adília Lopes »»
 
Dobra - 1983-2023 (2024) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Penélope
Penelope


1
Penélope
é uma aranha
que faz
uma teia
a teia é a Odisseia
de Penélope

2
Penélope está
sempre
sentada

3
Ulisses é abstracto
Penélope é concreta
a teia é abstracta
e concreta

4
Penélope casa-se
com Homero
Ulisses fica a ver
navios
1
Penelope
è un ragno
che tesse
la tela
la tela è l’Odissea
di Penelope

2
Penelope sta
sempre
seduta

3
Ulisse è astratto
Penelope è concreta
la tela è astratta
e concreta

4
Penelope si sposa
con Omero
Ulisse resta a
guardare le navi
________________

Heva Coomans
Penelope attende Ulisse (1900 ca.)
...

Não quero dizer nada…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (luglio 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Não quero dizer nada…
Non voglio dire niente…


Não quero dizer nada.
Se eu quisesse não escrevia poemas.
Aliás o poema escreve-se dentro de mim,
Num fora de mim,
Noutra desenfreada de verde margem,
Alheia, distante, proibida.
O poema nasce do seu nada,
Do seu silêncio,
Respira numa raiz de nebulosa,
Torna-se arauto, nascido de um relâmpago
Ou ideia dolorosamente gotejante
Para as formas da escultura,
Ideia vinda do limbo
De um nome abandonado,
Ignorado,
Pois que os nomes não se criam,
Apenas se transformam.
O poema existe em mim,
Sem elos comigo:
Eu não o disponho.
O poema não é a sombra, o reflexo,
Do poeta.
Non voglio dire niente.
Se lo volessi non scriverei poesie.
Invece è la poesia che si scrive dentro di me,
In un posto fuori di me,
A un altro estremo sconfinato e verde,
Estraneo, distante, proibito.
La poesia nasce dal proprio niente,
Dal proprio silenzio,
Respira in una radice di nebulosa,
Diventa araldo, scaturito da un fulmine
O idea che dolorosamente gocciola
Per le forme della scultura,
Idea venuta dal limbo
D’un nome abbandonato,
Ignorato,
Dato che i nomi non si creano,
Soltanto si trasformano.
La poesia esiste in me,
Senza legami con me:
Io non ne dispongo.
La poesia non è l’ombra, il riflesso,
Del poeta.
________________

Victor Brauner
Spatial Additivity (1956)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (550) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (30) Poesie inedite (358) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)