Brincadeira


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Brincadeira
Gioco


Ando a correr atrás do Outro
como fazem...
dois meninos brincando num jardim...

... até me achar de repente,
sem saber como, o Outro lá da frente,
que vai fugindo de mim
Sto correndo dietro all’Altro
come fanno...
due bambini che giocano in un giardino...

... finché d’un tratto mi ritrovo,
senza sapere come, con l’Altro davanti a me,
che sta fuggendo da me
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Pierre Bonnard
Crepuscolo - La partita di croquet (1892)
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Alegria


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Alegria
Gioia


Nas capelas todas
os sinos todos...
toquem...

Que digam minha Alegria
(eu não preciso dizê-la;
ai! a mim, sinos,
basta-me vivê-la)

Os sinos todos
toquem...
E rosas silvestres nasçam
onde ninguém as sonhasse...
E o rouxinol se esqueça,
cantando minha Alegria,
do que o levou a cantar...
E os sinos todos
toquem...

e que eu por fim,
ao som dos sinos
cante,
mas não perceba que o faço
mandado
por minha clara Alegria.
Que julgue que vou cantando
as rosas bravas nascidas
e os rouxinóis enlevados
e os sinos todos tocando…
Che in tutte le cappelle
tutte le campane...
rintocchino...

Che raccontino la mia Gioia
(io non ho bisogno di dirla;
ah! a me, campane,
basta viverla)

Che tutte le campane
rintocchino...
E nascano rose selvatiche
dove nessuno le ha sognate...
E scordi l’usignolo,
nel cantar la mia Gioia,
cosa lo indusse a cantare...
E tutte le campane
rintocchino...

e che finalmente,
al suono delle campane
io canti,
ma senza accorgermi di farlo
perché indotto
dalla mia pura Gioia.
Lascia ch’io pensi che sto cantando
le rose selvatiche sbocciate
e gli usignoli rapiti
e tutte le campane che rintoccano…
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Aristarch Lentulov
Campane. Ivan il Grande campanile (1884)
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Aguarela


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Aguarela
Acquerello


Virgem de tudo, brinca
ao Sol uma menina....
Tem ainda no corpo
embalos de berço.
Tem ainda nos lábios
sabor
do leite da Mãe.

A menina brinca,
virgem de tudo.
Ao alto, o Sol doira
seus cabelos pretos.
E a menina pensa
(não pensa que sente),
sente que são loiros
seus cabelos pretos.
Vergine di tutto, gioca
al Sole una bambina....
Nel corpo conserva ancora
il dondolio della culla.
Sulle labbra conserva ancora
il sapore
del latte della Mamma.

La bambina gioca,
vergine di tutto.
Lassù, il Sole indora
i suoi capelli neri.
E la bambina pensa
(non pensa di sentire),
sente che sono biondi
i suoi capelli neri.
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Mary Cassatt
Bambine sulla spiaggia (1884)
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Aceitação


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Aceitação
Accettazione


Aqueles dons, merecidos ou não,
vinham do Céu...
Por isso eu os aceitei...

E não pedi, sobre esses dons, nem peço,
qualquer explicação.
E só por isso
merecidos ou não já os mereço.
Quei doni, meritati o meno,
venivano dal Cielo...
Perciò io gli accettai...

E non chiesi, per quei doni, né chiedo,
spiegazione alcuna.
E solamente perciò,
meritati o meno, io già li merito.
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Jean-Baptiste Greuze
La Donna di Carità (1773)
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A Companheira


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A Companheira
La compagna


Não te busquei, não te pedi: vieste.
E desde que eu nasci houve mil coisas
que a meus olhos se deram como igual
simplicidade: o Sol, a manhã de hoje,
essa flor que é tão grácil que a não quero,
o milagre das fontes pelo Estio.
Vieste! (o Sol veio também, a flor,
a manhã de hoje, as águas ...). Alegria,
mais calada alegria, mas serena,
entendimento puro, natural
encontro, natural como a chegada
do Sol, da flor, das águas, da manhã,
de ti, que eu não buscara nem pedira.

E o Amor? E o Amor? E o Amor?
– Vieste.
Non t’ho cercata, non t’ho pregata: sei venuta.
E dacché io sono nato ci sono state mille cose
che al mio sguardo si sono date con uguale
semplicità: il sole, l’odierna mattinata,
questo fiore tanto esile che non lo voglio,
il miracolo delle sorgenti nella calura…
Sei venuta (è venuto anche il sole, il fiore,
l’odierna mattinata, le acque…). Gioia,
ma gioia silente, eppur serena,
puro affiatamento, incontro
naturale, naturale come l’arrivo
del sole, del fiore, delle acque, del mattino,
di te che non avevo cercato né pregato.

E l’Amore? E l’Amore? E l’Amore?
– Sei venuta.
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Gustave Courbet
Gli amanti in campagna, sentimenti della giovinezza (1844)
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