A Edgar Allan Poe


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A Edgar Allan Poe
A Edgar Allan Poe


Fecha-se um homem no quarto
E esquece a janela aberta.
Pela janela entra um corvo.
O homem se desconcerta.

Desconcertado, invectiva-o
De anjo, demônio, adivinho.
Pede-lhe mágicas, mapas,
Soluções, chaves, caminhos.

Mas, ave de curto vôo,
O corvo sorri de pena.
Murmura vagas palavras.
Não absolve, não condena.

Cala-se o homem, frustrado,
(O egocentrismo desgosta)
E, a contragosto, percebe
Que o eco não é resposta.
Un uomo si chiude nella stanza
E dimentica la finestra aperta.
Dalla finestra entra un corvo.
E di questo l’uomo si sconcerta.

Sconcertato, ecco che l’apostrofa
“Sei angelo, demonio, stregone”.
Gli chiede magie, mappe,
Chiavi, percorsi, soluzioni.

Ma, uccello di corte vedute,
Il corvo sorride dolente.
Mormora vaghe parole.
Non condanna, non assolve.

L'uomo tace, frustrato,
(L’egocentrismo disgusta)
E, a malincuore, capisce
Che l’eco non è una risposta.
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Ritratto di Edgar Allan Poe
Foto di Sarah Ellen Whitman (1849)
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A Arthur Rimbaud


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A Arthur Rimbaud
Ad Arthur Rimbaud


  La condamnation du rimbaudisme, au nom,
  et pour la mémoire, de Rimbaud.

   Aragon, Chroniques du Bel Canto

Amarramos ao cais teu barco ébrio
(Que a salsugem lhe roa o cabrestante)
E atiramos ao mar, prudentemente,
A chave dos teus mapas delirantes.

Despimos teu casaco de boêmio.
(Quanto mais alta a torre, mais burguesa).
Hoje estamos de pé nas barricadas:
Já não morremos por delicadeza.

O teu famoso gole de veneno,
A vertigem, o inferno, a eternidade
— Tudo isso passou, mas aprendemos
Tua lição: saudamos a bondade.
  La condamnation du rimbaudisme, au nom,
  et pour la mémoire, de Rimbaud.

   Aragon, Chroniques du Bel Canto

Abbiam legato al molo la tua barca ebbra
(Che la salsedine le corroda il verricello)
E abbiam gettato al mare, prudentemente,
La chiave delle tue mappe deliranti.

Abbiam dismesso la tua giacca da ribelle.
(Quanto più alta è la torre, tanto più è borghese).
Oggi siamo saliti sulle barricate:
Ormai più non si muore per gentilezza.

Il tuo famoso sorso di veleno,
La vertigine, l’inferno, l’eternità
— Tutto ciò è passato, ma abbiamo imparato
La tua lezione: salutiamo la bontà.
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Ritratto di Arthur Rimbaud (1859-1891)
basato sulla fotografia di Carjat
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Volta à legalidade


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Volta à legalidade
Ritorno alla legalità


Decretamos silêncio, mas alguns
Murmuravam ainda. Decepamos
A língua obstinada.

Proibimos lanternas, mas alguém
Nos olhava do escuro. Trespassamos
O olho indagador.

Pedimos sujeição, mas houve punhos
Erguidos contra nós. Inauguramos
A fase dos reféns.

Persistia a desordem. Era inútil
A tática cristã. Então usamos
A parede e o fuzil.

Hoje estamos, Comandante, receosos
Nesta cidade morta, onde escutamos
Ruídos tenebrosos.

Os cães latem demais. Há mesmo casos
De deserção na tropa. O medo, agora,
É hóspede constante.

Eis a última mensagem, Comandante:
A ordem foi mantida. Agora é tarde.
Deus nos guarde.
Decretammo il silenzio, ma alcuni
Mormoravano ancora. Amputammo
La lingua ostinata.

Proibimmo i lampioni, ma qualcuno
Dal buio ci osservava. Trafiggemmo
L’occhio indagatore.

Esigemmo sudditanza, ma ci furono pugni
Alzati contro di noi. Inaugurammo
La fase degli ostaggi.

Persisteva il disordine. Era inutile
La tattica cristiana. Usammo quindi
Il muro e il fucile.

Oggi, Comandante, siamo in apprensione
In questa città morta, dove sentiamo
Rumori inquietanti.

I cani abbaiano troppo. Ci sono anche casi
Di diserzione nelle truppe. La paura, ora,
È un ospite costante.

Ecco il messaggio finale, Comandante:
S’è mantenuto l’ordine. Ma ora è tardi.
Che Dio ci protegga.
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Jean Dubuffet
Essere e apparire (1963)
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Ode


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Ode
Ode


Uma palavra esquecida
À beira do precipício
Onde o suicida hesitou.
Uma palavra tranqüila
Em meio ao pânico, voz
Sem equívoco, harmonia
De harpas antecipadas.
Uma palavra roubada
A outro alfabeto, onde o lobo
Já não uive, onde o revólver
Desobedeça ao gatilho.
Uma palavra mais forte
Que todo gesto de raiva,
Que todo grito de morte.
Uma palavra ofertada
Ao homem que, do presente,
Dialoga com seu futuro.
Uma palavra que traz
Em si muitas outras: PAZ.
Una parola dimenticata
Sull’orlo del precipizio
Dove il suicida esitò.
Una parola serena
In mezzo al panico, voce
Senz’ambiguità, armonia
Di arpe preannunciate.
Una parola rubata
A un altro alfabeto, in cui il lupo
Più non ulula, in cui il revolver
Disubbidisce al grilletto.
Una parola più forte
Di qualunque gesto di rabbia,
Di ogni grido di morte.
Una parola offerta
All’uomo che, dal presente,
Dialoga col suo futuro.
Una parola che ne reca
In sé molte altre: PACE.
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David Alfaro Siqueiros
Paz (1961)
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L’Affaire Sardinha


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L’Affaire Sardinha
L’Affaire Sardinha


O bispo ensinou ao bugre
Que pão não é pão, mas Deus
Presente na eucaristia.

E como um dia faltasse
Pão ao bugre, ele comeu
O bispo, eucaristicamente.
Il vescovo insegnò al selvaggio
Che il pane non è pane, ma Dio
Presente nell’eucarestia.

E poiché un giorno mancò
Pane al selvaggio, questi mangiò
Il vescovo, eucaristicamente
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Theodor de Bry
Banchetto dei cannibali Tupinamba (1593)
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