Lembrança


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Cantos da Angústia (1948) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Lembrança
Ricordo


Fiquei vivendo à tua sombra
Como os musgos à beira das fontes.
Com ritmo agreste verguei meu corpo
Com um movimento de arco distendido pela flecha
E o ruído do meu sangue correndo em minhas veias
Foi como o das distantes cachoeiras perdidas.
O meu pensamento como um pássaro da noite
Riscou o silencio dos nossos corpos deitados
E pousou na tua boca entreaberta
Como a brisa sobre os jardins pisados.
O perfume da terra chovida
Que a tua presença evaporava
Penetrou nos meus cabelos
Como a seiva dos frutos caídos
E aprofundou-se nos meus sentidos
Como a gota sorvida pelas quentes areias.
Fiquei no teu corpo
Como a poeira das estradas
Pegada às folhas novas
As folhas que não necessitam florescer
Porque o sangue da terra
Justifica o seu isolamento.

Fiquei vivendo à sombra do teu corpo
Como os musgos à beira das fontes.
Sono vissuta alla tua ombra
Come il muschio sul bordo delle fonti.
Con ritmo agreste inarcai il mio corpo
Col movimento dell’arco teso dalla freccia
E il fragoroso scorrere del mio sangue nelle vene
Era simile a quello delle lontane rapide perdute.
Il mio pensiero come un uccello notturno
Scalfiva il silenzio dei nostri corpi distesi
E si posava sulla tua bocca socchiusa
Come la brezza sopra i giardini sfiorati.
Il profumo di terra dopo la pioggia
Che la tua presenza emanava
Penetrava nei miei capelli
Come la linfa dei frutti caduti
E s’insinuava dentro ai miei sensi
Come goccia assorbita dalla sabbia ardente.
Sono rimasta stretta al tuo corpo
Come la polvere delle strade
S’incolla alle foglie nuove
Le foglie che non han bisogno di fiorire
Perché il sangue della terra
Giustifica il loro isolamento.

Sono vissuta all’ombra del tuo corpo
Come il muschio sul bordo delle fonti.
________________

Ismael Nery
A Família (1924)
...

Fantasmas


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Cantos da Angústia (1948) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Fantasmas
Fantasmi


Lívidos fantasmas deslizam nas horas perdidas
Chegam à minha alma
E como sombras da noite
Levantam os meus ímpetos mortos
Desatando as ligaduras do tempo.
O luar da madrugada fria cai no meu rosto
E ilumina com branda amargura
O meu espírito que espera a hora insolúvel.
Os caminhos cobrem-se de homens que dormem na morte
E cresce no meu coração um desejo incontido
Para uma união mais forte, mais intensa e mais perfeita.
A minha pupila é banhada pela enorme lágrima
Que umedecerá o solo castigado.
A lágrima que levará ternura às existências sofridas,
A lágrima que se mudará em sangue,
Que levantará a vida morta do universo!
Lividi fantasmi scivolano nelle ore perdute
Giungendo all’anima mia
E come ombre della notte
Risvegliano i miei morti impulsi
Slegando i nodi del tempo.
Il chiar di luna della fredda aurora mi scende sul viso
E illumina con mite amarezza
Il mio spirito che attende l’ora inscindibile.
Le strade si coprono di uomini che dormono nella morte
E nel mio cuore cresce un desiderio sfrenato
Per un’unione più forte, più intensa e più perfetta.
La mia pupilla è bagnata dall’enorme lacrima
Che inumidirà il suolo castigato.
La lacrima che donerà calore alle esistenze afflitte,
La lacrima che si trasformerà in sangue,
Che farà risorgere la vita morta dell’universo!
________________

Alexandre Cabanel
L'angelo caduto (dettaglio) (1847)
...

Biografia dos meus olhos


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Cantos da Angústia (1948) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Biografia dos meus olhos
Biografia dei miei occhi


Estes meus olhos que um dia perceberam vagamente
O colorido, as formas,
Que aprenderam a beleza do voo das aves e a amplidão
 das campinas,
Os meus olhos que um dia tão contentes
Transmitiram à minha alma
As palavras de um amor adolescente,
Os meus olhos que mais tarde encantados
Viram os meus braços receberem
O que o meu ventre havia gerado.
Estes meus olhos que choraram tantas vezes escondido,
Que tantas vezes se afogaram no pavor
E num medo indefinido,
Estes olhos que um dia sorriram
De frescura e esperança.
Estes meus olhos cansados
De tristezas prematuras
Rasos de doídas lágrimas
Sobre berços e sepulturas
Foram os que aprenderam duramente
O que era o pranto e a mágoa
Na destruição do desejo da vida mais ardente.
Estes meus olhos que agonizam agora sofridos,
 envelhecidos
Se apagarão na misteriosa noite
Com a derradeira lágrima pelos desolados e os vencidos!
Questi miei occhi che un dì percepirono vagamente
I colori, le forme,
Che appresero la bellezza dal volo degli uccelli e la vastità
 delle pianure,
I miei occhi che un dì così contenti
Trasmisero alla mia anima
Le parole d’un amore adolescente,
I miei occhi che più tardi incantati
Videro le mie braccia accogliere
Ciò che il mio ventre aveva generato.
Questi miei occhi che tante volte piansero di nascosto,
Che tante volte s’affogarono nel terrore
E in una paura indefinita,
Questi occhi che un dì sorrisero
Di freschezza e speranza.
Questi miei occhi stanchi
Di premature tristezze
colmi di dolenti lacrime
Su culle e sepolcri
A proprie spese impararono
Che cosa fosse il pianto e il dolore
Nella devastazione del desiderio più ardente della vita.
Questi miei occhi che ora agonizzano rassegnati,
 invecchiati
Si spegneranno nella misteriosa notte
Con l’ultima lacrima per i desolati e i vinti!
________________

Ismael Nery
Figura (1927)
...

Escultura


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
A Mulher Ausente (1940) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Escultura
Scultura


Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...
Io già ti amavo nelle fotografie.
Per quella tua aria triste e decadente dei vinti,
Per il tuo sguardo vago e incerto
Come quello di chi non indulgeva al riso e all’allegria.
Ti amavo per quelle tue ossessioni di disfatta,
per il tuo contegno in contrasto con l’esultanza degli atleti
E persino per l’indecisione dei tuoi gesti senza premura.
Ti parlai un giorno fuori dalla fotografia
Ti amai con la stessa tenerezza
Presente in una carezza data in silenzio
E tu non sentisti quante volte
Le mie mani usarono il mio pensiero,
Accarezzandoti i capelli in un’estasi immensa.
E così ti amo, vedendo nel tuo aspetto e nel tuo sguardo
Tutta un’esistenza tormentata dalla violenza e dall’angoscia
Che la realtà della vita sempre esige
E che interminabilmente devi dare!...
________________

Felice Casorati
Anna Maria de Lisi (1919)
...

Vou folheando a memória…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (aprile 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Vou folheando a memória…
Sfoglio tra i miei ricordi…


Vou folheando a memória,
Onde as datas são o eco
Das areias exauridas
Mas jamais mortas.
Releio rumores de mim,
Mas algo se perdeu
Entre os olhos presentes
E as palavras de sentido perdido,
Onde a profundidade é incompreensível:
Ler estas palavras é pedir-lhes silêncio.
Tudo se perdeu, apenas as ondulações
Transbordantes de dor ou alegria
Falam ainda com a mesma voz.
Sfoglio tra i miei ricordi,
Dove le date sono l’eco
Delle sabbie esaurite
Ma giammai morte.
Rileggo voci su di me,
Ma qualcosa s’è perso
Tra gli occhi di oggi
E le parole dal senso perduto,
La cui profondità è incomprensibile:
Leggere quelle parole è chieder loro silenzio.
Tutto s’è perso, solo le increspature
Traboccanti di dolore o di gioia
Parlano ancora con la stessa voce.
________________

Pierre Soulages
Lithographie 37 (1974)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (7) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (536) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (30) Poesie inedite (344) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)