Mistérios


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Mistérios
Misteri


Há vozes dentro da noite que clamam por mim,
Há vozes nas fontes que gritam meu nome.
Minha alma distende seus ouvidos
E minha memória desce aos abismos escuros
Procurando quem chama.
Há vozes que correm nos ventos clamando por mim.
Há vozes debaixo das pedras que gemem meu nome
E eu olho para as árvores tranqüilas
E para as montanhas impassíveis
Procurando quem chama.
Há vozes na boca das rosas cantando meu nome
E as ondas batem nas praias
Deixando exaustas um grito por mim
E meus olhos caem na lembrança do paraíso
Para saber quem chama.
Há vozes nos corpos sem vida,
Há vozes no meu caminhar,
Há vozes no sono de meus filhos
E meu pensamento como um relâmpago risca
O limite da minha existência
Na ânsia de saber quem grita.
Ci son voci nella notte che chiedono di me,
Ci son voci nelle fonti che gridano il mio nome.
La mia anima tende le orecchie
E la mia memoria scende agli abissi oscuri
In cerca di chi chiama.
Ci son voci che corrono nel vento chiedendo di me.
Ci son voci sotto le pietre che gemono il mio nome
Ed io guardo gli alberi tranquilli
E le montagne impassibili
In cerca di chi chiama.
Ci son voci sulla bocca delle rose che cantano il mio nome
E le onde s’infrangono sulle spiagge
Lanciando esauste un grido per me
E i miei occhi si volgono verso il ricordo del paradiso
Per sapere chi chiama.
Ci son voci nei corpi senza vita,
Ci son voci lungo il mio cammino,
Ci son voci nel sonno dei miei figli
E il mio pensiero come un fulmine sfreccia
Oltre il limite della mia esistenza
Nell’ansia di sapere chi sta gridando.
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Edvard Munch
Malinconia II (1898)
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Lembrança


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Lembrança
Ricordo


Fiquei vivendo à tua sombra
Como os musgos à beira das fontes.
Com ritmo agreste verguei meu corpo
Com um movimento de arco distendido pela flecha
E o ruído do meu sangue correndo em minhas veias
Foi como o das distantes cachoeiras perdidas.
O meu pensamento como um pássaro da noite
Riscou o silencio dos nossos corpos deitados
E pousou na tua boca entreaberta
Como a brisa sobre os jardins pisados.
O perfume da terra chovida
Que a tua presença evaporava
Penetrou nos meus cabelos
Como a seiva dos frutos caídos
E aprofundou-se nos meus sentidos
Como a gota sorvida pelas quentes areias.
Fiquei no teu corpo
Como a poeira das estradas
Pegada às folhas novas
As folhas que não necessitam florescer
Porque o sangue da terra
Justifica o seu isolamento.

Fiquei vivendo à sombra do teu corpo
Como os musgos à beira das fontes.
Sono vissuta alla tua ombra
Come il muschio sul bordo delle fonti.
Con ritmo agreste inarcai il mio corpo
Col movimento dell’arco teso dalla freccia
E il fragoroso scorrere del mio sangue nelle vene
Era simile a quello delle lontane rapide perdute.
Il mio pensiero come un uccello notturno
Scalfiva il silenzio dei nostri corpi distesi
E si posava sulla tua bocca socchiusa
Come la brezza sopra i giardini sfiorati.
Il profumo di terra dopo la pioggia
Che la tua presenza emanava
Penetrava nei miei capelli
Come la linfa dei frutti caduti
E s’insinuava dentro ai miei sensi
Come goccia assorbita dalla sabbia ardente.
Sono rimasta stretta al tuo corpo
Come la polvere delle strade
S’incolla alle foglie nuove
Le foglie che non han bisogno di fiorire
Perché il sangue della terra
Giustifica il loro isolamento.

Sono vissuta all’ombra del tuo corpo
Come il muschio sul bordo delle fonti.
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Ismael Nery
A Família (1924)
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Fantasmas


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Fantasmas
Fantasmi


Lívidos fantasmas deslizam nas horas perdidas
Chegam à minha alma
E como sombras da noite
Levantam os meus ímpetos mortos
Desatando as ligaduras do tempo.
O luar da madrugada fria cai no meu rosto
E ilumina com branda amargura
O meu espírito que espera a hora insolúvel.
Os caminhos cobrem-se de homens que dormem na morte
E cresce no meu coração um desejo incontido
Para uma união mais forte, mais intensa e mais perfeita.
A minha pupila é banhada pela enorme lágrima
Que umedecerá o solo castigado.
A lágrima que levará ternura às existências sofridas,
A lágrima que se mudará em sangue,
Que levantará a vida morta do universo!
Lividi fantasmi scivolano nelle ore perdute
Giungendo all’anima mia
E come ombre della notte
Risvegliano i miei morti impulsi
Slegando i nodi del tempo.
Il chiar di luna della fredda aurora mi scende sul viso
E illumina con mite amarezza
Il mio spirito che attende l’ora inscindibile.
Le strade si coprono di uomini che dormono nella morte
E nel mio cuore cresce un desiderio sfrenato
Per un’unione più forte, più intensa e più perfetta.
La mia pupilla è bagnata dall’enorme lacrima
Che inumidirà il suolo castigato.
La lacrima che donerà calore alle esistenze afflitte,
La lacrima che si trasformerà in sangue,
Che farà risorgere la vita morta dell’universo!
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Alexandre Cabanel
L'angelo caduto (dettaglio) (1847)
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Biografia dos meus olhos


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Biografia dos meus olhos
Biografia dei miei occhi


Estes meus olhos que um dia perceberam vagamente
O colorido, as formas,
Que aprenderam a beleza do voo das aves e a amplidão
 das campinas,
Os meus olhos que um dia tão contentes
Transmitiram à minha alma
As palavras de um amor adolescente,
Os meus olhos que mais tarde encantados
Viram os meus braços receberem
O que o meu ventre havia gerado.
Estes meus olhos que choraram tantas vezes escondido,
Que tantas vezes se afogaram no pavor
E num medo indefinido,
Estes olhos que um dia sorriram
De frescura e esperança.
Estes meus olhos cansados
De tristezas prematuras
Rasos de doídas lágrimas
Sobre berços e sepulturas
Foram os que aprenderam duramente
O que era o pranto e a mágoa
Na destruição do desejo da vida mais ardente.
Estes meus olhos que agonizam agora sofridos,
 envelhecidos
Se apagarão na misteriosa noite
Com a derradeira lágrima pelos desolados e os vencidos!
Questi miei occhi che un dì percepirono vagamente
I colori, le forme,
Che appresero la bellezza dal volo degli uccelli e la vastità
 delle pianure,
I miei occhi che un dì così contenti
Trasmisero alla mia anima
Le parole d’un amore adolescente,
I miei occhi che più tardi incantati
Videro le mie braccia accogliere
Ciò che il mio ventre aveva generato.
Questi miei occhi che tante volte piansero di nascosto,
Che tante volte s’affogarono nel terrore
E in una paura indefinita,
Questi occhi che un dì sorrisero
Di freschezza e speranza.
Questi miei occhi stanchi
Di premature tristezze
colmi di dolenti lacrime
Su culle e sepolcri
A proprie spese impararono
Che cosa fosse il pianto e il dolore
Nella devastazione del desiderio più ardente della vita.
Questi miei occhi che ora agonizzano rassegnati,
 invecchiati
Si spegneranno nella misteriosa notte
Con l’ultima lacrima per i desolati e i vinti!
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Ismael Nery
Figura (1927)
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Escultura


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A Mulher Ausente (1940) »»
 
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Escultura
Scultura


Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...
Io già ti amavo nelle fotografie.
Per quella tua aria triste e decadente dei vinti,
Per il tuo sguardo vago e incerto
Come quello di chi non indulgeva al riso e all’allegria.
Ti amavo per quelle tue ossessioni di disfatta,
per il tuo contegno in contrasto con l’esultanza degli atleti
E persino per l’indecisione dei tuoi gesti senza premura.
Ti parlai un giorno fuori dalla fotografia
Ti amai con la stessa tenerezza
Presente in una carezza data in silenzio
E tu non sentisti quante volte
Le mie mani usarono il mio pensiero,
Accarezzandoti i capelli in un’estasi immensa.
E così ti amo, vedendo nel tuo aspetto e nel tuo sguardo
Tutta un’esistenza tormentata dalla violenza e dall’angoscia
Che la realtà della vita sempre esige
E che interminabilmente devi dare!...
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Felice Casorati
Anna Maria de Lisi (1919)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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