La femme de trente ans


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La femme de trente ans
La femme de trente ans


Amarás
o meu nariz
brilhante
as minhas estrias
os meus pontos pretos
os meus textos
os meus achaques
e as minhas manias
e as minhas gatas
de solteirona

ou não me amarás
Amerai
il mio naso
lucido
le mie smagliature
i miei punti neri
i miei scritti
i miei acciacchi
e le mie manie
e le mie gatte
da zitella

o non mi amerai
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Will Barnet
Donna che legge (1970)
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Joaninha a ladra…


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Joaninha a ladra...
Joaninha la ladra...


Joaninha a ladra
a filha da moleira
vem brincar
comigo
às missas

A Maria
dá-me clisteres

Abracei o Manuel
o Manuel não me abraçou

O Pedro Nuno
faz chichi
à minha frente
Joaninha la ladra
la figlia della mugnaia
viene a giocare
con me
alla messa

La Maria
mi fa il clistere

Ho abbracciato Manuel
Manuel non m’ha abbracciato

Pedro Nuno
fa pipì
davanti a me
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Erik Theodor Werenskiold
Bambini che giocano (1887)
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A Elisabeth foi-se embora


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A Elisabeth foi-se embora
Elisabeth è andata via


  (com algumas coisas de Anne Sexton)

Eu que já fui do pequeno-almoço à loucura
eu que já adoeci a estudar morse
e a beber café com leite
não posso passar sem a Elisabeth
porque é que a despediu senhora doutora?
que mal me fazia a Elisabeth?
eu só gosto que seja a Elisabeth
a lavar-me a cabeça
não suporto que a senhora doutora me toque na cabeça
eu só venho cá senhora doutora
para a Elisabeth me lavar a cabeça
só ela sabe as cores os cheiros a viscosidade
de que eu gosto nos shampoos
só ela sabe como eu gosto da água quase fria
a escorrer-me pela cabeça abaixo
eu não posso passar sem a Elisabeth
não me venha dizer que o tempo cura tudo
contava com ela para o resto da vida
a Elisabeth era a princesa das raposas
precisava das mãos dela na minha cabeça
ah não haver facas que lhe cortem o
pescoço senhora doutora eu não volto
ao seu anti-séptico túnel
já fui bela uma vez agora sou eu
não quero ser barulhenta e sozinha
outra vez no túnel o que fez à Elisabeth?
a Elisabeth foi-se embora
é só o que tem para me dizer senhora doutora
com uma frase dessas na cabeça
eu não quero voltar à minha vida
  (con qualcosa di Anne Sexton)

Io che già sono passata dalla prima colazione alla follia
io che già mi sono ammalata studiando il codice morse
e bevendo il caffè con il latte
non posso vivere senza Elisabeth
perché l’ha licenziata, dottoressa?
che male poteva farmi Elisabeth?
io preferisco che sia Elisabeth
a lavarmi la testa
non sopporto che lei, dottoressa, mi tocchi la testa
io vengo qui, dottoressa, solo
perché Elisabeth mi lavi la testa
solo lei conosce i colori i profumi la viscosità
che mi piacciono negli shampoo
solo lei sa quanto mi piaccia l’acqua quasi fredda
che mi scorre giù dalla testa
io non posso vivere senza Elisabeth
non venga a dirmi che il tempo cura tutto
contavo su di lei per il resto della mia vita
Elisabeth era la principessa delle volpi
avevo bisogno delle sue mani sulla mia testa
ah se io avessi coltelli per tagliarle la
gola, dottoressa, io non faccio ritorno
al suo antisettico tunnel
sono già stata bella un tempo, ora sono io
non voglio essere turbolenta e solitaria
l’altra volta nel tunnel che cosa ha fatto a Elisabeth?
Elisabeth è andata via
è tutto qui quello che ha da dirmi, dottoressa,
con una frase così nella testa
io non voglio tornare alla mia vita
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Marian Dioguardi
Not So Still Life (2025)
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Os Amantes


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Adília Lopes »»
 
Sete Rios Entre Campos (1999) »»
 
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Os Amantes
Gli innamorati


Os amantes
fecham-se
um no outro
(como os punhos
do bebé
que dorme
no berço
e no útero
da mãe
como as caras
dos ícones
no escuro
das igrejas)
Gli innamorati
si chiudono
l’uno nell’altro
(come i pugni
del bebè
che dorme
nella culla
e nell'utero
della mamma
come i volti
delle icone
nel buio
delle chiese)
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Marc Chagall
Maternità (1913)
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A maldição dos lugares…



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Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (giugno 2026) »»
 
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A maldição dos lugares…
La maledizione dei luoghi…


A maldição dos lugares é esta:
São um tempo que acaba,
Prolongando-se em outro.
Porém, aqui, neste lugar,
Tantos ontens, ainda que residuais,
São audíveis e insistentes assaltam-nos,
Assustam-nos, dilaceram-nos
Com a sua presença de jamais regressarem.
O tempo passado vertebra os lugares,
Percorre-os como uma peste,
Recorda-nos que em nós
O tempo tem de ser extinto
Sempre duas vezes.
La maledizione dei luoghi è questa:
Sono un tempo che finisce,
Prolungandosi in un altro.
Però, qui, in questo luogo,
Tanti ieri, anche se sedimentati,
Sono udibili e insistenti ci angosciano,
Ci agghiacciano, ci straziano
Con la loro presenza di chi mai più tornerà.
Il tempo trascorso plasma i luoghi,
Li percorre come una piaga,
Ci rammenta che dentro di noi
Il tempo dev’essere estinto
Sempre due volte.
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Chaïm Soutine
Cagnes, paesaggio con albero (1924-1925)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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