Poema da amante


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Poema da amante
Poesia dell’amante


Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita do tempo
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
Em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.
Io ti amo
Prima e dopo ogni accadimento
Nella profonda vastità del vuoto
E ad ogni lacrima dei miei pensieri.

Io ti amo
In tutti i venti che cantano,
In tutte le ombre piangenti,
Nella durata infinita del tempo
Fino al paese ove i silenzi vivono.

Io ti amo
in tutte le mutazioni della vita,
In tutti i sentieri della paura
Nell’affanno della volontà perduta
E nel dolore che di nascosto s’indossa.

Io ti amo
In tutto ciò in cui sei presente,
Nello sguardo degli astri che ti avvistano
E in tutto ciò da cui sei ancora assente.

Io ti amo
Sino dalla creazione delle acque,
sino dall’idea del fuoco
E prima del primo riso e della prima pena.

Io ti amo perdutamente
A partire dalla grande nebulosa
Fino a dopo che l’universo sarà caduto su di me
Dolcemente.
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Vassily Kandinsky
Curva dominante (1936)
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Pobreza


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Pobreza
Povertà


O manto de linho tecido para a minha infância
Ao lavá-lo ao rio
A corrente o levou.

O manto de seda tecido para a minha adolescência
Ao mostrá-lo ao sol
O vento o levou.

O manto de lã tecido para a minha morte
Ao aquecê-lo ao fogo
A chama o queimou.
Il manto di lino tessuto per la mia infanzia
Venne lavato al fiume
E la corrente lo portò via.

Il manto di seta tessuto per la mia adolescência
Venne esposto al sole
E il vento lo portò via.

Il manto di lana tessuto per la mia morte
Venne scaldato al fuoco
E la fiamma lo bruciò.
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Giuseppe Pelizza da Volpedo
Panni al sole (1894-1895)
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Liberdade…



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Nuno Rocha Morais »»
 
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nunorochamorais.blogspot.com (aprile 2026) »»
 
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Liberdade…
Libertà…


Liberdade. Será que a posso amar
Se nunca aprendi a perdê-la?
Não posso dizer que a liberdade
Seja a ave, quase ponto indefinido, no céu...
Ou um vento anárquico que remexe nas árvores...
Não posso dizer sequer Liberdade
(Palavra de arestas tão gastas)
Porque nem sequer a sei dizer, 
Dizer verdadeiramente – Liberdade!
Liberdade, será que te posso conhecer,
Será que te posso amar
Se nunca te perdi? 
Libertà. Come la posso amare
Se mai ho appreso a perderla?
Non posso affermare che la libertà
Sia un uccello, punto quasi indistinto, in cielo...
O un vento anarchico che infuria tra gli alberi...
Non posso neanche dire Libertà
(Parola dai contorni consumati)
Perché non so nemmeno dirla, 
Dire consapevolmente – Libertà!
Libertà, come posso conoscerti,
Come ti posso amare
Se non t’ho mai perduta?
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Frederico Draw
25 de Abril (Mural em Lisboa) (2019)
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O inevitável


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O inevitável
L’ineluttabile


A consciência do fim crava-se em minha fronte indiferente
E o silêncio pousa como ave cansada
Sobre as pálpebras e a minha língua, docemente.

Meus gestos lentos mergulham em neblina de morte,
No sigilo e na treva da noite infindável
Sem pedir a graça do bem ou temer o mal da sorte.

Vozes do mar, gemidos do vento
Caem como soluços humanos
Na quietude dos meus pensamentos.

Meus olhos vêem a angústia que habita o imenso do
 horizonte,
Que dorme na copa das árvores,
Deita-se nas águas dos rios e borbulha na boca das
 fontes.

Do ilimitado do universo um canto poderoso
Estanca meus movimentos e para meus desejos
E novamente cai sobre mim um vácuo eterno e tenebroso.
La coscienza della fine s’infigge sulla mia fronte indifferente
E il silenzio si posa come un uccello stanco
Sulle mie palpebre e sulla lingua, dolcemente.

I miei gesti lenti affondano nella nebbia della morte,
Nel segreto e nella tenebra della notte infinita
Senza chiedere la grazia del bene o temere la malasorte.

Voci del mare, gemiti del vento
Cadono come singhiozzi umani
Nella tranquillità dei miei pensieri.

I miei occhi vedono l’angoscia che abita la vastità
 dell’orizzonte,
Che dorme nella chioma degli alberi,
Si stende sulle acque dei fiumi e gorgoglia sulla bocca delle
 fonti.

Dall’immensità dell’universo un canto poderoso
Blocca i miei movimenti e frena le mie brame
E nuovamente cade su di me un vuoto eterno e tenebroso.
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Francesco Laurana
Eleonora D'Aragona (1468)
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Eu em ti


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Eu em ti
Io in te


Desejaria estar contigo
quando eras no pensamento de Deus,
Quando tua mãe te concebeu
e te alimentou com sua vida

Desejaria estar contigo na primeira vez
que distinguiste as formas, as cores e os sons.
Na tua primeira lágrima eu quisera estar contigo
e assim na tua primeira alegria.

Desejaria estar contigo na tua infância e na tua
 adolescência,
acompanhando as transformações do teu físico.
Ao teu lado desejaria estar quando, do teu corpo,
constataste as primeiras células reprodutoras.

No teu primeiro pudor e no teu primeiro carinho, eu
 quisera estar a teu lado.
Desejaria estar contigo na noite de tuas núpcias
e no momento em que te uniste a outra mulher
com o pensamento no teu primeiro filho.

Desejaria estar contigo no primeiro vestígio de tua velhice
E ainda desejaria estar contigo no momento da separação
 de tua alma,
Na decomposição de tuas carnes, do teu cérebro, de tua
 boca, do teu sexo,
Para poder continuar contigo, no mundo sem espaço e
 sem tempo.
Vorrei esserti accanto
ai tempi in cui eri nel pensiero di Dio,
Quando tua madre ti concepì
e ti nutrì con la sua vita.

Vorrei esserti accanto la prima volta
che hai distinto le forme, i colori e i suoni.
Alla tua prima lacrima vorrei esserti accanto
e anche alla tua prima gioia.

Vorrei esserti accanto nella tua infanzia e nella tua
 adolescenza,
seguendo le trasformazioni del tuo fisico.
Al tuo lato vorrei essere quando, del tuo corpo,
hai scoperto le prime cellule riproduttrici.

Al tuo primo pudore e alla tua prima carezza vorrei
 stare al tuo lato.
Vorrei esserti accanto nella notte delle tue nozze
e nel momento in cui ti unisti a un’altra donna
pensando già al tuo primo figlio.

Vorrei esserti accanto al primo indizio della tua vecchiaia
E ancora vorrei esserti accanto nel momento della
 separazione della tua anima,
Nella decomposizione della tua carne, del tuo cervello,
 della tua bocca, del tuo sesso,
Per poter continuare con te, nel mondo senza spazio e
 senza tempo.
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Coperchio di sarcofago etrusco (IV sec. a.C.)
Museo Archeologico di Firenze
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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