Meteorológica


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Meteorológica
Meteorologia


  para o José Bernardino

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida
é livro
e o livro
não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico
   per José Bernardino

Dio non m’ha dato
un innamorato
m’ha dato
il bianco martirio
di non averne uno

Ho vagliato innamorati
potenziali
erano buoi
o erano porci
ed io palazzi
o perle

Tu non mi vuoi
non m’hai mai voluta
(perché, mio Dio?)

La vita
è un libro
e il libro
non è libero

Piango
piove
ma questo è
Verlaine

Oppure:
un giorno
tanto bello
e io
non fornico
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Paul Serusier
La solitudine (1891)
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Deus é a Nossa Mulher-a-Dias


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Deus é a Nossa Mulher-a-Dias
Dio è la nostra donna delle pulizie


Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a vida
porque achamos
que não presta

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa
Dio è la nostra
donna delle pulizie
che ci porta dei doni
che noi buttiamo via
come la vita
perché pensiamo
che non valgano niente

Dio è la nostra
donna delle pulizie
che ci porta dei doni
che noi buttiamo via
come la fede
perché pensiamo
che sia cosa banale
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Awol Erizku
Hammer (2017)
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Prémio


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Clube da Poetisa Morta (1997) »»
 
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Prémio
Premio


Em 72 recebi
o prémio literário
dos pensos rápidos Band-Aid
o prémio foi uma bicicleta
às vezes penso
que me deram uma bicicleta
para eu cair
e ter de comprar pensos rápidos
Band-Aid
é o que penso dos prémios literários
em geral
Nel ’72 ho ricevuto
il premio letterario
dei cerotti Band-Aid
Il premio era una bicicletta
A volte penso
che mi hanno dato una bicicletta
affinché io possa cadere
e debba comprare i cerotti
Band-Aid
Questo è ciò che penso dei premi letterari
in generale
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Mario Schifano
Bicicletta (1979)
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Lucinda e Madame Palmira


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O Decote da Dama de Espadas (1988) »»
 
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Lucinda e Madame Palmira
Lucinda e Madame Palmira


Onde estará
mas onde estará
o chapéu da boneca Lucinda?
aquele chapéu com uma peninha branca
e laços de veludo preto
que madame Palmira
costurou por graça
para a sobrinha da sua cliente dilecta?
madame Palmira começou por ser
ajudante de alfaiate
mas deixou de o ser quando
um cliente
durante uma prova de fraque
fez uma coisa que ela interpretou
como um atentado ao pudor
tornou-se modista de senhoras
mas de uma vez espetou
inadvertidamente
um alfinete num sovaco
(o que causou uma infecção
que embora sem gravidade
lhe fez perder a clientela)
foi assim que madame Palmira
se decidiu pelos chapéus
prova-os em manequins italianos
de celulóide
madame Palmira tem um espírito
minucioso
gosta de miniaturas
mas também com a boneca Lucinda
parece não ter sorte
pois o chapéu
sim esse chapéu de peninha branca
e laços de veludo preto
pelos vistos
desapareceu
Dove sarà
ma dove mai sarà
il cappello della bambola Lucinda?
quel cappello con una piuma bianca
e fiocchetti di velluto nero
che madame Palmira
aveva cucito gratis
per la nipote della sua diletta cliente?
madame Palmira aveva cominciato come
assistente di un sarto
ma smise di lavorare lì quando
un cliente
durante la prova di un frac
fece qualcosa che lei interpretò
come un affronto al pudore
diventò sarta per signore
ma una volta conficcò
inavvertitamente
uno spillo in un’ascella
(il che causò un’infezione
che pur non essendo grave
le fece perdere la clientela)
fu così che madame Palmira
si orientò verso i cappelli
li prova su manichini italiani
di celluloide
madame Palmira ha uno spirito
meticoloso
le piacciono le miniature
ma anche con la bambola Lucinda
sembra non aver fortuna
dato che il cappello
sì quel cappello con la penna bianca
e i fiocchetti di velluto nero
pare che
sia sparito
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Pablo Picasso
Maya con una bambola (1938)
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Desde as cozinhas na cave…


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Desde as cozinhas na cave…
Dalle cucine sotterranee…


Desde as cozinhas na cave onde
marroquinos preenchiam tacinhas escacadas
com um doce cor-de-laranja suspeita
até às retretes com as paredes cheias
suponho que de palavrões em várias línguas
tudo era muito cosmopolita a casa
para mim bastante duvidosa ou talvez fosse só eu
que andasse suspeitosa nunca o saberei
lá não hei-de voltar
jamais no meu quarto começou por estar
uma americana que se não se chamava
Daisy pouco lhe faltava
fingia que lia Rich Man, Poor Man
gritava de noite à janela Shut up!
porque realmente saía muita gente
sempre em grita e riso do passage
de que esqueci o nome onde havia poeirentos
vidros azuis translúcidos salitre osgas
depois apareceu-me uma Stefania
que se dizia ruiva veneziana
e viver na Via Cava Aurelia
nunca acreditei em Roma
fazia por tudo e por nada queixas
ao gordo guardador das chaves
que dormia de tronco nu debaixo
de um cobertor branco de pelúcia
dois ou três gatos geralmente pretos perto
(embora estivesse muito abafado o tempo)
lá não hei-de voltar
Dalle cucine sotterranee dove
dei marocchini riempivano piccole ciotole screpolate
con un dolce d’un sospetto color arancione
fino ai bagni le cui pareti erano ricoperte
suppongo di parolacce in varie lingue
tutto aveva un’aria assai cosmopolita, la casa
mi sembrava alquanto losca o forse ero io
che la trovavo piuttosto sospetta, non lo saprò mai
tanto laggiù non ci devo più tornare
mai più nella mia camera, all’inizio c’era
un’americana che se non si chiamava
Daisy poco ci mancava
ella fingeva di leggere Rich Man, Poor Man
e di notte gridava alla finestra Shut up!
perché davvero un sacco di gente usciva
sempre gridando e ridendo dal passaggio
di cui non ricordo il nome dove c’erano polverosi
vetri blu traslucidi salnitro gechi
e poi è comparsa una Stefania
che diceva d’essere una rossa veneziana
e di vivere in Via Cava Aurelia
non ho mai creduto a Roma
mi lamentavo di tutto e di niente
con il grasso custode delle chiavi
che dormiva a torso nudo sotto
una coperta bianca di peluche
due o tre gatti, di solito neri, addosso
(malgrado il tempo fosse caldo e soffocante)
tanto laggiù non ci devo più tornare
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Giovanni Maranghi
Due (1988)
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