Sinal


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Pelo Sonho é que Vamos (1953) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Sinal
Simbolo


Quanto amor me tens,
com amor te pago
– Trago-te no dedo,
num anel que trago.

Num anel redondo,
todo de oiro fino,
que é o teu sinal,
que é o teu destino.

Este anel me basta
para bater-te à porta.
Truz! truz! truz! – na rua
como o frio corta!

Como a chuva cai,
como o vento mia!
Mas abriste logo,
que eu é que batia.

(Que outro anel tivera
som que te chamasse?)
Já teu vinho bebo,
para que o frio me passe;

já na tua cama
me aconchego e deito;
já te chamo esposa,
peito contra peito.

Como tudo é simples,
como é tudo imenso!
É mistério enorme,
de um anel suspenso!

E eis, na tua mão,
num anel igual,
brilha o teu destino,
luz o meu sinal.
L’amore che per me provi,
è da pari amor ripagato
– Ti porto legata al dito,
dove un anello ho infilato.

È un anello rotondo,
tutto d’oro fino,
che è il tuo simbolo,
che è il tuo destino.

Questo anello mi basta
per bussare alla tua porta.
Toc! toc! toc! – per strada
il freddo come sconforta!

La pioggia come cadeva,
come il vento ululava!
Ma tu mi apristi subito,
perché ero io che bussavo.

(Quale altro anello aveva
un suono che ti chiamasse?)
Ora già bevo il tuo vino,
perché il freddo mi passi;

ora già nel tuo letto
mi vengo a coricare;
già ti chiamo mia sposa,
cuore contro cuore.

Com’è tutto semplice,
com’è tutto grandioso!
È un mistero enorme,
d’un anello prezioso!

Ed ecco, sulla tua mano,
su un identico anello,
riluce il tuo destino,
il mio simbolo brilla.
________________

Jan Van Eyck
Uomo con anello (1430 ca.)
...

Poesia depois da chuva


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Pelo Sonho é que Vamos (1953) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Poesia depois da chuva
Poesia dopo la pioggia


    A Maria Guiomar

Depois da chuva o Sol - a graça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos de água atravessando a praça
- luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta, contente, um pássaro qualquer.
Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco - cal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, não duvidava agora.)
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual
às manhãs do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro.
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde...
Flor levada nas águas, mansamente...

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...)
    A Maria Guiomar

Dopo la pioggia il Sole - una grazia.
Oh! la terra bagnata illuminata!
E i rivoli d’acqua che attraversano la piazza
- luce fluente, in un fluire quasi impercettibile.

Canta, felice, un uccellino qualunque.
Subito dopo, tra i rami nudi, volteggia.
Lo sfondo è bianco - calce fresca sulle case della piazza.

Sonagli, ruote che girano, voci chiare nell’aria.

Così gioioso questo Sole! Dio c’è. (Io l’avevo negato
prima del Sole, non dubitavo ora.)
Oh Sera vergine, Senhora Aparecida! Oh Sera identica
alle mattine degli inizi!

E sei passata tu, fiore dagli occhi neri che m’incanta.
Graziosa, così graziosa!… Pura immagine della Sera...
Fiore portato sulle acque, dolcemente...

(Fluiva la luce, in un fluire quasi impercettibile…)
________________

Vincent van Gogh
Pioggia, Auvers (1890)
...

O Zambujeiro


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Pelo Sonho é que Vamos (1953) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


O Zambujeiro
L’oleastro


Deus disse: "O Zambujeiro nasça".
Viril, rompeu da terra o Zambujeiro.
O tronco é o dum homem das montanhas.
São mãos de cavador seus ramos. Só as folhas,
Delicadas, suaves... Pela noite,
Quando tudo se cala, mesmo os pássaros,
O Zambujeiro canta…
Dio disse: “Che nasca l’oleastro".
Virile, irruppe l’oleastro dalla terra.
Il tronco è da uomo di montagna.
Sono mani di zappatore i suoi rami. Solo le foglie,
Delicate, soavi... Ma di notte,
Quando tutto tace, anche gli uccelli,
L’oleastro canta…
________________

Félix Vallotton
Il vecchio ulivo (1922)
...

«O Sonho»


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Pelo Sonho é que Vamos (1953) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


«O Sonho»
«Il sogno»


Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria,
Ao que desconhecemos
E ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Dentro un sogno andiamo,
Emozionati e zitti.

Arriviamo? Non arriviamo?
Che ci siano o non ci siano frutti,
È dentro un sogno che andiamo.

Basta aver fede in ciò che abbiamo.
Basta aver speranza in ciò
che forse poi non avremo.
Basta che mettiamo l’anima,
Con la stessa gioia,
In ciò che non conosciamo
E in ciò che è il nostro quotidiano.

Arriviamo? Non arriviamo?
- Partiamo. Andiamo. Siamo.
________________

Marc Chagall
Il sogno (1939)
...

O Outono é triste


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Pelo Sonho é que Vamos (1953) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


O Outono é triste
L’Autunno è triste


Aonde estou não há outono. O Outono é triste…
Aqui não deixam nunca as folhas de ser verdes
E há a relva e os rebentos e a alegria dos pássaros…
E os sítios em que amámos?... Vou contigo, Mulher,
Vamos de braço dado aos sítios de outro tempo…
Ah! Que não vemos musgo, muros velhos, mofo…
Saudades?... Nem ao menos saudades… Somos os dois
 tão jovens!...
Lá vai uma flor nova romper. Detemo-nos, deixamos
De respirar – e eis o botão rasgado e a flor aberta.
Dove sto io non v’è autunno. L'autunno è triste…
Qui le foglie non smettono mai d’essere verdi
E c’è l’erba e i germogli e l’allegria degli uccelli…
E i luoghi in cui ci amiamo?... Vengo con te, Donna,
Andiamo sottobraccio nei luoghi d’un altro tempo…
Ah! Che non si vedano muschio, muri vecchi, muffa…
Rimpianti?... Nemmeno i rimpianti… Siamo così giovani
 noi due!...
Lì c’è un nuovo fiore che sboccia. Fermi, tratteniamo
Il respiro – ed ecco il bocciolo schiuso e il fiore aperto.
________________

Paul Cézanne
Mandorli in Provenza (1900)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (563) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (370) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (38) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)