Eu em ti


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Eu em ti
Io in te


Desejaria estar contigo
quando eras no pensamento de Deus,
Quando tua mãe te concebeu
e te alimentou com sua vida

Desejaria estar contigo na primeira vez
que distinguiste as formas, as cores e os sons.
Na tua primeira lágrima eu quisera estar contigo
e assim na tua primeira alegria.

Desejaria estar contigo na tua infância e na tua
 adolescência,
acompanhando as transformações do teu físico.
Ao teu lado desejaria estar quando, do teu corpo,
constataste as primeiras células reprodutoras.

No teu primeiro pudor e no teu primeiro carinho, eu
 quisera estar a teu lado.
Desejaria estar contigo na noite de tuas núpcias
e no momento em que te uniste a outra mulher
com o pensamento no teu primeiro filho.

Desejaria estar contigo no primeiro vestígio de tua velhice
E ainda desejaria estar contigo no momento da separação
 de tua alma,
Na decomposição de tuas carnes, do teu cérebro, de tua
 boca, do teu sexo,
Para poder continuar contigo, no mundo sem espaço e
 sem tempo.
Vorrei esserti accanto
ai tempi in cui eri nel pensiero di Dio,
Quando tua madre ti concepì
e ti nutrì con la sua vita.

Vorrei esserti accanto la prima volta
che hai distinto le forme, i colori e i suoni.
Alla tua prima lacrima vorrei esserti accanto
e anche alla tua prima gioia.

Vorrei esserti accanto nella tua infanzia e nella tua
 adolescenza,
seguendo le trasformazioni del tuo fisico.
Al tuo lato vorrei essere quando, del tuo corpo,
hai scoperto le prime cellule riproduttrici.

Al tuo primo pudore e alla tua prima carezza vorrei
 stare al tuo lato.
Vorrei esserti accanto nella notte delle tue nozze
e nel momento in cui ti unisti a un’altra donna
pensando già al tuo primo figlio.

Vorrei esserti accanto al primo indizio della tua vecchiaia
E ancora vorrei esserti accanto nel momento della
 separazione della tua anima,
Nella decomposizione della tua carne, del tuo cervello,
 della tua bocca, del tuo sesso,
Per poter continuare con te, nel mondo senza spazio e
 senza tempo.
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Coperchio di sarcofago etrusco (IV sec. a.C.)
Museo Archeologico di Firenze
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Estigma


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Estigma
Stigma


Não receio que partas para longe,
Que faças por fugir, por te livrares
Da força da minha voz
E da compreensão do meu olhar.
Não temo que os mares te levem
No bojo dos transatlânticos
Nem tampouco me amedronta
Que em possantes aviões
No céu e na terra,
Em todos os seres me encontrarás
Cortes espaços sem conta.
Serena ficarei se disseres
Que na certa me olvidarás
No ventre da mata virgem,
Nas areias dos desertos
Ou no amor de outras mulheres que terás.
Não importa.
Nada temo e desejo mesmo que o faças
Para que saibas o quanto estou em teus sentidos
E que a minha forma, o meu espírito
Jamais da tua existência passa.
Se fugires pelos mares
Tu me veras na espuma leve da onda,
Me sentiras no colorido de um peixe
E a minha voz escutaras dentro de uma concha.
Se partires pelos ares,
Certamente na brancura de uma nuvem
Tu sentirás a maciez e a alvura
Das minhas carnes.
Se fores para a floresta
Hás de me ver
Na árvore mais florida e harmoniosa.
Atravessando areias cálidas do deserto
Sei que trocarias o lenitivo de um oásis
Pela certeza de me teres perto.
E nas mulheres que encontrares,
Dos seios o perfume, das nucas a palidez,
Das ancas as curvas
E das peles a cor e a tepidez,
Fica certo, não te evadirás.
Porque desde a tua sombra
Ao teu mais rápido pensamento
Não serás livre de mim
Num um momento.
Non temo che tu te ne vada lontano,
che tenti di fuggire, per liberarti
della forza della mia voce
e della clemenza del mio sguardo.
Non ho paura che i mari ti rapiscano
nel ventre dei transatlantici
né tanto meno mi spaventa
saperti in potenti aeroplani
in cielo e in terra,
in ogni essere m’incontrerai
pur se interponi spazi enormi.
Resterò serena se dirai
che di certo mi scorderai
nel cuore della foresta vergine,
fra le sabbie dei deserti
o nell’amore di altre donne che avrai.
Non importa.
Nulla temo e anzi voglio che lo faccia
perché tu sappia come sono presente nei tuoi sensi
e che la mia essenza, il mio spirito
mai dalla tua esistenza si stacca.
Se fuggirai per mare
tu mi vedrai nella spuma lieve dell’onda,
mi sentirai nei colori di un pesce
e la mia voce ascolterai in una conchiglia.
Se te ne andrai per i cieli,
di certo nel candore di una nuvola
tu rivivrai la morbidezza e il biancore
delle mie carni.
Se riparerai nella foresta
finirai per vedermi
nell’albero più fiorito e armonioso.
Attraversando le calde sabbie del deserto
so che baratteresti la freschezza di un’oasi
con la certezza di tenermi accanto.
E nelle donne che incontrerai,
dei seni il profumo, delle nuche il pallore,
delle anche le curve
e della pelle il colore e il tepore,
stai certo, non ti sfuggirà.
Perché a partire dalla tua ombra
fino al tuo pensiero più fuggente
non sarai libero di me
neppure un solo istante.
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Chiara Enzo
Nuca (2021)
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Escombros


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Escombros
Macerie


Caída no espaço, por todo o eterno momento,
Sem projetos, sem desejos,
Sem o menor ideal, sem o mínimo pensamento,
Sem o prazer de ouvir,
Sem o ímpeto de amparar,
Sem o hábito de rir
E a tendência de chorar,
Com a memória na ausência
De todo o mal, todo o bem,
De qualquer reminiscência,
Sem o sol atravessar
A fímbria das minhas pálpebras
Para as cores devassar,
Queimando meu espírito no tédio
E pousada em minha testa a consciência do fim,
Sem solução, sem remédio,
Eis tudo o que resta de mim.
Caduta nello spazio, per tutto l’eterno momento,
Senza progetti, senza desideri,
Senza il minimo ideale, né il minor convincimento,
Senza la gioia di udire,
Senza lo slancio d’aiutare,
Senza l’abitudine di ridere
E la tendenza a piangere,
Con la memoria all’assenza
Di ogni male e di ogni bene,
Di una qualunque reminiscenza,
Senza che il sole penetrasse
Nella fessura delle mie palpebre
Per dar rilievo ai colori,
Consumando il mio spirito nel tedio
E posando sulla mia fronte la coscienza della fine,
Senza soluzione, senza rimedio,
Ecco tutto ciò che di me rimane.
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Anselm Kiefer
La caduta dell'angelo (2023)
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A poesia se esfrega nos seres e nas cousas


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A poesia se esfrega nos seres e nas cousas
La poesia si strofina negli esseri e nelle cose


Nunca sentiste uma força melodiosa
Cercando tudo o que teus olhos vêem,
Um misto de tristeza numa paisagem grandiosa
Ou um grito de alegria na morte de um ser que queres
 bem?

Nunca sentiste nostalgia na essência das cousas perdidas
Deparando com um campo devoluto
Semelhante a uma viagem esquecida?

Num circo, nunca se apoderou de ti um amargor sutil
Vendo animais amestrados
E logo depois te mostrarem
Seres humanos imitando um réptil?

Nunca reparaste na beleza de uma estrada
Cortando as carnes do solo
Para unir carinhosamente
Todos os homens, de um a outro pólo?

Nunca te empolgaste diante de um avião,
Olhando uma locomotiva, a quilha de um navio,
Ou de qualquer outra invenção?

Nunca sentiste esta força que te envolve desde o brilho
 do dia
Ao mistério da noite,
Na extensão da tua dor
E na delícia da tua alegria?

Pois então, faz de teus olhos o cume da mais alta
 montanha
Para que vejas com toda a amplitude
A grandeza infindável da poesia que não percebes
E que é tamanha
Hai mai sentito un’energia melodiosa
Avvolgere tutto ciò che vedono i tuoi occhi,
Un misto di tristezza in un natura grandiosa
O un grido di gioia nella morte d’un essere a cui vuoi
 bene?

Hai mai provato nostalgia per l’essenza di cose perdute
Imbattendoti in un campo desolato
Simile a uno già visto in un viaggio dimenticato?

In un circo, non t’ha mai colto un’amarezza sottile
Nel vedere animali ammaestrati
E subito dopo l’esibizione
D’esseri umani intenti ad imitare un rettile?

Hai mai notato la bellezza di una strada
Che incide la carne del terreno
Per unire amorevolmente
Tutti gli uomini da uno all’altro polo?

Ti sei mai esaltato davanti a un aeroplano,
Nel vedere una locomotiva, la chiglia d’una nave,
O qualunque altra invenzione?

Hai mai sentito questa forza circondarti dal sorgere
 del giorno
Al mistero della notte,
Nell’intensità del tuo dolore
E nella delizia della tua allegria?

E dunque, fai dei tuoi occhi la vetta della montagna
 più alta
Affinché tu veda in tutta la sua vastità
L’infinita grandezza della poesia che tu non avverti
E che è smisurata
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Marc Chagall
Circus (1967)
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A mulher dentro da noite


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A mulher dentro da noite
La donna nel cuore della notte


Foge do seio da noite
Um perfume mais penetrante, mais forte,
Mais ácido e insinuante
Do que o das flores nascidas da morte.

Cai de dentro das estrelas tranqüilas
Uma luz tão cintilante
Vazando as minhas pupilas
Que chego a pensar contente que o fim não está mui
 distante.

Passam roçando meu rosto,
fatigados, os últimos ventos
E deles meus ouvidos tiram
Cânticos e lamentos.

É o momento em que as pastagens do deserto são
 regadas pela lua
E as colinas se adornam de alegria,
É o instante em que meu espírito deixa que sobre meu
 corpo influa
A sensação do nada e o tudo da poesia.
Sfugge dal cuore della notte
Un profumo più penetrante, più forte,
Più acido e insinuante
Di quello dei fiori sbocciati dalla morte.

Cade dal cuore delle stelle tranquille
Una luce così scintillante
Da svuotarmi le pupille
Ed io giungo a pensare contenta che la fine non sia molto
 distante.

Passano sfiorandomi il volto,
esausti, gli ultimi venti
E in essi i miei orecchi colgono
Cantici e lamenti.

È il momento in cui i pascoli del deserto sono irrorati
 dalla luna
E le colline s’adornano d’allegria,
È l’istante in cui il mio spirito fa sì che il mio corpo
 sia pervaso
Dal sentimento del nulla e del tutto della poesia.
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Paul Klee
Luna piena (1919)
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