Eros


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Helianto (1973) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Eros
Eros


Cego?
Não: livre.
Tão livre que não te importa
a direção da seta. 

Alado? Irradiante.
Feridas multiplicadas
nascidas de um só
  abismo.

Disseminas pólens e aromas.
És talvez a
  primavera?

Supremamente livre
  — violento —
não és estátua: és pureza
    oferta.

Que forma te conteria?
Tuas setas armam
  o mundo
enquanto — aberto — és abismo
  inflamadamente vivo.
Cieco?
No: libero.
Così libero che non t’importa
la direzione della freccia.

Alato? Radioso.
Ferite moltiplicate
nate da un unico
  abisso.

Dissemini pollini e aromi.
Sei forse la
  primavera?

Supremamente libero
  — violento —
non sei statua: sei purezza
    offerta.

Che forma t’includerebbe?
Le tue frecce armano
  il mondo
mentre — aperto — sei abisso
  infuocatamente vivo.
________________

Caravaggio
Amor vincit omnia (1602)
...

Elegia


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Helianto (1973) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Elegia
Elegia


Mas para que serve o pássaro?
Nós o contemplamos inerte.
Nós o tocamos no mágico fulgor das penas.
De que serve o pássaro se
desnaturado o possuímos?

O que era vôo e eis
que é concreção letal e cor
paralisada, íris silente, nítido,
o que era infinito e eis
que é peso e forma, verbo fixado, lúdico

O que era pássaro e é
o objeto: jogo
de uma inocência que

o contempla e revive
— criança que tateia
no pássaro um
esquema de distâncias —

mas para que serve o pássaro?

O pássaro não serve. Arrítmicas
brandas asas repousam.
Ma a che serve un uccello?
Noi lo contempliamo inerte.
Noi lo tocchiamo nel magico fulgore delle penne.
A che serve un uccello se
snaturato lo possediamo?

Ciò che era volo, ecco
che è letale solidità e colore
paralizzato, tacita iride, nitida,
ciò che era infinito, ecco
che è peso e forma, voce sospesa, ludica.

Ciò che era uccello, è
oggetto: gioco
di un’innocenza che

lo contempla e rivive
— bimbo che tasta
sull’uccello uno
schema di distanze —

ma a che serve l’uccello?

L’uccello non serve. Disarmoniche
docili ali riposano.
________________

Frederick Carl Frieseke
Uccello in gabbia (1937)
...

Transposição


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Transposição
Trasposizione


Na manhã que desperta
o jardim não mais geometria
é gradação de luz e aguda
descontinuidade de planos.

Tudo se recria e o instante
varia de ângulo e face
segundo a mesma vidaluz
que instaura jardins na amplitude

que desperta as flores em várias
coresinstantes e as revive
jogando-as lucidamente
em transposição contínua
Nel mattino che si desta
il giardino non è più geometria
è gradazione di luce e acuta
discontinuità di piani.

Tutto si ricrea e l’istante
varia d’angolazione e aspetto
secondo la stessa vitaluce
che ovunque inaugura giardini

che ridesta i fiori in vari
coloristanti e li ritempra
esponendoli lucidamente
in incessante trasposizione.
________________

Vincent van Gogh
Iris (1889)
...

Tempo


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Tempo
Tempo


O fluxo obriga
qualquer flor
a abrigar-se em si mesma
sem memória.

O fluxo onda ser
impede qualquer flor
de reinventar-se em
flor repetida.

O fluxo destrona
qualquer flor
de seu agora vivo
e a torna em sono.

O universofluxo
repele
entre as flores estes
cantosfloresvidas.

– Mas eis que a palavra
cantoflorvivência
re-nascendo perpétua
obriga o fluxo

cavalga o fluxo num milagre
de vida.
Il flusso obbliga
qualche fiore
a raccogliersi in se stesso
senza memoria.

Il flusso onda essere
impedisce a qualche fiore
di reinventarsi come
fiore replicato.

Il flusso spodesta
qualche fiore
del suo stato d’essere vivo
e glielo riproduce nel sonno.

Il cosmoflusso
ripudia
tra i fiori quelli
cantofiorevita.

– Ma ecco che la parola
cantofioreesistenza
rinascendo perpetua
spodesta il flusso

cavalca il flusso in un miracolo
di vita.
________________

Daniel Adenitan
Blossom (2023)
...

Primeiro amor


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poemas dos dias (2022) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Primeiro amor
Primo amore


Tentei todas as formas de mágoa
Na minha própria mágoa: nenhuma servia.
Nada havia sido escrito para mim.
Os teus olhos não estavam escritos
Em lado nenhum; ninguém estivera
Antes de mim na minha solidão.
E havia gritos à procura da minha boca,
Dentro do meu amor por ti,
O amor nada sabia de si próprio
Por ninguém, livro nenhum ‑
Ia-se criando à tua imagem.
O primeiro amor, que é também o último,
Jamais está escrito.
Então, quase acreditei na força
De um grito inédito, inaudito:
Concedam-me este amor
E moverei o mundo ‑
Dirigindo-me não sei a quem;
Por descobrir estava que sentir não é poder,
Que o sol não se move, nem as outras estrelas,
Que para o amor não basta amarmos,
Eternos e morituros.

Ho sperimentato tutte le forme di dolore
Nel mio stesso dolore: nessuna ha funzionato.
Nulla era stato scritto per me.
I tuoi occhi non erano scritti
Da nessuna parte; nessuno era stato lì
Prima di me nella mia solitudine.
E vi erano grida in cerca della mia bocca,
Dentro il mio amore per te,
L’amore nulla sapeva di sé stesso
Per nessuno, per nessun libro ‑
Si stava creando a tua immagine.
Il primo amore, che è anche l’ultimo,
Non è mai scritto.
Allora, ho quasi creduto nella forza
D’un grido senza precedenti, inaudito:
Mi si conceda questo amore
E muoverò il mondo ‑
Rivolgendomi non so a chi;
Stavo per scoprire che sentire non è potere
Che il sole non si muove, né l’altre stelle,
Che per l’amore non è sufficiente che amiamo,
Noi eterni e morituri.

________________

Malisa Catalani
Gea (2020)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (553) Orides Fontela (12) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (360) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)