Liberdade…



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Liberdade…
Libertà…


Liberdade. Será que a posso amar
Se nunca aprendi a perdê-la?
Não posso dizer que a liberdade
Seja a ave, quase ponto indefinido, no céu...
Ou um vento anárquico que remexe nas árvores...
Não posso dizer sequer Liberdade
(Palavra de arestas tão gastas)
Porque nem sequer a sei dizer, 
Dizer verdadeiramente – Liberdade!
Liberdade, será que te posso conhecer,
Será que te posso amar
Se nunca te perdi? 
Libertà. Come la posso amare
Se mai ho appreso a perderla?
Non posso affermare che la libertà
Sia un uccello, punto quasi indistinto, in cielo...
O un vento anarchico che infuria tra gli alberi...
Non posso neanche dire Libertà
(Parola dai contorni consumati)
Perché non so nemmeno dirla, 
Dire consapevolmente – Libertà!
Libertà, come posso conoscerti,
Come ti posso amare
Se non t’ho mai perduta?
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Frederico Draw
25 de Abril (Mural em Lisboa) (2019)
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O inevitável


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O inevitável
L’ineluttabile


A consciência do fim crava-se em minha fronte indiferente
E o silêncio pousa como ave cansada
Sobre as pálpebras e a minha língua, docemente.

Meus gestos lentos mergulham em neblina de morte,
No sigilo e na treva da noite infindável
Sem pedir a graça do bem ou temer o mal da sorte.

Vozes do mar, gemidos do vento
Caem como soluços humanos
Na quietude dos meus pensamentos.

Meus olhos vêem a angústia que habita o imenso do
 horizonte,
Que dorme na copa das árvores,
Deita-se nas águas dos rios e borbulha na boca das
 fontes.

Do ilimitado do universo um canto poderoso
Estanca meus movimentos e para meus desejos
E novamente cai sobre mim um vácuo eterno e tenebroso.
La coscienza della fine s’infigge sulla mia fronte indifferente
E il silenzio si posa come un uccello stanco
Sulle mie palpebre e sulla lingua, dolcemente.

I miei gesti lenti affondano nella nebbia della morte,
Nel segreto e nella tenebra della notte infinita
Senza chiedere la grazia del bene o temere la malasorte.

Voci del mare, gemiti del vento
Cadono come singhiozzi umani
Nella tranquillità dei miei pensieri.

I miei occhi vedono l’angoscia che abita la vastità
 dell’orizzonte,
Che dorme nella chioma degli alberi,
Si stende sulle acque dei fiumi e gorgoglia sulla bocca delle
 fonti.

Dall’immensità dell’universo un canto poderoso
Blocca i miei movimenti e frena le mie brame
E nuovamente cade su di me un vuoto eterno e tenebroso.
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Francesco Laurana
Eleonora D'Aragona (1468)
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Eu em ti


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Eu em ti
Io in te


Desejaria estar contigo
quando eras no pensamento de Deus,
Quando tua mãe te concebeu
e te alimentou com sua vida

Desejaria estar contigo na primeira vez
que distinguiste as formas, as cores e os sons.
Na tua primeira lágrima eu quisera estar contigo
e assim na tua primeira alegria.

Desejaria estar contigo na tua infância e na tua
 adolescência,
acompanhando as transformações do teu físico.
Ao teu lado desejaria estar quando, do teu corpo,
constataste as primeiras células reprodutoras.

No teu primeiro pudor e no teu primeiro carinho, eu
 quisera estar a teu lado.
Desejaria estar contigo na noite de tuas núpcias
e no momento em que te uniste a outra mulher
com o pensamento no teu primeiro filho.

Desejaria estar contigo no primeiro vestígio de tua velhice
E ainda desejaria estar contigo no momento da separação
 de tua alma,
Na decomposição de tuas carnes, do teu cérebro, de tua
 boca, do teu sexo,
Para poder continuar contigo, no mundo sem espaço e
 sem tempo.
Vorrei esserti accanto
ai tempi in cui eri nel pensiero di Dio,
Quando tua madre ti concepì
e ti nutrì con la sua vita.

Vorrei esserti accanto la prima volta
che hai distinto le forme, i colori e i suoni.
Alla tua prima lacrima vorrei esserti accanto
e anche alla tua prima gioia.

Vorrei esserti accanto nella tua infanzia e nella tua
 adolescenza,
seguendo le trasformazioni del tuo fisico.
Al tuo lato vorrei essere quando, del tuo corpo,
hai scoperto le prime cellule riproduttrici.

Al tuo primo pudore e alla tua prima carezza vorrei
 stare al tuo lato.
Vorrei esserti accanto nella notte delle tue nozze
e nel momento in cui ti unisti a un’altra donna
pensando già al tuo primo figlio.

Vorrei esserti accanto al primo indizio della tua vecchiaia
E ancora vorrei esserti accanto nel momento della
 separazione della tua anima,
Nella decomposizione della tua carne, del tuo cervello,
 della tua bocca, del tuo sesso,
Per poter continuare con te, nel mondo senza spazio e
 senza tempo.
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Coperchio di sarcofago etrusco (IV sec. a.C.)
Museo Archeologico di Firenze
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Estigma


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Estigma
Stigma


Não receio que partas para longe,
Que faças por fugir, por te livrares
Da força da minha voz
E da compreensão do meu olhar.
Não temo que os mares te levem
No bojo dos transatlânticos
Nem tampouco me amedronta
Que em possantes aviões
No céu e na terra,
Em todos os seres me encontrarás
Cortes espaços sem conta.
Serena ficarei se disseres
Que na certa me olvidarás
No ventre da mata virgem,
Nas areias dos desertos
Ou no amor de outras mulheres que terás.
Não importa.
Nada temo e desejo mesmo que o faças
Para que saibas o quanto estou em teus sentidos
E que a minha forma, o meu espírito
Jamais da tua existência passa.
Se fugires pelos mares
Tu me veras na espuma leve da onda,
Me sentiras no colorido de um peixe
E a minha voz escutaras dentro de uma concha.
Se partires pelos ares,
Certamente na brancura de uma nuvem
Tu sentirás a maciez e a alvura
Das minhas carnes.
Se fores para a floresta
Hás de me ver
Na árvore mais florida e harmoniosa.
Atravessando areias cálidas do deserto
Sei que trocarias o lenitivo de um oásis
Pela certeza de me teres perto.
E nas mulheres que encontrares,
Dos seios o perfume, das nucas a palidez,
Das ancas as curvas
E das peles a cor e a tepidez,
Fica certo, não te evadirás.
Porque desde a tua sombra
Ao teu mais rápido pensamento
Não serás livre de mim
Num um momento.
Non temo che tu te ne vada lontano,
che tenti di fuggire, per liberarti
della forza della mia voce
e della clemenza del mio sguardo.
Non ho paura che i mari ti rapiscano
nel ventre dei transatlantici
né tanto meno mi spaventa
saperti in potenti aeroplani
in cielo e in terra,
in ogni essere m’incontrerai
pur se interponi spazi enormi.
Resterò serena se dirai
che di certo mi scorderai
nel cuore della foresta vergine,
fra le sabbie dei deserti
o nell’amore di altre donne che avrai.
Non importa.
Nulla temo e anzi voglio che lo faccia
perché tu sappia come sono presente nei tuoi sensi
e che la mia essenza, il mio spirito
mai dalla tua esistenza si stacca.
Se fuggirai per mare
tu mi vedrai nella spuma lieve dell’onda,
mi sentirai nei colori di un pesce
e la mia voce ascolterai in una conchiglia.
Se te ne andrai per i cieli,
di certo nel candore di una nuvola
tu rivivrai la morbidezza e il biancore
delle mie carni.
Se riparerai nella foresta
finirai per vedermi
nell’albero più fiorito e armonioso.
Attraversando le calde sabbie del deserto
so che baratteresti la freschezza di un’oasi
con la certezza di tenermi accanto.
E nelle donne che incontrerai,
dei seni il profumo, delle nuche il pallore,
delle anche le curve
e della pelle il colore e il tepore,
stai certo, non ti sfuggirà.
Perché a partire dalla tua ombra
fino al tuo pensiero più fuggente
non sarai libero di me
neppure un solo istante.
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Chiara Enzo
Nuca (2021)
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Escombros


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Escombros
Macerie


Caída no espaço, por todo o eterno momento,
Sem projetos, sem desejos,
Sem o menor ideal, sem o mínimo pensamento,
Sem o prazer de ouvir,
Sem o ímpeto de amparar,
Sem o hábito de rir
E a tendência de chorar,
Com a memória na ausência
De todo o mal, todo o bem,
De qualquer reminiscência,
Sem o sol atravessar
A fímbria das minhas pálpebras
Para as cores devassar,
Queimando meu espírito no tédio
E pousada em minha testa a consciência do fim,
Sem solução, sem remédio,
Eis tudo o que resta de mim.
Caduta nello spazio, per tutto l’eterno momento,
Senza progetti, senza desideri,
Senza il minimo ideale, né il minor convincimento,
Senza la gioia di udire,
Senza lo slancio d’aiutare,
Senza l’abitudine di ridere
E la tendenza a piangere,
Con la memoria all’assenza
Di ogni male e di ogni bene,
Di una qualunque reminiscenza,
Senza che il sole penetrasse
Nella fessura delle mie palpebre
Per dar rilievo ai colori,
Consumando il mio spirito nel tedio
E posando sulla mia fronte la coscienza della fine,
Senza soluzione, senza rimedio,
Ecco tutto ciò che di me rimane.
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Anselm Kiefer
La caduta dell'angelo (2023)
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