Não gosto tanto…


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adília Lopes »»
 
Florbela Espanca espanca (1999) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Não gosto tanto…
Non amo tanto…


Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito dos seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
de livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever
Non amo tanto
i libri
quanto sembra averli
amati Mallarmé
io non sono un libro
e quando mi dicono
amo molto i suoi libri
vorrei poter dire
come il poeta Cesariny
senti
quel che davvero vorrei
è d’essere io a piacerti
i libri non sono fatti
di carne e ossa
e quando ho
voglia di piangere
aprire un libro
non mi fa l’effetto
identico a un abbraccio
ma grazie a Dio
il mondo non è un libro
e il caso non esiste
tuttavia io amo molto
i libri
e credo nella Resurrezione
dei libri
e credo che in Cielo
ci siano biblioteche
e si possa leggere e scrivere
________________

Georg Pauli
La lettura della sera (1884)
...

Meteorológica


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adília Lopes »»
 
Florbela Espanca espanca (1999) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Meteorológica
Meteorologia


  para o José Bernardino

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida
é livro
e o livro
não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico
  per José Bernardino

Dio non m’ha dato
un innamorato
m’ha dato
il bianco martirio
di non averne uno

Ho vagliato innamorati
potenziali
erano buoi
o erano porci
ed io palazzi
o perle

Tu non mi vuoi
non m’hai mai voluta
(perché, mio Dio?)

La vita
è un libro
e il libro
non è libero

Piango
piove
ma questo è
Verlaine

Oppure:
un giorno
tanto bello
e io
non fornico
________________

Paul Serusier
La solitudine (1891)
...

Deus é a Nossa Mulher-a-Dias


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adília Lopes »»
 
Florbela Espanca espanca (1999) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Deus é a Nossa Mulher-a-Dias
Dio è la nostra donna delle pulizie


Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a vida
porque achamos
que não presta

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa
Dio è la nostra
donna delle pulizie
che ci porta dei doni
che noi buttiamo via
come la vita
perché pensiamo
che non valgano niente

Dio è la nostra
donna delle pulizie
che ci porta dei doni
che noi buttiamo via
come la fede
perché pensiamo
che sia cosa banale
________________

Awol Erizku
Hammer (2017)
...

Prémio


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adília Lopes »»
 
Clube da Poetisa Morta (1997) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Prémio
Premio


Em 72 recebi
o prémio literário
dos pensos rápidos Band-Aid
o prémio foi uma bicicleta
às vezes penso
que me deram uma bicicleta
para eu cair
e ter de comprar pensos rápidos
Band-Aid
é o que penso dos prémios literários
em geral
Nel ’72 ho ricevuto
il premio letterario
dei cerotti Band-Aid
Il premio era una bicicletta
A volte penso
che mi hanno dato una bicicletta
affinché io possa cadere
e debba comprare i cerotti
Band-Aid
Questo è ciò che penso dei premi letterari
in generale
________________

Mario Schifano
Bicicletta (1979)
...

Lucinda e Madame Palmira


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adília Lopes »»
 
O Decote da Dama de Espadas (1988) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Lucinda e Madame Palmira
Lucinda e Madame Palmira


Onde estará
mas onde estará
o chapéu da boneca Lucinda?
aquele chapéu com uma peninha branca
e laços de veludo preto
que madame Palmira
costurou por graça
para a sobrinha da sua cliente dilecta?
madame Palmira começou por ser
ajudante de alfaiate
mas deixou de o ser quando
um cliente
durante uma prova de fraque
fez uma coisa que ela interpretou
como um atentado ao pudor
tornou-se modista de senhoras
mas de uma vez espetou
inadvertidamente
um alfinete num sovaco
(o que causou uma infecção
que embora sem gravidade
lhe fez perder a clientela)
foi assim que madame Palmira
se decidiu pelos chapéus
prova-os em manequins italianos
de celulóide
madame Palmira tem um espírito
minucioso
gosta de miniaturas
mas também com a boneca Lucinda
parece não ter sorte
pois o chapéu
sim esse chapéu de peninha branca
e laços de veludo preto
pelos vistos
desapareceu
Dove sarà
ma dove mai sarà
il cappello della bambola Lucinda?
quel cappello con una piuma bianca
e fiocchetti di velluto nero
che madame Palmira
aveva cucito gratis
per la nipote della sua diletta cliente?
madame Palmira aveva cominciato come
assistente di un sarto
ma smise di lavorare lì quando
un cliente
durante la prova di un frac
fece qualcosa che lei interpretò
come un affronto al pudore
diventò sarta per signore
ma una volta conficcò
inavvertitamente
uno spillo in un’ascella
(il che causò un’infezione
che pur non essendo grave
le fece perdere la clientela)
fu così che madame Palmira
si orientò verso i cappelli
li prova su manichini italiani
di celluloide
madame Palmira ha uno spirito
meticoloso
le piacciono le miniature
ma anche con la bambola Lucinda
sembra non aver fortuna
dato che il cappello
sì quel cappello con la penna bianca
e i fiocchetti di velluto nero
pare che
sia sparito
________________

Pablo Picasso
Maya con una bambola (1938)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (15) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (543) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (30) Poesie inedite (351) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)