Companhia



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (febbraio 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Companhia
Compagnia


Livro,
Companheiro de chuva,
De céu puro,
Quantas vezes segui o fio
Das horas nas tuas páginas.
Quantas vezes me li,
Te vi o meu reflexo;
O que eu abri do mundo.
 
Silente, vivo,
Lá está, tranquilo,
Aguardando-me,
Correr de regato ávido.
Libro,
Compagno di pioggia,
Di cielo puro,
Quante volte ho seguito il filo
Delle ore sulle tue pagine.
Quante volte ho letto di me,
In te ho visto il mio riflesso;
E mi si è aperto il mondo.
 
Silente, vivo,
Eccolo lì, mentre
Tranquillo attende,
Ch’io corra come rivo fremente.
________________

John Singer Sargent
Uomo che legge (1907)
...

A civilidade


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Carlos Nejar »»
 
Os Viventes (1979) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A civilidade
L’urbanità


O rinoceronte tem uma civilização sensata. Os
ossos preferíveis à barriga tenra, engomada.
O casco férreo, insensível. Suporta o chicote,
suporta a afronta, suporta a escravidão,
suporta,
suporta. Tem enxaquecas decerto. Numerais,
verbais. E tédio. Só os olhos se alçam. As
pálpebras parecem um
relógio de chuva
caindo; as patas são suavíssimas quando
não sufocam esta civilidade que os homens
exaltam. E o brasão de maviosa hierarquia
é o unicórnio, marca de Jacó , que ascendeu
da coxa à testa, o estrelo alucinante.
Fora do rinoceronte, o rinoceronte.
Fora da salvação, a salvação.
Fora do homem, o homem.
Il rinoceronte ha una cultura sensata. Le
ossa sono preferibili alla pancia tenera, inamidata.
La ferrea corazza, insensibile. Sopporta la sferza,
sopporta l’offesa, sopporta la schiavitù,
sopporta,
sopporta. Di certo soffre d’emicranie. Numerali,
verbali. E noia. Solo gli occhi s’alzano. Le
palpebre sembrano un
orologio di pioggia
che cade; le zampe sono graziosissime quando
non soffocano questa urbanità che gli uomini
esaltano. E lo stemma della commovente gerarchia
è l’unicorno, emblema di Giacobbe, che ascese
dalla testa ai piedi, alla stella abbagliante.
Al di fuori del rinoceronte, il rinoceronte.
Al di fuori della salvezza, la salvezza.
Al di fuori dell’uomo, l’uomo.
________________

Masakazu Miyanaga
Omnis Habet Sua Dona Dies (2010)
...

A nuvem das sementes


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Carlos Nejar »»
 
Os Viventes (1979) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A nuvem das sementes
La nube delle sementi


Os meus poemas, sei, serão errantes,
como fui, quando vivo
e terão rosto, a matrícula
de nascimento, a lisa,
aventurosa juventude
dos meus dias felizes.
E seguirão no pó, ou entre
os cereais, que meu povo cultiva,
no cesto de avelas, ou com o pão
ardente e fresco. Acompanharão
os solitários na sacola
de auroras, irão com os
que se amam. Porejantes
no trabalho, com o ferreiro,
no descanso da fábrica,
ou com a moça espojada
sobre a grama, por entre
os cinamomos. Quero
os meus poemas, junto
aos que sofrem ou tentam
respirar a nova vida
do homem. E sejam sal
e não serão pisados.
Salvo se em parreiras forem,
uvas no lagar dos países.
Mas não quero divisas ou pedágios,
para a sua entrada, entre
os que vivem. E levados
pelo espírito, libertos
sejam na palavra.
E até de mim, que os trouxe
para a escrita. Pois foram
se escrevendo com esta tinta
das coisas infinitas.
E não cabem nas tíbias
bibliotecas, se não forem
trilhados com ardor
de quem os leia na vereda
secreta da centelha,
ou do peixe na água.
E falem da minha intimidade
com a nuvem das sementes.
E que me sobrevivam.
Saranno nomadi, lo so, le mie poesie
come son stato io, da vivo
e avranno un volto, l’atto
di nascita, la semplice,
avventurosa giovinezza
dei miei tempi felici.
E avanzeranno nella polvere, o tra
le granaglie, che il mio popolo coltiva,
nel cestello delle nocciole, o col pane
ben caldo e fresco. Scorteranno
i solitari nel loro zaino colmo
d’aurore, cammineranno con quelli
che si amano. Sfacchineranno
al lavoro, con il fabbro,
nella pausa della fabbrica,
o staranno con la ragazza coricata
nell'erba, in mezzo
ai cinnamomi. Voglio che
le mie poesie stiano accanto
a chi soffre o cerca
di respirare la nuova vita
dell'uomo. E voglio che siano sale,
e non vengano calpestate.
A meno che siano vitigni,
uve nel torchio dei villaggi.
Però non voglio confini o pedaggi,
per la loro entrata, tra
quelli che vivono. E che siano
guidate dallo spirito, e siano
liberate nella parola.
E libere anche da me, che le ho espresse
in scrittura. Giacché son state
scritte con l’inchiostro
delle cose infinite.
E non avranno posto nelle spente
biblioteche, se non saranno
soppesate con il fervore
di chi le legga sulla segreta
scia della favilla,
o del pesce in acqua.
E parlino della mia confidenza
con la nube delle sementi.
E che mi sopravvivano.
________________

Jennifer Guidi
Rainbow Orb 2 (2023)
...

A genealogia da palavra


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Carlos Nejar »»
 
Os Viventes (1979) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A genealogia da palavra
La genealogia della parola


Minha morte começa a madurecer
e depois vou comê-la como uma pêra, 
largando o caroço fora
e depois vai vir uma semente
com o mesmo nome
que vai crescer e amadurecer.
Mas já não é minha morte —
é surpresa da terra apenas —
descendência de uma morte futura.
Depois as gerações perdem de vista
a própria morte que aparece
como um fio de água no meio das pedras,
visível a um e outro profeta.

Mas nada abalará a espécie:
a vida também foi vista
como um fio de água no meio das pedras.
Só que não se podia distinguir
os fios e as águas que conversavam entre si,
sem preconceito.
E até moravam junto, vez e outra.

Depois, minha morte vai amadurecer de novo
mas não será da mesma natureza.
E aprenderei a falar com o mundo.

E o mundo vai amadurecer como uma pêra
e depois vai vir uma semente
com o mesmo nome.
Porém, já serei eterno.
La mia morte sta iniziando a maturare
e io poi la mangerò come una pera,
gettando via il torsolo
e poi spunterà un seme
con lo stesso nome
che crescerà e maturerà.
Ma già non si tratta più della mia morte —
non è che stupore per la terra —
progenie di una futura morte.
Poi le generazioni perdono di vista
la propria morte che sbuca
come un rivolo d’acqua fra i sassi,
visibile a questo e a quel profeta.

Ma niente turberà la specie:
anche la vita è stata vista
come un rivolo d’acqua fra i sassi.
Solo che non si potevano distinguere
i rivoli e le acque che chiacchieravano fra loro,
senza pregiudizi.
E talvolta abitavano addirittura insieme.

Dopo, la mia morte tornerà a maturare
ma non avrà la stessa natura.
E io apprenderò a parlare con il mondo.

E il mondo maturerà come una pera
e poi spunterà un seme
con lo stesso nome.
Io, però, sarò già eterno.
________________

Concetto Pozzati
Pera (1967)
...

Os mortos — eu os vi — na primavera


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Carlos Nejar »»
 
O Chapéu das Estações (1978) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Os mortos — eu os vi — na primavera
I morti — io li ho visti — in primavera


Os mortos — eu os vi — na primavera.
Ressurgiram dos corpos. Eu os vi.
A primavera começava neles
e terminava onde a alma estava.

Os mortos — eu os vi — iam descalços
na primavera, iam libertos.
Nada tolhia, nada separava
os pés das coisas vivas.

Os mortos — eu os vi — não tinham rosto
nem nome.  Eram muitos.
Num só se acrescentavam.
Eram muitos e vivos. Perguntei-lhes
por onde a primavera se alongava.

Os mortos — eu os vi — na primavera.
O sol dobrava neles os seus frutos.
O sol entrava neles. Eram larvas.
I morti — io li ho visti — in primavera.
Risuscitavano dai corpi. Io li ho visti.
La primavera aveva inizio in loro
e finiva dove l’anima si trovava.

I morti — io li ho visti — camminavano scalzi
in primavera, camminavano liberi.
Nulla ostacolava, nulla divideva
i piedi dalle cose viventi.

I morti — io li ho visti — erano senza volto
e senza nome. Erano tanti.
In un baleno s’accrescevano.
Erano tanti e vivi. Domandai loro
fin dove la primavera s’espandesse.

I morti — io li ho visti — in primavera.
Il sole duplicava in loro i suoi frutti.
Il sole penetrava in loro. Erano larve.
________________

Processione funebre
Tomba di Ramose (XIX dinastia - Ramses II)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (24) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (526) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (29) Poesie inedite (335) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)