Fala


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Teia (1996) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Fala
Discorso


Falo de agrestes
pássaros de sóis
que não se apagam
de inamovíveis
pedras

de sangue
vivo de estrelas
que não cessam.

Falo do que impede
o sono.
Parlo di uccelli
selvatici di soli
che non si spengono
di pietre
inamovibili

di sangue
vivo di stelle
che non s’estinguono.

Parlo di ciò che impedisce
il sonno.
________________

Tracey Emin
My Bed (1999)
...

Adivinha


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Teia (1996) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Adivinha
Indovinello


O que é impalpável
mas
pesa

o que é sem rosto
mas
fere

o que è invisível
mas
dói
È intangibile
ma
pesa

è senza volto
ma
ferisce

è invisibile
ma
fa male
________________

Elihu Vedder
L’enigma della Sfinge (1863)
...

Tínhamos esquecido…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (agosto 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Tínhamos esquecido…
Avevamo dimenticato…


Tínhamos esquecido que poderia
Acontecer assim, a manhã,
E num súbito calor
Haver uma energia súbita
Que a reconhece e lhe responde
Juntando-se ao poliedro em turbilhão
De faces incontáveis,
De pássaros lançados
Às mãos cheias pelo ar,
E a toda essa harmonia imperiosa,
Diversa unindo, o diverso enlaçando.
Contudo as suas horas tão leves,
Tempo sem esforço, cansaço,
Não são para o nosso tempo
De sobressalto e contratempo
De quem não pode esperar
Por manhãs e estações.
Enquanto a luz se apura e define
Nos seus dourados, estou certo
De que não pertence aqui
Tão gratuita pureza.
Saturamos inefáveis
Até os reduzirmos à escravidão
De forma, peso, medida
E literatura descritiva.
Com a luz à cintura
Dos primeiros blocos,
Esta manhã não sabe – ou esqueceu –
Que já não estamos no Paraíso.
Avevamo dimenticato che potesse
Mostrarsi così, la mattina,
E in un calore improvviso
Esserci un’ improvvisa energia
Che la riconosca e le risponda
Unendosi al poliedro in un turbinio
D’innumerevoli facce,
Di uccelli lanciati
Per aria a piene mani,
E a tutta questa armonia imperiosa,
Unendo il diverso, intrecciando il diverso.
Tuttavia le sue ore così lievi,
Tempo senza sforzo né stanchezza,
Non sono per i nostri tempi
D’inquietudine e contrarietà
Di coloro che non possono aspettare
Le mattine e le stagioni.
Mentre la luce si rischiara e definisce
Nei suoi toni dorati, io sono certo
Che non appartenga a questo luogo
Tanta gratuita purezza.
Ci saturiamo di cose inenarrabili
Fino a ridurle alla schiavitù
Di forma, peso, misura
E letteratura descrittiva.
Con la luce all’altezza
Dei primi isolati
Questa mattina non sa – o ha scordato –
Che non abitiamo più in Paradiso.
________________

Childe Hassam
Primavera a Central Park (1898)
...

Viagem


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Rosácea (1986) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Viagem
Viaggio


Viajar
mas não
para

viajar
mas sem
onde

sem rota sem ciclo sem círculo
sem finalidade possível.

Viajar
e nem sequer sonhar-se
esta viagem.
Viaggiare
ma non
verso

viaggiare
ma senza
dove

senza rotta senza tappe senza circuito
senza una probabile finalità.

Viaggiare
e neppur sognarsi
questo viaggio.
________________

Joan Miró
Giardiniere che fuma al chiar di luna (1939)
...

Partilha


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Rosácea (1986) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Partilha
Condivisione


Partilharemos somente
o que em nós se
continua:
a singeleza
a luta
a esperança.

Partilharemos somente
esta maior intensidade:
absoluta palavra
que nos pertence integralmente.

Partilharemos somente
o pão unificado
e a água sem face.
Ci spartiremo soltanto
quello che in noi
perdura:
la semplicità
la lotta
la speranza.

Ci spartiremo soltanto
questa intensità suprema:
la parola assoluta
che ci appartiene interamente.

Ci spartiremo soltanto
il pane uniformato
e l’acqua senza volto.
________________

Diego Rivera
Il nostro pane quotidiano (1928)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (556) Orides Fontela (31) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (363) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)