F.A.P. Fecit


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F.A.P. Fecit
F.A.P. Fecit


Este livro é teu que me aturaste
desvairos saüdades amorios
desde o primeiro mal cozinhado verso
ó cúmplice
um que me lê com respeito e vagar
a quem devo chamar prestante amigo
neste mundo de tanta cabronada
o livro é o que é nenhum enleio
nenhuma assinatura a baixo preço
não estou nessa tal lista e tem também
a confissão banal dos mil cagaços
de morrer (dores intercostais músculos
caindo na barriga da perna)
como se eu fosse à noite um filho terno
e teu, leitor, que o não desamparaste

*
Peçam a grandiloquência a outros
acho-a pulha no estado actual da economia

*
E não sublinhem o que não escrevi

*
A ti compadre irmão saúdo e já termino
com só o fósforo duma estrela
na lixa do fim da tarde
Questo libro è per te che m’hai sopportato
tra deliri rimpianti amoretti
fin dal primo verso un po’ raffazzonato
oh mio complice
uno che mi legge con calma e rispetto
che devo chiamare mio prezioso amico
in questo mondo pieno di fesserie
il libro è quel che è nessun artificio
nessuna firma a basso prezzo
non sto in quella tal lista e c’è pure
la banale confessione delle mille strizze
di morire (dolori intercostali crampi
ai muscoli dei polpacci)
come se io di notte fossi un figlio tenero
e tuo, lettore, che non l’hai accantonato

*
Chiedete ad altri la magniloquenza
la giudico spudorata nello stato attuale dell’economia

*
E non sottolineate quel che non ho scritto

*
Io ti saluto fratello e compagno e ora concludo
solo con il fiammifero d’una stella
sulla cartavetro della tarda serata
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Pablo Picasso
Lettura (1932)
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Como um relâmpago verde


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Como um relâmpago verde
Come un lampo verde


Nesse ano e mês chamaram de Lisboa
era o pai de meu pai
morrendo velozmente ao telefone

eu ouvia os gritos baterem
nas portas da cristaleira

quis chamar Deus para convencê-lo
a suspender o voo
mas já ia longe para lá de Alfeizerão *

espero agora que a monotonia e a chuva
tornem à minha vida

um pouco é de supor mais intrigante

  *– à velocidade soube depois /de 1.500 Match/
como um relâmpago verde

In quell’anno e mese chiamarono da Lisbona
era il padre di mio padre
che moriva velocemente al telefono

io sentivo le grida che urtavano
contro le ante della cristalliera

volevo chiamare Dio per convincerlo
a sospendere il volo
ma era ormai lontano oltre Alfeizerão *

ora spero che la monotonia e la pioggia
tornino a far parte della mia vita

un po’ più intrigante, si suppone

  *– alla velocità, l’ho saputo dopo, /di 1.500 Match/ come un lampo verde
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Nicholas Roerich
Chiamata del cielo (1935)
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Aforismo



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Aforismo
Aforisma


   Memórias de flores não povoam jardins

Teus olhos, Honorine, cruzaram oceanos,
Longamente tristes, sequiosos,
Como flor aberta na sombra em busca do sol.
Vieram com o vento e com as ondas
Em música e cantos de sereia,
Através dos campos e bosques da beira-mar,
Vieram até mim estudante triste
Dum país do Sul.
   Ricordi di fiori non gremiscono giardini

I tuoi occhi, Honorine, hanno attraversato oceani,
A lungo tristi, assetati,
Come fiori sbocciati all’ombra in cerca di sole.
Son venuti col vento e con le onde
In musica e canti di sirena,
Attraverso campi e boschi in riva al mare,
Son venuti fino a me triste studente
D’un paese del Sud.
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Marc Chagall
Bouquet di fiori (1937)
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Com a tua letra


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Com a tua letra
Con le tue lettere


Fala-se de amor para falar de muitas
coisas que entretanto nos sucedem.
Para falar do tempo, para falar do mundo
usamos o vocabulário preciso
que nos dá o amor.

Eu amo-te. Quer dizer: eu conheço melhor
as estradas que servem o meu território.
Quer dizer: eu estou mais acordado,
não me enredo nas silvas, não me enredo,
não me prendo nos cardos, não me prendo.
Quer também dizer: amar-te-ei
cada dia mais, estarei cada dia
mais acordado. Porque este amor não pára.

E para falar da morte; da enorme
definitiva irremediável morte,
do carro tombado na valeta
sacudindo uma última vez (fragilidade)
as rodas acendedoras de caminhos
- eu lembraria que o amor nos dá
uma forma difícil de coragem,
uma difícil, inteira possessão
de nós próprios, quando aveludada
a morte surge e nos reclama.

Porque eu amo-te, quer dizer, eu estou atento
às coisas regulares e irregulares do mundo.
Ou também: eu envio o amor
sob a forma de muitos olhos e ouvidos
a explorar, a conhecer o mundo.

Porque eu amo-te, isto é, eu dou cabo
da escuridão do mundo.
Porque tudo se escreve com a tua letra.
Si parla d’amore per parlare di molte
cose che frattanto ci succedono.
Per parlare del tempo, per parlare del mondo
usiamo il vocabolario preciso
che ci fornisce l’amore.

Io ti amo. Vuol dire: le strade che conosco
meglio sono quelle del mio territorio.
Vuol dire: io sto più attento,
non m’impiglio nei rovi, non m’impiglio,
non m’avviluppo tra i cardi, non m’avviluppo.
Vuol dire anche: ti amerò
ogni giorno di più, starò ogni giorno
più attento. Perché questo amore non cessa.

E per parlare della morte; dell’enorme
definitiva irrimediabile morte,
dell’auto piombata nel fosso
scuotendo un’ultima volta (fragilità)
le ruote che aprivano cammini
- vorrei ricordare che l’amore ci dà
una difficile forma di coraggio,
un difficile e completo possesso
di noi stessi, quando vellutata
la morte spunta e ci reclama.

Perché io ti amo, vuol dire, io presto attenzione
alle cose regolari e irregolari del mondo.
O anche: io mando l’amore
sotto forma di tanti occhi e orecchi
a esplorare, a conoscere il mondo.

Perché io ti amo, è questo, io pongo fine
all’oscurità del mondo.
Perché tutto si scrive con le tue lettere.
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Jim Dine
il mio nome è Jim Dine 2 (1992)
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Canção do Ano 86


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Canção do Ano 86
Canzone dell’Anno ’86


Agora quando volto
quando é raro voltar e sempre por um dia
estou à minha espera na ponte de Santa Clara
com um ramo de rosas que levanto
à aproximação do carro
saudando-te caro Fernando Assis Pacheco
filho pródigo destes quintais floridos
quando acontece que volto
que assim volto por pouquíssimo tempo dou comigo
na berma da EN 1 a olhar à esquerda o Vale do Inferno
hoje estragado por um sacana qualquer dum engenheiro
dizendo adeus adeus Fernando Assis Pacheco
menino antigamente sem cuidado

se é que volto intimado pela agenda
do jornal em Condeixa já inquieto espreito
a ver se vens do lado de Pombal
oitavo duma fila atrás do camião
coçando a barba gesto bem teu
com que disfarças o nervoso e a pressa

volto sem querer quando decerto
mais não queria voltar
encasacado anónimo de olho circunvago
Leiria num relance prego no fundo
apetecia parar ao pé de ti Fernando Assis Pacheco
cálido aceno do que morreu
conversamos os dois sobre esse século esses
cafés com quatro mesas e matraquilhos na cave a
 cheirar a bolor
essas aulas a que faltávamos no último período para
 empatar cinco
   a cinco com os varões todos torcidos

consta que desde então
não fazes mais do que perder
Adesso quando torno
ed è è raro che torni e sempre per un giorno
resto in attesa di me sul ponte di Santa Clara
con un mazzo di rose che sollevo
all’avvicinarsi dell’auto
salutandoti caro Fernando Assis Pacheco
figliol prodigo di questi giardini fioriti
quando capita che io torni
perché ora torno per pochissimo tempo io mi ritrovo
ai bordi della EN 1 sulla sinistra la Valle dell’Inferno
oggi deturpata da qualche furfante di ingegnere
mentre dico addio addio Fernando Assis Pacheco
bambino un tempo trascurato

se torno perché me lo impone l’agenda
del giornale a Condeixa inquieto scruto
per vedere se arrivi dalla parte di Pombal
ottavo di una colonna dietro un camion
grattandoti la barba gesto tipicamente tuo
con cui mascheri il nervosismo e la fretta

torno controvoglia mentre di sicuro
non vorrei più tornare
infagottato anonimo con sguardo circospetto
Leiria in un lampo e poi pedale a tavoletta
avrei voluto fermarmi accanto a te Fernando Assis Pacheco
caldo saluto a ciò ch’è morto
noi due parleremmo di quel secolo di quei
caffè con quattro tavolini e biliardini in cantina che
 puzzavano di muffa
di quelle lezioni che abbiamo saltato nell’ultimo periodo per
 pareggiare cinque
   a cinque con i giocatori a testa bassa

sembra che da allora
non abbia fatto altro che perdere
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René Magritte
La double vue (1957)
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