Luz


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Sebastião da Gama »»
 
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Luz
Luce


Ah como é bom fechar os olhos
e volta-los, fechados, para o Sol!....
Venham daí cortar minhas veias !
Venham daí sugar as minhas veias!
Venham todos de aí, se têm sede!
Venham todos beber!

Ah como é bom sentir,
não já sangue, mas Luz em minha veias
que eu quero pôr, rasgadas,
como beijos, nas feridas dos Desgraçados! ...

Ah como é bom saber
como é que a Luz entrou dentro de mim,
se eu tenho os olhos fechados!…
Ah com’è bello chiudere gli occhi
e volgerli, chiusi, al Sole!....
Forza, venite a tagliarmi le vene!
Forza, venite a succhiarmi le vene!
Forza, venite tutti, se avete sete!
Venite tutti a bere!

Ah com’è bello sentire,
non sangue, ma Luce nelle mie vene
che io voglio posare, recise,
come baci sulle ferite degli Sventurati!...

Ah com’è bello sapere
come ha fatto la Luce a entrare in me,
se io tengo gli occhi chiusi!…
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Janne Parviainen
The Unforgiven (2011)
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Andorinha


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Andorinha
Rondine


Tonta de Poesia,
caiu a manhã…
É uma andorinha morta de cansaço.

Deixem-na ficar
caída no chão.
Não façam barulho
podem acordá-la.

Se ela se levanta
mesmo assim cansada
suas asas negras
cobrem o Sol.

Deixem-nas paradas,
suas asas meigas.
Sereninhas dormem
o seu vôo morto…
Ebbra di Poesia,
è caduta stamattina…
È una rondine morta di fatica.

Lasciatela star lì
caduta a terra.
Non fate rumore
la potreste svegliare.

Se lei ora s'alzasse
pur tanto stanca
le sue ali nere
coprirebbero il Sole.

Lasciatele a riposo,
le sue dolci ali.
Serenamente dormono
sul suo volo morto…
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Johan Thomas Lundbye
Studio di una rondine morta (1837)
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Procuro ocultar…



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Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (ottobre 2026) »»
 
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Procuro ocultar…
Mi sforzo d’occultare...


Procuro ocultar
Todos quantos estiveram
No poema antes de mim,
Procuro resgatar o verso
De todo o contágio,
Diferenciar a minha palavra
Da herança comum.
Procuro que no verso
Tudo meça
A minha própria densidade.
Mas procuro também suspender-me,
Ser no verso um regresso invisível.
Vou deixando por rasto o silêncio.
Mi sforzo d’occultare
Tutti quelli che sono stati
Nella poesia prima di me,
Mi sforzo di preservare il verso
Da ogni contaminazione,
Differenziare la mia parola
Dall’eredità comune.
Mi sforzo affinché nel verso
Ogni cosa contenga
La densità che mi è propria.
Ma mi sforzo anche di escludermi,
D’essere nel verso un invisibile ritorno.
Come impronta lascio il silenzio.
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Odilon Redon
Silenzio (1900)
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Somos de barro


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Somos de barro
Siamo d’argilla


Somos de barro. Iguais aos mais.
Ó alegria de sabe-lo!
(Correi, felizes lágrimas,
por sobre o seu cabelo!)

Depois de mais aquela confissão,
impuros nos achamos;
nos descobrimos frutos
do mesmo chão.

Pecado, Amor? Pecado
fôra apenas não fazer do pecado
a força que nos ligue
e nos obrigue a lutar lado a lado.

O meu orgulho assim é que nos quer.
Há de ser sempre nosso o pão, ser nossa a água.
Mas vencidas os ganham, vencedores,
nossa vergonha e nossa mágoa.

O nosso Amor, que história sem beleza,
se não fôra ascensão e queda e teimosia,
conquista… (E novamente queda
e novamente luta, ascensão… ) Ó meu amor, tão fria,

se nascêramos puros, nossa história!
Chora sobre o meu ombro. Confessamos.
E mais certos de nós, mais um do outro,
mais impuros, mais puros, nós ficamos.
Siamo d’argilla. Uguali agli altri.
Oh, che gioia saperlo!
(Scendete, lacrime felici,
sopra i suoi capelli!)

Dopo quest’altra confessione,
ci ritroviamo impuri;
scopriamo d’esser frutti
dello stesso suolo.

Peccato, Amore? Peccato
sarebbe soltanto non fare del peccato
la forza che ci unisce
e ci costringe a lottare lato a lato.

Il mio orgoglio è così che ci vuole.
Sempre sarà nostro il pane, sarà nostra l’acqua.
Ma, da vincitori, li conquistiamo solo vincendo
la nostra vergogna e il nostro dolore.

Il nostro amore, sarebbe storia senza bellezza,
se non ci fosse l’ascesa e la caduta, la tenacia,
la conquista… (E di nuovo la caduta
e di nuovo la lotta, la risalita… ) Oh, amor mio,

se fossimo nati puri, che fredda la nostra storia!
Piangi sulla mia spalla. Confessiamolo.
E più sicuri di noi, più l'uno dell'altra,
più impuri, più puri, diventiamo.
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Giorgio de Chirico
Gli sposi (1926)
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Sinal


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Sinal
Simbolo


Quanto amor me tens,
com amor te pago
– Trago-te no dedo,
num anel que trago.

Num anel redondo,
todo de oiro fino,
que é o teu sinal,
que é o teu destino.

Este anel me basta
para bater-te à porta.
Truz! truz! truz! – na rua
como o frio corta!

Como a chuva cai,
como o vento mia!
Mas abriste logo,
que eu é que batia.

(Que outro anel tivera
som que te chamasse?)
Já teu vinho bebo,
para que o frio me passe;

já na tua cama
me aconchego e deito;
já te chamo esposa,
peito contra peito.

Como tudo é simples,
como é tudo imenso!
É mistério enorme,
de um anel suspenso!

E eis, na tua mão,
num anel igual,
brilha o teu destino,
luz o meu sinal.
L’amore che per me provi,
è da pari amor ripagato
– Ti porto legata al dito,
dove un anello ho infilato.

È un anello rotondo,
tutto d’oro fino,
che è il tuo simbolo,
che è il tuo destino.

Questo anello mi basta
per bussare alla tua porta.
Toc! toc! toc! – per strada
il freddo come sconforta!

La pioggia come cadeva,
come il vento ululava!
Ma tu mi apristi subito,
perché ero io che bussavo.

(Quale altro anello aveva
un suono che ti chiamasse?)
Ora già bevo il tuo vino,
perché il freddo mi passi;

ora già nel tuo letto
mi vengo a coricare;
già ti chiamo mia sposa,
cuore contro cuore.

Com’è tutto semplice,
com’è tutto grandioso!
È un mistero enorme,
d’un anello prezioso!

Ed ecco, sulla tua mano,
su un identico anello,
riluce il tuo destino,
il mio simbolo brilla.
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Jan Van Eyck
Uomo con anello (1430 ca.)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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