Para um Vil Criminoso


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Para um Vil Criminoso
Per un vile criminale


Fizeste-me mil maldades
e uma maldade muito grande
que não se faz
acho que devo ter sido a pessoa
a quem fizeste mais maldades
nem deves ter feito a ninguém
uma maldade tão grande
como a que me fizeste a mim
não sei se tens remorsos
tu dizes que não tens remorsos nenhuns
porque dizes que és um vil criminoso
para mim
eu também sou uma vil criminosa
mas não para ti
desconfio que tens o remorso
de ter alguns remorsos
por me teres feito mil maldades
e uma maldade muito grande
a maldade muito grande está feita
e não se faz
acho que essa maldade muito grande
nos aproximou um do outro
em vez de nos afastar
mas para mim é um drôle de chemin
e para ti também deve ser
mas com um vil criminoso nunca se sabe
M’hai fatto mille cattiverie
e una cattiveria molto brutta
che non si deve fare
penso d’essere stata la persona
a cui hai fatto più cattiverie
e che non devi aver fatto a nessuno
una cattiveria così brutta
come quella che hai fatto a me
non so se hai dei rimorsi
tu dici di non provare alcun rimorso
perché dici di essere un vile criminale
per me
anch’io sono una vile criminale
ma non per te
sospetto che tu provi rimorso
per aver provato dei rimorsi
per avermi fatto mille cattiverie
e una cattiveria molto brutta
la cattiveria molto brutta ormai è fatta
e non si fa
penso che questa cattiveria molto brutta
ci abbia avvicinato l’una all'altro
invece di allontanarci
ma per me è un drôle de chemin
e dev’essere così anche per te
ma con un vile criminale non si sa mai
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Wifredo Lam
Senza titolo (1960)
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O presente


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O presente
Il regalo


Vou-te dar um presente
eu gosto de presentes
é uma caixa de jóias
é tão bonita
dentro está um anel com uma pedra preciosa
porque é tão grande?
toma cuidado
dentro está um anel com uma pedra preciosa
mas talvez nunca o chegues a pôr no dedo
na caixa está uma serpente
para pegares no anel tens de abrir a caixa
se abrires a caixa a serpente pode picar-te o dedo
e tu podes morrer
se não abrires a caixa
Voglio farti un regalo
mi piacciono i regali
è uno scrigno di gioielli
è proprio bello
dentro c’è un anello con una pietra preziosa
ma perché è così grande?
stai attento
dentro c’è un anello con una pietra preziosa
ma forse non riuscirai mai a mettervi un dito
nello scrigno c’è un serpente
per prendere l’anello devi aprire lo scrigno
se apri lo scrigno il serpente può morderti il dito
e tu puoi morire
se non apri lo scrigno
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Kelly Louise Judd
Ouroboros (2021)
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Com o fogo não se brinca…


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Com o fogo não se brinca…
Non si scherza col fuoco…


Com o fogo não se brinca
porque o fogo queima
com o fogo que arde sem se ver
ainda se deve brincar menos
do que com o fogo com fumo
porque o fogo que arde sem se ver
é um fogo que queima
muito
e como queima muito
custa mais
a apagar
do que o fogo com fumo
Non si scherza col fuoco
perché il fuoco brucia
col fuoco che arde senza che lo si veda
si deve scherzare ancor meno
che col fuoco che fa fumo perché
il fuoco che arde senza che lo si veda
è un fuoco che brucia
molto
e dato che brucia molto
è più difficile
da spegnere
del fuoco che fa fumo
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Enrico Baj
Al fuoco! Al fuoco! (1963)
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Dizes…



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Dizes…
Tu dici…


Dizes:
“Oxalá as cerejas fossem como os morangos silvestres”,
e o mundo abre-se em dois cachos
pendurados na alegria,
com os caroços da atenção
deitados fora pelo vermelho.
Dizes dos morangos
como se diria da dor
de os partilhar, selvagens.
Dizes da loucura silvestre
dos lábios percorridos 
pelo sumo agreste
da fusão das cores.
Esqueces-te, porém, que as cerejas
terminam o difícil trabalho
de serem felizes
no dia que agora se encerra.
Tu dici:
“Se almeno le ciliegie fossero come le fragole di bosco”,
e il mondo si dischiude in due grappoli
sospesi alla gioia,
con i noccioli dell’attenzione
messi in risalto dal rosso.
Parli delle fragole
come se parlassi del dolore
di condividerle, selvatiche.
Parli della follia silvestre
di labbra inondate 
dal succo agreste
della fusione dei colori.
Ti scordi, però, che le ciliegie
portano a termine il difficile compito
d’essere felici
nel giorno che ora sta per finire.
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Osias Beert
Natura morta con ciliegie e fragole (1608)
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Arte Poética


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Arte Poética
Arte Poetica


Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
Scrivere una poesia
è come prendere un pesce
con le mani
non ho mai pescato così un pesce
ma so di poter dire così
so che non tutto ciò che viene alle mani
è un pesce
il pesce si dibatte
tenta di sfuggire
sfugge
io insisto
lotto corpo a corpo
con il pesce
o moriremo entrambi
o entrambi ci salviamo
devo stare attenta
ho paura di non arrivare alla fine
è una questione di vita o di morte
quando arrivo alla fine
scopro che occorreva afferrare il pesce
per liberarmi del pesce
mi libero del pesce con un sollievo
che non so descrivere
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Henri Matisse
Pesci rossi (1911)
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