Vesper


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Vesper
Vespro


A estrela da tarde está
madura
e sem nenhum perfume

A estrela da tarde é
infecunda
e altíssima

Depois da estrela da tarde
so há:
o silêncio.
La stella della sera è
matura
e senza alcun profumo

La stella della sera è
sterile
e altissima

Dopo la stella della sera
c’è solo:
il silenzio.
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William Turner
La stella della sera (1830)
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Vemos por espelho


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Vemos por espelho
Vediamo attraverso lo specchio


Vemos por espelho
e enigma

(mas haverá outra forma
de ver?)

*
O espelho dissolve
o tempo

o espelho aprofunda
o enigma

o espelho devora
a face.
Vediamo attraverso lo specchio
e l’enigma

(ma ci sarà un’altro modo
di vedere?)

*
Lo specchio dissolve
il tempo

lo specchio sonda
l’enigma

lo specchio divora
la faccia.
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Alice Bailly
Donna allo specchio (1918)
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O gato


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O gato
Il gatto


Na casa
inefavelmente
circulam olhos
de ouro

vibre ( em ouro) a
volúpia
o escuro tenso
vulto do deus sutil
indecifrado

na casa
o imperecível mito
se aconchega

quente (macio) ei-lo
em nossos braços:
visitante de um tempo sacro
(ou de um não tempo).
Per casa
ineffabili
s'aggirano occhi
d’oro

vibra (nell’oro) la
voluttà
il cupo grave
sguardo del dio esile
indecifrabile

in casa
l’imperituro mito
s’acciambella

caldo (morbido) eccolo
tra le nostre braccia:
visitatore d’un tempo sacro
(o d’un non-tempo).
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Eva Fialka
Fratelli siamesi (2014)
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Meio-dia


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Meio-dia
Mezzogiorno


Ao meio-dia a vida
é impossível.

A luz destrói os segredos:
a luz é crua contra os olhos
ácida para o espírito.

A luz é demais para os homens.
(Porém como o saberias
quando vieste à luz
de ti mesmo?)

Meio-dia! Meio-dia!
A vida é lúcida e impossível
A mezzogiorno la vita
è impossibile

La luce distrugge i segreti:
la luce è cruda contro gli occhi
acida per lo spirito.

La luce è eccessiva per gli uomini.
(Ma come fai a saperlo
se sei venuto qui alla luce
di te stesso?)

Mezzogiorno! Mezzogiorno!
La vita è lucida e impossibile
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Nicolas de Staël
Il sole (1953)
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Cansa-me…


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Cansa-me…
Mi sfinisce…


Cansa-me. A chaga inumerável
de mim cintila, sem palavras, úmida
fonte rubra do ser, e tédio
de prosseguir, inabitada, viva.

Prosseguir. Ai, presença ignorada
do ser em mim, segredo e contingência,
espelho, cristal raso, submerso
na eternidade do existir, tranqüilo.

Cansa-me ser. Ai, chaga e antigo sonho
de áureas transmutações e vidas outras
além de mim, além de uma outra vida!

Mas amolda-me o ser. Prende-me a essência
(raiz profunda e vera) a imutável
condição de ser fonte e ser ferida...
Mi sfinisce. La piaga smisurata
dentro di me scintilla, senza parole, umida
rossa fonte dell’essere, e stanchezza
di proseguire, disabitata, viva.

Proseguire. Ahi, presenza ignorata
dell'essere ch’è in me, segreto e contingenza,
specchio, cristallo liscio, sommerso
nell’eternità dell’esistere, tranquillo.

Mi sfinisce esistere. Ahi, piaga e antico sogno
di auree trasmutazioni e d’altre vite
al di là di me, al di là d’un’altra vita!

Ma l’essere mi plasma. Mi lega all’essenza
(radice profonda e vera) l’immutabile
condizione d’essere fonte e d’essere ferita...
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Giorgio De Chirico
Solitudine (disegno) (1917)
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