Distâncias perdidas


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Adalgisa Nery »»
 
Do Fim ao Princípio (2022) »»
 
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Distâncias perdidas
Distanze perdute


Iluminados por luz que nasce na distância
E largados à vontade sem destino
Cavalgamos campos e relvados
Vazios de montes ou vales aguados.
A colheita de horizontes é farta
Mas inatingível para a fome de repouso.
No céu os mares sonolentos ou raivosos,
Na terra, do canto morto e irrevelado
Nascem braços como espigas ressecadas,
Na paisagem
Exuberante cresce a solidão
Sem deixar rastros da nossa passagem.
Illuminati da una luce che nasce in lontananza
E abbandonati a noi stessi senza nessuna meta
Cavalchiamo per campi e praterie
Prive di alture o di vallate umide.
Abbondante è il raccolto di orizzonti
Ma inarrivabile per la fame di quiete.
Nel cielo i mari sonnolenti o rabbiosi,
Sulla terra, dall’angolo morto e riposto
Nascono braccia come spighe disseccate,
Nel paesaggio
Esuberante cresce la solitudine
Senza che resti traccia del nostro passaggio.
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Félix Valloton
Tramonto (1911)
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Vivência


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Vivência
Esistenza


Começamos a viver
Quando saímos do sono da existência,
Quando as distâncias se alongam nas partículas do corpo.

Começamos a viver
Quando confusos e sem consolo
Não sentimos os traços do irmão perdido.
Quando antes da força
Surge a sombra do insignificante.
Quando o sono é transformado em sonhos superados,
Quando o existir não é contradição.

Começamos a viver
Quando percebemos a mutação das células,
Quando fugimos de dentro de nós mesmos
E escondemos a nossa carne num caramujo oco.
Quando o espírito falsificado esquece
As tortuosas estradas
E quando deixamos de ser escaravelhos laboriosos.

Começamos a viver
Quando velamos além do sono
A vida irreal dos nossos passos.
Cominciamo a vivere
Quando usciamo dal sonno dell’esistenza,
Quando le distanze s’allungano nelle cellule del corpo.

Cominciamo a vivere
Quando confusi e sconsolati
Non distinguiamo le orme del fratello perduto.
Quando di fronte alla forza
Sorge l’ombra dell’insignificante.
Quando il sonno si trasforma in sogni superati,
Quando l’esistenza non è contraddizione.

Cominciamo a vivere
Quando avvertiamo la mutazione delle cellule,
Quando fuggiamo da dentro di noi stessi
E nascondiamo la nostra carne in un guscio vuoto.
Quando lo spirito contraffatto dimentica
Le strade tortuose
E quando smettiamo d’essere scarabei industriosi.

Cominciamo a vivere
Quando sorvegliamo al di là del sonno
La vita irreale dei nostri passi.
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Kazuko Shiihashi
Cobalt Blue Hill (2022)
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Teoria de zero


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Teoria de zero
Teoria dello zero


O desejo absorve dois corpos
E por instantes funde-os na unidade.
Sentimentos com a força das marés vazantes
Baixam sobre dois corpos
Deixando às próximas marés enchentes
Dois corpos abandonados, flutuando
No oceano aberto.
Il desiderio assorbe due corpi
E per attimi li fonde in uno solo.
Sensazioni con la forza delle maree in riflusso
Si adagiano sopra due corpi
Lasciando alle successive maree crescenti
Due corpi abbandonati, fluttuanti
Sull’oceano aperto.
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Lorenzo Mattotti
Nell’acqua (2021)
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Toda a música…



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Nuno Rocha Morais »»
 
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Toda a música…
Tutta la musica…


Toda a música
Traz uma memória própria,
Sábia de quanto esquecemos.
O seu fluir cristaliza
Num breve fulgor.

Toda a música
Transplanta para nós
A memória de que ela é tempo,
Essa música que adormece, cumprida,
É a nossa reconciliação
Com o silêncio.
Tutta la musica
Reca in sé una memoria propria,
Conscia di quanto abbiamo scordato.
Il suo fluire cristallizza
Nella brevità d’un lampo.

Tutta la musica
Trapianta in noi
La memoria del suo essere tempo,
Questa musica che s'addormenta, appagata,
È la nostra riconciliazione
Con il silenzio.
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Vassily Kandinsky
Dipinto blu (1924)
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Rotina de todos nós


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Rotina de todos nós
La routine di noi tutti


Ser fragmento do transitório,
Analisar-se no mistério do demudado,
Saber perder o que jamais foi possuído
Mas desejado,
Esperar o que nunca foi criado,
Cravar-se em raízes já extintas,
Conduzir-se por idéias não nascidas,
Ver grandezas na própria fraqueza,
Proclamar o amor sobre o desamor,
Ser pureza ao lado da degradação
É existir no que não tem sentido,
É esquecer o que não foi pensado,
É caminhar sem deixar traços,
É ser pássaro sem asas
É tentar sair do chão para os espaços.
Essere un frammento dell’effimero,
Studiarsi nel mistero dei mutamenti,
Saper perdere ciò che mai si è posseduto
Ma solo vagheggiato,
Aspettarsi ciò che mai fu creato,
Aggrapparsi a radici ormai estinte,
Farsi guidare da idee non maturate,
Veder grandezze nella propria fragilità,
Proclamare l’amore al di sopra del disamore,
Essere purezza accanto alla degradazione
È esistere in ciò che non ha senso,
È scordarsi di ciò che non fu pensato,
È camminare senza lasciare impronte,
È essere un uccello senza ali
È tentare di lasciare la terra per lo spazio.
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Ismael Nery
Composição surrealista (1929)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (39) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (541) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (30) Poesie inedite (349) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)