Maiêutica


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Maiêutica
Maieutica


Gerar é escura
lenta
forma in
   forme

gerar é
força
silenciosa
  firme

gerar é
trabalho
opaco:

só o nascimento
grita.
Creare è oscura
lenta
forma in
   forme

creare è
forza
silenziosa
  ferma

creare è
atto
opaco:

solo la nascita
grida.
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Otto Dix
Neonato tra le mani (1920 circa)
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Galo


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Galo
Gallo


Canta o galo e a
noite
se aprofunda
em plena meia
noite: o galo
é negro.

Galo abissal - galo invisível
canta
e tudo o mais se cala. No
vazio
só - opaco - per
siste
o galo
negro.
Canta il gallo e la
notte
s’addensa
in piena mezza
notte: il gallo
è nero.

Gallo abissale - gallo invisibile
canta
e tutto il resto tace. Nel
vuoto
solo - opaco - per
siste
il gallo
nero.
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Joseph Crawhall
Il gallo nero (1894)
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Fala


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Fala
Discorso


Falo de agrestes
pássaros de sóis
que não se apagam
de inamovíveis
pedras

de sangue
vivo de estrelas
que não cessam.

Falo do que impede
o sono.
Parlo di uccelli
selvatici di soli
che non si spengono
di pietre
inamovibili

di sangue
vivo di stelle
che non s’estinguono.

Parlo di ciò che impedisce
il sonno.
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Tracey Emin
My Bed (1999)
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Adivinha


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Adivinha
Indovinello


O que é impalpável
mas
pesa

o que é sem rosto
mas
fere

o que è invisível
mas
dói
È intangibile
ma
pesa

è senza volto
ma
ferisce

è invisibile
ma
fa male
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Elihu Vedder
L’enigma della Sfinge (1863)
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Tínhamos esquecido…



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Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (agosto 2026) »»
 
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Tínhamos esquecido…
Avevamo dimenticato…


Tínhamos esquecido que poderia
Acontecer assim, a manhã,
E num súbito calor
Haver uma energia súbita
Que a reconhece e lhe responde
Juntando-se ao poliedro em turbilhão
De faces incontáveis,
De pássaros lançados
Às mãos cheias pelo ar,
E a toda essa harmonia imperiosa,
Diversa unindo, o diverso enlaçando.
Contudo as suas horas tão leves,
Tempo sem esforço, cansaço,
Não são para o nosso tempo
De sobressalto e contratempo
De quem não pode esperar
Por manhãs e estações.
Enquanto a luz se apura e define
Nos seus dourados, estou certo
De que não pertence aqui
Tão gratuita pureza.
Saturamos inefáveis
Até os reduzirmos à escravidão
De forma, peso, medida
E literatura descritiva.
Com a luz à cintura
Dos primeiros blocos,
Esta manhã não sabe – ou esqueceu –
Que já não estamos no Paraíso.
Avevamo dimenticato che potesse
Mostrarsi così, la mattina,
E in un calore improvviso
Esserci un’ improvvisa energia
Che la riconosca e le risponda
Unendosi al poliedro in un turbinio
D’innumerevoli facce,
Di uccelli lanciati
Per aria a piene mani,
E a tutta questa armonia imperiosa,
Unendo il diverso, intrecciando il diverso.
Tuttavia le sue ore così lievi,
Tempo senza sforzo né stanchezza,
Non sono per i nostri tempi
D’inquietudine e contrarietà
Di coloro che non possono aspettare
Le mattine e le stagioni.
Mentre la luce si rischiara e definisce
Nei suoi toni dorati, io sono certo
Che non appartenga a questo luogo
Tanta gratuita purezza.
Ci saturiamo di cose inenarrabili
Fino a ridurle alla schiavitù
Di forma, peso, misura
E letteratura descrittiva.
Con la luce all’altezza
Dei primi isolati
Questa mattina non sa – o ha scordato –
Che non abitiamo più in Paradiso.
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Childe Hassam
Primavera a Central Park (1898)
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