Fala


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Fala
La parola


Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem o amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade.)
Tutto
sarà difficile da dire:
la parola reale
non è mai dolce.

Tutto sarà duro:
luce impietosa
eccessiva esperienza
troppa cognizione dell'essere.

Tutto sarà
in grado di ferire. Sarà
prepotentemente reale.
Così reale da farci a pezzi.

Non c’è pietà nei segni
né nell’amore: l’essere
è eccessivamente lucido
e la parola è densa e ci ferisce.

(Ogni parola è crudeltà).
________________

Olafur Eliasson
The sun has no money (2008)
...

Destruição


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Destruição
Distruzione


A coisa contra a coisa:
a inútil crueldade
da análise. O cruel
saber que despedaça
o ser sabido.

A vida contra a coisa:
a violentação
da forma, recriando-a
em sínteses humanas
sábias e inúteis.

A vida contra a vida:
a estéril crueldade
da luz que se consome
desintegrando a essência
inutilmente.
La cosa contro la cosa:
l’inutile crudeltà
dell’analisi. La crudele
conoscenza che fa a pezzi
l’essere conosciuto.

La vita contro la cosa:
la violazione
della forma, che viene ricreata
in umane sintesi
sagge e inutili.

La vita contro la vita:
la sterile crudeltà
della luce che si consuma
disintegrando l’essenza
inutilmente.
________________

Lorenzo Lippi
Sant’Agata, particolare (1638-1644)
...

A tarde compõe-se no céu…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (luglio 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A tarde compõe-se no céu…
Il pomeriggio si dispiega nel cielo…


A tarde compõe-se no céu,
Teatral, florida, clara:
Espessura de aves do Verão.
Mas em mim soam os tambores da chuva,
Tantos tambores tentaculares...
É a alegria de estar vivo
Tantas vezes pontuada
Por longos espaços de pedras longas,
Rajadas de silêncio,
Buracos de mim.
Il pomeriggio si dispiega nel cielo,
Teatrale, esuberante, chiaro:
Spesso stormo di uccelli estivi.
Ma in me risuonano i tamburi della pioggia,
Tanti tamburi tentacolari...
È la gioia d’esser vivo
Così spesso punteggiata
Da lunghi tratti di lunghe pietre,
Esplosioni di silenzio,
Buchi dentro di me.
________________

Sarah Goodnough
Uccelli in volo (2011)
...

Cervantes


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Miguel Torga »»
 
Poemas ibéricos (1965) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Cervantes
Cervantes


O génio é humilde como a natureza.
É tambem numa lenta e obscura
Tenacidade
Que realiza
Os milagres que faz…
Num apagado esforço pertinaz,
A partir dum lampejo de ironia,
Transforma dia a dia,
Hora a hora,
O louco temporal que em mim vivia
No louco intemporal que vive agora.

Umile è il genio come la natura.
È appena grazie a una lenta e oscura
Pertinacia
Che realizza
I miracoli che fa…
In uno sforzo tacito e ostinato,
Partendo da uno sprazzo d’ironia,
Trasforma giorno per giorno,
Ora per ora,
Il folle temporale che in me viveva
Nel folle intemporale che in me vive ora.

________________

Juan de Jáuregui
Ritratto di Miguel de Cervantes Saavedra (1600)
...

Que somos nós...


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Manuel Alegre »»
 
O canto e as armas (1967) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Que somos nós...
Che siamo noi...


Que somos nós senão o que fazemos?
Que somos nós senão o breve traço
da vida que deixamos passo a passo
e é já sombra de sombra onde morremos?

Que somos nós se não permanecemos
no por nós transformado neste espaço?
Que serei eu senão só o que faço
e é tão pouco no tempo em que não temos

para viver senão o tempo de
transformar neste tempo e neste espaço
a vida em que não somos mais do que

o sol do que fazemos. Porque o mais
é sombra de sombra e o breve traço
de quem passamos para nunca mais.

Che siamo noi se non quel che facciamo?
Che siamo noi se non la breve traccia
d’una vita che passo a passo lasciamo
già ombra dell'ombra in cui moriremo?

Che siamo noi se non permaniamo
nello spazio da noi stessi trasformato?
Che sarei io, se non soltanto ciò che faccio,
che è così poco nel tempo in cui per vivere

non abbiamo altro se non il tempo di
trasformare in questo tempo e in questo spazio
la vita in cui non siamo niente più che il

sole di quello che facciamo. Perché il resto
è ombra dell'ombra e la breve traccia di chi
un dì abbiamo incrociato e poi mai più.

________________

Sergio Padovani
Esistenza (2024)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (552) Orides Fontela (2) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (30) Poesie inedite (360) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)