Pré-morte


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Pré-morte
Pre-morte


  Para o poeta Dante Milano

O escuro ser profundo, coisa sobrenatural,
Vontade oculta sem objeto,
Pousado na brasa sem lume
Dos ímpetos à procura de um destino.
Companheiro de farsas, mensageiro de aflições,
Mão sustentando a máscara na face intata,
Fuga na palavra dissolvida
No vácuo da imagem esquecida,
Sobra que embala em acalanto
De agonia em agonia,
O volume da tristeza e da alegria,
Nódoa que o desespero não apaga.
Tudo tão certo e tudo tão mal articulado,
Tudo tão fundido no abandono do querer,
Tão floresta sem saída, tão rachadura sem fundo,
Tão treva preexistida
Na corrente de amarrados conjuntos
No conceito de vazios absolutos,
No escuro que não deu à luz.
Oh canção de secura cantada em silêncio!
Oh escuro ser profundo!
  Per il poeta Dante Milano

L’oscuro essere profondo, cosa ultraterrena,
Volontà occulta senza oggetto,
Poggiato sulla brace senza il fuoco
Degli impulsi in cerca d’un destino.
Compagno di farse, messaggero d'afflizioni,
Mano che sostiene la maschera sul volto intatto,
Fuga nella parola dissolta
Nel vuoto dell'immagine dimenticata,
Parvenza che illude in una nenia
Di agonia in agonia,
L’entità di tristezza e d’allegria,
Macchia che la disperazione non cancella.
Tutto così certo e tutto così mal articolato,
Tutto così fuso nell’abbandono voluttuoso,
Così foresta senza uscita, così ferita senza fondo,
Così tenebra preesistente
Nella processione di creature legate
Dal concetto di vuoti assoluti,
Nel buio che non s’è mutato in luce.
Oh canzone d’aridità cantata in silenzio!
Oh oscuro essere profondo!
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Edvard Munch
Odore di morte (1895)
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Patrimônio


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Patrimônio
Patrimonio


Pesam nos meus ossos
Os meus pensamentos,
Choram nos meus olhos
As visões neles crescidas,
Soluçam no torpor das minhas carnes
Ancestrais desalentos.

Sangram os meus pés
Na inútil andança
Da imaginação liberta,
Pulveriza o meu espírito
A solidão do suicida ignorado
E cresce assustadoramente dentro de mim
A calmaria que precede o fim.
Pesano sulle mie ossa
I miei pensieri,
Piangono nei miei occhi
Le visioni cresciute lì,
Singhiozzano nel torpore delle mie carni
Sconforti ancestrali.

Sanguinano i miei piedi
Nell'inutile vagare
Dell’immaginazione liberata,
Polverizza il mio spirito
La solitudine del suicida ignorato
E cresce spaventosamente dentro di me
La bonaccia che precede la fine.
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Julia Vengiel
La calma prima della tempesta (2024)
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Os cegos


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Os cegos
I ciechi


Não vemos o mostrador do Tempo
Assim como não vemos
Uma forma de vida fundir-se noutra.
Não vemos a vida caminhar sobre nossa origem
Construindo muralhas contra nós mesmos.
Não ouvimos o cântico de guerra
Festejando nossos fracassos
Registrados nas páginas do pensamento.

A cada hora vemos e sentimos menos
O mostrador do Tempo.
Somos mutações desordenadas
Multiplicando-se nos porões fétidos
De galeras negras, abandonadas.
Non vediamo il quadrante del Tempo
E non vediamo neppure
Una forma di vita fondersi in un’altra.
Non vediamo avanzare la vita verso la nostra origine
Costruendo muri contro noi stessi.
Non udiamo il cantico di guerra
Che celebra i nostri fallimenti
Annotati sulle pagine del pensiero.

Ora dopo ora vediamo e sentiamo meno
Il quadrante del Tempo.
Siamo mutazioni caotiche
Che si moltiplicano nelle fetide stive
Di neri galeoni, abbandonati.
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William Turner
Stonehenge al tramonto (1811)
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O fado deixa-nos…



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O fado deixa-nos…
Il fado ci lascia…


O fado deixa-nos
Abandonados na praia,
As notas quebrando-nos os olhos,
Lágrimas pelos olhos adentro.
No céu, apaga-se a geografia dos astros,
Saudade súbita
De algo ainda próximo,
Mas é a saudade futura presente.
O fado desatando o coração,
O fado abrindo uma gaveta
Antiquíssima e poeirenta
Onde reencontramos um pouco de nós.
Il fado ci lascia
Abbandonati sulla spiaggia,
E le note ci spezzano gli occhi,
Riversando le lacrime all’interno.
In cielo, si cancella la geografia degli astri,
Rimpianto improvviso
Di qualcosa ancora vicino,
Ma è il rimpianto del futuro che è presente.
Fado che scioglie il cuore,
Fado che apre un cassetto
Vecchissimo e polveroso
In cui ritroviamo un po’ di noi.
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Giorgio de Chirico
I danzatori (1970)
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Mulher


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Mulher
Donna


Na face, a geografia da angústia,
Dos pânicos e das medrosas alegrias.
Cada ruga é um presságio.
E auréola da aflição constante
O esplendor dos cabelos brancos.

Uma só raiz para frutos diversos,
Uma só vida para destinos tão complexos,
Um só pranto para dores tão diversas.

O útero que gera o herói, o sábio, o poeta,
O santo, o miserável e o assassino.
Uma só raiz para frutos tão diversos!

O dom da paz em cada gesto
Cai como noites quietas
Sobre a alma em rancor,
Amor acima do amor.
Sul viso, la geografia dell’angoscia,
Del panico e delle timide gioie.
Ogni ruga è un presagio.
E aureola di costante afflizione
Lo splendore dei capelli bianchi.

Una sola radice per frutti diversi,
Una sola vita per destini tanto complessi,
Un solo pianto per dolori tanto diversi.

L’utero che genera l’eroe, il saggio, il poeta,
Il santo, il miserabile e l’assassino.
Una sola radice per frutti tanto diversi!

Il dono della pace in ogni gesto
Ricade come notti quiete
Sull’anima rancorosa,
Amore sopra l’amore.
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Pablo Picasso
Madre con bambino malato (1903)
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