Quando tu apareceres…


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Quando tu apareceres…
Quando tu apparirai…


Quando tu apareceres (e então verás
a minha única grandeza)
a Obra que te fiz hei-de a queimar;
não deves conhecer esse caminho
mal talhado, que fiz pra te chegar.
Tão pertinho do Céu te encontrarei,
tão longe de ser mulher,
que te hei-de receber, divina, nos meus braços,
sem teres corpo sequer.
Eu só, Amor, te prenderei na Forma;
é pra seres mais de mim
que as minhas mãos, que Deus abençoou,
te darão os contornos que não tens.
No modelar teus braços e teu peito,
alcançarei, contigo a Perfeição,
e é esse o meu poema, o teu poema:
o milagre daquela criação.
Quando tu apparirai (e allora vedrai
la mia unica grandezza)
l’Opera che per te ho fatto io la brucerò;
non devi venire a conoscere quel cammino
mal tracciato, che ho fatto per arrivare a te.
T’incontrerò così vicino al Cielo,
così lontana dall’essere donna,
che ti riceverò, divina, tra le mie braccia,
senza che tu abbia neppure un corpo.
Io solo, Amore, ti conferirò una Forma;
è perché tu sia più simile a me
che le mie mani, benedette da Dio,
ti daranno i contorni che non hai.
Nel modellare le tue braccia e il tuo petto,
raggiungerò, con te la Perfezione,
e questo è il mio poema, il tuo poema:
il miracolo di quella creazione.
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Henry Moore
Figura reclinata (1929)
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O Menino Grande


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O Menino Grande
Il Bambino Grande


Também eu, também eu,
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...

Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho;
os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.

Vida!,
não me venhas roubar o meu tesoiro:
não te importes que eu ria,
que eu salte como dantes.
E se eu riscar os muros
ou quebrar algum vidro
ralha, ralha comigo, mas de manso...

(Eu tinha um bibe azul...
Tinha berlindes,
tinha bolas, cavalos, papagaios...
A minha Mãe ralhava assim como quem beija...
E quantas vezes eu, só pra ouvi-la
ralhar, parti os vidros da janela
e desenhei bonecos na parede...)

Vida!, ralha também,
ralha, se eu te fizer maldades, mas de manso,
como se fosse ainda a minha Mãe…
Anch’io, anch’io,
giocai a nascondino, feci altalene,
ebbi palloni, biglie, aquiloni,
automobili a molla, cavallini...

Poi son cresciuto,
fino alle dimensioni che ho adesso;
ho perso i miei giocattoli, i bavaglini
non mi servono più.
Ma non tutto è svanito:
m’è rimasto,
del mio tempo d’infanzia
questa ingenua allegria
davanti alle cose nuove
e questa voglia di giocare.

Vita!,
non venirmi a rubare il mio tesoro:
non prendertela se rido,
se salto come prima.
E se io graffio le pareti
o se rompo qualche vetro
sgridami pure, ma con affetto...

(Io avevo un bavaglino blu...
Avevo biglie,
avevo palloni, cavalli, aquiloni…
La mamma mi sgridava come chi bacia...
E quante volte io, solo per sentirla
gridare, ruppi i vetri della finestra
e disegnai figure sopra i muri...)

Vita!, sgridami anche tu,
grida, se io farò bravate, ma con affetto,
come se fosse ancora la mia mamma…
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Juan Gris
Arlecchino seduto (1923)
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Mordaça


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Mordaça
Bavaglio


Puseram-lhe na boca uma mordaça…
Mas o Poeta era Poeta
e tinha que falar.
Fez um esforço enorme,
puxou a voz como quem golfa sangue,
e a mordaça soltou-se-lhe da boca.
Porém, não era já mordaça:
– Agora,
era um poema a queimar
os ouvidos das turbas inimigas
que, na praça,
o tinham querido calar.
Gli misero un bavaglio sulla bocca…
Ma il Poeta era Poeta
e doveva parlare.
Fece uno sforzo enorme,
forzò la voce come chi sputa sangue,
e il bavaglio gli si staccò dalla bocca.
Ecco, non c’era più bavaglio:
– Adesso,
c’era una poesia che ustionava
le orecchie della folla ostile
che, nella piazza,
avrebbe voluto metterlo a tacere.
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Giovanni Bernardino Azzolino
Anima (1640)
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Luz


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Luz
Luce


Ah como é bom fechar os olhos
e volta-los, fechados, para o Sol!....
Venham daí cortar minhas veias !
Venham daí sugar as minhas veias!
Venham todos de aí, se têm sede!
Venham todos beber!

Ah como é bom sentir,
não já sangue, mas Luz em minha veias
que eu quero pôr, rasgadas,
como beijos, nas feridas dos Desgraçados! ...

Ah como é bom saber
como é que a Luz entrou dentro de mim,
se eu tenho os olhos fechados!…
Ah com’è bello chiudere gli occhi
e volgerli, chiusi, al Sole!....
Forza, venite a tagliarmi le vene!
Forza, venite a succhiarmi le vene!
Forza, venite tutti, se avete sete!
Venite tutti a bere!

Ah com’è bello sentire,
non sangue, ma Luce nelle mie vene
che io voglio posare, recise,
come baci sulle ferite degli Sventurati!...

Ah com’è bello sapere
come ha fatto la Luce a entrare in me,
se io tengo gli occhi chiusi!…
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Janne Parviainen
The Unforgiven (2011)
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Andorinha


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Andorinha
Rondine


Tonta de Poesia,
caiu a manhã…
É uma andorinha morta de cansaço.

Deixem-na ficar
caída no chão.
Não façam barulho
podem acordá-la.

Se ela se levanta
mesmo assim cansada
suas asas negras
cobrem o Sol.

Deixem-nas paradas,
suas asas meigas.
Sereninhas dormem
o seu vôo morto…
Ebbra di Poesia,
è caduta stamattina…
È una rondine morta di fatica.

Lasciatela star lì
caduta a terra.
Non fate rumore
la potreste svegliare.

Se lei ora s'alzasse
pur tanto stanca
le sue ali nere
coprirebbero il Sole.

Lasciatele a riposo,
le sue dolci ali.
Serenamente dormono
sul suo volo morto…
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Johan Thomas Lundbye
Studio di una rondine morta (1837)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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