Cervantes


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Miguel Torga »»
 
Poemas ibéricos (1965) »»
 
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Cervantes
Cervantes


O génio é humilde como a natureza.
É tambem numa lenta e obscura
Tenacidade
Que realiza
Os milagres que faz…
Num apagado esforço pertinaz,
A partir dum lampejo de ironia,
Transforma dia a dia,
Hora a hora,
O louco temporal que em mim vivia
No louco intemporal que vive agora.

Umile è il genio come la natura.
È appena grazie a una lenta e oscura
Pertinacia
Che realizza
I miracoli che fa…
In uno sforzo tacito e ostinato,
Partendo da uno sprazzo d’ironia,
Trasforma giorno per giorno,
Ora per ora,
Il folle temporale che in me viveva
Nel folle intemporale che in me vive ora.

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Juan de Jáuregui
Ritratto di Miguel de Cervantes Saavedra (1600)
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Que somos nós...


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Manuel Alegre »»
 
O canto e as armas (1967) »»
 
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Que somos nós...
Che siamo noi...


Que somos nós senão o que fazemos?
Que somos nós senão o breve traço
da vida que deixamos passo a passo
e é já sombra de sombra onde morremos?

Que somos nós se não permanecemos
no por nós transformado neste espaço?
Que serei eu senão só o que faço
e é tão pouco no tempo em que não temos

para viver senão o tempo de
transformar neste tempo e neste espaço
a vida em que não somos mais do que

o sol do que fazemos. Porque o mais
é sombra de sombra e o breve traço
de quem passamos para nunca mais.

Che siamo noi se non quel che facciamo?
Che siamo noi se non la breve traccia
d’una vita che passo a passo lasciamo
già ombra dell'ombra in cui moriremo?

Che siamo noi se non permaniamo
nello spazio da noi stessi trasformato?
Che sarei io, se non soltanto ciò che faccio,
che è così poco nel tempo in cui per vivere

non abbiamo altro se non il tempo di
trasformare in questo tempo e in questo spazio
la vita in cui non siamo niente più che il

sole di quello che facciamo. Perché il resto
è ombra dell'ombra e la breve traccia di chi
un dì abbiamo incrociato e poi mai più.

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Sergio Padovani
Esistenza (2024)
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A palavra é uma estátua submersa…


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António Ramos Rosa »»
 
Acordes (1989) »»
 
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A palavra é uma estátua submersa…
La parola è una statua sommersa…


A palavra é uma estátua submersa, um leopardo
que estremece em escuros bosques, uma anêmona
sobre uma cabeleira. Por vezes é uma estrela
que projeta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os sutis tornozelos, os cabelos ardentes
e vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.
La parola è una statua sommersa, una pantera
che trepida in oscure foreste, un’anemone
posta tra i capelli. Alle volte è una stella
che protende la sua ombra sopra un busto.
Eccola senza meta nel fragore della notte,
cieca e nuda, ma vibrante di desiderio
come una magnolia bagnata. Rapida è la bocca
che soltanto sfiora i guizzi d’un’altra luce.
Le tocco le sottili caviglie, i capelli ardenti
e vedo un’acqua limpida in una conchiglia marina.
È sempre un corpo amante e fugace
che canta in un mare armonioso il sangue delle vocali.
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Filippo de Pisis
Natura morta con conchiglie (1928)
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A música...


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Voz Inicial (1960) »»
 
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A música...
La musica...


A música começa
no deserto do não
(no túmulo do quarto
as sílabas são mudas)
La musica comincia
nel deserto del no
(nella tomba della stanza
le sillabe sono mute)
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Vassily Kandinsky
Schwarzes Staebchen (Bastoncini neri - 1928)

Lugones


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Nuno Júdice »»
 
Meditação sobre Ruínas (1994) »»
 
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Lugones
Lugones


Só a poesia inspira a poesia,
como in vino veritas;
se a metáfora varia
as imagens são pretéritas.

O poeta ilude a hora,
o dicionário fica inconcluso.
Mas tudo o que se ignora
deixa o homem confuso.

Celebrava os pombais
que lhe nasciam no peito,
tão fortes como os ais
que o tornavam suspeito.

«Farol glacial do inverno.»
neste poema em que o meto
quis fugir do inferno
com um copo de cianeto.

Solo la poesia ispira la poesia,
proprio come in vino veritas;
se la metafora si cambia
l’immagine al passato apparterrà.

Il poeta inganna l’ora,
il dizionario resta incompleto.
Ma tutto quel che s'ignora
lascia l’uomo smarrito.

Le colombaie celebrava
che gli nascevano nel petto
e così forte s’affliggeva
tanto da rendersi sospetto.

In questa poesia in cui io metto lui
«Dell’inverno algido faro»
è dall’inferno che voleva fuggire
bevendo quel bicchiere di cianuro.

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Leopoldo Lugones nel 1922
Foto di Eduardo Vargas Machuca
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