Não pude amar mais ninguém…


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Não pude amar mais ninguém…
Non ho più potuto amar nessuno…


não pude amar mais ninguém
e mesmo que te minta
é o contrário disso 

e mesmo que te minta
é a verdade seca
posta ali às avessas;
não pude amar mais claro
non ho più potuto amar nessuno
e di certo mentirei
dicendoti il contrario 

e anche se ti mentissi
è la pura verità
buttata lì a rovescio;
non ho più potuto amare così tanto
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Derrick Adams
Fixing My Face (2025)
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Louvor do Bairro dos Olivais


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Louvor do Bairro dos Olivais
Elogio del Bairro dos Olivais


Não tive nunca nada a ver com as
guitarras estudantes; eu vivia
num lento bairro da periferia
onde a chuva apagava os passos das

pessoas de regresso a suas casas
fazia compras na mercearia
e algum livro mais forte que então lia
já era para mim como um par d'asas

amigos vinham ver-me que eu servia
de ponche ou Madeira malvasia
para soltar as línguas livremente

um que bramava um outro que dormia
eu abria a janela e só dizia
ao menos estas ruas têm gente
Non ho mai avuto niente a che vedere
con gli studenti di chitarra; io vivevo
in un pigro rione di periferia
dove la pioggia cancellava i passi delle

persone di ritorno alle proprie case
facevo acquisti all’emporio e qualsiasi
libro più originale di quelli che leggevo allora
per me era già come un paio d’ali

gli amici venivano a trovarmi e io servivo
loro del punch o Madeira Malvasia
perché sciogliessero la lingua liberamente

c’era chi urlava e c’era chi dormiva
io aprivo la finestra e dicevo solamente
almeno queste strade sono piene di gente
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Brasão de armas
da Câmara Municipal dos Olivais (1860)
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O poema como um sismógrafo…



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Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (marzo 2026) »»
 
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O poema como um sismógrafo…
La poesia come un sismografo…


O poema como um sismógrafo de ilusão,
Em cujas palavras vazias de som
Se adivinha o coração suspenso.
O poema como um arar sem revolver,
O lugar de ligar luas longínquas,
Lugar de imaginar um coração:
Poema – câmara de caminhos
Desaguando em múltiplas distâncias.
La poesia come un sismografo d’illusioni,
Nelle cui parole prive di suono
S’indovina il cuore sospeso.
La poesia come un aratro che non fende,
Il luogo per legare lune lontane,
Luogo ove immaginare un cuore:
Poesia – visore di cammini
Che sboccano in molteplici distanze.
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František Kupka
Intorno a un punto (1920-1930)
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Bom rei Afonso


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Bom rei Afonso
Il buon re Alfonso


Lavava-se só de raro em raro
e só como o gato mas era um tal
furor entre as damas e suas aias
que se conta de uma dona Ilduara
Veilaz a filha do crego manco
tê-lo chamado um fim de tarde
no meio de forte trovoada
a Rendufe onde então demorava
para a comer (e recomer é claro)
nas três posições principais
o que ele fez com brio e recato
e isso atira para uma conta calada
mesmo em termos de História Pátria
e sem da Igreja o beneplácito
gritando ela ao fim de cada round
senhor senhor mais do que ao mel
vós a erva-babosa me cheirais

ah e tudo isto para fortalecer a alma!
Si lavava solo molto di rado
e solo come un gatto ma tale era
il furore tra le dame e le sue aie
che si racconta di una donna Ilduara
Veilaz la figlia del prete zoppo
che lo chiamò sul far della sera
nel mezzo di un forte temporale
a Rendufe dove abitava allora
perché la prendesse (e riprendesse è chiaro)
nelle tre posizioni principali
cosa che egli fece con brio e riguardo
e questo rimanda a un dettaglio segreto
anche in termini di Storia Patria
e senza il beneplacito della Chiesa
ove ella gridando alla fine di ogni round
signore signore più che di miele
voi per me olezzate d’aloe vera

ah e tutto ciò per dar vigore all’anima!
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Frei Manuel dos Reis
Dom Afonso Henriques in preghiera (1665)
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As balas


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As balas
Le pallottole


São de ferro. Ou de aço?
Diz-se que fazem à entrada
um pequeno orifício,
seguido de uma grande
devastação de carnes
sangrentas. Por isso matam.
Li tudo sobre a morte.
Escrevi sobre a minha
e depois embebedei-me.
A bala vem pelo ar
(ruído onomatopaico) e
crava-se, cava, ceva-se
nessas carnes. Era a minha.
Tive uma bala marcada:
à última hora telefonei
a desistir. ‘da-se!’
Pior para o Soares que entra
nestes versos já morto.
São de ferro. A tua era,
ó Soares, ou de aço,
e «agora choro contigo»
ausente uma vila
branca do Alentejo: tu.

  Diz-se que fazem assim
um pequeníssimo estúpido
orifício (não quis ver)
como um botão mas
destroem tudo, devastam
tecidos, vísceras nobres,
e então trazem até nós
a morte sanguinolenta.
Se ainda as fabricam
como no meu tempo, creio
que matam num, ah pois,
infinitésimo de segundo.
É brutal. Eu ouvi-as:
perde-se a tesão por um século. 
Sono di ferro. O d’acciaio?
Si dice che facciano all’entrata
un piccolo orifizio,
seguito da una gran
devastazione di carni
insanguinate. Perciò uccidono.
Ho letto tutto sulla morte.
Ho scritto sulla mia
e poi mi sono ubriacato.
La pallottola attraversa l’aria
(suono onomatopeico) e
si ficca, scava, s’incastra
nella carne. Era la mia.
Avevo una pallottola segnata:
all’ultimo istante ho telefonato
per arrendermi. ‘cedo!’
Andò peggio a Soares che entra
in questi versi già morto.
Sono di ferro. La tua lo era,
o Soares, o era d’acciaio,
e «ora piango per te»
assente da un bianco
borgo dell’Alentejo: tu.
 
Si dice che facciano così
un piccolissimo stupido
orifizio (non ho guardato)
come un bottone ma
distruggono tutto, devastano
i tessuti, le frattaglie nobili,
e quindi ci procurano
la morte sanguinolenta.
Se ancora le fabbricano
come ai miei tempi, credo
che uccidano, ah sì,
in un infinitesimo di secondo.
È brutale. Io le ho sentite:
non ti si rizza più per un secolo.
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Johnny Chung Lee
High-speed Bottle Smash (2006)
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