Oferendas com aviso


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Oferendas com aviso
Offerte con avvertenza


  20 de outubro, dia do poeta

vamos pôr uma bengala de cego no túmulo de homero
para que ele possa vagar em segurança pelas trevas
 do hades

vamos pôr um sapato de chumbo no túmulo de dante
para que ele possa ascender mais depressa ao encontro
 de beatriz

vamos pôr uma corda de enforcado no túmulo de villon
para que ele possa balançar-se em boa companhia

vamos pôr um olho de vidro no túmulo de camões
para que ele possa assistir à volta d’el-rei d. sebastião

vamos pôr um pedaço de carniça no túmulo de baudelaire
para que ele possa sentir o cheiro da vida aqui fora

vamos pôr um silenciador no túmulo de maiakóvski
para que o seu revólver não perturbe os planos
 qüinqüenais

claro que em cada túmulo junto com as oferendas
poremos também o aviso de praxe FIQUEM TODOS
 ONDE ESTÃO
  20 ottobre, giornata del poeta

posiamo un bastone da cieco sulla tomba di omero
affinché egli possa vagare in sicurezza lungo le tenebre
 dell’ade

posiamo un paio di scarpe di piombo sulla tomba di dante
affinché egli possa ascendere più rapidamente all’incontro
 con beatrice

posiamo una corda d’impiccato sulla tomba di villon
affinché egli possa penzolare in buona compagnia

posiamo un occhio di vetro sulla tomba di camões
affinché egli possa assistere al ritorno d’el-rei d. sebastião

posiamo un pezzo di carogna sopra la tomba di baudelaire
affinché possa sentire l’odore della vita qui fuori

posiamo un silenziatore sulla tomba di maiakóvski
affinché il suo revolver non importuni i piani
 quinquennali

ovviamente su ogni tomba insieme con le offerte
apporremo anche l’avvertenza di prassi STATE TUTTI
 DOVE SIETE
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Antonio Pisanello
Gli impiccati (dettaglio, 1435)
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Dia do índio


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Dia do índio
Giornata dell’Indio


  19 de abril

os dias dos que têm
os seus dias contados
  19 aprile

la giornata di chi ha
i suoi giorni contati
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Elvis da Silva
Índio do Xingu (2005)
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Segundo tema bíblico


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Segundo tema bíblico
Secondo tema biblico


  Para Oswald de Andrade Filho

A mãe, ajoelhada:

Cobri-me de cinzas
E confundi meus passos
Para não voltar.

Aqui me deitei
A velar os mortos
Do último dia.

Já não ouço mais
As vozes divinas
Que antes ouvia.

Agora e sempre,
Na fala do morto,
No riso do algoz,

Ouço a minha voz.


A mulher, imprecando:

A mão que detém
O punhal do crime,
A seda corrupta,

A pedra do sarcasmo;
A mão que traduz
O trigo diurno,
As águas raivosas,
O sol dos perdões;
Oh! mão, por que aceitas,
Sem fogo ou revolta,
O jugo da cruz?


O homem, crucificado:

Seja a idéia mais forte
Que o vinagre e a lança
Dos conquistadores.

Seja meu exemplo
Sangrento resgate
Às moedas de César.

Tombem as muralhas.
Pelo testemunho,
Salvo-me e prossigo.

(Embora o cordeiro
Seja uma iguaria
Grata ao inimigo.)
  Per Oswald de Andrade Filho

La madre, inginocchiata:

Mi cosparsi di cenere
E confusi i miei passi
Per non tornare indietro.

Qui mi coricai
Per vegliare sui morti
Dell’ultimo giorno.

Ormai non sento più
Le voci divine
Che udivo un tempo.

Ora e sempre,
Nelle parole del morto,
Nella risata del boia,

Io sento la mia voce.


La donna, imprecando:

La mano che impugna
Il pugnale del delitto,
La seta corrotta,

La pietra del sarcasmo;
La mano che sposta
Il grano diurno,
Le acque furiose,
Il sole dei perdoni;
Oh! mano, perché accetti,
Senz’ardore o rivolta,
Il giogo della croce?


L’uomo, crocifisso:

Che l’idea sia più forte
Dell’aceto e della lancia
Dei conquistatori.

Che il mio esempio sia
Un sanguinoso riscatto
Per le monete di Cesare.

Crollino le muraglie.
Con la testimonianza,
Mi salvo e proseguo.

(Sebbene l’agnello
Sia una prelibatezza
Gradita al nemico.)
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Simone Martini
Crocifissione, dal Polittico Orsini (1333)
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Primeiro tema bíblico


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Primeiro tema bíblico
Primo tema biblico


Dorme o profeta
De mãos cruzadas
Sob a folhagem
Grave das barbas.

Dorme o profeta
Num mundo tranqüilo
Onde a lei irmana
Vítima e carrasco.

Dorme o profeta
Muito além da cama,
Enquanto um rato
Devora a colheita,

Enquanto um inseto
Corrompe o vinho,
Enquanto um verdugo
Enumera as forcas.

Dorme o profeta, dorme
E não acorda, nuvem
Perdida no sopro
Dos clarins celestes.

Dorme o profeta, sempre
Entre mãos cruzadas:
A inútil mão limpa
Dos suicidas.
Dorme il profeta
Con le mani giunte
Sotto il pesante
Groviglio di barba.

Dorme il profeta
In un mondo tranquillo
Ove la legge affratella
Il boia e la vittima.

Dorme il profeta
Assai lungi dal letto,
E intanto un ratto
Divora il raccolto,

E intanto un insetto
Corrompe il vino,
Mentre un carnefice
Fa il conto dei patiboli.

Dorme il profeta, dorme
E non si sveglia, nube
Perduta nel soffio
Delle trombe celesti.

Dorme il profeta, sempre
Con le mani giunte:
L’inutile mano pura
Dei suicidi.
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Orazio Gentileschi
Riposo durante la fuga in Egitto (dettaglio, 1620-1622)
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Poética


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Poética
Poetica


Não sei palavras dúbias. Meu sermão
Chama ao lobo verdugo e ao cordeiro irmão.

Com duas mãos fraternas, cumplicio
A ilha prometida à proa do navio.

A posse é-me aventura sem sentido.
Só compreendo o pão se dividido.

Não brinco de juiz, não me disfarço em réu.
Aceito meu inferno, mas falo do meu céu.
Non conosco parole ambigue. Il mio idioma
Chiama carnefice il lupo e fratello l’agnello.

Con due mani fraterne, familiarizzo
L’isola promessa con la prua della nave.

Il possesso è per me un’avventura insensata.
Concepisco il pane solo se condiviso.

Non mi atteggio a giudice, non fingo d’esser reo.
Accetto il mio inferno, ma parlo del mio cielo.
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Frans Van Leemputten
La distribuzione del pane nel villaggio (1892)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Paulo Paes (21) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (567) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (374) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (45) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)