Mas agora que vai descer…


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Mas agora que vai descer…
Ma ora che sta per scendere…


Mas agora que vai descer a noite na minha vida
Triste de mim mais triste que a tristeza

triste como a mão que segura o copo
como a luz do farol esgaçando a névoa
triste como o cão manco
deixado na estrada pelos caçadores
triste como a sopa entretanto azeda
mais triste que a idiotia congénita
ou que a palavra ampola

triste de mim triste e perdido
entre duas ruas
uma que vai para o Norte outra para o Sul
e ambas cortadas aos peões
que não cooperam devidamente
(com este governo de merda é claro)

triste como uma puta alentejana
num bar de Ourense
que me viu à cerveja e lesta
me chamou compadre
vozes que a gente colecciona

a tarde triste os anos tristes
a grande costura da tristeza
do esterno ao baixo ventre
triste e já sem nenhum reparo
a fazer à metafísica
senão que é um défice
porventura do córtex cerebral
Ma ora che sta per scendere la notte sulla mia vita
ahimè triste più triste della tristezza

triste come la mano che tiene il bicchiere
come la luce del faro che fende la nebbia
triste come il cane zoppo
lasciato per strada dai cacciatori
triste come la zuppa inacidita
più triste dell’idiozia congenita
o della parola ampolla

ahimè triste triste e perduto
tra due strade
una che porta a nord e l’altra a sud
ed entrambe bloccate da pedoni
che non collaborano adeguatamente
(con questo governo di merda è ovvio)

triste come una puttana d’Alentejo
in un bar di Ourense
che mi ha visto bere birra e astuta
mi ha chiamata padrino
voci che noi collezioniamo

la sera triste gli anni tristi
la grande cucitura della tristezza
dallo sterno al basso ventre
triste e ormai senz’alcun rammendo
da apportare alla metafisica
a meno che si tratti di un deficit
probabilmente della corteccia cerebrale
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Leticia Sanchez Toledo
Al caffè (2025)
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Juntei-me um dia à flor da mocidade…


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Juntei-me um dia à flor da mocidade…
Un dì mi unii al fior di gioventù…


Juntei-me um dia à flor da mocidade
partindo para Angola no Niassa
a defender eu já não sei se a raça
se as roças de café da cristandade

a minha geração tinha a idade
das grandes ilusões sempre fatais
que não chegam aos anos principais
por defeito da própria ingenuidade

a guerra era uma coisa mais a Norte
de onde ela voltaria havendo sorte
à mesma e ancestral tranquilidade

azar de uns quantos se pagaram porte
esses a que atirou a dura morte
diz-se que estão na terra da verdade
Un dì mi unii al fior di gioventù
partendo per l’Angola nel Niassa
a difendere già non so più se la razza
se il raccolto di caffè della cristianità

la mia generazione aveva l’età
delle grandi illusioni sempre fatali
che non arrivano agli anni principali
a causa della propria ingenuità

la guerra era una cosa assai lontana
da cui si può tornare avendo sorte
alla propria avita tranquillità

sventura per quanti pagarono dogana
di coloro cui toccò la dura morte
si dice che stanno nella terra della verità
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Stefano Serafin
Napoleone di Canova mutilato (1918)
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Este ministro é um mentiroso


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Este ministro é um mentiroso
Questo ministro è un bugiardo


Este ministro é um mentiroso
que agonia quando ele discursa
e se fosse só isso: balé sem jeito
às meias horas seguidas – e não pára!

bem-aventurados os duros de ouvido
a quem o céu abrirá as portas
desliguem p.f. o microfone
ou então tirem o país da ficha
Questo ministro è un bugiardo
è uno strazio quando parla
e fosse solo questo: balletto imbarazzante
per delle mezz’ore – e non smette!

fortunati i duri d’orecchio
a loro il cielo aprirà le porte
scollegate p.f. il microfono
oppure togliete il paese dalla scheda
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Charles Williams
The Smithfield Parliament (Stampa satirica - 1819)
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Um vento leve, uma espuma


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Um vento leve, uma espuma
Un vento lieve, una spuma


Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

  Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.

Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.
Del bacio resta un sapore,
del sapore un ricordo,
un vento lieve, una spuma.

Del bacio resta un sereno
sguardo, l’amore per cose
minuscole e umili,
un uccello che va e viene
dalla nostra bocca alle parole.

Del bacio resta, suprema,
la scoperta della morte.
Un vento lieve, una spuma
salata, a fior di labbra.
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Maximilien Luce
Onde (1983)
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Um tal Fernando Assis Pacheco


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Um tal Fernando Assis Pacheco
Un certo Fernando Assis Pacheco


Vivo com ele há anos suficientes
para poder dizer que o reconheceria
num dia de Novembro no meio da bruma
é como uma pessoa de família

adorava os pais mas tinha medo
quando zangados se punham aos gritos
e se chamavam nomes odiosos
não invento nada vi-o crescer comigo

chorava então desabaladamente
e eu com ele sentindo-nos perdidos
o cobertor puxado sobre a cabeça
seria trágico se não fosse ridículo

mesmo depois a noite que urinasse
no pijama era um protesto civil
encharcou assim grande parte das Beiras
não lhe perguntem se foi feliz
Vivo con lui da tempo sufficiente
per poter dire che lo riconoscerei
in mezzo alla nebbia d’un giorno di novembre
è come una persona di famiglia

adorava i genitori ma s’impauriva
quando arrabbiati alzavano la voce
e si gridavano improperi odiosi
non invento nulla l’ho visto crescere con me

piangeva allora sconsolatamente
e io con lui sentendoci perduti
la coperta tirata sulla testa
sarebbe tragico se non fosse ridicolo

anche il fatto che poi la notte orinasse
nel pigiama era una protesta civile
inzuppò così gran parte delle Beiras
non chiedetegli se sia stato felice
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Egon Schiele
Bimbo seduto (1918)
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