Os Namorados Pobres


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Os Namorados Pobres
I poveri innamorati


O namorado dá
flores murchas
à namorada
e a namorada come as flores
porque tem fome

Não trocam cartas
nem retratos nem anéis
porque são pobres

Mas um dia
têm muito medo
de se esquecerem
um do outro
então apanham
um cordel
do chão
cortam o cordel
com os dentes
e trocam alianças
feitas de cordel

Não podem
combinar encontros
porque não têm
número de telefone
nem morada
assim encontram-se
por acaso
e têm medo
de não se voltarem
a encontrar

O acaso
não os favorece
Decidem nunca sair
do mesmo sítio
e ficarem sempre juntos
para não se perderem
um do outro

Procuram um sítio
mas todos os sítios
têm dono
ou mudam de nome

Então retiram
dos dedos
os anéis de cordel
atam um anel
ao outro
e enforcam-se

Mas a namorada
tem de esperar
pelo namorado
porque o cordel
só dá par um
de cada vez

O namorado
descansa à sombra
da figueira
e a namorada
baloiça
na figueira

O dono da figueira
zanga-se
com os namorados pobres
porque julga
que estão a roubar figos
e a andar de baloiço
L’innamorato dona
fiori appassiti
all’innamorata
e l’innamorata mangia i fiori
perché ha fame

Non si scambiano lettere
né ritratti né anelli
perché sono poveri

Ma un giorno
vien loro tanta paura
di scordarsi
l’uno dell’altro
e allora prendono
una corda
da terra
tagliano la corda
con i denti
e si scambiano le fedi
fatte di corda

Non possono
fissare incontri
perché non hanno
numero di telefono
né una casa
così s’incontrano
per caso
e hanno paura
di non tornare
a incontrarsi

Il caso
non li favorisce
Decidono di non lasciare mai
lo stesso posto
e di restare sempre insieme
per non perdersi
l’un l’altro

Cercano un posto
ma tutti i posti
hanno un padrone
o cambiano di nome

Allora sfilano
dalle dita
gli anelli di corda
legano un anello
all’altro
e s’impiccano

Ma l’innamorata
deve aspettare
l’innamorato
perché la corda
serve solo per uno
alla volta

L’innamorato
riposa all’ombra
del fico
e l’innamorata
penzola
dal fico

Il padrone del fico
s’arrabbia
con i poveri innamorati
perché crede
che stiano rubando i fichi
e andando in altalena
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Oswaldo Guayasamín
Senza titolo (1983)
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No more tears


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No more tears
No more tears


Quantas vezes me fechei para chorar
na casa de banho da casa da minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava
chorava por causa do shampoo
depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio
e chorava
sem um desgosto sem uma dor sem um lenço
sem uma lágrima
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos grande
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguém viu um vestido a chorar
Quante volte mi chiusi per piangere
nella stanza da bagno della casa di mia nonna
lavavo gli occhi con dello shampoo
e piangevo
piangevo a causa dello shampoo
poi finirono gli shampoo
che facevano bruciare gli occhi
no more tears disse Johnson & Johnson
le madri sono figlie delle figlie
e le figlie sono madri delle madri
una madre lava la testa dell’altra
e tutte hanno capelli di bimbe bionde
per piangere non possiamo più usare shampoo
e io volevo piangere a dirotto
e piangevo
senza un disturbo senza un dolore senza un fazzoletto
senza una lacrima
chiusa a chiave nella stanza da bagno
della casa di mia nonna
dove oltre a me non c’ero che io
mi chiudevo anche nel guardaroba grande
ma un guardaroba non si può chiudere dal di dentro
mai nessuno ha visto un vestito piangere
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Dante Gabriel Rossetti
Woman Combing Her Hair (1865)
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Marianna e Chamilly


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Marianna e Chamilly
Marianna e Chamilly


Quando partires
se partires
terei saudades
e quando ficares
se ficares
terei saudades

Terei
sempre saudades
e gosto assim
Quando tu partirai
se partirai
io sentirò nostalgia
e quando tu resterai
se resterai
io sentirò nostalgia

Sentirò
sempre nostalgia
ed è così che mi piace
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Jean-Baptiste Santerre
Illustrazione delle Lettres portugaises de Gabriel de Guilleragues, 1669 (1699)
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Lisboa


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Lisboa
Lisbona


Cidade branca
semeada
de pedras

Cidade azul
semeada
de céu

Cidade negra
como um beco

Cidade desabitada
como um armazém

Cidade lilás
semeada
de jacarandás

Cidade dourada
semeada
de igrejas

Cidade prateada
semeada
de Tejo

Cidade que se degrada
cidade que acaba
Città bianca
disseminata
di pietre

Città blu
disseminata
di cielo

Città nera
come un vicolo

Città disabitata
come un magazzino

Città lilla
disseminata
di jacaranda

Città d’oro
disseminata
di chiese

Città d’argento
disseminata
di Tejo

Città che si degrada
città che scompare
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Carlos Botelho
Lisboa (1962)
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Ficar à escuta


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Ficar à escuta
Stare in ascolto


Ficar
à escuta

À escuta
do silêncio
Stare
in ascolto

In ascolto
del silenzio
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Julius Schmid
Beethoven a spasso nella natura (1901)
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