Um vento leve, uma espuma


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Um vento leve, uma espuma
Un vento lieve, una spuma


Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

  Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.

Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.
Del bacio resta un sapore,
del sapore un ricordo,
un vento lieve, una spuma.

Del bacio resta un sereno
sguardo, l’amore per cose
minuscole e umili,
un uccello che va e viene
dalla nostra bocca alle parole.

Del bacio resta, suprema,
la scoperta della morte.
Un vento lieve, una spuma
salata, a fior di labbra.
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Maximilien Luce
Onde (1983)
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Um tal Fernando Assis Pacheco


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Um tal Fernando Assis Pacheco
Un certo Fernando Assis Pacheco


Vivo com ele há anos suficientes
para poder dizer que o reconheceria
num dia de Novembro no meio da bruma
é como uma pessoa de família

adorava os pais mas tinha medo
quando zangados se punham aos gritos
e se chamavam nomes odiosos
não invento nada vi-o crescer comigo

chorava então desabaladamente
e eu com ele sentindo-nos perdidos
o cobertor puxado sobre a cabeça
seria trágico se não fosse ridículo

mesmo depois a noite que urinasse
no pijama era um protesto civil
encharcou assim grande parte das Beiras
não lhe perguntem se foi feliz
Vivo con lui da tempo sufficiente
per poter dire che lo riconoscerei
in mezzo alla nebbia d’un giorno di novembre
è come una persona di famiglia

adorava i genitori ma s’impauriva
quando arrabbiati alzavano la voce
e si gridavano improperi odiosi
non invento nulla l’ho visto crescere con me

piangeva allora sconsolatamente
e io con lui sentendoci perduti
la coperta tirata sulla testa
sarebbe tragico se non fosse ridicolo

anche il fatto che poi la notte orinasse
nel pigiama era una protesta civile
inzuppò così gran parte delle Beiras
non chiedetegli se sia stato felice
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Egon Schiele
Bimbo seduto (1918)
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Sento-me aqui contigo…



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Sento-me aqui contigo…
Mi siedo qui con te…


Sento-me aqui contigo,
Ignorando o trânsito
Enquanto como transeuntes passam
Perguntas sem resposta
Ou demasiadas respostas
Para uma só pergunta.
Estamos aqui, devagar, a ser
A alegria toda
À sombra do sacrifício.
Ambos sabemos – não vais ficar
Mas aqui estou, aqui fico,
Feliz enquanto estou
Dentro dos teus dias.
 
Mi siedo qui con te,
Ignorando il traffico
Mentre, come viandanti, passano
Domande senza risposta
O troppe risposte
Per una sola domanda.
Stiamo qui, quieti, a esibire
Tutta la gioia
All’ombra del sacrificio.
Io e te lo sappiamo – non resterai
Ma io sto qui, rimango qui,
Felice per il tempo che vivo
Dentro ai tuoi giorni.
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Edvard Munch
Due su una panchina (1916)
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Um Campo Batido pela Brisa


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Um Campo Batido pela Brisa
Un campo battuto dalla brezza


A tua nudez inquieta-me.

Há dias em que a tua nudez
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras ainda não inventadas,
certas posições na guitarra
que o tocador não conhecia.

A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo
para um lado misterioso e frágil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.

Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas
com o vocabulário da tua nudez.
Tenho «um pensamento despido»;
maturação; altas combustões.
De mão dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.

Sete dias ao longo da semana,
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,
iluminando, certo, harmonioso.
E outras vezes sucede que estou: inquieto.
Frágil.
Violentado.

Para que eu me construa de novo
a tua nudez bascula-me os alicerces.
La tua nudità mi turba.

Ci sono giorni in cui la tua nudità
é como una barca giunta d’un tratto al molo.
Come un temporale. O come
certe parole ancora non inventate,
certe posizioni sulla chitarra
che il suonatore non conosceva.

La tua nudità mi turba. Apre il mio corpo
in un suo lato misterioso e fragile.
Distende il mio corpo. Poi lo riduce e gli toglie
contorno, peso. Distrugge il mio corpo.
La tua nudità è una violenza
soave, un campo battuto dalla brezza
nel mese di gennaio quando spuntano i fiori
dal ventre della terra fecondata.

Io m’abbrutisco, scrivo, faccio cose
con il vocabolario della tua nudità.
Ho «un pensiero denudato»;
maturazione; alta combustione.
Tenendoti per mano entro dentro di me
come in altri tempi nella piscina
i lebbrosi pieni di speranza.
E succede talvolta che la tua nudità sia un razzo
che lancio con mano tremante e maldestra
per far esplodere e riempire la mia carne
di trasparenza.

Per i sette giorni d’una settimana,
per trenta giorni, quanto dura un mese,
io cammino con coraggio e senza finzione,
illuminato, sicuro, armonioso.
E altre volte succede che sono: inquieto.
Fragile.
Violentato.

Affinché io mi costruisca di nuovo
la tua nudità scuote le mie fondamenta.
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Anastasia Kurakina
Nudo femminile (2016)
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Tentas, de longe…


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Tentas, de longe…
Tenti, da lontano…


Tentas, de longe, dizer que estás aqui.
Com peso triste caminha na rua o Outono.
O meu coração debruça-se à janela
a ver pessoas e carros, e as folhas caíndo.

Mastigo esta solidão
como quando era pequeno e jantava
diante dos pais zangados:
devagar, ausente.
Tenti, da lontano, di dire che sei qui.
Con triste fardello va per la via l’autunno.
Il mio cuore s’affaccia alla finestra
a veder gente e macchine, e le foglie che cadono.

Mastico questa solitudine
come quando ero piccolo e cenavo
davanti ai genitori arrabbiati:
poco alla volta, assente.
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Kenne Grégoire
Finestra (2017)
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