Confissão de abandono



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Confissão de abandono
Confessione d’abbandono


Neste momento exacto,
Se a exactidão é possível no tempo,
Sou um buraco de mim.
Deixa-me acontecer paradamente
Nos meus pequenos sonos de pó,
Nas pequenas redomas da minha solidão.
Não sei se o verão trará lugar para mim
Ou se esse lugar serão os teus braços.
Sou agora um tronco de árvore,
Um silêncio de pé.
Não me peças que disseque o meu olhar,
Se queres fazer algo por mim,
Diz ao dia que não insista mais comigo.
Fechei.
In questo preciso momento,
Se la precisione è possibile nel tempo,
Sono una cosa vuota dentro di me.
Lasciami sopravvivere passivamente
Nei miei brevi sonni polverosi,
Nelle piccole bolle della mia solitudine.
Non so se l’estate avrà un posto per me
O se quel posto saranno le tue braccia.
Adesso io sono un tronco d'albero,
Un silenzio permanente.
Non chiedermi di distogliere lo sguardo,
se vuoi fare qualcosa per me,
dì al giorno che non insista più con me.
Io ho chiuso.
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Giuseppe Penone
Mano di bronzo che stringe un albero (1970 ca.)
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Os cavalos


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Os cavalos
I cavalli


Os cavalos tinham o ardor de nuvens se empinando.
Vinham, inteiros, no nitrir das tardes, junto às oliveiras.
Meninos, em férias, focinhavam dálias. Eram exaltados,
amoráveis e as ervas das crinas mugiam de verdor.
As pálpebras amor baixavam. E às vezes, os cavalos
se riam, a dentuça à mostra. Coçavam-se nas ancas com
a ferrugem de sediciosas vespas.
Eternos, quando saltam. Ou descarregam rolos de ares
bêbados. Todo galope é um pássaro.
I cavalli avevano l’irruenza delle nuvole imbizzarrite.
Venivano insieme, nitrendo alla sera, in mezzo agli olivi.
Fanciulli festosi, si strofinavano tra le dalie. Erano eccitati,
calorosi e le erbose criniere s’agitavano nel verde.
La palpebre trasudavano amore. E a volte, i cavalli
ridevano, mostrando i denti. Si sfregavano i fianchi per
il prurito di sediziose vespe.
Sono eterni quando saltano. O sollevano turbini d’aria
inebriati. Ogni galoppo è un uccello.
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Franz Marc
Cavalli Blu (1913)
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O homem sempre é mais forte...


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O homem sempre é mais forte…
L’uomo è sempre più forte…


O homem sempre é mais forte
se a outro homem se aliar;
o arado faz caminho
no seu tempo de cavar.

No mesmo mar que nos leva,
o vento nos quer buscar;
o que é da terra é do homem,
onde o arado vai brotar.

Por mais que a morte desfaça,
há um homem sempre a lutar;
o vento faz seu caminho
por dentro, no seu pomar.
L’uomo è sempre più forte
se con un altro uomo s’è alleato;
l’aratro traccia il proprio solco
quando il tempo di scavare è arrivato.

Nello stesso mare che ci trasporta,
il vento ci vuole ritrovare;
ciò che è della terra è dell'uomo,
dove l’aratro farà attecchire e germinare.

Per quanto la morte distrugga,
sempre c’è un uomo a lottare;
il vento aprirà la sua strada
inoltrandosi nel suo verziere.
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Charles Emmanuel Roussel
Il ritorno dei pescatori (1930)
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Lisura


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Lisura
Discrezione


Entras na morte,
como se entra em casa,
desvestindo a carne,
pondo teus chinelos
e pijama velho.

Entras na morte,
como alguém que parte
para uma viagem:
não se sabe o norte
mas começa agora.

Entras na morte,
sem escuros,
sem punhais ocultos
sob o teu orgulho.

Entras na morte,
limpo
de cuidados breves;
como alguém que dorme
na varanda enorme,
entras na morte.
Entri nella morte,
come si entra in casa,
spogliandoti della carne,
infilando le tue pantofole
ed il pigiama vecchio.

Entri nella morte,
come chi parte
per un viaggio:
non se ne sa la meta
ma sta per cominciare.

Entri nella morte,
senza misteri,
senza pugnali nascosti sotto il tuo orgoglio.

Entri nella morte,
liberato
da effimeri fastidi;
come chi dorme
su un enorme terrazzo,
entri nella morte.
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Renato Guttuso
Uomo che dorme (1938)
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Sintaxe


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Amar, a mais alta constelação (1991) »»
 
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Sintaxe
Sintassi


Eu me acrescento aos rios e aos rios me descem.
E me acrescento aos peixes. Nele deito
e com os musgos preparo alguns projetos.
Nos liquens boto andaimes que florescem.

E me caso com as pedras, conchas e ecos,
onde as lesmas pernaltas se intumescem.
E me acrescento a todos os espécimes
que se aleitam na orla, entre os insetos.

Ovos de larvas, vespas renitentes
e os mais jovens orvalhos em resíduos
se acendem. Borboletas se acrescentam

à sintaxe de um sol intermitente.
E eu vento, vento algas e líbidos.
E em rios me acrescento, onde não venta.
Io mi unisco ai fiumi e i fiumi in me sfociano.
E mi unisco ai pesci. In loro mi stendo
e con il muschio pianifico progetti.
Sui licheni installo ponteggi che fioriscono.

E mi sposo con le pietre, le conchiglie e gli echi,
dove le lumache come trampolieri crescono.
E mi unisco a tutti gli esemplari
che lungo le rive si nutrono, tra gli insetti.

Uova di larve, vespe assillanti
e le più recenti rugiade tra i detriti
s’infiammano. Farfalle si uniscono

alla sintassi di un sole intermittente.
E io sono vento, vento alghe e bramosia.
E nei fiumi m’espando, dove non c’è vento.
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Vassily Kandinsky
Fiume in autunno (1944)
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