Repouso


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Repouso
Riposo


Basta o profundo ser
em que a rosa descansa.

Inúteis o perfume
e a cor: apenas signos
de uma presença oculta
inútil mesmo a forma
claro espelho da essência

inútil mesmo a rosa.

Basta o ser. O escuro
mistério vivo, poço
em que a lâmpada é pura
e humilde o esplendor
mais cálidas flores.

Na rosa basta o ser:
nele tudo descansa.
Basta l’intenso essere
in cui la rosa riposa.

Inutili il profumo
e il colore: soltanto segni
d’una presenza occulta
perfino inutile la forma
chiaro specchio dell’essenza

perfino inutile la rosa.

L’essere è sufficiente. L’oscuro
mistero vivo, pozzo
in cui la lampada è pura
e umile lo splendore
e più caldi i fiori.

Alla rosa basta l’essere:
è lì che tutto riposa.
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Georgia O'Keeffe
Abstraction White Rose (1927)
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Estrelas


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Estrelas
Stelle


Fixar estrelas
no mapa móvel
zodíaco.

Jogar com astros
e fixar-se
no próprio jogo.

Nomear constelações
— submeter os astros
à palavra.

Buscar estrelas. Viver estrelas
  — animal siderado
    e siderante.
Fissare le stelle
sulla mappa mobile
zodiaco.

Giocare con gli astri
e collocarsi
nel loro stesso gioco.

Dar nomi alle costellazioni
— sottomettere gli astri
alla parola.

Cercare le stelle. Vivere le stelle
  — animale fulminato
    e fulminante.
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Frederick de Wit
Planisfero celeste (XVII sec.)
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Eros


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Eros
Eros


Cego?
Não: livre.
Tão livre que não te importa
a direção da seta. 

Alado? Irradiante.
Feridas multiplicadas
nascidas de um só
  abismo.

Disseminas pólens e aromas.
És talvez a
  primavera?

Supremamente livre
  — violento —
não és estátua: és pureza
    oferta.

Que forma te conteria?
Tuas setas armam
  o mundo
enquanto — aberto — és abismo
  inflamadamente vivo.
Cieco?
No: libero.
Così libero che non t’importa
la direzione della freccia.

Alato? Radioso.
Ferite moltiplicate
nate da un unico
  abisso.

Dissemini pollini e aromi.
Sei forse la
  primavera?

Supremamente libero
  — violento —
non sei statua: sei purezza
    offerta.

Che forma t’includerebbe?
Le tue frecce armano
  il mondo
mentre — aperto — sei abisso
  infuocatamente vivo.
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Caravaggio
Amor vincit omnia (1602)
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Elegia


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Elegia
Elegia


Mas para que serve o pássaro?
Nós o contemplamos inerte.
Nós o tocamos no mágico fulgor das penas.
De que serve o pássaro se
desnaturado o possuímos?

O que era vôo e eis
que é concreção letal e cor
paralisada, íris silente, nítido,
o que era infinito e eis
que é peso e forma, verbo fixado, lúdico

O que era pássaro e é
o objeto: jogo
de uma inocência que

o contempla e revive
— criança que tateia
no pássaro um
esquema de distâncias —

mas para que serve o pássaro?

O pássaro não serve. Arrítmicas
brandas asas repousam.
Ma a che serve un uccello?
Noi lo contempliamo inerte.
Noi lo tocchiamo nel magico fulgore delle penne.
A che serve un uccello se
snaturato lo possediamo?

Ciò che era volo, ecco
che è letale solidità e colore
paralizzato, tacita iride, nitida,
ciò che era infinito, ecco
che è peso e forma, voce sospesa, ludica.

Ciò che era uccello, è
oggetto: gioco
di un’innocenza che

lo contempla e rivive
— bimbo che tasta
sull’uccello uno
schema di distanze —

ma a che serve l’uccello?

L’uccello non serve. Disarmoniche
docili ali riposano.
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Frederick Carl Frieseke
Uccello in gabbia (1937)
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Transposição


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Transposição
Trasposizione


Na manhã que desperta
o jardim não mais geometria
é gradação de luz e aguda
descontinuidade de planos.

Tudo se recria e o instante
varia de ângulo e face
segundo a mesma vidaluz
que instaura jardins na amplitude

que desperta as flores em várias
coresinstantes e as revive
jogando-as lucidamente
em transposição contínua
Nel mattino che si desta
il giardino non è più geometria
è gradazione di luce e acuta
discontinuità di piani.

Tutto si ricrea e l’istante
varia d’angolazione e aspetto
secondo la stessa vitaluce
che ovunque inaugura giardini

che ridesta i fiori in vari
coloristanti e li ritempra
esponendoli lucidamente
in incessante trasposizione.
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Vincent van Gogh
Iris (1889)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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