Primeiro amor


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poemas dos dias (2022) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Primeiro amor
Primo amore


Tentei todas as formas de mágoa
Na minha própria mágoa: nenhuma servia.
Nada havia sido escrito para mim.
Os teus olhos não estavam escritos
Em lado nenhum; ninguém estivera
Antes de mim na minha solidão.
E havia gritos à procura da minha boca,
Dentro do meu amor por ti,
O amor nada sabia de si próprio
Por ninguém, livro nenhum ‑
Ia-se criando à tua imagem.
O primeiro amor, que é também o último,
Jamais está escrito.
Então, quase acreditei na força
De um grito inédito, inaudito:
Concedam-me este amor
E moverei o mundo ‑
Dirigindo-me não sei a quem;
Por descobrir estava que sentir não é poder,
Que o sol não se move, nem as outras estrelas,
Que para o amor não basta amarmos,
Eternos e morituros.

Ho sperimentato tutte le forme di dolore
Nel mio stesso dolore: nessuna ha funzionato.
Nulla era stato scritto per me.
I tuoi occhi non erano scritti
Da nessuna parte; nessuno era stato lì
Prima di me nella mia solitudine.
E vi erano grida in cerca della mia bocca,
Dentro il mio amore per te,
L’amore nulla sapeva di sé stesso
Per nessuno, per nessun libro ‑
Si stava creando a tua immagine.
Il primo amore, che è anche l’ultimo,
Non è mai scritto.
Allora, ho quasi creduto nella forza
D’un grido senza precedenti, inaudito:
Mi si conceda questo amore
E muoverò il mondo ‑
Rivolgendomi non so a chi;
Stavo per scoprire che sentire non è potere
Che il sole non si muove, né l’altre stelle,
Che per l’amore non è sufficiente che amiamo,
Noi eterni e morituri.

________________

Malisa Catalani
Gea (2020)
...

Revelação


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Revelação
Rivelazione


A porta está aberta
como se hoje fosse infância
e as coisas não guardassem pensamentos
formas de nós nelas inscritas.

A porta está aberta. Que sentido
tem o que é original e puro?
Para além do que é humano o ser se integra
e a porta fica aberta. Inutilmente.
La porta è aperta
come se oggi fosse infanzia
e le cose non custodissero pensieri
forme di noi inscritte in loro.

La porta è aperta. Che senso
ha ciò che è originale e puro?
Al di là di quel ch’è umano, l’essere si completa
e la porta rimane aperta. Invano.
________________

Lorenzo Bonechi
Figure su paesaggio (1986)
...

Ode


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Ode
Ode


E enquanto mordemos
frutos vivos
declina a tarde.

E enquanto fixamos
claros signos
flui o silêncio.

E enquanto sofremos
a hora intensa

lentamente o tempo
perde-nos.
E mentre addentiamo
frutti vivi
scende la sera.

E mentre stabiliamo
segnali chiari
scorre il silenzio.

E mentre soffriamo
l’attimo intenso

lentamente il tempo
ci perde.
________________

Fernand Leger
Natura morta (1900)
...

O nome


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


O nome
Il nome


A escolha do nome: eis tudo.

O nome circunscreve
o novo homem: o mesmo,
repetição do humano
no ser não nomeado.

O homem em branco, virgem
da palavra
é ser acontecido:
sua existência nua
pede o nome.

Nome
branco sagrado que não
define, porém aponta:
que o aproxima de nós
marcado do verbo humano.

A escolha do nome: eis
o segredo.
La scelta del nome: è tutto.

Il nome circoscrive
l’uomo nuovo: lo stesso,
ripetizione dell’umano
nell’essere senza nome.

L’uomo in bianco, vergine
della parola
è puro accadimento:
la sua nuda esistenza
chiede un nome.

Nome
bianco sacro che non
definisce, ma addita:
che ce lo avvicina
marchiato dalla parola umana.

La scelta del nome: ecco
il segreto.
________________

Berthe Morisot
La culla (1872)
...

O equilibrista


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Orides Fontela »»
 
Transposição (1969) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


O equilibrista
L'equilibrista


Essencialmente equilíbrio:
nem máximo nem mínimo.

Caminho determinado
movimentos precisos sempre
medo controlado máscara
de serenidade difícil.

Atenção dirigida olhar reto
pés sobre o fio sobre a lâmina
ser numa só idéia nítida
equilíbrio. Equilíbrio.

Acaba a prova? Só quando
o trapézio oferece o vôo
e a queda possível desafia
a precisão do corpo todo.

Acaba a prova se a aventura
inda mais aguda se mostra
mortal intensa desumana
desequilíbrio essencialmente.
In sostanza equilibrio:
né massimo né minimo.

Percorso determinado
movimenti precisi sempre
paura controllata maschera
di ardua serenità.

Attenzione ferma sguardo diritto
piedi sul filo sulla lama
stare su un’unica idea chiara
equilibrio. Equilibrio.

Termina la prova? Solo quando
il trapezio prospetta il volo
e la potenziale caduta sfida
la precisione di tutto il corpo.

La prova termina se l’avventura
si rivela ancor più cruciale
mortale intensa disumana
squilibrio in sostanza.
________________

August Macke
Funambolo (1914)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (553) Orides Fontela (8) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (360) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)