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Eu me maldigo
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Io mi maledico
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Que estalem nos céus os trovões, os relâmpagos,
Que as nuvens se estilhacem E as montanhas se rachem. Que as estrelas se embaciem E o sol se apague para que meu corpo não tenha sombra. Que as correntes marítimas Carreguem meus braços para as praias fétidas E o vento impeça meus joelhos de se dobrarem. Que o raio fulmine a única palavra boa que eu tinha. Que meus olhos se apodreçam E se transformem em água Para que não se levantem além das raízes. Que a gosma dos vulcões Soterre meu sexo, Que os vermes fujam da minha carne E o pó se levante fugindo antes de eu passar. Que o cheiro de minha boca Resseque o grão embaixo da terra E meus cabelos sirvam de corda para os enforcados. Que minha língua se enrole enegrecida dentro de minha garganta E me diga as maiores injúrias. Que a terra seja fendida como um ventre de mulher, Que a destruição absoluta Desça sobre meu corpo, meus sentidos, Meu espírito, meu passado, Meu presente, meu futuro E liberte minha origem Da lembrança dos homens. |
Che esplodano in cielo i tuoni, i fulmini,
Che le nuvole si frantumino E le montagne si disgreghino. Che le stelle s’offuschino E s’estingua il sole perché non vi sia ombra per il mio corpo. Che le correnti marine Trascinino le mie braccia verso fetide spiagge E il vento impedisca alle ginocchia di piegarsi. Che il lampo folgori l’unica parola buona che avevo. Che i miei occhi marciscano E si convertano in acqua Affinché non superino le proprie radici. Che la colata dei vulcani Seppellisca il mio sesso, Che i vermi rifuggano la mia carne E la polvere s’alzi e fugga prima che io passi. Che l’alito della mia bocca Rinsecchisca la semente sotto la terra E i miei capelli servano da corda per gli impiccati. Che la mia lingua s’arrotoli annerita dentro la mia gola E mi rivolga le peggiori ingiurie. Che la terra venga lacerata come un ventre di donna, Che la devastazione assoluta Scenda sul mio corpo, sui miei sensi, Sul mio spirito e sul mio passato Sul mio presente e sul mio futuro E svincoli la mia origine Dal ricordo degli uomini. |
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| Frida Kahlo Ciò che l'acqua mi ha dato (1939) |




