Minuto


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Serra-Mãe (1945) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Minuto
Istante


Ai como tu foste linda
naquele breve minuto!… …
Ninguém o viu senão eu…
Nem mesmo tu, que hás-de ainda,
com um sorriso, troçar
do que digo nestes versos.

Bem sei que tu és bonita…
Mas olha:
se eu algum dia passar,
sem dizer adeus, por ti,
não julgues que foi por mal:
é que não te conheci
-- pra mim só é verdadeira,
só me lembra sempre, a linda
que foste
naquele minuto breve…
Ah, come fosti bella
in quel breve istante!… …
Non lo vide nessuno se non io,…
Nemmeno tu, che ancora,
con un sorriso, ti burlerai
di quel che dico in questi versi.

So bene che sei graziosa...
Ma vedi:
se un giorno io ti passassi
accanto, senza salutarti,
non pensare che sia per villania:
è perché non t’ho riconosciuta
-- per me è vera solamente,
me ne ricordo sempre, la bella
che tu fosti
in quel breve istante…
________________

Amadeo de Souza-Cardoso
astrazione (1913)
...

Itinerário


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Serra-Mãe (1945) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Itinerário
Itinerario


Meu caminho é por mim fora,
até chegar ao fim de mim...
a encontrar-me com Deus...

Mas lá no fim
eu vou sentir-me tão outro,
tão igual
ao Senhor Deus que ali mora,
que hei-de ficar convencido
de que afinal
só Tu, Senhor, lá estás
e que eu fiquei para trás,
de cansado ou de perdido
no meu caminho comprido.

É só por mim é que eu vou
e as bermas do meu caminho,
são as passadas que dou.

E não me digam que não,
que eu não me importo de ir só;
minha Esperança, na minha
voz comovida espelhada,
sabe encher a solidão
das curvas mudas da estrada.
Il mio viaggio mi porta al di fuori di me,
finché io raggiunga la fine di me stesso...
per incontrarmi con Dio...

Ma là alla fine
io mi sentirò così diverso,
così simile
al Signore Dio che lì dimora,
che finirò per convincermi
che in fin dei conti
solo Tu, Signore, stai lì
e che io sono rimasto indietro,
perché stanco o sperduto
nel mio lungo viaggio.

È per me solo che io procedo
e i limiti del mio cammino,
sono i passi che faccio.

E non vengano a dirmi che no,
che non mi dispiace andare da solo;
la mia Speranza, riflessa
nella mia voce commossa,
è capace di colmare la solitudine
delle tacite curve della strada.
________________

André Derain
La strada in montagna (1907)
...

Élegia para a minha campa


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Serra-Mãe (1945) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Élegia para a minha campa
Elegia per la mia tomba


Agora, só,
que é o meu corpo terra confundida
na terra desta Serra minha Mãe;
agora, só,
a minha voz que sempre cantou mal
ao Céu se eleva…
Agora, só,
que no ventre da Serra minha Mãe repousa
meu corpo de Poeta,
de Poeta mudo em vida, por ausente
do ventre maternal os nove meses;
agora, só, claríssima se eleva
a minha voz-louvor,
a minha voz-carícia a minha Mãe,
ao Céu…
Agora, só,
que os meus lábios são terra de onde nascem
as moitas de folhado e de alecrim,
a minha voz saudosa de cantar
se elevará
até aonde o Céu tem cor e fim.
Se elevará a minha voz, perfume
desprendido, suavíssimo, dos matos
que surgiram de mim…

Agora, só,
que sou terra na terra misturada,
que a minha voz é voz de rosmaninho, eu poderei tratar por tu
a meu Irmão Frei Agostinho… Agora, só, a meu Irmão,
que comigo nasceu naquele Dia
em que ao Céu se entregou,30
ébria de Sol e Maresia,
nossa Mãe Serra…
Ora, son solo,
ora che il mio corpo è terra mescolata
con la terra di questa mia Madre Serra;
ora, son solo,
ora la mia voce che ha sempre cantato male
al Cielo s’eleva…
Ora, son solo,
ora che nel grembo della mia Madre Serra riposa
il mio corpo di Poeta,
di Poeta muto in vita, assente
dal grembo materno per nove mesi;
ora, che son solo, chiarissima s’eleva
la mia voce-lode,
la mia voce-carezza a mia Madre,
al Cielo…
Ora, son solo,
ora che le mie labbra sono terra da cui nascono
gli arbusti frondosi e il rosmarino,
la mia voce ansiosa di cantare
s’eleverà
fin dove il Cielo ha colore e fine.
S’eleverà la mia voce, profumo
sprigionato, soavissimo, dei boschi
che da me sono nati…

Ora, son solo,
ora che io sono terra mescolata alla terra,
che la mia voce è voce di rosmarino, io potrò dare del tu
al mio Fratello Fra’ Agostino… Ora, soltanto, Fratello mio,
che con me nascesti quel Dì
in cui al Cielo si offrì,
ebbra di Sole e Salsedine,
nostra Madre Serra…
________________

Egon Schiele
Tote Muttter I - Madre morta I (1910)
...

Brincadeira


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Serra-Mãe (1945) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Brincadeira
Gioco


Ando a correr atrás do Outro
como fazem...
dois meninos brincando num jardim...

... até me achar de repente,
sem saber como, o Outro lá da frente,
que vai fugindo de mim
Sto correndo dietro all’Altro
come fanno...
due bambini che giocano in un giardino...

... finché d’un tratto mi ritrovo,
senza sapere come, con l’Altro davanti a me,
che sta fuggendo da me
________________

Pierre Bonnard
Crepuscolo - La partita di croquet (1892)
...

Alegria


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Serra-Mãe (1945) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Alegria
Gioia


Nas capelas todas
os sinos todos...
toquem...

Que digam minha Alegria
(eu não preciso dizê-la;
ai! a mim, sinos,
basta-me vivê-la)

Os sinos todos
toquem...
E rosas silvestres nasçam
onde ninguém as sonhasse...
E o rouxinol se esqueça,
cantando minha Alegria,
do que o levou a cantar...
E os sinos todos
toquem...

e que eu por fim,
ao som dos sinos
cante,
mas não perceba que o faço
mandado
por minha clara Alegria.
Que julgue que vou cantando
as rosas bravas nascidas
e os rouxinóis enlevados
e os sinos todos tocando…
Che in tutte le cappelle
tutte le campane...
rintocchino...

Che raccontino la mia Gioia
(io non ho bisogno di dirla;
ah! a me, campane,
basta viverla)

Che tutte le campane
rintocchino...
E nascano rose selvatiche
dove nessuno le ha sognate...
E scordi l’usignolo,
nel cantar la mia Gioia,
cosa lo indusse a cantare...
E tutte le campane
rintocchino...

e che finalmente,
al suono delle campane
io canti,
ma senza accorgermi di farlo
perché indotto
dalla mia pura Gioia.
Lascia ch’io pensi che sto cantando
le rose selvatiche sbocciate
e gli usignoli rapiti
e tutte le campane che rintoccano…
________________

Aristarch Lentulov
Campane. Ivan il Grande campanile (1884)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)