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A palavra é uma estátua submersa…
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La parola è una statua sommersa…
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A palavra é uma estátua submersa, um leopardo
que estremece em escuros bosques, uma anêmona
sobre uma cabeleira. Por vezes é uma estrela
que projeta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os sutis tornozelos, os cabelos ardentes
e vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.
que estremece em escuros bosques, uma anêmona
sobre uma cabeleira. Por vezes é uma estrela
que projeta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os sutis tornozelos, os cabelos ardentes
e vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.
La parola è una statua sommersa, una pantera
che trepida in oscure foreste, un’anemone
posta tra i capelli. Alle volte è una stella
che protende la sua ombra sopra un busto.
Eccola senza meta nel fragore della notte,
cieca e nuda, ma vibrante di desiderio
come una magnolia bagnata. Rapida è la bocca
che soltanto sfiora i guizzi d’un’altra luce.
Le tocco le sottili caviglie, i capelli ardenti
e vedo un’acqua limpida in una conchiglia marina.
È sempre un corpo amante e fugace
che canta in un mare armonioso il sangue delle vocali.
che trepida in oscure foreste, un’anemone
posta tra i capelli. Alle volte è una stella
che protende la sua ombra sopra un busto.
Eccola senza meta nel fragore della notte,
cieca e nuda, ma vibrante di desiderio
come una magnolia bagnata. Rapida è la bocca
che soltanto sfiora i guizzi d’un’altra luce.
Le tocco le sottili caviglie, i capelli ardenti
e vedo un’acqua limpida in una conchiglia marina.
È sempre un corpo amante e fugace
che canta in un mare armonioso il sangue delle vocali.
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| Filippo de Pisis Natura morta con conchiglie (1928) |



