A razão de eu me gostar


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A razão de eu me gostar
Il motivo per cui mi piaccio


Eu gosto da minha forma no mundo
Porque representa uma fagulha,
Porque mostra um instante doce e perverso
Da ideia, do gesto e da realização
De Deus no Universo.

Eu gosto dos erros que pratico
Porque vejo a pureza colocada na minha essência
Desde o Início
Lutar contra todo o mal que em mim existe
E ser tão maior, que sobre a minha miséria
Ela ainda persiste.

Eu gosto de espiar
O meu olho direito
Ver o esquerdo chorar,
De sentir a minha garganta se enrolar de dor
Porque em troca de tanta coisa dolorosa
Ele construiu em mim uma coisa gloriosa,
Que é o amor.
Mi piace la mia presenza nel mondo
Perché rappresenta una scintilla,
perché mostra un istante dolce e perverso
Dell’idea, del gesto e dell’opera
Di Dio nell’Universo.

Mi piacciono gli errori che commetto
Perché vedo la purezza posta nella mia essenza
Dal Principio
Lottare contro tutto il male che in me esiste
Ed essere tanto forte, che al di sopra della mia miseria
Essa tuttora persiste.

Mi piace osservare
Il mio occhio destro
Che guarda il sinistro piangere,
Sentire la mia gola contorcersi dal dolore
Perché in cambio d’una cosa tanto dolorosa
Egli plasmò in me quella cosa gloriosa
Che è l’amore.
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Diego Rivera
Ritratto di Adalgisa Nery (1945)
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Poema natural


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Poema natural
Poesia naturale


Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar, choverá e cairei.

Abro os olhos, vejo um mar,
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tomarei.

Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Apro gli occhi, nulla ho visto
Chiudo gli occhi, tutto ho già visto.
Molto vasto è il mio mondo
E tutto ciò che penso, succede.
Quella nube là in alto?
Io sto là,
Quella son io.
Ieri con quel gran caldo
Sono salita e mi sono condensata
E, se il caldo aumenterà, pioverà e cadrò giù.

Apro gli occhi, vedo un mare,
Chiudo gli occhi e già lo so.
Quell’alga galleggiante, in cerca di una roccia?
Io sto là,
Quella son io.
Stanca del fondo marino, serena sono risalita.
Quando la marea scenderà, sulla sabbia seccherò,
Più tardi alla polvere tornerò.

Apro gli occhi nuovamente
E vedo la grande montagna,
Chiudo gli occhi e penso:
Quella roccia dormiente, immobile nel tempo,
Ricevendo sole e pioggia, disfacendosi al vento?
Io sto là,
Quella son io.
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Claude Monet
Mare agitato a Pourville (1882)
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Cemitério Adalgisa


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Cemitério Adalgisa
Cimitero Adalgisa


Moram em mim
Fundos de mares, estrelas-d'alva,
Ilhas, esqueletos de animais,
Nuvens que não couberam no céu,
Razões mortas, perdões, condenações,
Gestos de amparo incompleto,
O desejo do meu sexo
E a vontade de atingir a perfeição.
Adolescências cortadas, velhices demoradas,
Os braços de Abel e as pernas de Caim.
Sinto que não moro.
Sou morada pelas coisas como a terra das sepulturas
É habitada pelos corpos.

Moram em mim
Gerações, alegrias em embrião,
Vagos pensamentos de perdão.
Como na terra das sepulturas
Mora em mim o fruto podre,
Que a semente fecunda repetindo a vida
No sereno ritmo da Origem.
Vida e morte,
Terra e céu,
Podridão, germinação,
Destruição e criação.
In me convivono
Fondali marini, stelle mattutine,
Isole, scheletri d’animali,
Nuvole che il cielo non ha accolto,
Morti ideali, perdoni, condanne,
Gesti di salvaguardia incompleta,
La voluttà del mio sesso
E l’anelito di raggiungere la perfezione.
Adolescenze spezzate, vecchiaie rimandate,
Le braccia di Abele e le gambe di Caino.
Sento che non sono io ad abitare.
Sono abitata dalle cose come la terra delle tombe
È popolata di corpi.

In me convivono
Generazioni, gioie in embrione,
Incerti pensieri di perdono.
Come nella terra delle tombe
Abita in me il frutto marcio,
Che il seme feconda rinnovando la vita
Nel ritmo sereno dell’Origine.
Vita e morte,
Terra e cielo,
Marciume, germinazione,
Distruzione e creazione.
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Ismael Nery
La baia di Botafogo (1928)
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O que fiz desta vida…


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O que fiz desta vida…
Ciò che di questa vita feci…


O que fiz desta vida
Foi fazer dela outra,
Moldei-a na ansiedade
De esperar nos dias
Outros dias.
As formas ferviam,
Os gestos eram barro.
Nunca em dois dias
A forma da minha vida
Foi a mesma,
Vidas atrás de vidas perdi
E em todas elas
A mesma morte lançou raízes.
Consegui em todas essas vidas
Encontrar a vida para que nasci?
Não sei, tu mo dirás.

Ciò che di questa vita feci
Fu di renderla un’altra,
La modellai con ansia
Sperando che nei giorni
ci fossero altri giorni.
Le forme fremevano,
I gesti erano argilla.
Mai per due giorni
La forma della mia vita
Fu la stessa,
Persi una vita dopo l’altra
E in ognuna di loro
La stessa morte mise radici.
Sono riuscito in tutte quelle vite
A trovare la vita per cui nacqui?
Non lo so, me lo dirai tu.

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Henry Moore
Seven sculptural ideas (1973)
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Respiração assistida


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Respiração assistida
Respirazione assistita


Eu vi a morte
de noite – névoa branca –
entre os frascos do soro
rondar a minha cama

era um trasgo
e como tal metera-se
pelas frinchas; noutra versão
coando-se através
dos nós da madeira
ou noutra ainda
imitando à perfeição
o gorgolejar da água
nos ralos: eu tremia
covardemente enquanto
ela raspava a parede
com unhas muito lentas
eu vi? ouvi a morte?
com toda a probabilidade
e por instantes era ela – luz negra –
tentando cegar-me
Ho visto la morte
di notte – nebbia bianca –
tra le fialette di siero
girare intorno al mio letto

era un folletto
e come tale s’era infilato
tra le fessure; in un’altra versione
penetrando attraverso
dei nodi del legno
o in un’altra ancora
imitando alla perfezione
il gorgogliare dell’acqua
negli scarichi: io tremavo
pavidamente mentre
lei graffiava la parete
con unghie molto leggere
l’ho vista? ho sentito la morte?
con ogni probabilità
e per un attimo è stata lei – luce nera –
a tentare di accecarmi
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Max Ernst
Bonjour Satanas (1928)
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