Na Igreja das Antas



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Na Igreja das Antas
Nella chiesa di Antas


Perante este Cristo imenso
Que se cansou de esperar
O amor que o poupasse ao sacrifício
E se prepara para sair da cruz,
Só o nosso amor nos defende ainda,
Perante este Cristo das trevas,
Luciferino e vingador,
Pressinto a tua morte, e a minha,
Que se reconhecem e enlaçam
E se aproximam de nós.
Davanti a questo immenso Cristo
Che s’è stancato di attendere
L'amore che gli avrebbe risparmiato il sacrificio
E si prepara a scendere dalla croce,
Solo il nostro amore ci difende ancora,
Davanti a questo Cristo delle tenebre,
Luciferino e vendicatore,
Io immagino la tua morte e la mia,
Che si riconoscono e si stringono
E si avvicinano a noi.
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Cristo in Croce
Chiesa di Santo António das Antas (Porto)
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Nocturno


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Nocturno
Notturno


Era um murmúrio longo de ondas mansas…
Um cochichar de Estrelas curiosas…
Um concerto de grilos tresnoitados…
Mais presente que tudo, aquele enorme
silêncio religioso, imagem pura
dos ouvidos atentos do Poeta…
Era un lungo mormorio di onde soavi…
Un bisbigliare di Stelle curiose…
Un concerto di grilli senza sonno…
Più presente di tutto, quell’enorme
silenzio religioso, pura immagine
dell’intensa attenzione del Poeta…
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May Stevens
Into the night (2009)
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Meu País desgraçado


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Meu País desgraçado
Mio sventurato Paese


Meu país desgraçado!…
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas…
Meu país desgraçado!…
Porque fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?
Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.
E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.
Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!
Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!
Mio sventurato paese!…
Eppure c’è Sole dappertutto
e non v’è altrove Mare tanto bello.
E non v’è Cielo più raggiante del nostro,
né uccelli, né acque…
Mio sventurato paese!…
Perché un fatale inganno?
Che crimini malvagi
hanno violato i tuoi diritti di nascita?
Popolo mio
a testa bassa, mani a penzoloni,
occhi sfiduciati
— cerca, dentro di te, fuori di te, dove
la causa della tua mestizia si nasconde.
E in nome dei diritti
che ti hanno dato la terra, il Sole, il Mare,
feriscila senza pietà
con il fuoco del tuo sguardo antico.
Svegliati, Popolo!
Ah!, potessi tu vedere, negli occhi delle donne,
il tacito rimprovero
che reclama da te figli più forti!
Popolo anemico e triste,
mio “Pedro Sem senza forze, senza soldi”!
— guarda il muto rimprovero delle donne!
Torna di nuovo al Mare!
Riconquista le tue barche, la tua forza
e il diritto di amare e rinfrancare
quelle che solo per Amore non ti disprezzano!
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Roy Lichtenstein
Sunrise (2000)
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Vejo o teu peito convulsionado…



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Vejo o teu peito convulsionado…
Vedo il tuo petto affannato…


Vejo o teu peito convulsionado
Por escalas que sobem e descem,
Cada vez mais alto,
Cada vez mais fundo,
Carregadas de choro escuro.
E penso: ” Seja o que for,
O fio do choro não o poderá reparar.
Nada devolverá à tua vida
Uma unidade que nunca teve.”
Mas nada te digo:
As palavras são apenas palavras
E sempre alheias
Não é com palavras que sentimos
Que aplacamos o sentir.
Deverás ser tu a dissipar
As tuas tempestades quando exaustas,
Tu a caminhar sobre as tuas águas,
Serenando o seu medo e a sua fúria,
Tu a encontrar o ritmo nítido da tua paz.
Vedo il tuo petto affannato
Su scale che salgono e scendono,
Sempre più gonfio,
Sempre più fondo,
In uno scroscio di lacrime scure.
E penso: “Sia come sia,
Il mare di lacrime non lo potrà risanare.
Nulla restituirà alla tua vita
Un'unità mai posseduta.”
Ma nulla ti dico:
Le parole non sono che parole
E sempre inadatte
Non è con le parole che sentiamo
Che plachiamo i sentimenti.
Dovrai essere tu a fugare
Le tue tempeste una volta esaurite,
Tu a camminare sulle tue acque,
Placando la tua paura e la tua furia,
Tu a trovare il ritmo preciso della tua pace.
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Paul Klee
Scale e scala a pioli (1928)
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Madrigal


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Madrigal
Madrigale


A minha história é simples.
A tua, meu Amor,
é bem mais simples ainda:

"Era uma vez uma flor.
Nasceu à beira de um Poeta..."

Vês como é simples e linda?

(O resto conto depois;
mas tão a sós, tão de manso
que só escutemos os dois).
La mia storia è semplice.
La tua, mio dolce Amore,
è più semplice ancora:

“C’era una volta un fiore.
Era nato al lato d’un Poeta..."

Vedi com’è semplice e bella?

(Il resto lo racconterò poi;
ma a tu per tu e così piano
che solo noi l’ascolteremo).
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Jack Vettriano
La proposta (2017)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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