Manel


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Campo Aberto (1951) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Manel
Manuel


E mármore frio,
mármore sereno.
As mãos nem sequer
(cruzadas e calmas)
nos dizem adeus.

Os olhos, cerrados,
olham para dentro.
Os lábios, sem cor,
dizem para dentro
coisas tão profundas
que já são da Morte.
Mesmo assim, na testa
nem uma só ruga.

Nas faces tem lágrimas
que são de nós todos.
Mas ele é a estátua
depois de acabada.
—: Os olhos, a boca,
perfeitos, correctos.
As mãos, verdadeiras.
Cabelos de gente.
Falta só um nada:
Nada mais que a vida,
a estátua correcta,
perfeita, acabada.
E marmo freddo,
marmo sereno.
Neppure le mani
(giunte e quiete)
ci dicono addio.

Gli occhi, chiusi,
guardano all'indentro.
Le labbra, senza colore,
dicono all'indentro
cose così profonde
che ormai attengono alla Morte.
Eppure, sulla fronte
nemmeno una sola ruga.

Ha sulle gote lacrime
che sono di noi tutti.
Ma ora egli è statua
del tutto completata.
—: Gli occhi, la bocca,
perfetti, ineccepibili.
Le mani, autentiche.
Capelli realistici.
Manca solo un nonnulla:
Nient’altro che la vita
e la statua è corretta,
perfetta, finita.
________________

Bartolomeo Ammannati
Mario Nari giacente (XVI sec.)
...

Inscrição


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Campo Aberto (1951) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Inscrição
Iscrizione


Nada sabe do Mar
quem não morreu no Mar.
Calem-se os poetas
e digam só metade
os que andam sobre as ondas
suspensos por um fio.

Sabe tudo do Mar
quem no Mar perdeu tudo.
Mas dorme lá no fundo,
tem os lábios selados,
e os olhos, reflectem
e claramente explicam
os mistérios do Mar,
para sempre fechados.
Non sa nulla del Mare
chi non morì nel Mare.
Tacciano i poeti
e dicano solo la metà
quelli che sulle onde avanzano
sospesi ad un filo.

Tutto conosce del Mare
chi tutto nel Mare ha perduto.
Ma dorme là sul fondo,
con le labbra serrate,
e i suoi occhi riflettono
e chiaramente spiegano
i misteri del Mare,
per sempre sigillati.
________________

Thomas Moran
Tramonto marino (1906)
...

Elegia para uma gaivota


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Campo Aberto (1951) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Elegia para uma gaivota
Elegia per un gabbiano


Morreu no mar a gaivota mais esbelta,
a que morava mais alto e trespassava...
de claridade as nuvens mais escuras com os olhos.

Flutuam quietas, sobre as águas, suas asas.
Água salgada, benta de tantas mortes angustiosas,
 aspergiu-a.
E três pás de ar pesado para sempre as viagens lhe
 vedaram.

Eis que deixou de ser sonho apenas sonhado. É
finalmente sonho puro,
sonho que sonha finalmente, asa que dorme voos.

Cantos de pescadores, embalai-a!
Versos dos poetas, embalai-a!
Brisas, peixes, marés, rumor das velas, embalai-a!

Há na manhã um gosto vago e doce de elegia,
tão misteriosamente, tão insistentemente,
sua presença morta em tudo se anuncia.

Ela vai, sereninha e muito branca.
E a sua morte simples e suavíssima
é a ordem-do-dia na praia e no mar alto.
È morto in mare il gabbiano più lesto,
quello che viveva più in alto e con gli occhi
trafiggeva di splendore le nubi più scure.

Fluttuano quiete, sulle acque, le sue ali.
Acqua salsa, benedetta da tante morti angosciose,
 l’asperse.
E tre raffiche d'aria pesante per sempre gli preclusero
 il volo.

Ecco che ha smesso d’essere solo un sogno sognato. È
finalmente sogno puro,
sogno che finalmente sogna, ala che fa dormire i voli.

Canti di pescatori, cullatelo!
Versi dei poeti, cullatelo!
Brezze, pesci, maree, fruscio di vele, cullatelo!

V’è nel mattino un gusto vago e dolce d’elegia,
così misteriosamente, così insistentemente,
la sua morta presenza in tutto s’annuncia.

Se ne va, sereno e candido.
E la sua morte semplice e dolcissima
è all'ordine del giorno sulla spiaggia e in alto mare.
________________

Elihu Vedder
Il gabbiano morente (1879)
...

Pego num isto…



Nome:
 
Collezione:
Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (settembre 2026) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Pego num isto…
Prendo un qualcosa…


Pego num isto e vou pô-lo além:
A distância mudou o ser do objecto
E o eu sabê-lo é agora outro tecto,
Pois que a coisa se diz por outro termo.

No saber há sempre mais um além
Que o ser busca de ciência já enfermo
Mas p´ra ciência o saber nosso é restrito
A nossa ignorância é o próprio infinito.
Prendo un qualcosa e lo metto più in là:
La distanza ha mutato l'essenza dell'oggetto
E il fatto di saperlo pone ora un altro tetto,
Poiché la cosa con altro termine va detta.

Nel sapere c’è sempre un qualcosa più in là
Che l’essere ricerca dalla scienza già tediato
Ma per la scienza il nostro sapere è limitato
È la nostra ignoranza vasta quanto l’infinito.
________________

Joaquin Sorolla
Ricerca scientifica (1897)
...

A nossa casa


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Sebastião da Gama »»
 
Campo Aberto (1951) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A nossa casa
La nostra casa


A luz acesa
(petróleo débil)...
e tu inquieta, feliz, à minha espera.
Cismam livros de versos sobre a mesa.
Sonolentos, os cravos da varanda
cabeceiam sobre os vidros.

Ando lá fora.
(Lá fora, a ventania,
a noite, o frio dos astros,
a Poesia decerto...)

À luz débil, insistes no bordado.
Os nossos filhos dormem
(levantaste-te agora para vê-los ...)

Irónica a Poesia
sabe que ando lá fora a procura-la,
indiferente ao vento e à noite fria.
La luce accesa
(fioco lume a petrolio )...
e tu inquieta, felice, in mia attesa.
Indugiano libri di versi sulla tavola.
Sonnolenti, i garofani della veranda
occhieggiano dietro i vetri.

Vado là fuori.
(Là fuori, il vento,
la notte, il freddo delle stelle,
la Poesia certamente...)

Alla fievole luce, continui il tuo ricamo.
Dormono i nostri figli
(ti sei alzata ora per guardarli...)

Ironica la Poesia
sa che vado là fuori a cercarla,
indifferente al vento e al freddo della notte.
________________

Renato Tomassi
Il cucito (1915)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (562) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (369) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (29) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)