Sento-me aqui contigo…



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Sento-me aqui contigo…
Mi siedo qui con te…


Sento-me aqui contigo,
Ignorando o trânsito
Enquanto como transeuntes passam
Perguntas sem resposta
Ou demasiadas respostas
Para uma só pergunta.
Estamos aqui, devagar, a ser
A alegria toda
À sombra do sacrifício.
Ambos sabemos – não vais ficar
Mas aqui estou, aqui fico,
Feliz enquanto estou
Dentro dos teus dias.
 
Mi siedo qui con te,
Ignorando il traffico
Mentre, come viandanti, passano
Domande senza risposta
O troppe risposte
Per una sola domanda.
Stiamo qui, quieti, a esibire
Tutta la gioia
All’ombra del sacrificio.
Io e te lo sappiamo – non resterai
Ma io sto qui, rimango qui,
Felice per il tempo che vivo
Dentro ai tuoi giorni.
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Edvard Munch
Due su una panchina (1916)
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Um Campo Batido pela Brisa


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Um Campo Batido pela Brisa
Un campo battuto dalla brezza


A tua nudez inquieta-me.

Há dias em que a tua nudez
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras ainda não inventadas,
certas posições na guitarra
que o tocador não conhecia.

A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo
para um lado misterioso e frágil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.

Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas
com o vocabulário da tua nudez.
Tenho «um pensamento despido»;
maturação; altas combustões.
De mão dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.

Sete dias ao longo da semana,
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,
iluminando, certo, harmonioso.
E outras vezes sucede que estou: inquieto.
Frágil.
Violentado.

Para que eu me construa de novo
a tua nudez bascula-me os alicerces.
La tua nudità mi turba.

Ci sono giorni in cui la tua nudità
é como una barca giunta d’un tratto al molo.
Come un temporale. O come
certe parole ancora non inventate,
certe posizioni sulla chitarra
che il suonatore non conosceva.

La tua nudità mi turba. Apre il mio corpo
in un suo lato misterioso e fragile.
Distende il mio corpo. Poi lo riduce e gli toglie
contorno, peso. Distrugge il mio corpo.
La tua nudità è una violenza
soave, un campo battuto dalla brezza
nel mese di gennaio quando spuntano i fiori
dal ventre della terra fecondata.

Io m’abbrutisco, scrivo, faccio cose
con il vocabolario della tua nudità.
Ho «un pensiero denudato»;
maturazione; alta combustione.
Tenendoti per mano entro dentro di me
come in altri tempi nella piscina
i lebbrosi pieni di speranza.
E succede talvolta che la tua nudità sia un razzo
che lancio con mano tremante e maldestra
per far esplodere e riempire la mia carne
di trasparenza.

Per i sette giorni d’una settimana,
per trenta giorni, quanto dura un mese,
io cammino con coraggio e senza finzione,
illuminato, sicuro, armonioso.
E altre volte succede che sono: inquieto.
Fragile.
Violentato.

Affinché io mi costruisca di nuovo
la tua nudità scuote le mie fondamenta.
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Anastasia Kurakina
Nudo femminile (2016)
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Tentas, de longe…


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Tentas, de longe…
Tenti, da lontano…


Tentas, de longe, dizer que estás aqui.
Com peso triste caminha na rua o Outono.
O meu coração debruça-se à janela
a ver pessoas e carros, e as folhas caíndo.

Mastigo esta solidão
como quando era pequeno e jantava
diante dos pais zangados:
devagar, ausente.
Tenti, da lontano, di dire che sei qui.
Con triste fardello va per la via l’autunno.
Il mio cuore s’affaccia alla finestra
a veder gente e macchine, e le foglie che cadono.

Mastico questa solitudine
come quando ero piccolo e cenavo
davanti ai genitori arrabbiati:
poco alla volta, assente.
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Kenne Grégoire
Finestra (2017)
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Soneto aos filhos


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Soneto aos filhos
Sonetto ai figli


Toda a epopeia da família cabe aqui
um avô galego chegado a Portugal rapazinho
outro de ao pé de Aveiro que se meteu
num barco para S. Tomé a fazer cacau

de filhos seus nasci
com este pouco de inútil fantasia
nutrida em solidões nas que me vejo
nu como um bacorinho na pocilga

e como ele indefeso e porém quis
mesmo assim ser mais que o animal
no tutano dos ossos pressentido

não peço nada usai o meu nome
se vos praz lembrai-me
o que for costume

mas livrai-vos do luxo e da soberba
L’intera saga della famiglia si riassume qui
un nonno galiziano giunto in Portogallo da bambino
un altro delle parti di Aveiro che s’imbarcò
su un mercantile per S. Tomé per coltivare cacao

dai loro figli nacqui io
con questo pizzico di inutile fantasia
nutrita in solitudine ove mi rivedo
nudo come un maialino in un porcile

e come lui indifeso eppure volevo
comunque essere più di un animale
lo sentivo nel midollo delle ossa

nulla io chiedo usate il mio nome
se vi fa piacere ricordatemi
fate quello che si fa di solito

ma siate liberi dal lusso e dalla superbia
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Cerchia di Jacques-Louis David
Ritratto di uomo con la sua famiglia (1800)
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Seria o Amor Português


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Seria o Amor Português
Sarebbe questo l’amore portoghese


Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?
Tante volte t’ho atteso, ho perso il conto,
lunghe mattine t’ho atteso tremando
sulla soglia degli occhi. Che m’importa
se bussano alla porta, se fanno arrivare
giornali, o lettere, un po’ d’amicizia
— tanta polvere sui mobili la tua assenza.

Se non sei tu, che me ne può importare?
Qualcuno bussa, insiste sopra il legno,
che m’importa se bussano alla porta,
la solitudine è una spina
conficcata insidiosa nella gola.
Un passero morto nel giardino innevato.

Nulla m’importa; ma tu, sì, m’importi.
Importa, per esempio, sui capelli
di seta posare queste labbra afflitte.
Per esempio: distruggere il silenzio.
Aprire certe dighe, piovere su certi campi.
Importa conoscere l’importanza
che c’è nella semplicità estrema dell’amore.
Comunicare questo amore. Fertilizzarlo.
«Che m’importa se bussano alla porta...»
Uscire da dietro la propria porta, cercare
nell’amore la riconciliazione col mondo.

Lunghe mattine t’ho atteso, ho perso il conto.
Meno male che t’ho atteso lunghe mattine
e ne ho perso il conto, perché è come se
nel giorno in cui io aprirò la porta
del tuo amore tutto sia nuovo,
un uomo una donna uniti dalle belle
inesplicabili circostanze della vita.

Che m’importa, adesso che tu m’importi,
che bussino, se non sei tu, alla porta?
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Nicola Tenderini
Porta a Cannareggio 4228 (2025)
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