Lugones


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Meditação sobre Ruínas (1994) »»
 
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Lugones
Lugones


Só a poesia inspira a poesia,
como in vino veritas;
se a metáfora varia
as imagens são pretéritas.

O poeta ilude a hora,
o dicionário fica inconcluso.
Mas tudo o que se ignora
deixa o homem confuso.

Celebrava os pombais
que lhe nasciam no peito,
tão fortes como os ais
que o tornavam suspeito.

«Farol glacial do inverno.»
neste poema em que o meto
quis fugir do inferno
com um copo de cianeto.

Solo la poesia ispira la poesia,
proprio come in vino veritas;
se la metafora si cambia
l’immagine al passato apparterrà.

Il poeta inganna l’ora,
il dizionario resta incompleto.
Ma tutto quel che s'ignora
lascia l’uomo smarrito.

Le colombaie celebrava
che gli nascevano nel petto
e così forte s’affliggeva
tanto da rendersi sospetto.

In questa poesia in cui io metto lui
«Dell’inverno algido faro»
è dall’inferno che voleva fuggire
bevendo quel bicchiere di cianuro.

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Leopoldo Lugones nel 1922
Foto di Eduardo Vargas Machuca
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Poeta



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Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (luglio 2026) »»
 
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Poeta
Poeta


I
Poeta – sincinesia da realidade
Distorcida pelos espelhos
Semeados nas palavras.

II
Onde a grafia for mais sinuosa
Onde a síncope do olhar for profunda
Aí estará a poesia.
I
Poeta – sincinesia della realtà
Distorta dagli specchi
Disseminati tra le parole.

II
Dove la grafia è più sinuosa
Dove la sincope dello sguardo è profonda
Là ci sarà la poesia.
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Guillaume Apollinaire
Riconosci te stesso (1915)
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Esplendor na relva


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Homem de Palavra(s) (1969) »»
 
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Esplendor na relva
Splendore nell’erba


Eu sei que deanie loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste

A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de deanie quem desiste

na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquela que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais

lhe será dado ver o que ela era)
Mas em deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais
Lo so che deanie loomis non esiste
ma questa donna tra le altre cammina
e la sua evoluzione segue una linea
che alla pura immaginazione resiste

La vita passa e nel passar consiste
e benché io non abbia più quella che avevo
poco fa all’inizio di questa mia
evocazione di deanie chi può rinunciare

al fiore che tra breve è destinato a sfiorire?
(e lei che giunta al suo apice non si guarda
sappia ch’è ormai passato e che giammai

le sarà dato di rivedere quel ch’è stata)
Ma in deanie la primavera persiste
ed io la vedo camminare tra le altre
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Locandina del film
Splendor in The Grass (1961)
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As ondas


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Sophia de Mello Breyner Andresen »»
 
O Dia do Mar (1947) »»
 
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As ondas
Le onde


As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.

S'infrangevano le onde ad una ad una
Io stavo sola con la sabbia e la spuma
Del mare che solo per me cantava.

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Georges Lacombe
La baia (1895)
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Que a tua memória seja longa…



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Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (febbraio 2018) »»
 
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Que a tua memória seja longa…
Che sia lunga la tua memoria…


Que a tua memória seja longa,
Embora, por vezes, a fites incrédulo,
E não te reconheças em nenhum
Dos outros que foste e em ti apagaste.
Memória longa para saberes
Onde se encontram perdidas as coisas,
As pessoas, os lugares,
E então talvez as causas aceitem revelar-se,
Personagens na sombra que abandonam o disfarce
Porque nada mais pode a memória
Senão murmurar-te que viver
É desencontrar.
Que seja longa e labiríntica:
O fogo sem chamas reminiscente
O que te espera é isso,
Uma longa conversa com a memória.
Che sia lunga la tua memoria,
Pur se, a volte, la fissi incredulo,
Senza riconoscerti in nessuno
Degli altri che sei stato e hai cancellato.
Memoria lunga per sapere
Dove sono andate perse le cose,
Le persone, i luoghi,
E chissà che allora le cause accettino di rivelarsi,
Personaggi nell’ombra che gettano la maschera
Perché null’altro può la memoria
Se non mormorarti che vivere
È perdersi.
Che sia lunga e labirintica:
Il fuoco senza fiamma evocativo
Quel che t’attende è questo,
Una lunga conversazione con la memoria.
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René Magritte
Souvenir di viaggio (1963)
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