Visualizzazione post con etichetta Manuel Alegre. Mostra tutti i post
Visualizzazione post con etichetta Manuel Alegre. Mostra tutti i post

Que somos nós...


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Manuel Alegre »»
 
O canto e as armas (1967) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Que somos nós...
Che siamo noi...


Que somos nós senão o que fazemos?
Que somos nós senão o breve traço
da vida que deixamos passo a passo
e é já sombra de sombra onde morremos?

Que somos nós se não permanecemos
no por nós transformado neste espaço?
Que serei eu senão só o que faço
e é tão pouco no tempo em que não temos

para viver senão o tempo de
transformar neste tempo e neste espaço
a vida em que não somos mais do que

o sol do que fazemos. Porque o mais
é sombra de sombra e o breve traço
de quem passamos para nunca mais.

Che siamo noi se non quel che facciamo?
Che siamo noi se non la breve traccia
d’una vita che passo a passo lasciamo
già ombra dell'ombra in cui moriremo?

Che siamo noi se non permaniamo
nello spazio da noi stessi trasformato?
Che sarei io, se non soltanto ciò che faccio,
che è così poco nel tempo in cui per vivere

non abbiamo altro se non il tempo di
trasformare in questo tempo e in questo spazio
la vita in cui non siamo niente più che il

sole di quello che facciamo. Perché il resto
è ombra dell'ombra e la breve traccia di chi
un dì abbiamo incrociato e poi mai più.

________________

Sergio Padovani
Esistenza (2024)
...

Vésperas de batalha


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Inéditos (1976) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Vésperas de batalha
Vigilia di battaglia


Não ficarei sentado a ver a vida
os meus cavalos correm noutros campos
travam outras batalhas noutras páginas
não se resignam à erva do sossego
os meus cavalos buscam o insondável
ei-los que vão ainda à desfilada
ao toque de clarim à carga à carga
do outro lado da noite em outra escrita

Non rimarrò seduto a rimirar la vita
i miei cavalli giostrano su altri campi
affrontano altre battaglie su altre pagine
non si rassegnano all’erba dell’inerzia
i miei cavalli cercano l’insondabile
eccoli che stanno andando alla parata
mentre le trombe suonano la carica
dall’altro lato della notte in altra scrittura

________________

Ernest Meissonier
Napoleone III a Solferino, (schizzo, 1859)
...

Uma flor de verde pinho


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Inéditos (1976) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Uma flor de verde pinho
Un fiore di verde pino


Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Io potrei chiamarti patria mia
darti il più bel nome portoghese
potrei darti un nome da regina
ché il mio amor è come quello di Pedro per Agnese.
 
Ma non c’è forma, non c’è verso, non c’è letto
per questo fuoco, per questo fiume, amor mio.
Che dire d’un cuore balzato fuor dal petto?
Traboccato è il mio amor. Ed io non ho naviglio.
 
Amarti è una poesia che non dico
non v’è calice, amor, per questo vino
non v’è chitarra né cantar d’amico
non v’è fiore, no, non v’è fior di verde pino.
 
Non v’è barca, non v’è grano né trifoglio
non v’è parola per scrivere questa canzone.
Amarti è una poesia senza foglio.
C’è un fiume senza un letto. Ed io son senza cuore.

________________

John Waterhouse
Miranda e la tempesta (1916)
...

Poema para Óscar Niemeyer


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Inéditos (2003) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Poema para Óscar Niemeyer
Poesia per Oscar Niemeyer


Gostava de estabelecer entre as palavras e o silêncio
aquelas proporções que Oscar Niemeyer consegue
entre volumes e não volumes
entre cheios e vazios.
Gostava de inventar linguagem dentro da linguagem
como Niemeyer inventa espaço dentro do espaço.
Mas como criar na escrita o nunca escrito?
Gostava meu caro Oscar Niemeyer
de pegar na caneta e fabricar um pouco de infinito
fazer com sílabas e fonemas
o que você faz com traços e com esquemas.
Mas eu não posso meu caro eu não posso ou não sei
construir uma cidade com poemas.

Tão pouco sei se Deus tem mão e se desenha
não sei sequer se existe ou simplesmente
deixou para Oscar Niemeyer
o oitavo dia da criação.
Mas é o que parece quando você faz um croqui
e depois é Brasília
uma catedral um museu uma mulher
ou uma casa em Canoas.

Com Oscar Niemeyer o Brasil é mais Brasil
o mundo se refaz se reinventa se revoluciona
contra a injustiça contra a opressão contra a fealdade.
Cada projecto seu é um acto de harmonia
traço a traço você subverte o espaço
e semeia a beleza na desordem estabelecida.
Consigo é possível a utopia
consigo a arquitectura é outra vida.

Mi piacerebbe stabilire tra le parole e il silenzio
quelle proporzioni che Oscar Niemeyer riesce a fissare
tra volumi e non volumi
tra vuoti e pieni.
Mi piacerebbe inventare un linguaggio dentro il linguaggio
come Niemeyer inventa spazio dentro lo spazio.
Ma come creare nella scrittura ciò che mai fu scritto?
Mi piacerebbe mio caro Oscar Niemeyer
prendere la penna e fabbricare un po’ d’infinito
fare con sillabe e fonemi
quel che tu fai con tratti e schemi.
Ma io non posso mio caro io non posso o non so
costruire una città con dei poemi.

Tanto meno so se Dio ha le mani e se disegna
non so neppure se esiste o semplicemente
ha affidato a Oscar Niemeyer
l’ottavo giorno della creazione.
Ma è quel che sembra quando tu fai uno schizzo
che poi diventa Brasília
una cattedrale un museo una donna
o una casa a Canoas.

Con Oscar Niemeyer il Brasile è più Brasile
il mondo si rifà si reinventa si rivoluziona
contro l’ingiustizia contro l’oppressione contro la bruttezza.
Ogni tuo progetto è un atto d’armonia
tratto su tratto tu sovverti lo spazio
e semini la bellezza sul disordine organizzato.
Con te è possibile l’utopia
con te l’architettura è un’altra vita.

________________

Oscar Niemeyer
Cattedrale metropolitana di Brasilia (1959)
...

Teoria de amor


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Todos os Poemas são de Amor (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Teoria de amor
Teoria dell’amore


Amor é mais do que dizer.
Por amor no teu corpo fui além
e vi florir a rosa em todo o ser
fui anjo e bicho e todos e ninguém.

Como Bernard de Ventadour amei
uma princesa ausente em Tripoli
amada minha onde fui escravo e rei
e vi que o longe estava todo em ti.

Beatriz e Laura e todas e só tu
rainha e puta no teu corpo nu
o mar de Itália a Líbia o belvedere.

E quanto mais te perco mais te encontro
morrendo e renascendo e sempre pronto
para em ti me encontrar e me perder.

Amore è ben più che una parola.
L’amore oltre il tuo corpo m’ha portato
e ho visto tutt’attorno fiorir la rosa,
angelo fui e bestia, tutti e nessuno.
 
Come Bernard de Ventadour amai
una principessa assente a Tripoli,
amata mia di cui fui schiavo e re
E vidi che la distanza stava tutta in te.
 
Beatrice, Laura, tutte e te sola
regina e puttana nel tuo corpo nudo.
Mare d'Italia, la Libia il belvedere.
 
E quanto più ti perdo, più ti ritrovo
muoio e rinasco e sono sempre pronto
a ritrovarmi e a perdermi in te.

________________

Antonio Canova
Paolina Borghese (1808)
...

Gostava de morar na tua pele...


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Todos os Poemas são de Amor (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Gostava de morar na tua pele...
Mi piacerebbe abitare nella tua pelle...


Gostava de morar na tua pele
desintegrar-me em ti e reintegrar-me
não este exilio escrito no papel
por não poder ser carne em tua carne.
 
Gostava de fazer o que tu queres
ser alma em tua alma em um só corpo
não o perto e o distante entre dois seres
não este haver sempre um e sempre o outro.
 
Um corpo noutro corpo e ao fim nenhum
tu és eu e eu sou tu e ambos ninguém
seremos sempre dois sendo só um.
 
Por isso esta ferida que faz bem
este prazer que dói como outro algum
e este estar-se tão dentro e sempre aquém.

Mi piacerebbe abitare nella tua pelle
in te disintegrarmi e reintegrarmi
non questo esilio scritto sulla carta
non potendo esser carne nella tua carne.
 
Mi piacerebbe fare quello che tu desideri
essere anima nell’anima tua in un sol corpo
non la prossimità e la distanza tra due esseri
non questo essere sempre uno e sempre l’altro.
 
Un corpo nell’altro corpo e poi neanche uno
tu sei me e io sono te ed entrambi nessuno
sempre saremo due pur essendo uno.
 
Perciò questa baruffa che ci delizia tanto
questo piacere che duole come null’altro
e questo starsene sì dentro, ma sempre accanto.

________________

Gustav Klimt
Il bacio (dettaglio) (1907-1908)
...

Bendita sejas tu porque mulher...


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Todos os Poemas são de Amor (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Bendita sejas tu porque mulher...
Benedetta tu sia per esser donna...


Bendita sejas tu porque mulher
bendita sejas não porque te dás
mas porque o teu prazer é o meu prazer
e só no teu prazer encontro paz.
 
Correrão muitos rios mas o teu
é o que me leva as águas do baptismo
contigo em cada orgasmo eu subo ao céu
noite a noite contigo eu vejo o abismo.
 
Corre o Jordão e o Tigre os rios correm
contigo em cada orgasmo eu me baptizo
contigo noite a noite a dor e o riso.
 
Nas curvas do teu corpo os diabos morrem
bendita sejas tu porque me levas
onde a luz do prazer nasce das trevas.

Benedetta tu sia per esser donna
benedetta tu sia non perché ti dài
ma perché il tuo piacere è il mio piacere
e solo nel tuo piacere trovo la pace.
 
Molti fiumi scorreranno ma è il tuo
quello che mi porta alle acque del battesimo
con te in ogni orgasmo ascendo al cielo
di notte in notte con te vedo il precipizio.
 
Scorre il Giordano e il Tigri, i fiumi scorrono
con te in ogni orgasmo io mi battezzo
con te di notte in notte è dolore ed è gaudio.
 
Sul tuo corpo sinuoso muoiono i demoni
benedetta tu sia perché mi guidi
ove la luce del piacere sgorga dalle tenebre.

________________

Willem de Kooning
Donna seduta (1940)
...

Velhos cadernos quadriculados


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Bairro Ocidental (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Velhos cadernos quadriculados
Vecchi quaderni a quadretti


Os meus primeiros cadernos estão aqui
cheios de sangue e merda e lama
com poemas escritos à pressa no intervalo
de um combate ou de cócoras a cagar
no meio do mato. Poemas decorados
quando na cela não havia papel
e eram ditos em voz alta
só para ter a quem ouvir.
Poemas mais tarde escritos às escondidas
ou a passar fronteiras ou registados
enquanto caminhava pelas ruas
sem país sem casa sem tertúlias
nem compadrios literários
apenas a incomparável marginalidade extrema
e um caderno quadriculado para apontar
o sangue a merda a lágrima o amor a perda
de que se faz cada poema.

I miei primi quaderni sono qui
pieni di sangue e merda e fango
con poesie scritte alla svelta nell’intervallo
di uno scontro o accovacciato ad evacuare
in mezzo a un cespuglio. Poesie memorizzate
quando in cella non c’era carta
e venivano dette ad alta voce
solo per aver qualcuno ad ascoltarle.
Poesie trascritte più tardi di nascosto
o nel passare frontiere o annotate
mentre camminavo per le vie
senza paese senza casa né compagnie
o compari letterati
nient’altro che l’incredibile marginalità estrema
e un quaderno a quadretti per appuntare
il sangue la merda la lacrima l’amore la perdita
con cui si fa ogni poesia.

________________

Oskar Kokoschka
Fortuna (1915)
...

Poema e cão


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Bairro Ocidental (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Poema e cão
Poesia e cane


Nenhum poema vem comer à mão
nem mesmo o amestrado
não penses que o poema é fiel ao dono
e como o cão nunca se atreve.
Quando menos se espera o poema rosna
e morde a mão que escreve.

Nessuna poesia viene a mangiarti in mano
nemmeno quella ammaestrata
non pensare che la poesia sia fedele al padrone
e come il cane mai contro di lui si sollevi.
Quando meno ce lo si aspetta la poesia recalcitra
e morde la mano che la scrive.

________________

Renato Guttuso
Bassotto (1958)
...

O vento e as folhas


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Bairro Ocidental (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


O vento e as folhas
Il vento e le foglie


Caíram folhas pelas ruas da Europa.
Árvores reverdeceram. Caíram
pessoas livros cidades. Alguns países
envelheceram muito. Outros cresceram
de mais. E as folhas continuaram a cair.
E o vento varreu as folhas.
Um perfume de rosas nos jardins antigos
um sabor de maças
um gosto de lábios abertos. E o vento
a varrer as folhas.

Caddero foglie per le vie d’Europa.
Rinverdirono gli alberi. Caddero
persone libri città. Alcuni paesi
invecchiarono molto. Altri crebbero
di più. E le foglie continuarono a cadere.
E il vento spazzò via le foglie.
Un profumo di rose nei giardini antichi
un aroma di mele
un sapore di labbra schiuse. E il vento
a spazzar via le foglie.

________________

Jean-Francois Millet
Raffiche di vento (1871-1873)
...

Gramática não guarda a vida


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Bairro Ocidental (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Gramática não guarda a vida
La grammatica non tutela la vita


Um dia alguém perguntará
e ninguém saberá responder.
Nenhum verso o dirá. Nenhuma prosa.
Nada será senão
um relato vazio
um retrato sem rosto.
Uma gramática não guarda a vida
e o que fica de nos é o que não fica.
Ninguém ressuscita da sua própria
escrita. Quem escreve
está de passagem.

Un giorno qualcuno domanderà
e nessuno saprà dar risposta.
Nessun verso lo dirà. Nessuna prosa.
Non sarà nient’altro che
un vuoto resoconto
un ritratto senza volto.
Una grammatica non tutela la vita
e quel che resta di noi è quello che non resta.
Nessuno risuscita dalla propria
scrittura. Chi scrive
è di passaggio.

________________

René Magritte
Il figlio dell'uomo (1964)
...

Este rio


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Bairro Ocidental (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Este rio
Questo fiume


Este rio que traz o mar cá dentro
e sendo mar não deixa de ser rio
este rio com margens que são centro
e sendo margens são nosso navio.
 
Este rio que volta quando parte
e quando parte leva as suas margens
este rio que vai a toda a parte
e mesmo em casa é todas as viagens.
 
Este rio que sabe a mar profundo
e dentro da cidade é rua e rio
e em cada rua dá a volta ao mundo
e de Lisboa fez nosso navio.

Questo fiume che si porta il mare dentro
e in quanto mare non cessa d’esser fiume
questo fiume le cui sponde sono al centro
e in quanto sponde sono la nostra imbarcazione.
 
Questo fiume che torna quando parte
e quando parte si reca appresso le sponde
questo fiume che va da ogni parte
ed anche in casa tutti i viaggi comprende.
 
Questo fiume esperto del mare profondo
e che dentro la città è strada e fiume
e in ogni strada fa il giro del mondo
e ha fatto di Lisbona la nostra imbarcazione.

________________

Carlos Botelho
Lisbona e il Tejo - Domenica (1935)
...

E de súbito a História


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Bairro Ocidental (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


E de súbito a História
E all’improvviso la Storia


A História entrou pelas meias pelas botas
entrou até pelo fato camuflado.
Entrou na pele e ficou lá. Como ser
neutro inespacial intransitivo?
A História entrou com sua tropa
fez-te mudar de roupa e substantivo
com suas balas letais e tracejantes
a História encheu consoantes e vogais
o pronome pessoal o adjectivo
encheu de sangue a branca ligadura
manchou de guerra a virgem literatura
entrou no jipe e fez-se as sete curvas
e desde então perdeste os adjectivos
e todas as letras se tornaram turvas
a História entrou no poema e não tem cura.

La Storia entrò dalle calze dagli stivali
addirittura entrò dalla tuta mimetica.
Entrò nella pelle e lì rimase. Come essere
neutro aspaziale intransitivo?
La Storia entrò con la sua truppa
ti fece cambiar vestito e sostantivo
con le sue pallottole letali e traccianti
la Storia riempì consonanti e vocali
il pronome personale l’aggettivo
riempì di sangue la bianca fasciatura
sporcò di guerra la casta letteratura
montò sulla jeep e affrontò le sette curve
e da allora perdesti gli aggettivi
e tutte le lettere divennero torve
la Storia entrò nella poesia e non c’è cura.

________________

Paolo Uccello
Battaglia di San Romano (1435-1440)
...

Soldado desconhecido


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Nada está escrito (2012) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Soldado desconhecido
Milite ignoto


Há um soldado desconhecido na frente de batalha
não sei ao certo em que país ou talvez
em todos os continentes devastados. Há um soldado
desconhecido que vem de todas as guerras já perdidas
de todos os desastres e de todas as mortes e está
na frente de batalha em um território desorbitado.
Há um soldado desconhecido que já não sabe
por quem se bate. Talvez só por si mesmo ou nem sequer
bate-se por se bater numa qualquer frente de batalha
e já não pergunta porquê nem o sentido.
Está numa frente de batalha e sabe que ninguém se importa
algures num país que já não é país
em um combate perdido
nenhum de nós sabe quem ele é e no entanto
cada um de nós está nessa frente de batalha
e não tem nome e é
esse soldado desconhecido.

C’è un milite ignoto sulla linea del fronte
non so con certezza in che paese o forse
in tutti i continenti devastati. C’è un milite
ignoto che viene da tutte le guerre già perdute
da tutti i disastri e da tutte le morti e sta
sulla linea del fronte in un territorio smisurato.
C’è un milite ignoto che ormai non sa più
per chi si batte. Forse solo per sé stesso o neppure
si batte tanto per battersi su una linea di fronte qualsiasi
e già non chiede più il perché né per che scopo.
Sta su una linea di fronte e sa che a nessuno importa
in nessuna parte d’un paese che non è già più un paese
in una battaglia perduta
nessuno di noi sa chi lui sia e intanto
ciascuno di noi sta su questa linea di fronte
e non ha nome ed è
questo milite ignoto.

________________

Veloso Salgado
La Patria incorona il soldato sconosciuto (1923)
...

Saga


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Nada está escrito (2012) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Saga
Saga


Trago em mim um exército perdido
algures no meio de uma estrofe
da saga escrita em língua desaparecida.
Eu próprio sou esse exército sem sentido
e esse país de bandeira esfarrapada
que tremula num campo onde perdura
a sílaba mais pura desse canto
que por qualquer mistério ecoa em mim
em horas de esplendor e de desastre.
Talvez porque eu seja o sem sentido
desse exército perdido numa estrofe
e essa bandeira e esse país e esse fim.

Porto dentro di me un esercito perduto
in qualche luogo nel mezzo della strofa
della saga scritta in una lingua decaduta.
Sono io stesso quell’esercito insensato
e quel paese dalla bandiera sbrindellata
che freme su un campo in cui perdura
la sillaba più pura di quel canto
che per qualche mistero in me risuona
in tempi di splendore e di disastro.
Forse perché son io quello sventato
di quell’esercito perduto in una strofa
e quella bandiera e quel paese e quel destino.

________________

Vincenzo Migliaro
Prima campagna d' Africa (1936)
...

Poema quase metafísico


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Nada está escrito (2012) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Poema quase metafísico
Poesia quasi metafisica


Dizem que sou uma organização de água e de carbono
mas ninguém me diz o antes e o depois
nem de onde vem a música e a palavra
ninguém me diz o ritmo e a pergunta
que sem cessar se repete e não encontra
nem água nem carbono nem resposta
apenas o sussurro das marés
e as areias as ondas a cadência
ou o vento que vem do mar e a breve queixa
de quem água e carbono apenas deixa
em cada poema o eco de uma ausência.

Dicono che io sia un organismo di acqua e carbonio
ma nessuno mi parla del prima e del poi
né da dove venga la musica e la parola
nessuno mi parla del ritmo e del quesito
che senza tregua si ripete e non ottiene
né acqua né carbonio né risposta
solamente il sussurro delle maree
e le sabbie le onde il movimento
o il vento che vien dal mare e il breve lamento
di chi soltanto acqua e carbonio lascia
in ogni poesia l’eco di un’assenza.

________________

Nicolas de Staël
La spiaggia di Agrigento (1954)
...

Mea culpa


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Manuel Alegre »»
 
Nada está escrito (2012) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Mea culpa
Mea culpa


Desculpem lá se tenho biografia
e se vivi a vida intensamente
dedicado à política e à poesia
o que não é por certo conveniente.
Mas foi assim que aconteceu
e o destino bateu à minha porta.
Eu sei: eu é um outro e esse fui eu.
Na vitória e na derrota
na tristeza e na alegria
e naquela serena melancolia
de quem sabe que passa para nunca mais.
Assim serei até bater a bota
como acontece a quem chega ao fim da via.
Sou apenas mais um entre os mortais.
Desculpem lá se tenho biografia.

Chiedo scusa se ho una biografia
se ho vissuto la vita intensamente
impegnato in politica e poesia
il che non è di certo conveniente.
Ma così è accaduto
e il destino ha bussato alla mia porta.
Lo so: io è un altro e quell’altro fui io.
Nella vittoria e nella sconfitta
nella tristezza e nella gioia
e in quella serena malinconia
di chi sa che passa per non tornare più.
Così sarò finché tirerò le cuoia
come succede a chi giunge in fondo alla via.
Non son’altro che uno in più tra i mortali.
Chiedo scusa se ho una biografia.

________________

Giorgio de Chirico
Trovatore (1968)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (16) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)