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Pêndulo


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Pêndulo
Pendolo

Nem Galileu
nem Foucault
descreveriam
esse inominável
espetáculo:
um pêndulo
humano (em
tenso desafio
à gravidade
e a outras leis)
suspenso como
um fruto peco
em sua corda
de enforcado.

Né Galileo
né Foucault
descriverebbero
questo indicibile
spettacolo:
un pendolo
umano (in
tesa sfida
alla gravità
e alle altre leggi)
sospeso come
un frutto marcio
alla sua corda
d’impiccato.

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Francisco de Goya
Monaco impiccato (1810)
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Flor de cacto


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Flor de cacto
Fiore di cactus

Talvez o verso
não saiba
dizer sobre essa
flor de cacto
no olhar-para-trás.

Ontem
é tudo que temos:
silêncios
amealhados
nas águas
turvas da clepsidra.

Ontem
é o segredo
único que
transportamos
na carne.

De ontem
ao ontem mais
fundo
aí está o que somos:

águas passadas
e uma flor de cacto
ancorada
no cais da memória.

Il verso forse
non sa cosa
dire di questo
fiore di cactus
con uno sguardo a ritroso.

Ieri
è tutto ciò che abbiamo:
silenzi
polverizzati
nelle acque
torbide della clessidra.

Ieri
è il segreto
unico che
trasportiamo
nella carne.

Da ieri
a uno ieri più
profondo
è lì che sta quel che siamo:

acque passate
e un fiore di cactus
ancorato
dove la memoria approda.

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Tarsila do Amaral
Abaporu (1927)
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Bagagem


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Bagagem
Bagaglio

Guardei meus medos, todos,
na sacola de viagem.

Provisoriamente
não precisava deles,
mas era bom
tê-los à mão, quem sabe?

Na sacola — além dos medos —
uma escova de dentes
roupas
a Reunião de Drummond
e saudades antecipadas.

As saudades
eram o que mais pesava.

Ho custodito le mie paure, tutte,
nella borsa da viaggio.

Provvisoriamente
non ne avevo bisogno,
ma era bene
averle alla mano, chissà?

Nella borsa — oltre alle paure —
uno spazzolino da denti
biancheria
la Reunião di Drummond
e nostalgie anticipate.

Le nostalgie
erano quelle che pesavano di più.

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Agim Sulaj
La valigia 3 (2003)
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Ao leitor


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Ao leitor
Al lettore

Considera o retângulo da página
e as palavras que vês, paisagem mínima.

Não esperes a bula, o vade-mécum,
as respostas cabais às tuas dúvidas.

A poesia, afinal, é mais o branco
do papel que o discurso em letra rígida.

Considera il rettangolo della pagina
e le parole che vedi, paesaggio minimo.

Non aspettarti il bugiardino, il vademecum,
le risposte definitive ai tuoi dubbi.

La poesia, in fondo, è più il bianco
della carta che il discorso in rigide lettere.

________________

Umberto Boccioni
La sorella dell'artista che legge (1909)
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Rosa


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Rosa
Rosa

Nem toda
rebeldia
dispara balas
ou palavras
ásperas.

Rosa Parks
apenas
recusou-se a
dar seu lugar
no ônibus.

E sua rebeldia
foi enorme.

Non ogni
rivolta
spara pallottole
o parole
violente.

Rosa Parks
semplicemente
si rifiutò di
cedere il suo posto
sull’autobus.

E la sua rivolta
fu enorme.

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Tony Scherman
Rosa Parks (2019)
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Luto


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Luto
Lutto

“Luto é coisa de rico”,
diz a viúva
do pedreiro negro
abatido pela polícia.
 
Em vez de prantear
seu morto,
ela foi obrigada
a levantar-se e sair.
 
As meninas mais velhas
tomam conta
dos irmãos menores.
 
E a mãe, agora responsável
única pelo sustento
de quatro filhos,
sai muito cedo para
limpar casas alheias.
 
Casas de quem tem
— quando chega a hora —
o luxo do luto.

“Lutto è roba da ricchi”,
dice la vedova
del muratore negro
abbattuto dalla polizia.
 
Invece di piangere
il suo morto,
ella fu obbligata
ad alzarsi e ad uscire.
 
Le bambine più grandi
si prendono cura
dei fratelli minori.
 
E la madre, ora responsabile
unica per il mantenimento
di quattro figli,
esce molto presto
per pulire le case degli altri.
 
Case di chi ha diritto
— quando giunge l’ora —
al lusso del lutto.

________________

Cândido Portinari
Retirantes (1936)
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Cigana


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Cigana
Gitana

Queria ler minha mão
e revelar meu futuro.
Eu disse: obrigado, não.

Pagaria de bom grado
se ela tivesse o poder
de desvendar meu passado.

Queria leer mi mano
y revelar mi futuro.
Le dije: no, gracias.
 
Pagaría con gusto
si ella tuviera el poder
de desvendar mi passado.

________________

Caravaggio
Buena suerte (1593-1595)
...

Cigana


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Cigana
Zingara

Queria ler minha mão
e revelar meu futuro.
Eu disse: obrigado, não.

Pagaria de bom grado
se ela tivesse o poder
de desvendar meu passado.

Voleva leggermi la mano
e rivelare il mio futuro.
Io le dissi: grazie, no.

Pagherei con piacere
se lei avesse il potere
di svelare il mio passato.

________________

Caravaggio
Buona ventura (1593-1595)
...

Congolês


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Congolês
Congolese

“Meus ancestrais eram
trazidos ao Brasil
para perder a liberdade”,

diz à repórter o refugiado
de guerra congolês.

“Agora nós viemos
para ganhar a liberdade”.

(O anjo da História, não
mostrado na cena, ri.)
___________

N. d. A.: Este poema foi escrito em 2015. Portanto, sete anos antes do brutal assassinato do imigrante congolês Moïse Kabagambe, em 2022, no Rio de Janeiro.

“I miei antenati furono
deportati in Brasile
per perdere la libertà”,

dice alla reporter il rifugiato
di guerra congolese.

“Adesso noi siamo venuti
per conquistare la libertà”.

(L’angelo della Storia, non
visibile sulla scena, ride.)
___________

N. d. A.: Questa poesia è stata scritta nel 2015. Dunque, sette anni prima del brutale assassinio del migrante congolese Moïse Kabagambe, nel 2022, a Rio de Janeiro.

________________

William Turner
La nave negriera (1781)
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Entre Malta e Catânia


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Entre Malta e Catânia
Tra Malta e Catania

A garçonete brasileira atirou-se ao mar.
Noite alta, entre Malta e Catânia.
 
Na solidão das águas 
há um momento em que tudo falta.
Vasta solidão mediterrânea.
Noite alta, entre Malta e Catânia.
 
O céu escuro. Escuro casco do navio.
As luzes do convés não bastam 
para incandescer o breu da alma
e refrear os ventos da insânia.
 
Noite alta, entre Malta e Catânia.

La cameriera brasiliana s’è gettata in mare.
Notte fonda, tra Malta e Catania.
 
Nella solitudine delle acque 
c’è un momento in cui tutto manca.
Vasta solitudine mediterranea.
Notte fonda, tra Malta e Catania.
 
Scuro il cielo. Scuro il guscio della nave.
Le luci di coperta non bastano 
a rischiarare il buio dell’anima
e ad arrestare i venti dell’insania.
 
Notte fonda, tra Malta e Catania.

________________

Damien Hirst
Hermaphrodite (2017)
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Boletim de ocorrência


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Boletim de ocorrência
Boletín de Ocurrencia

Quero fazer um B.O.
registrar queixa dessa violência
que arrasa por dentro.

Cadê os hematomas?
cadê a cicatriz?
— pergunta o delegado.

E conclui, citando
o código penal: nenhuma
providência se aplica.

Desesperado, peço um
exame de alma de delito.

Quiero hacer un B.O
registrar una queja de esa violencia
que arrasa por dentro.

¿Dónde están los hematomas?
¿Dónde está la cicatriz?
— pregunta el juez.

Y concluya, citando
el código penal:ninguna
disposición se aplica.

Desesperado, pido un
Examen del alma del delito

________________

George Grosz
Café̀ (1919)
...

Boletim de ocorrência


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Carlos Machado »»
 
Cicatrizes (2023) »»
 
Francese »» Spagnolo »»
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Boletim de ocorrência
Denuncia di reato

Quero fazer um B.O.
registrar queixa dessa violência
que arrasa por dentro.

Cadê os hematomas?
cadê a cicatriz?
— pergunta o delegado.

E conclui, citando
o código penal: nenhuma
providência se aplica.

Desesperado, peço um
exame de alma de delito.

Voglio sporgere una D.R.
presentare reclamo per questa violenza
che m’imperversa di dentro.

Dove sono gli ematomi?
dove le cicatrici?
— domanda il commissario.

E conclude, citando
il codice penale: non si adotta
alcun provvedimento.

Disperato, invoco un
esame dell’anima del delitto.

________________

George Grosz
Caffè (1919)
...

Pet shop


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Tesoura cega (2015) - Brinquedo de Chronos »»
 
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Pet shop
Pet shop

Os materiais são muitos, rígidos ou precários.
Alguns bebem água.
Outros ruminam grãos de areia
ou se distraem desenhando sombras.
 
Há também esses robustos gladiadores
com peito de puro aço.
E ainda os modernos automatismos
que trazem no âmago
silenciosos cristais de silício.
 
  Mas
 
nenhum relógio diz a hora certa
porque todos mentem a circunstância.
 
Todos ocultam de ti
a hora do caos
o instante em que os cães
agitam as narinas rubras
e assoviam como gatos asmáticos.
 
Nenhum relógio
provê a graça e a franqueza
de revelar
quanto falta para o derradeiro pôr do sol.
 
*
Eles estão em toda parte. Na parede,
no bolso, no pulso e em cada uma dessas máquinas
estranhas — embora íntimas —
que arrastamos pelos corredores
como extensões de nossa própria carne.
 
*
O tempo é nosso bicho de estimação,
do qual nunca nos apartamos.
 
Ou, sejamos sinceros,
nós é que somos seus artefatos de brinquedo.
 
Soldados de chumbo?
ursos de pelúcia?
helicópteros de controle remoto?
 
Não, ele nos prefere bichos orgânicos
brinquedos com alma,
desses que se acreditam donos do próprio rumo.
 
Desses que ele,
Chronos,
expõe na vitrine de sua pet shop

I materiali sono molti, rigidi o precari.
Alcuni bevono acqua.
Altri ruminano granelli di sabbia
o si svagano disegnando ombre.
 
Ci sono anche quei robusti gladiatori
col petto di puro acciaio.
Ed ancora i moderni automatismi
che in grembo albergano
silenziosi cristalli di silicio.
 
  Ma
 
nessun orologio dice l’ora esatta
perché tutti falsano la circostanza.
 
Tutti di te tacciono
l’ora del caos
l’istante in cui i cani
agitano le rosse narici
e soffiano come gatti asmatici.
 
Nessun orologio
ha la cortesia e la franchezza
di rivelare
quanto manca al tramonto finale.
 
*
Loro stanno dappertutto. Sulla parete,
in tasca, al polso e in ciascuna di quelle macchine
strane — seppure intime —
che ci trasciniamo lungo i corridoi
come estensioni della nostra stessa carne.
 
*
Il tempo è il nostro animale da compagnia,
da cui non ci separiamo mai.
 
Oppure, siamo sinceri,
siamo noi ad essere i suoi articoli ludici.
 
Soldatini di piombo?
orsetti di peluche?
elicotteri col telecomando?
 
No, lui preferisce bestie organiche
giocattoli con l’anima,
di quelli che si credono padroni del proprio destino.
 
Di quelli che lui,
Chronos,
espone nella vetrina del suo pet shop

________________

Salvador Dalí
La persistenza della memoria (1931)
...

Memória


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Tesoura cega (2015) - Brinquedo de Chronos »»
 
Francese »» Spagnolo »»
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Memória
Memoria

desfiladeiros
precipícios
ruas sem nome

uma lagartixa antiquíssima
diz sim com a cabeça

há sol
mas nunca será meio-dia
e uma lixa grossa
permanente
se arrasta na pele da paisagem

*

não há meio-dia:
é preciso curvar os olhos
para divisar as figuras
semidispersas na sombra

a lagartixa diz sim?
talvez — o ouvido é mouco
quando se escuta daqui

(a lixa de sono e silício
aplaina as cordilheiras do som)

foi bom? foi escasso?
algum mel ainda incendeia
o regaço da nuvem?
ou tudo não passa de rara
penugem no braço da imaginação?

de vez em quando
tempestades de areia
desenham
na foto sépia
regiões antes secretas

aí descobre-se a cornucópia
felicidade póstuma

mas aí também se abrem
os sótãos
as fossas submarinas
e surgem monstros de família
anacondas que dão a volta no equador

  *

toda dor se dilui
ao sol
mesmo ao crepúsculo

terras vermelhas
um breve roçar
de coxas
antigas rixas se apagam

e a lixa estende seus músculos
para forçar as planícies do único
a cicatriz
o silêncio

valichi
precipizi
vie senza nome

un’antichissima lucertola
dice sì con la testa

c’è il sole
ma non sarà mai mezzogiorno
e una grossa lima
persistente
raschia la pelle del paesaggio

  *

non c’è mezzogiorno:
bisogna abbassare gli occhi
per distinguere le figure
semidisperse nell’ombra

la lucertola dice sì?
forse — l’orecchio è sordo
quando si ascolta da qui

(la lima di sonno e di silicio
livella le cordigliere del suono)

è stato bello? o scadente?
un po’ di miele ancora incendia
il grembo della nuvola?
o tutto ciò non è che la rada
peluria sul braccio dell’immaginazione?

di tanto in tanto
tempeste di sabbia
disegnano
sulla foto seppiata
regioni un tempo segrete

là si scopre la cornucopia
felicità postuma

ma là s’aprono anche
le soffitte
le fosse sottomarine
e spuntano mostri familiari
anaconde che fanno il giro dell’equatore

  *

ogni dolore si stempera
al sole
anche al crepuscolo

terre vermiglie
un breve sfregare
di cosce
vecchie dispute si placano

e la lima stende i suoi muscoli
per forzare le pianure dell’unico
la cicatrice
il silenzio

________________

Olaus Magnus
Carta Marina (1539)
...

Unhas


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Unhas
Unghie

A alegria é privilégio
dos puros,
de quem nunca sentiu
as unhas laqueadas do acaso.

Rubras e afiadas,
têm a natureza das navalhas
e olímpico desprezo
pelas consêquências de seus cortes.

A alegria é verde.
Aquela canção sem motivo
que aparece na garganta.
Aquele assobio impreciso
que sai do peito,
discreto,
e se dissolve sem ponto de chegada.

Mas existe o acaso.
Unhas. Golpes sem aviso.

Pouco a pouco
quem cantava perde o solfejo.

Passarinho e realejo
são privilégios dos crédulos,
ingênuos,
amantes de primeira viagem,
crianças e animais de plácido convívio.

La gioia è il privilegio
dei puri,
di chi non ha mai sentito
le unghie laccate del caso.

Rosse e affilate,
hanno la natura dei coltelli
e un olimpico disprezzo
per le conseguenze dei loro tagli.

La gioia è verde.
È quella canzone senza motivo
che compare in gola.
È quel fischio impreciso
che sgorga dal petto,
discreto,
e si dissolve senza punto d’arrivo.

Ma esiste il caso.
Unghie. Colpi senza preavviso.

A poco a poco,
chi cantava perde il solfeggio.

Pappagallo e organetto
son privilegio dei creduli,
degli ingenui,
di amanti di primo pelo,
di bimbi e animali in placida armonia.

________________

Lucio Fontana
Concetto Spaziale: Attese (Rosso) (1967)
...

Origâmi


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Tesoura cega (2015) - Brinquedo de Chronos »»
 
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________________

Origâmi
Origami

Uma tesoura
cega
recorta origâmis.

É Chronos
em sua oficina.

A máquina precária
não supõe prodígios
mesmo em mãos
divinas

– salvo se o segredo
desse deus ambíguo
seja o próprio corte
indulgente.

Figuras de papel
cortadas pelas mãos
de Chronos,
dançamos ao vento.

Una tijera
ciega
recorta origamis.

Es Crono
en su oficina.

La maquina precaria
no supone prodigios
mismo entre manos
divinas

– salvo si el secreto
de ese dios ambiguo
sea su propio corte
indulgente.

Figuras de papel
cortadas por las manos
de Crono,
bailamos en el viento

________________

Alexander Calder
Escultura móvil (1947)
...

Origâmi


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Francese »» Spagnolo »»
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Origâmi
Origami

Uma tesoura
cega
recorta origâmis.

É Chronos
em sua oficina.

A máquina precária
não supõe prodígios
mesmo em mãos
divinas

– salvo se o segredo
desse deus ambíguo
seja o próprio corte
indulgente.

Figuras de papel
cortadas pelas mãos
de Chronos,
dançamos ao vento.

Forbici
spuntate
ritagliano origâmi.

È Chronos
nella sua officina.

La macchina precaria
non pretende prodigi
pur se in mani
divine

– a meno che il segreto
di questo dio ambiguo
sia il taglio stesso
indulgente.

Figure di carta
tagliate dalle mani
di Chronos,
noi danziamo al vento.

________________

Alexander Calder
Scultura mobile (1947)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

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