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XII - vespas mansas nas sálvias...


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XII - vespas mansas nas sálvias...
XII - miti vespe tra le salvie...


vespas mansas nas sálvias
brisa azul nos prados amarelos
oh musas, inspirai a beleza!
miti vespe tra le salvie
brezza blu sui prati gialli
oh muse, ispirate la bellezza!
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Mark Rothko
Tan and Purple (1954)
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XI - morangos silvestres...


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XI - morangos silvestres...
XI - fragoline di bosco...


morangos silvestres
são espadas vermelhas
sangrando o dia
fragoline di bosco
sono spade vermiglie
che feriscono il giorno
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Jean-Siméon Chardin
Il cestino di fragole di bosco (1761)
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X - o lume das estrelas...


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X - o lume das estrelas...
X - la luce delle stelle...


o lume das estrelas
remanesce nas rosas
que iluminam esta manhã
em que não estou aqui
la luce delle stelle
ridonda nelle rose
che illuminano il mattino
in cui io non sto qui
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Georgia O'Keeffe
Rosa bianca (1936)
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IX - são as rosas silvestres...


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IX - são as rosas silvestres...
IX - sono le rose selvagge...


são as rosas silvestres
e as sálvias violetas
que sustentam o firmamento
nesta tarde
sono le rose selvagge
e le salvie violacee
a sostenere il firmamento
questa sera
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Matthew Wong
Il Piccolo Principe (2017)
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VIII - as almas que não bailam...


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VIII - as almas que não bailam...
VIII - le anime che non danzano...


as almas que não bailam ou brilham
são como este carvalho morto
tombado
filhos de Melpômene, despertai para o sol!
le anime che non danzano né brillano
sono come questa quercia morta
caduta
figli di Melpomene, aprite gli occhi al sole!
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Alexandre Calame
Albero caduto (1839-1845)
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VII - numa grande árvore morta...


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VII - numa grande árvore morta...
VII - sopra un grande albero morto...


numa grande árvore morta
– mas viva
as aranhas engenharam longas teias
se derramando sobre o lago sereno
sopra un grande albero morto
– ma vivo
i ragni hanno ordito lunghe tele
che si estendono sopra il lago sereno
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Liam Rainsford
Albero caduto (2014)
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VI - dormem contos...


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VI - dormem contos...
VI - dormono storie...


dormem contos nos ninhos de cores
claros repousados sobre a relva
oh pastores, guardai os rebanhos!
dormono storie nei nidi colorati
chiari placidi sopra l’erba
oh pastori, vigilate sulle greggi!
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Vincent van Gogh
Natura morta con tre nidi (1885)
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V - um estranho encanto...


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V - um estranho encanto...
V - uno strano incanto...


um estranho encanto no bosque
algo verde-claro amarelo e pastel
bela Arcádia ante meus olhos
oh poetas, cantai a vida!
uno strano incanto nel bosco
qualcosa di verde chiaro di giallo tenue
bella Arcadia davanti ai miei occhi
oh poeti, cantate la vita!
________________

Rasel Ahmed
Lago tra gli alberi (2022)
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IV - as ramagens que descendem...


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IV - as ramagens que descendem...
IV - le fronde che scendono...


as ramagens que descendem do alto dos carvalhos
conversam com as abelhas e com as águias
voando calmas através da paisagem indizível
le fronde che scendono dall’alto delle querce
conversano con le api e con le aquile
che calme volano attraverso l'ineffabile paesaggio
________________

Tacuinum sanitatis casanatensis
XIV secolo
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III - o sol é um clarim...


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III - o sol é um clarim...
III - il sole è un clarino...


o sol é um clarim
um clarão amarelo
derretido e sem matéria
e tudo que sua boca beija brilha
il sole è un clarino
un giallo chiarore
dissolto e senza materia
e tutto ciò che la sua bocca bacia brilla
________________

Nicolas de Staël
Il sole (1952)
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II - um lago sereno e raso...


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II - um lago sereno e raso...
II - un lago sereno e liscio...


um lago sereno e raso me observa
o tempo é uma grande borboleta azul
pousada sobre o verde das vitórias-régias
un lago sereno e liscio mi osserva
il tempo è una grande farfalla blu
posata sopra il verde della victoria regia
________________

Stanley William Hayter
Ninfee (1970)
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I - estou diante da Natureza...


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I - estou diante da Natureza...
I - sto davanti alla Natura...


estou diante da Natureza pura
com minha harpa e minha lira
e não a contemplo como coisa em si
mas como um templo
sto davanti alla Natura pura
con la mia arpa e la mia lira
e non la contemplo come cosa in sé
ma come un tempio
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Claude Gellée Lorrain
Paesaggio con pastori (1644)
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poema para a musa do Leste


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poema para a musa do Leste
poesia per la musa dell’Est


teus cabelos de noite derramados
sobre tua pele de luar
é belo existir, é belo te contemplar
e belas estrelas azuis brilham
dentro dos teus olhos oh Musa
nem o Mar Mediterrâneo
nem o irretocável céu de Trieste
nenhum azul é mais azul
que teu olhar em setembro
oh delicada Eurídice do Leste
que bailas solitária nas florestas
com o leite de teus seios de deusa
amamenta a terra e os lírios
nas noites veranis tua presença
exala aromas de jasmins e anis
é assim que te quero
é assim que te sinto:
estrelação azul sobre uma calma
enseada – mais nada.
é com a tinta azul que roubo
de teus olhos eslavos que escrevo-te
este poema, este édito
como se fora imperador da Terra
para que sejam decretados teu amor
tua indizível beleza e tua misericórdia
sobre este mundo destroçado pelo ódio
i tuoi capelli di notte sparsi
sulla tua pelle di luna
è bello esistere, è bello contemplarti
e belle le stelle blu che brillano
nei tuoi occhi, o Musa
né il Mar Mediterraneo
né l’impeccabile cielo di Trieste
nessun blu è più blu
del tuo sguardo a settembre
oh delicata Euridice dell’Est
che balli solitaria nelle foreste
con il latte dei tuoi seni di dea
alimenti la terra e i gigli
nelle notti d’estate la tua presenza
esala aromi di gelsomino e anice
è così che ti voglio
è così che ti sento:
costellazione blu sopra una calma
baia – niente di più.
è con l’inchiostro blu rubato
ai tuoi occhi slavi che per te scrivo
questa poesia, questo editto
come se fossi l’imperatore della Terra
affinché siano proclamati il tuo amore
la tua indicibile bellezza e la tua misericordia
sopra questo mondo devastato dall’odio
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Emiliano di Cavalcanti
Ivete (1964-1965)
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litorais do Sul


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litorais do Sul
litorali del Sud


quando tua alma fala
a minha alma se cala
tuas melodias já dizem
tudo o que preciso dizer
tal pássaro solto no ar
gosto de te buscar
nas nuvens no azul
nas cores de cada lugar
só tu sabes ser vaga e mar
infinito e finito lua e luar
na sombra de teu coqueiro
tenho espaço para ser inteiro
oh mulher, Deus te criou
para que fosses a deusa
de sua perfeita criação
nutre-me com teu momento
minha alma é teu instrumento
quando eu for uma flauta
me toca com tua boca
quando eu for um piano
me toca com teus dedos
e se ainda for pouco
me toca com teu corpo
sê sol e brisa calma
e tarde verde de setembro
sê, mulher, poeta como eu
senta sobre a areia breve
desta infinita enseada
de minha exausta existência
e reescreve minha vida.
quando parla l’anima tua
tace l’anima mia
le tue melodie dicono già
tutto ciò che vorrei dire
come uccello libero lassù
amo venirti a cercare
tra le nuvole nel blu
nei colori d’ogni dove
solo tu sai esser onda e mare
finito e infinito luna e chiaror lunare
all’ombra del tuo palmizio
c’è spazio perché io sia completo
oh donna, Dio t’ha creato
perché tu fossi la dea
della sua perfetta creazione
nutrimi del tuo momento
la mia anima è un tuo strumento
quando io sarò flauto
suonami con la tua bocca
quando io sarò un piano
suonami con le tue dita
e se fosse troppo poco
suonami col tuo corpo
sii sole e brezza calma
e verde serata di settembre
sii, donna, poeta come me
siediti sulla fine sabbia
di questa infinita baia
della mia esistenza esausta
e riscrivi la mia vita.
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Paul Gauguin
Il Seme della Areoi (1892)
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cantiga ao luar


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cantiga ao luar
canzone al chiar di luna


quando estás nua
teu corpo parece a lua
branco cisne
navegando o lago azul de minha noite
mas estás quieta
estás parada
é a noite quem flutua
enluarada e bela
e nossos olhos imóveis
são testemunhas
teus seios dormem
e mesmo adormecidos
sonham comigo
teu corpo cheira
a flor de laranjeira
e nesta noite te sinto:
corcel negro ao vento
cavalgando a clara estrada
teus pés alvos descalços
parece que têm asas
e me abraçam até que o
fim seja um novo começo
até que o tudo seja nada
estou perdido em tua enseada
devorado pelo silêncio
– ah, gentil criatura!
tua claridade é enamorada

de minha noite escura
os grilos e seus noturnos
todos param para me ouvir
cantar esta cantiga a ti
e tu então ouves calada
a minha calma serenata
e sou teu menestrel
sob os olhos claros das estrelas
quando sei nuda
il tuo corpo somiglia alla luna
bianco cigno
che solca il lago blu della mia notte
ma tu sei quieta
sei ferma
è la notte che fluttua
lunare e bella
e i nostri occhi immobili
fanno da testimoni
i tuoi seni dormono
ed anche nel sonno
sognano me
il tuo corpo profuma
di fiori d’arancio
e in questa notte ti sento:
nero destriero al vento
che corre sulla strada chiara
scalzi i tuoi piedi bianchi
sembra che abbiano ali
e m’abbracciano affinché la
fine sia un nuovo inizio
finché il tutto sia niente
sono perduto nella tua insenatura
divorato dal silenzio
– ah, gentil creatura!
il tuo chiarore è innamorato

della mia notte scura
i grilli e i loro notturni
tutti s’arrestano per udirmi
cantare questa canzone per te
e tu intanto ascolti muta
la mia calma serenata
e sono il tuo menestrello
sotto gli occhi chiari delle stelle
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Hugo Henneberg
The Blue Pond (1904)
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canção das sete espadas


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canção das sete espadas
canzone delle sette spade


amanhece o dia
com sete espadas de luz
cravadas no peito do azul
a guitarra melancólica do tempo
dedilhando melodias perdidas
do pretérito mais-que-perfeito
eu te sonhando bailando
e amando por entre rosas vermelhas
com teus pés descalços
e teus longos cabelos de vento
em que continente nos
conheceremos
ou melhor dizendo:
em que hemisférios nos
encontraremos de novo?
de infinito mesmo
nestes dias inexistentes
só mesmo tua lembrança
doce e selvagem pantera
mas quem me beija os lábios
áridos e abandonados
são as cerejas orvalhadas
de junho...
albeggia il giorno
con sette spade di luce
infilzate nel cuore del blu
la chitarra malinconica del tempo
sta diteggiando melodie perdute
del passato più che perfetto
ed io ti sto sognando mentre balli
e ami in mezzo a rose rosse
con i tuoi piedi scalzi
e i tuoi lunghi capelli di vento
in quale continente ci
conosceremo
o per meglio dire:
in quale emisfero ci
incontreremo di nuovo?
dell’infinito stesso
in questi giorni inesistenti
c’è solo il tuo ricordo
dolce e selvaggia pantera
ma chi mi bacia le labbra
aride e abbandonate
sono le rugiadose ciliegie
di giugno...
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Henri Fantin-Latour
Piatto di ciliegie (1881)
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aqueles verões


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aqueles verões
quelle estati


eram solares aqueles verões
que passávamos na ilha
perdida no Atlântico Sul
eram aquários coloridos
cobertos de puro azul
os rapazes e as moças
felizes pelas praias afora
– tão distinto do que vejo agora –
sorriam brincavam viviam
dias tão belos como marmelos
ah, doces siriguelas amarelas...
aqueles verões eram diferentes
de tudo: o sol os mares as gentes
à noite sentados nas areias
acreditávamos em amores e sereias
e Netuno e ouvíamos o vento
devaneios aquelas casas de veraneio
nas noites daqueles verões
contávamos estrelas cantávamos canções
e como éramos ingênuos
e a vida era viva como uma água-viva
naquelas manhãs naqueles arrecifes
naqueles corais era uma festa sem fim
ah, que saudades daqueles verões!
tudo era tão lindo tão real
inclusive todas as ilusões...

hoje eu caminhando sozinho
como marinheiro em busca de cais
ainda esperando que retornem
aqueles belos verões de nunca mais!
meus passos se apagam pela praia deserta
onde já não há mais verões nem ilusões
nem moços e moças daquela época antiga
ah, como são terríveis todas as coisas perdidas!
erano piene di sole quelle estati
che passavamo sull’isola
perduta nell’Atlantico del Sud
erano acquari variopinti
coperti di puro blu
i ragazzi e le fanciulle
felici su quelle spiagge
– così diverso da quel che vedo ora –
sorridevano giocavano vivevano
giornate belle come cotogne
ah, dolci frutti gialli...
quelle estati erano differenti
da tutto: il sole i mari la gente
di notte seduti sulla sabbia
credevamo all’amore e alle sirene
e a Nettuno e ascoltavamo il vento
vaneggianti quelle case di vacanze
nelle notti di quelle estati
contavamo le stelle cantavamo canzoni
e com’eravamo ingenui
e la vita era viva come una medusa
in quei mattini su quegli scogli
tra quei coralli era una festa senza fine
ah, che rimpianto di quelle estati!
tutto era così bello così reale
comprese tutte le illusioni...

oggi sto camminando da solo
come un marinaio in cerca d’approdo
sperando ancora che ritornino
quelle belle estati che non torneranno più!
svaniscono i miei passi sulla spiaggia deserta
dove non ci sono più estati né illusioni
né ragazzi e fanciulle di quei tempi passati
ah, come sono terribili tutte le cose perdute!
________________

Paul Gauguin
Donne e un cavallo bianco (1903)
...

antiguidade


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antiguidade
antichità


por estas águas azuis claras
de cristal líquido
já navegaram águias
de ouro barcaças elmos
imensas galeras gregas
habitadas por servos
escravos senhores
belas nobres e servas
e por infinitas esperas
nesta tarde sem tempo
quase posso vê-los
quase posso ouvi-los
gritos sussurros louvores
em idiomas estrangeiros
no fundo deste mar
de nome Mediterrâneo
dormem cetros cantos
tridentes tesouros lanças
imortais guerreiros mortos
e preciosos cântaros
à noite de lua nova
as sirenas calmas entoam
cânticos por seus amores
perdidos para sempre
na vastidão da história
o invisível está coberto de hera
estou sentado num templo
em ruínas e olho ao meu redor
um vento muito pretérito
chega até mim após seu

longo e cansativo périplo
me conta antigas narrativas
e com meus olhos de nuvens
percebo o imperceptível
por estes caminhos milenares
já marcharam as legiões romanas
com seus cavalos adestrados
insígnias e gládios afiados
com suas gramáticas e éditos
filosofias éticas e poetas
com seus estandartes e bucinas
espalhando democracia e
desespero pelos quatro cantos
da Terra.
su queste acque azzurre e chiare
di cristallo liquido
già navigarono aquile
d’oro navigli elmi
immense galere greche
abitate da servi
schiavi signori
belle nobili e serve
e in infinite attese
in questa sera senza tempo
quasi posso vederli
quasi posso sentirli
grida sussurri lodi
in idiomi stranieri
sul fondo di questo mare
chiamato Mediterraneo
dormono scettri canti
tridenti tesori lance
immortali guerrieri morti
e preziose anfore
nella notte di luna nuova
le sirene calme intonano
cantici ai loro amori
perduti per sempre
nella vastità della storia
l’invisibile è coperto d’edera
io sono seduto in un tempio
in rovina e mi guardo intorno
un vento molto remoto
giunge fino a me dopo

un lungo ed estenuante periplo
mi racconta antiche vicende
e con i miei occhi di nuvola
avverto l’inavvertibile
su questi cammini millenari
già marciarono le legioni romane
coi loro cavalli addestrati
insegne e spade affilate
con le loro grammatiche ed editti
filosofie etiche e poeti
con i loro stendardi e buccine
diffondendo democrazia e
disperazione per i quattro angoli
della Terra.
________________

Damien Hirst
Unknown Pharaoh (2015)
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