Visualizzazione post con etichetta Antonio Osorio. Mostra tutti i post
Visualizzazione post con etichetta Antonio Osorio. Mostra tutti i post

Açor


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
A luz fraterna (2009) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Açor
Astore


Aveludado
carniceiro de ninhos
e pai solícito, ei-lo
afogador de um pato selvagem:
as patas submergem o amigo
da água: casco pouco
a pouco afundado, expira.
Para a margem o leva;
oculto, acutila.
E tudo viu Deus, cego.
Vellutato
carnefice di nidi
e padre sollecito, eccolo
che affoga un’anitra selvatica:
le zampe sommergono l’amica
dell’acqua: la testa poco
a poco s’affonda, soccombe.
La porta verso riva;
di nascosto, la smembra.
E tutto ha visto Dio, cieco.
________________

Codex Manesse (1300-1340)
Il margravio Enrico di Meißen a caccia
...

A um mirto


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
A luz fraterna (2009) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A um mirto
A un mirto


Nascido antes de Cristo
Uma vez mais floriu
o velho e agora jovem mirto.

Junto ao poço as suas fundas raízes
e o mesmo vivo, sempre generoso
aroma das folhas; o tronco
torturado por nodosas chagas,
cavernas, golpeado de musgo e cobre,
mas com baixos, com tenazes rebentos.

Quantos ali perdeste, quantos
se amaram à tua sombra?
Alguém como eu acaso te beijou?
Quantos passos em volta? Quanta chuva
desejou o Romano que para aqui te trouxe?
E quantas exalações da vida assististe
como muda testemunha, ó corpo mediterrâneo
sobrevivente a tantos tantos deuses mortos?
Nato prima di Cristo
Un’altra volta è fiorito
il vecchio ed ora giovane mirto.

Accanto al pozzo le sue profonde radici
e quel suo vivace, sempre generoso
aroma delle foglie; il tronco
torturato da nodose piaghe,
caverne, afflitto da muschio e rame,
ma con minuti, con tenaci germogli.

Quanti lì si son persi, quanti
si sono amati alla tua ombra?
Qualcuno come me per caso t’ha baciato?
Quanti ti son girati intorno? Quanta pioggia
ti ha augurato il Romano che t’ha portato qui?
E a quanti trapassi di vite hai assistito
come muto testimone, o corpo mediterraneo
sopravvissuto a tante tante divinità defunte?
________________

Andrea Mantegna
Orazione nell'orto (1457-1459)
...

Velázquez pintando As Meninas


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Casa das sementes (2006) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Velázquez pintando As Meninas
Velázquez mentre dipinge Las Meninas


Aqui estou, a vós e a mim vendo:
parte deste cão retraído, ele por certo
mais altivo, e de dois monstros,
Maribarbola, lerda, obesa e Nicolasillo,
jovem (mais trágico) anão italiano:
o meu tropel e de meu amo, El-Rei.
As meninas, açafatas, minhas
duas filhas, diversas em partos e rugas.
Cinquenta e seis anos: quantos mais?
Antes ou depois desta criança
em cujo tempo estou,
agora mais que seu pai, sofrendo?
Porque me adentro, olhando, em meu avô,
melancólico, do Porto expatriado?
Bobo sou da corte, outro, apenas o mais alto,
ou torrentoso, no Inverno, um rio?
O grotesco fascina, de tal pigmento
não disse tudo, organizo este quarto
e a vida, com os dentes degradados,
sem fé, sem esperança. Caridosamente apenas.
E que fiz, que aguardo ainda destes pincéis
ou escalpelos? Poucas cores, de preferência
embutidas na terra e o verde oliva
e esse desígnio, o simples valor da existência.
Um único louco, aqui – eu, falsamente
sereno e complacente, neste estúdio
há mais de trinta anos, eternizando o efémero.
Sono qui e vedo sia voi che me:
parte di questo cane accucciato, lui di sicuro
è più altezzoso, e di due mostriciattoli,
Maribarbola, pigra, obesa e Nicolasillo,
giovane (più tragico) nano italiano:
la turba mia e del mio signore, il Re.
Le meninas, damigelle di corte, le mie
due figliole, diverse per nascita e rughe.
Cinquantasei anni: quanti ne restano?
Prima o dopo questo fanciullo,
nel cui tempo io vivo,
soffrendo, adesso più di suo padre?
Perché mi spingo con lo sguardo, in mio nonno,
malinconico, emigrato da Porto?
Sono giullare di corte, un altro, solo un fiume,
d’inverno, è più alto o irruente?
Ciò ch’è grottesco ammalia, di questo pigmento
non tutto ho detto, allestisco questa stanza
e la vita, con i denti cariati,
senza fede né speranza. Per pura misericordia.
E che ho fatto, che altro m’aspetto da questi pennelli
o scalpelli? Pochi colori, preferibilmente
maculati di terra e di verde oliva
e questo disegno, il sobrio valore dell’esistenza.
L’unico folle, qui – io, falsamente
sereno e compiacente, in questo studio
da più di trent’anni, immortalando l’effimero.
________________

Diego Velázquez
Las meninas (1656)
...

Uccello


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Casa das sementes (2006) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Uccello
Uccello


   A Raul de Carvalho

Os cavalos verdes e rosa, térreos ou brunos,
apenas eles comportam serenidade.
Os galgos são ferozes (reparai nos olhos)
como os dragões que São Jorge sangra e anula.

Os coelhos fogem das batalhas e os homens
extirpam-se. Que pensou da guerra este Paolo
que o sobrenome em vida mereceu de Uccello?

Que ser abominável sulcou a história
do génesis e atingiu Adão, Eva e a criação
dos animais? Eram batalhas, cenas de caça
ou a violência indecifrável do inferno?
Ou o inferno foi para ele o dilúvio, a prece
de Noé? Que arca, grande como o mundo,
reservou para suas tintas e ossos?
Continua voando sobre a própria inocência?
   A Raul de Carvalho

I cavalli verdi e rosa, terrosi o bruni,
loro soltanto suscitano serenità.
I levrieri sono feroci (lo si vede dagli occhi)
come i draghi che San Giorgio ferisce e abbatte.

I conigli rifuggono dalle battaglie e gli uomini
si annientano. Che pensava della guerra questo Paolo
che in vita si guadagnò l’epiteto di Uccello?

Che essere abominevole percorse la storia
dalla genesi e giunse ad Adamo, Eva e alla creazione
degli animali? Erano battaglie, scene di caccia
o l’indecifrabile violenza dell’inferno?
Oppure l’inferno fu per lui il diluvio, la preghiera
di Noè? Quale arca, estesa come il mondo,
riservò per i suoi inchiostri e ossa?
Continua sorvolando la propria innocenza?
________________

Paolo Uccello
La battaglia di San Romano nel 1432 (1456 ca.)
...

Uma estrela vulgar


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Planetário e Zoo dos Homens (1990) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Uma estrela vulgar
Una stella qualunque


Fornalha nuclear
de erupções, plasma,
vento, rudes
explosões de hidrogénio:

deus
marcado por estigmas
- essas pequenas e negras
manchas solares.
Fucina nucleare
di eruzioni, plasma,
vento, aspre
esplosioni d’idrogeno:

dio
segnato da stimmate
- quelle piccole e nere
macchie solari.
________________

Marina Abramovic
Rhythm-5 (1974)
...

Duas quedas


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Planetário e Zoo dos Homens (1990) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Duas quedas
Due cadute


Deixando abissal cratera
um meteoro despenhou-se
no deserto da Califórnia.

Depois, muito depois
um meteoro pequeníssimo
caiu sobre Hiroxima.
Lasciò un cratere smisurato
un meteorite che si schiantò
sul deserto di California.

Dopo, molto tempo dopo
un meteorite minuscolo
cadde sopra Hiroshima
________________

Jim Shaw
The Split Fountain (2024)
...

Circo do mundo


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Planetário e Zoo dos Homens (1990) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Circo do mundo
Circo del mondo


E de repente
com Mozart
chegaram as estrelas.

Próximo tudo
neste circo do mundo.

Outra voz
acompanha
o eclipse do Sol.

E não há angústia:
aqui o universo
foi criado pelo homem.
E d’un tratto
con Mozart
giunsero le stelle.

Tutto è prossimo
in questo circo del mondo.

Una diversa voce
s’accompagna
all’eclisse del Sole.

E non v’è angoscia:
l’universo, qui,
fu creato dall’uomo.
________________

Günther Uecker
Optische partitur Ulm (2000)
...

As Constelações


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Planetário e Zoo dos Homens (1990) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


As Constelações
Le costellazioni


Anda ver, Lucrécio, as tuas constelações
Na noite bebem, animais vagarosos.
Vénus rodeia ainda o sol e sirius
na esfera celeste que foi tua.
Sem deuses, como querias, a máquina
do mundo. Ali tens, em Roma, a tua exacta
longitude. As marés e chegam e partem -
ondas pontuais como as estações.
E Março tudo renova, menos o homem,
matéria volátil. O primeiro, o eco
da sua voz procuramos. Emigrante do paraíso.
E o número incontável de seus filhos
e símbolos. O segredo perigoso dos rostos,
a constância inumana do esperma,
o rastilho aceso à nascença:
gota simiesca, precipício do ser.
Vieni a vedere, Lucrezio, le tue costellazioni
Bevono di notte, animali indolenti.
Venere ruota ancora intorno al sole e sirio
nella sfera celeste che fu tua.
Priva di dei, come avresti voluto, la macchina
del mondo. È lì, a Roma, che sta la tua esatta
longitudine. Le maree ora vanno ora vengono -
onde precise come le stagioni.
E marzo rimette tutto a nuovo, ma non l'uomo,
sostanza evanescente. Per primo, cerchiamo
l’eco della sua voce. Emigrante del paradiso.
E l’incommensurabile numero dei suoi figli
e dei simboli. Il pernicioso segreto dei volti,
l’inumana pertinacia dello sperma,
la miccia accesa alla nascita:
goccia scimmiesca, baratro dell’essere.
________________

Hamada El Kept
Under Surveillance (2024)
...

Vísceras


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Décima aurora (1982) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Vísceras
Viscere


Criança que despeja um grilo,
pata a pata,
víscera a víscera,
da sua pequeníssima alma.

E não há quem refaça
o grilo e a criança.
Bimbo che spoglia un grillo,
zampetta per zampetta,
frattaglia per frattaglia,
della sua minuscola anima.

E nessuno che ricomponga
il grillo e il bimbo.
________________

Frank Gehry
Puzzled-5 (2011)
...

La nature n’est rien qu’une poésie énigmatique (Montaigne)


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Décima aurora (1982) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


La nature n’est rien qu’une
poésie énigmatique
(Montaigne)
Nature n’est rien qu’une
poësie œnigmatique (Montaigne)


Bom saber
que descendemos de peixes
(e eles de medusas).

De um tubarão-anjo?

De um peixe-borboleta
sobrevivente como fóssil?
Dos que produzem luz?

Do salmão que procria
para a morte destruindo-se
no leito da infância?

Do peixe-diabo?

Daquela que devia replicar,
a quem o julga, o pequeno
peixe-pescador?
È bene sapere
che discendiamo dai pesci
(e questi dalle meduse).

Da un pescecane angelo?

Da un pesce farfalla
superstite in quanto fossile?
Da quelli che emettono luce?

Dal salmone che figlia
per la morte annientandosi
nell’alcova della sua infanzia?

Dal pesce diavolo?

Da quello che dovrebbe replicare,
per chi ci crede, il piccolo
pesce pescatore?
________________

Stefan Eliseo
Pesci (2020)
...

Corpo excedente


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Décima aurora (1982) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Corpo excedente
Corpo eccedente


não sabe o tempo
o que são vinte anos.

E quem os leva
dele ainda não sabe
a trama móvel,
a lançadeira, o urdume.

Então o corpo
excede a sua alma.
il tempo non sa
che cosa sono vent’anni.

E chi li ha
non ne conosce ancora
la trama mobile,
la navetta, l’orditura.

E dunque il corpo
eccede la propria anima.
________________

Massimo Campigli
Le zingare (1928)
...

Augúrio


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Décima aurora (1982) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Augúrio
Augurio


Não antecipes a tristeza
de morrer: não queiras muito
às lágrimas: consola-te
bebendo-as. E sê grato ao dia
em que, vivo, as tragaste.
Non anticipare la tristezza
di morire: non chiedere troppo
alle lacrime: consolati
bevendole. E sii grato al giorno
in cui, vivo, le hai ingoiate.
________________

Man Ray
Lacrime di vetro (1932)
...

A inocente mala


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
Décima aurora (1982) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A inocente mala
La borsa innocente


Se eu fosse uma coisa, amaria ver-me
como comboio-correio. Longo e nocturno,
devassando o interior, contemplado
de fugida por pinhais e estrelas,
lobos, penhascos e embruxados.
Bom parar em todas as estações.
Cabecear de sono, beber vinho, ser
banco de campónios, crianças, contrabandistas.
Aldeã que reza, desdentada e solícita.
Em cada carruagem existe sempre
um voluntário palhaço que golfa
sua alegria: coroá-lo com o clarim
do galo. E deixar em todos os lugares
as ânforas de barro das paixões
(quase sempre mal-avindas, fortuitas,
temerosas): colaborar, encher
a inocente mala do carteiro.
Se io fossi una cosa vorrei vedermi
come un treno postale. Lungo e notturno,
penetrando l’entroterra, contemplato
di sfuggita da pinete e da stelle,
da lupi, pinnacoli e oggetti incantati.
Bello fermarsi a tutte le stazioni.
Ciondolare il capo per il sonno, bere vino, essere
un duro sedile per contadini, bambini, contrabbandieri.
Campagnola sdentata e premurosa, che prega.
In ogni vagone c’è sempre
un pagliaccio volontario che distribuisce
la sua allegria: da incoronare al canto
del gallo. E lasciare in ogni posto
le anfore d’argilla delle passioni
(quasi sempre mal assortite, fortuite,
terribili): collaborare, riempire
l’innocente borsa del postino.
________________

Andy Warhol
Treno (1983)
...

Poesia


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
O lugar do amor (1981) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Poesia
Poesia


Aqui te chamo
aqui me chegas
aqui te escrevo
e respiro:
botija de oxigénio.
Qui ti chiamo
qui m’arrivi
qui ti scrivo
e ti respiro:
mia bottiglia d’ossigeno.
________________

Paul Klee
Introduzione al miracolo (1916)
...

Ofícios fastos


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
O lugar do amor (1981) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Ofícios fastos
Mestieri fausti


Vendedor de balões
perdendo altamente alguns.

Padeiro no elevador com a cesta
perfumando-o, manhã cedo.

Os descarregadores das caixas
de leite arrastando-as pela madrugada.

O pintor de paredes repetindo
flores e aves por um século.

As mulheres da limpeza
correndo, exaustas, para o autocarro.

Um acrobata. Um ervanário sapiente.
Um ciclista boletineiro de núpcias.

Um apicultor obsequioso. Um voluntário,
saltador bombeiro. Mãe amamentando.
Venditore di palloncini
che ne perde celestialmente alcuni.

Fornaio con la cesta nell’ascensore
e profumandolo, di primo mattino.

Gli scaricatori delle casse
di latte trascinandole verso l’aurora.

Il pittore di pareti che va ripetendo
fiori e uccelli per un secolo.

Le donne delle pulizie
che, esauste, corrono a prendere il bus.

Un acrobata. Um erborista sapiente.
Un fattorino in bici con telegrammi di nozze.

Un apicultore rispettoso. Un volontario,
pompiere temerario. Mamma che allatta.
________________

Michelangelo
Madonna col Bambino (1524)
...

Nascente


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
O lugar do amor (1981) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Nascente
Sorgente


Quando sinto de noite
o teu calor dormente
e devagar
para que não despertes
digo: cedro azul,
terra vegetal,
ou só
amor, amor;

quando te acaricio
e devagar
para que não despertes
tomo na mão direita
as duas fontes, iguais, da vida,
procuro a nascente
e adormeço
nela essa mão depositando.
Quando di notte sento
dormiente il tuo calore
e piano
perché non ti risvegli
dico: cedro blu,
terra vegetale,
o solamente
amore, amore;

quando t’accarezzo
e lentamente
perché non ti risvegli
prendo nella mano destra
le due fonti, uguali, della vita,
io cerco la sorgente
e m’addormento
appoggiandovi la mano.
________________

Antonio Telesca
La nascita del mondo (2023)
...

Muitas coisas


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
O lugar do amor (1981) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Muitas coisas
Molte cose


Não é uma coisa só,
São muitas coisas nuas.

Não é o desabar de uma casa.
É percorrer os seus escombros.

Não é aguardar por um filho.
É voltar a sê-lo.

Não é penetrar em ti.
É sair de mim.

Não é pedir-te que faças.
É fazer-te.

Não é dormir lado a lado.
É estar jacente de mãos dadas.

Não é ouvir vento e chuva.
É franquear-lhes a cama.

É relâmpago que pela terra se funde.
Non è una cosa sola,
Son tante cose nude.

Non è il crollo di una casa.
É attraversare le sue macerie.

Non è l’attesa di un figlio.
É tornare ad esserlo.

Non è penetrare in te.
É uscire da me.

Non è pregare che tu faccia.
É farti.

Non è dormire a te accanto.
É star distesi mano nella mano.

Non è udire vento e pioggia.
É offrir loro un riparo.

É fulmine che nella terra si fonde.
________________

Walter de Maria
The Lightning Field (1970)
...

Gratidão que nem sabe…


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
António Osório »»
 
O lugar do amor (1981) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Gratidão que nem sabe…
Gratitudine che non sa…


Gratidão que nem sabe
a quem deve ser grata.

Por um novilho, um poldro
vagueando na pastagem,
um farol, uma escada magirus,
uma vasilha de leite, de vinho

Por um beijo, uma sonda
que não regressa de Vénus,
uma safra, uma ceifa
de amantes.

Por ser crente e descrente,
matricial e fiel
ferozmente a si próprio.

Ao início, ao que foi
expurgado, à placenta, grato
Gratitudine che non sa
a chi deve esser grata

Per un vitello, un puledro
che si trastullano sul pascolo,
un faro, una scala telescopica,
una bottiglia di latte, di vino.

Per un bacio, una sonda
che non ritorna da Venere,
un raccolto, una messe
di amanti.

Per essere credente e non credente,
legato al cordone ombelicale
e fieramente fedele a sé stesso.

Grato, all’inizio, a ciò che
venne espulso, alla placenta.
________________

Adrienne Elise Tarver
Mondo (2021)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (16) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)