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XXVI


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XXVI
XXVI


o vestido desaparece
em tuas mãos
não há linhas
nem mais dobras
nem botões
tudo é silêncio e ruína
e o eterno vento da história
que a tudo varre

e no entanto me sonhas novamente
outra noite outra noite outra noite
esta vida que costuramos
em desejo e incompletude

meu nome teu nome
e o que se inscreve
dentro da memória
Il vestito scompare
tra le tue mani
non ci sono righe
né pieghe
né bottoni
tutto è silenzio e rovina
e l’eterno vento della storia
che tutto sgombra

e frattanto tu mi sogni nuovamente
un’altra notte e un’altra e un’altra ancora
questa vita che andiamo cucendo
tra desiderio e incompiutezza

il mio nome il tuo nome
e quel che s’inscrive
dentro la memoria
________________

Giovanni Maranghi
Rumore di fondo (2015)
...

VI


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VI
VI


esses passos
esses vestígios
que recolhes do chão
do teu sonho
fui eu que espalhei.
era para ser um jogo
essa ausência.
era para ser mentira
esse relâmpago no horizonte.
recolhe com cuidado
os colchetes, os botões
a barra de renda tão fina
que se esvai como uma nuvem.
recolhe com cuidado esse vestido desabitado.
em outro sonho eu transito nua.
questi passi
queste vestigia
che raccogli dal suolo
del tuo sogno
sono io che li ho sparsi.
doveva essere un gioco
questa assenza.
doveva essere menzogna
quel fulmine all’orizzonte.
raccogli con cura
i gancetti, i bottoni
il bordo di pizzo così fine
da svanire come una nuvola.
raccogli con cura quest’abito disabitato.
in un altro sogno io camminerò nuda.
________________

Jean-Marc Nattier
Madame Adelaide di Francia (1765)
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Traz o teu encanto…


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Traz o teu encanto…
Fa’ che la tua malia…


Traz o teu encanto
de cidade perdida
junto ao meu peito
pois nos meus mapas e manuscritos
não te encontro.
E talvez só no teu corpo
exista a chave
que te decifre
 
– ou me devore.
Fa’ che la tua malia
di città perduta
s’approssimi al mio cuore
poiché sulle mie carte e manoscritti
io non ti trovo.
E forse solo nel tuo corpo
esiste la chiave
che ti decifra
 
– o mi divora.
________________

Francesco di Giorgio Martini
Città ideale (1480-1484)
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Sustenido


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Sustenido
Sostenuto


A boneca mora
na casa construída
pelo sonho da menina.
A menina (morta)
habita
o sonho
a casa
e a boneca
que agora a determinam.

Num coração
duas palavras escritas
e ao amor
todas as concessões
que se permitam.
La bambola dimora
nella casa costruita
dal sogno della bambina.
La bambina (morta)
abita
il sogno
la casa
e la bambola
che ora la determinano.

In un cuore
due parole scritte
e all’amore
tutte le concessioni
consentite.
________________

Joan Miró
Donna che s'incipria (1949)
...

Sidarta


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Sidarta
Siddharta


Um cavalo
branco
pode ser
o silêncio
absoluto,
se assim quer o deus
que brinca
entre os cascos.

Toda estrela
que brilha e pulsa
nasce
de dentro de uma árvore.
Un cavallo
bianco
può essere
il silenzio
assoluto,
se così vuole il dio
che gioca
tra gli zoccoli.

Ogni stella
che brilla e pulsa
nasce
dentro un albero.
________________

Paul Gauguin
Il cavallo bianco (1891)
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Gopala


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Gopala
Gopala


O céu sobre o mar
cintila
azul
sobre
azul: onda dança nuvem que passa.

Na pena de um pavão
uma gota
de orvalho
contém o universo inteiro.
Il cielo sopra il mare
scintilla
blu
sopra
blu: l’onda dondola la nube che passa.

Sulla penna di un pavone
una goccia
di rugiada
contiene l’universo intero.
________________

Albert König
Veduta di Palermo di notte (1924)
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Estrela da Vida Inteira


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Estrela da Vida Inteira
Stella della Vita Intera


Entre a estrela
tão longe
e a vida,
uma menina
(pequena, ainda)
tece trezentas perguntas
a um interlocutor inexistente.

A aranha
(paciente)
aguarda a desistência
de todas as forças
e em algum lugar
duas torres desmoronam em segundos
por toda a eternidade.

Isso poderia ser a eternidade,
a estrela tecida entre perguntas,
a aranha tão pequena,
a menina inexistente.

E a vida inteira que cabe num poema,
outra arte
que não conheço muito bem.
Fra la stella
tanto distante
e la vita,
una bambina
(ancora piccina)
tesse trecento domande
a un interlocutore inesistente.

Il ragno
(paziente)
attende la desistenza
di tutte le forze
e da qualche parte
due torri crollano in pochi secondi
per tutta l'eternità.

Questa potrebbe essere l’eternità,
la stella tessuta tra le domande,
il ragno così piccino,
la bambina inesistente.

E la vita intera che sta in una poesia,
altra arte
che non conosco molto bene.
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Kees van Dongen
Stelle (1912)
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Enfeite


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Enfeite
Ornamento


Enquanto não vinhas
eu pastorava as brisas
e à noite, juntava todas
nas cercas do meu sono.
Depois construía praças e jardins
com as palavras empilhadas sobre as cartas
com as cartas empilhadas sobre os dias
com os dias empilhados sobre o nunca.
Arquitetava flores e outra engenharia do tempo
enquanto não vinhas
e nada, nada, era belo assim.
Enquanto não vinhas
fiz para mim esta urna funerária
com que enfeitas hoje,
inadvertidamente,
a tua sala.
Mentre tu non venivi
io pascolavo le brezze
e, di notte, le radunavo tutte
nei recinti del mio sonno.
Poi costruivo piazze e giardini
con le parole accumulate sulle lettere
con le lettere accumulate sopra i giorni
con i giorni accumulati sopra i mai.
Architettavo fiori e altre strutture del tempo
mentre tu non venivi
e nulla, nulla, era bello così.
Mentre tu non venivi
ho fatto per me quest’urna funeraria
con cui tu oggi adorni,
involontariamente,
la tua sala.
________________

Edward Hopper
Stanza a Brooklyn (1932)
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Biografia


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Biografia
Biografia


Nasci de um abismo
e nele me equilibro.
Tudo desmedido.
Tudo voraz.
Tudo a boca de uma grande loba
[estrela em pêlo de caranguejeira].
Tudo essa teia
de saliva e luz negra.
Tudo esse uivo de danceteria
viaturas
bairros sujos.
Tudo um delay de mim
multiplicado por mim.
Tudo esse tiro
[um ou dois estampidos?]
esse giro
essa queda
esse fim.
Sono nata da un abisso
e su di esso m’equilibro.
Tutto è smisurato.
Tutto vorace.
Tutto è la bocca d’una grande lupa
[stella in pelo di ragno].
Tutto è questa tela
di saliva e luce nera.
Tutto questo strepito di balera
d’ingorgo
di rioni lerci.
Tutto un delay di me
moltiplicato per me.
Tutto questo sparare
[uno o due colpi?]
questo girare
questa caduta
questa fine.
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Nicholas Stedman
Cadute (2019)
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Autorretrato II


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Autorretrato II
Autoritratto II


míope e diastêmica
mas não prognata
graças a deus
ou à genética
o que é mais certo.
um olho levemente
maior que o outro.
pés pequenos.
dois grains de beauté
proeminentes:
um nas costas
outro no pescoço.
dedos curtos.
coxas firmes
mas com mais
que o necessário
de celulite.
algumas cicatrizes:
uma no alto da testa
tem nome e causa: bicicleta.
cabelos que já foram lisos
hoje, ondulados
mas sempre muito, muito fartos.
tem duas asas ocultas
uma coleção de imperfeições
e uns trezentos sonhos
que não cabem
não cabem no retrato.
miope e diastemica
ma non prognata
grazie a dio
o alla genetica
il che è più certo.
un occhio leggermente
più grande dell’altro.
piedi piccoli.
due grains de beauté
pronunciati:
uno sulla schiena
un altro sul collo.
dita corte.
cosce solide
ma con più
cellulite
del necessario.
qualche cicatrice:
una, in alto, sulla fronte
ha nome e causa: bicicletta.
capelli, un tempo lisci
oggi, ondulati
ma sempre molto, molto folti.
ha due ali nascoste
una serie di imperfezioni
e circa trecento sogni
che non ci stanno
non ci stanno nel ritratto.
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Pablo Picasso
Donna che gioca sulla spiaggia (1928)
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Âmbar


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Âmbar
Ambra


Um tijolo
sabe a casa
e toda sua
mágica linguagem
de portas,
janelas,
outros tijolos
e espaços vazios.
Sabe a linhagem
e o alinhavo
de seus mortos,
as panteras
fosforescentes
de seus vivos.
Um tijolo
sabe a casa
mesmo que
falem apenas
as ruínas
e mesmo
que se calem,
um tijolo
sempre sabe.
Un mattone
conosce la casa
e tutto il suo
magico linguaggio
di porte,
finestre,
altri mattoni
e spazi vuoti.
Sa del lignaggio
e della dinastia
dei suoi morti,
delle pantere
fosforescenti
dei suoi vivi.
Un mattone
conosce la casa
anche se
parlano soltanto
le rovine
e anche
se tacciono,
un mattone
lo sa sempre.
________________

Giuseppe Uncini
Ombra di due quadrati (1977)
...

Adão


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Adão
Adamo


Rompa-se a casca
Rija
Metálica
Do saxofone:
Dança de quasares
Nudez de estrelas.

Brota, homem.
Si rompa la custodia
Rigida
Metallica
Del sassofono:
Danza di quasar
Nudità di stelle.

Sorgi, uomo.
________________

Joseph Holston
Saxophone (1990)
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A propósito dessa nova geografia


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A propósito dessa nova geografia
A proposito di questa nuova geografia


o deserto
essa coisa escrita
areia nevoeiro noite escura
coisa imediata ao corpo
ganhando sua própria carnadura
poeira caroável de estrela
ou a fibra indestrutível de uma fruta

o poema [ou o deserto]
essa coisa inscrita
círculo traçado em paisagem impura
búzio sal mosto réstia
matemática entre a pedra e a pluma.
il deserto
questa cosa scritta
sabbia foschia notte buia
cosa prossima al corpo
da cui ricava una propria carnosità
benevolo pulviscolo di stella
o fibra indistruttibile di un frutto

la poesia [o il deserto]
questa cosa inscritta
circolo tracciato in un paesaggio impuro
conchiglia sale mosto scoria
matematica tra la pietra e la piuma.
________________

Vassily Kandinsky
Cerchio luminoso (1922)
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A mulher de Lot…


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A mulher de Lot…
La moglie di Lot…


a mulher de Lot
se voltou para trás
a tempo de ver Orfeu
voltado para trás
a tempo de ver Adão e Eva
voltados para trás.
a mulher de Lot
o mesmo sal a mesma solidão.
la moglie di Lot
si voltò indietro
in tempo per vedere Orfeo
voltato indietro
in tempo per vedere Adamo ed Eva
voltati indietro.
la moglie di Lot
lo stesso sale la stessa solitudine.
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La moglie di Lot
Mosaico della Cattedrale di Monreale (sec. XII)
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Vampiro


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Vampiro
Vampiro


A palavra
querida
do teu nome
é morcego
nas minhas
madrugadas
e consome
o meu sangue
e minha alma
Consome:
que és incêndio
em minha casa…
Amata
parola
il tuo nome
è pipistrello
nelle mie
notti
e consuma
il mio sangue
e la mia anima.
Consuma:
tu che sei incendio
nella mia casa…
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Gerardo Dottori
Incendio nella città (1926)
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Um pouco depois, o nome


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Um pouco depois, o nome
dopo un po’, il nome


há uma dor
no centro da palavra
um novo corpo
irredutível em sua luz
manhã
ofuscante
que germina
e cresce
vertical
ou voa.

sístole e diástole
o seu nome arde.

você que se chama vento
não é você o assobio do vento
você que se chama cordilheira
não é você o caramujo
sob a sombra da pedra
você que se chama água
não é você o contínuo dos pingos
numa folha depois da chuva.

há uma música que nunca cessa
e a isso chamamos existência
mas o que não definimos
é o que melhor nos sabe.

um copo se partiu em infinitos estilhaços:
salamandras ou pássaros?
c’è un dolore
al centro della parola
un nuovo corpo
irriducibile nella sua luce
mattino
abbagliante
che germoglia
e cresce
verticalmente
o vola.

sistole e diastole
il suo nome arde.

tu che ti chiami vento
non sei tu il sibilo del vento
tu che ti chiami cordigliera
non sei tu la chiocciola
all’ombra della pietra
tu che ti chiami acqua
non sei tu lo stillicidio di gocce
sopra la foglia dopo la pioggia.

c’è una musica che non cessa mai
ed è questo che chiamiamo esistenza
ma quel che non definiamo
è ciò che meglio ci conosce.

una coppa s’è infranta in infinite schegge:
salamandre o uccelli?
________________

Nagasawa Rosetsu
Lumaca (XVIII sec.)
...

Todos os versos que quero escrever...


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Todos os versos que quero escrever...
Tutti i versi che vorrei scrivere...


todos os versos que quero escrever
já foram escritos por alguém
por poetas russas polonesas portuguesas canadenses

não sei
todo exílio cabe em uma paisagem insólita

tudo o que quero dizer já foi dito
mas o bedel impõe o seu próprio ritmo
escreva cinquenta vezes na lousa

é proibido atrapalhar a aula
é proibido atrapalhar a aula
é proibido atrapalhar a aula

mas tudo o que quero gritar
está contido no engasgo

a terra se penetra de terra
raízes penhascos pedras
a terra se penetra de terra
e vento e água e espécies nunca vistas a olho nu

é assim que a palavra fronteira
passa a não fazer mais sentido algum

mas isso
tenho certeza
alguém já disse.
tutti i versi che vorrei scrivere
sono già stati scritti da qualcuno
da poetesse russe polacche portoghesi canadesi

non so
ogni esilio è circondato da un paesaggio insolito

tutto quello che vorrei dire è già stato detto
ma l’insegnante impone il proprio ritmo
scrivi cinquanta volte alla lavagna

è vietato interrompere la lezione
è vietato interrompere la lezione
è vietato interrompere la lezione

ma tutto ciò che vorrei gridare
viene ricacciato in gola

la terra s’infiltra nella terra
radici guglie pietre
la terra s’infiltra nella terra
e vento e acqua e specie mai viste ad occhio nudo

è così che la parola frontiera
viene a non avere più alcun senso

ma questo
ne sono certa
l’ha già detto qualcuno.
________________

Doris Salcedo
Uprooted (2006)
...

Toda superfície serve à palavra…


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Toda superfície serve à palavra…
Qualunque superficie serve alla parola…


Toda superfície serve à palavra
o vidro da manhã por exemplo
ainda que úmido pelos humores da noite
e quebradiço por sua natureza fractal
ainda assim serve à palavra.

Serve à palavra a pedra da tarde
sua face rugosa e irregular
sua porosidade que leva
ao centro dela mesma
toda tinta toda dor e flexão

Toda superfície serve à palavra
mesmo o voo da noite
insubmisso e imprevisível
suas asas negras compondo fúria e ventania.

A palavra
ela vem
ela é.
Qualunque superficie serve alla parola
il vetro del mattino per esempio
benché umido per gli umori della notte
e frangibile per la sua natura frattale
malgrado tutto serve alla parola.

Serve alla parola la pietra della sera
la sua faccia rugosa e irregolare
la sua porosità che porta
al centro di sé stessa
ogni inchiostro ogni pena e inflessione.

Qualunque superficie serve alla parola
perfino il volo notturno
indomabile e imprevedibile
con ali nere che creano furia e bufera.

La parola
lei viene
lei è.
________________

Penelope van Hoorn
Superficie (2024)
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