Visualizzazione post con etichetta Antonio Brasileiro. Mostra tutti i post
Visualizzazione post con etichetta Antonio Brasileiro. Mostra tutti i post

Os passarinhos


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Como Aquela Montanha Sossegada (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Os passarinhos
I passerotti


Um passarinho acaba de pousar
  perto de mim.
Digo: Olá, passarinho! Não responde.
Até me dá as costas.
Talvez descanse um pouco de seu longo dia.
Também lhe dou as costas.
Volto ao meu caderno de poemas
e estamos quites.

É bom sempre estar quites
  com os passarinhos.
Un passerotto s’è appena posato
  di fianco a me.
Dico: Ciao, passerotto! Non risponde.
Mi dà perfino le spalle.
Forse si riposa un po’ della sua lunga giornata.
Anch’io gli dò le spalle.
Torno al mio quaderno di poesie
e siamo pari.

È sempre bello essere alla pari
  con i passerotti.
________________

Dario Sogmaister
Passerotti (2020)
...

Olha, Daisy


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Como Aquela Montanha Sossegada (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Olha, Daisy
Guarda, Daisy


Olha, Daisy, estou muito cansado.
Acho que não vou vê-la mais à noite.
Vou ler uns livros sobre alguns fantasmas
e rabiscar uns certos desconfortos.
Também quero arrumar uns papéis velhos
deixados nas gavetas da memória —
um homem nunca é mais que amargo espelho
a rebuscá-lo: farpa, sanha, horda
de animais medonhos. Olha, Daisy,
estou muito cansado, como disse,
e mesmo o amor da carne agora fez-se,
dentro de mim, sobejo à longa festa.
Meu espírito, vês, já açambarca
a matéria que sou. Já o que resta
é o homem em sua solitária barca.
Guarda, Daisy, sono molto stanco.
Non credo che ti rivedrò più di notte.
Leggerò dei libri su qualche fantasma
e scribacchierò sopra un certo malessere.
Voglio anche riordinare delle vecchie carte
abbandonate nei cassetti della memoria —
un uomo non è mai altro che un amaro specchio
che si rovista dentro: schegge, rancori, branchi
di animali spaventosi. Guarda, Daisy,
sono molto stanco, come dicevo,
e adesso anche l’amore carnale è diventato,
dentro di me, l’avanzo di una lunga festa.
Il mio spirito, vedi, ormai s’accaparra
tutta la materia che sono. Ormai ciò che resta
è l’uomo nella sua solitaria barca.
________________

Emiliano di Cavalcanti
Figura femminile (1920)
...

Não faças poemas...


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Como Aquela Montanha Sossegada (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Não faças poemas...
Non far poesie...


Não faças poemas
para que outros gostem.
(Todos nós gostamos
de nós, apenas.)

Não faças poemas
tristes, pesarosos.
(Todos somos sós;
tu não és menos.)

Faças (sim) poemas
sobre as nuvens altas.
(Mas que não te exaltes:
não vale a pena.)
Non far poesie
perché piacciano agli altri.
(Noi tutti piacciamo
a noi stessi, soltanto.)

Non far poesie
tristi, dolenti.
(Tutti siamo soli;
tu non lo sei di meno.)

Fai (sì) poesie
sopra le nuvole alte.
(Ma non esaltarti:
non ne vale la pena.)
________________

John Constable
Studio di nuvole (1822)
...

Canção


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Como Aquela Montanha Sossegada (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Canção
Canzone


Pus minha vida num barco
e pus o barco no mar —
cometi erro e façanha
e estou ficando velho.

À mesa deste Café,
vejo as pessoas que passam:
algumas parecem tristes,
outras carregam embrulhos.

Nunca sabemos quem somos
e aonde vamos chegar.
A vida num barco pomos
  — e o barco no mar.
Ho messo la mia vita su una barca
e la barca l’ho messa sul mare —
ho fatto prodezze ed errori
e sto cominciando ad invecchiare.

Al tavolino di questo Caffè,
vedo le persone passare:
certe hanno un’aria triste,
altre son cariche di sporte.

Non sappiamo mai chi siamo
e dove andremo a parare.
La vita su una barca mettiamo
  — e la barca sul mare.
________________

Carl Gustav Carus
Barca a vela (1827)
...

A festa


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Como Aquela Montanha Sossegada (2018) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A festa
La festa


Não estamos no mesmo barco.
Os destinos são diversos.
Há os caminhos dos poetas
e os das pessoas que passam.

Só passam. E estão com pressa
— a festa vai acabar.
(Não há nenhum acabar:
vai sempre haver uma festa.)

Não estamos no mesmo barco.
O mesmo barco não há.
Há os destinos diversos.

E a festa vai acabar.
Non siamo sulla stessa barca.
Le mete sono diverse.
Ci sono le strade dei poeti
e quelli delle persone che passano.

Passano e basta. Ed hanno fretta
— la festa finirà.
(Ma non c’è niente che finisce:
ci sarà sempre una festa.)

Non siamo sulla stessa barca.
La stessa barca non c’è.
Ci sono mete diverse.

E la festa finirà.
________________

Pablo Picasso
I tre danzatori (1925)
...

Lisboa 1935


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Lisboa 1935 (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Lisboa 1935
Lisbona 1935


Eu queria ter vivido
 ali.

Quem sabe, avistasse
 o Fernando:

Olá, Fernando!

Eu, setenta anos. Ele,
 meu filho.
Io vorrei esser vissuto
 lì.

Magari avrei avvistato
 Fernando:

Salve, Fernando!

Io, settant’anni. Lui,
 mio figlio.
________________

Rodriguez Castañé
Ritratto di Fernando Pessoa (1930 ca.)
...

Dísticos


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Lisboa 1935 (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Dísticos
Distici


Há os silêncios ocultos
e o não ter o que dizer.

Há o vulto dos passados
e a consciência calhorda.

A corda para enforcar
sustém os sinos da igreja.

Não há consertar o mundo:
o mundo é um desconcerto.

Há as tuas e as minhas raivas
e os meus e os teus perdões.

Ao cabo somos nós mesmos
inventando as soluções.
Ci sono i silenzi occulti
e il non saper che dire.

C’è l’ombra del passato
e la coscienza canaglia.

La corda per impiccare
regge le campane della chiesa.

Non si può riordinare il mondo:
perché il mondo è disordine.

Ci sono le tue e le mie furie
e i miei e i tuoi perdoni.

Alla fine siamo noi stessi
ad inventare le soluzioni.
________________

Carla Accardi
Assedio rosso n° 3 (1956)
...

As Bagagens


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Lisboa 1935 (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


As Bagagens
I bagagli


Deixo minhas bagagens sobre os trilhos,
os abandonados trilhos junto à estação velha
e ando ao léu por entre os matos leves.
Não vou. Não sei destinos.
Levam-me os ventos.
Não, não os ventos – leva-me
a consciência.
 por entre
  os matos leves.
As bagagens, lá, sobre os trilhos.
Abandonados trilhos.
Lascio i miei bagagli sui binari,
i binari abbandonati vicino alla stazione vecchia
e cammino a capo scoperto attraverso i lievi arbusti.
Non viaggio. Non conosco mete.
Mi portano i venti.
No, non i venti – mi porta
la coscienza.
 attraverso
  i lievi arbusti.
I bagagli, là, sopra i binari.
Binari abbandonati.
________________

Agim Sulaj
Valigia (2010)
...

A benção


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Lisboa 1935 (2015) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A benção
La benedizione


As cartas de meu pai eram singelas.
Diziam só as coisas triviais:
Como vai, filho? Seus estudos vão bem?
Vamos em paz. Sua mãe manda lembranças.
A benção do
  Seu Pai.
E, num p.s. — Seguem cem mil reis.
À sua morte, herdamos: três bengalas,
o relógio de bolso, uma agenda de notas
e um par de chinelos que nem foi usado.
Não importa.
Onde ele está soe-se andar descalço.
Le lettere di mio padre erano semplici.
Dicevano sempre le solite cose:
Come stai, figliolo? Gli studi vanno bene?
Andiamo in pace. Tua madre ti manda saluti.
La benedizione di
  Tuo Padre.
E, in un p.s. — Allego centomila real.
Alla sua morte, ereditammo: tre bastoni,
l’orologio da polso, un taccuino
e un paio di pantofole non ancora usato.
Non importa.
Dove sta lui, si usa andare scalzi.
________________

Rembrandt
Il ritorno del Figliol prodigo (1666/1669)
...

Relato


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Desta varanda (2011) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Relato
Resoconto


Enfileirados ao longo da avenida,
porcos para o abatedouro.
A avenida é a principal.
Carros engarrafam.
Ao volante, de soslaio,
freia-se um pouco, observa-se.
O grunhir dos suínos e os freios dos carros
compõem uma musiquinha muito chata.

Anúncio de supermercado? perguntam-nos.
Não, só mil porcos grunhindo.
  Vão morrer.
A polícia (ou os bombeiros?) é avisada,
mas não chega. Um jornalista
sorri e fotografa. Turistas
julgam ser festa (da padroeira?),
crianças assustadas, homens sérios.
E soam subitamente quatro horas.
Hípica é a tarde.

É quando de um furgão descem soldados
a metralhar os bichos
e os homens e as crianças e os turistas
e os jornalistas e os motoristas e as vidraças.
Desta janela o mundo é confortável;
não ponho a cara de fora,
  só relato.
Allineati lungo il viale,
porci diretti al mattatoio.
Il viale è quello principale.
Le auto s’imbottigliano.
Al volante, di traverso,
si frena un po’, si sta a guardare.
I grugniti dei suini e i freni delle auto
compongono una musichetta molto irritante.

Jingle del supermercato? ci domandiamo.
No, solo migliaia di porci che grugniscono.
  Stanno andando a morire.
La polizia (o i pompieri?) è stata avvisata,
ma non arriva. Un giornalista
sorride e fotografa. Turisti
pensano che sia una festa (della patrona?),
bambini spaventati, uomini seri.
E suonano d’un tratto le quattro.
Il pomeriggio è equestre.

È allora che da un furgone scendono soldati
a mitragliare gli animali
e gli uomini e i bambini e i turisti
e i giornalisti e gli autisti e le vetrate.
Da questa finestra il mondo è confortevole;
non metto fuori la testa,
  riferisco, e basta.
________________

Bruno Cassinari
Bue squartato (1941)
...

Os sinos da aldeia


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Desta varanda (2011) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Os sinos da aldeia
Le campane del villaggio


São tantos os caminhos desandados
e tantos os amores não havidos —
e a música do mundo nos ouvidos
esboroando-se contra rochedos;
são tantos os segredos não guardados,
tantas as moças tristes nos jardins —
e nós na ponte pênsil sobre nadas
e tudo entardecendo pouco a pouco;
ah, tantos os encontros soterrados
no mais fundo do peito iniludido —
tantas as vozes que jamais se calam
e falam e falam e falam e falam e falam!

E os sinos desta aldeia, clangorosos,
chamando-nos, chamando-nos, chamando-nos.
Sono tante le strade non percorse
e tanti gli amori non avuti —
e la musica del mondo nelle orecchie
che va a dissolversi contro le rocce;
sono tanti i segreti non mantenuti,
tante le fanciulle tristi nei giardini —
e noi sul ponte sospeso sopra il nulla
mentre tutto tramonta poco a poco;
ah, tanti gli incontri seppelliti
nel profondo del cuore disilluso —
tante le voci che non tacciono mai
e parlano e parlano e parlano e parlano!

E le campane di questo villaggio, squillanti,
che ci chiamano, ci chiamano, ci chiamano.
________________

Mario Braidotti
Campanile di Villesse (1965)
...

O ofício


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Dedal de areia (2006) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


O ofício
La missione


No fim dos tempos,
vou estar numa casinha de palha,
uns livros, um lápis,
papel almaço, a alma pura
e uns rabiscos pra ninguém ler,
  só
  me confessar.
 
Ao deus dentro de mim, primeiramente.
E a quem não interessar possa.
Alla fine dei tempi,
io starò in una casetta di paglia,
qualche libro, una matita,
dei fogli protocollo, l’anima pura
e degli scarabocchi che non legga nessuno,
  solo
  per confessarmi.
 
Al dio dentro di me, prima di tutto.
E a chi non interessi affatto.
________________

Cy Twombly
Senza titolo (2004)
...

A espuma das coisas


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Dedal de areia (2006) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A espuma das coisas
La spuma delle cose


A grande ilusão do insustentável.
O lama e os não-desejos.
A imensidão de um cosmos de brinquedo.
O estrelejar do hoje versus
o princípio. Ou o
  precipício.

Sossega, peito meu, és só a espuma
das coisas vãs gozadas uma a uma.
La grande illusione dell’insostenibile.
Il lama e i non desideri.
L’immensità di un cosmo giocattolo.
Lo sfavillio degli astri di oggi verso
il principio. O il
  precipizio.

Riposa, cuore mio, sei solo la spuma
delle cose vane godute una ad una.
________________

Matthew Wong
Luna tra le betulle (2018)
...

Cantar da amiga


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Antologia Poética (2005) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Cantar da amiga
Canzone dell’amica


Um pouco de mim está em teu olhar, amiga.
Bem sabes que é assim.
Gosto de pensar que sabes que é assim:
em teu olhar reflete-se o que sou,
o que em mim te quer perdidamente.

Um pouco de mim é teu olhar, amiga.
É mesmo tudo assim, pouco sabemos
desses imensos rios em nosso peito.
Pouco sabemos, quase nada mesmo,
dos rios que escuros correm em nosso peito.
Un po’ di me sta nel tuo sguardo, amica.
Sai bene che è così.
Mi piace pensare che sai che è così:
nel tuo sguardo si riflette ciò che sono,
ciò che in me ti brama perdutamente.

Un po’ di me è il tuo sguardo, amica.
È proprio tutto così, poco sappiamo
di questi immensi fiumi nel nostro petto.
Poco sappiamo, quasi niente del tutto,
dei fiumi che segreti scorrono nel nostro petto.
________________

Christo
Jeanne-Claude (von Christo verhüllt, 1963)
...

Tudo que somos...


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Poemas reunidos (2005) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Tudo que somos...
Di tutto ciò che siamo...


Tudo que somos
pouco sabemos.

Um poço imenso,
cheio de sonos.

Quando choramos,
não nos perdemos.

Viver é um sonho,
não esqueçamos.

Viver é a sombra,
o assombro, o apenas.

Tão frágeis somos!
Frágeis e imensos.
Di tutto ciò che siamo
ben poco sappiamo.

Un pozzo immenso,
pieno di sonno.

Quando piangiamo,
non ci perdiamo.

Vivere è un sogno,
non lo scordiamo.

Vivere è l’ombra,
il timore, l’appena.

Siamo così fragili!
Fragili e immensi.
________________

Paul Klee
Il sogno forte (1929)
...

Toada


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Poemas reunidos (2005) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Toada
Canzone


Cada vez que me debruço
sobre minha própria face
não me vejo como sou
mas como sou no disfarce.
Ogni volta che mi presento
al mio stesso sembiante
non mi vedo come sono
ma come sono nel travestimento.
________________

Mattia Moreni
Autoritratto n°6 (1989)
...

Quadro na parede


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Poemas reunidos (2005) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Quadro na parede
Quadro alla parete


Diante de mim a rendeirinha
de Vermeer, olhos baixos,
medita sem meditar sobre seu mundo
 rendado.

Toda a verdade é só ponto de cruz.
Davanti a me la ricamatrice
di Vermeer, occhi bassi,
medita senza meditare sul suo mondo
 ricamato.

Tutta la realtà non è che punto croce.
________________

Johannes Vermeer
La merlettaia (1669-1671)
...

Pequeno Concerto para Oboé e Flauta úmida


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Antônio Brasileiro »»
 
Poemas reunidos (2005) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Pequeno Concerto para Oboé e Flauta úmida
Piccolo Concerto per Oboe e Flauto umido


Contaram-me que te ias.
Com um girassol nos olhos, te ias.
Não olhava atrás, nada existia
que te pudesse lembrar a permanência.
Que te ias, te ias
para regressar nunca mais –
como costumam ir os feridos,
os que não perdoam ou temem perdoar.

E me deixavas, comigo
a esperança que tudo desse errado:
que o trem não partisse,
que a chuva caísse, que a guerra
estourasse, que houvesse um eclipse
solar, que fosse sonho e não fosses.
Mas te ias. Só a partida ficava
impressa nas retinas. A partida.
M’han detto che te ne andavi.
Con un girasole negli occhi, te ne andavi.
Non ti guardavi indietro, nulla esisteva
che potesse rammentarti il tuo soggiorno.
Che te ne andavi, te ne andavi
e non avresti mai più fatto ritorno –
come son soliti andarsene i feriti,
quelli che non perdonano o temono di perdonare.

E mi lasciavi, a me lasciavi
la speranza che tutto andasse storto:
che il treno non partisse,
che la pioggia cadesse, che la guerra
scoppiasse, che ci fosse un eclisse
solare, che fosse un sogno e non te ne andassi.
Ma te ne andavi. Solo la partenza restava
impressa nelle mie retine. La partenza.
________________

Paul Delvaux
La città lunare (1956)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (16) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)