A genealogia da palavra


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A genealogia da palavra
La genealogia della parola


Minha morte começa a madurecer
e depois vou comê-la como uma pêra, 
largando o caroço fora
e depois vai vir uma semente
com o mesmo nome
que vai crescer e amadurecer.
Mas já não é minha morte —
é surpresa da terra apenas —
descendência de uma morte futura.
Depois as gerações perdem de vista
a própria morte que aparece
como um fio de água no meio das pedras,
visível a um e outro profeta.

Mas nada abalará a espécie:
a vida também foi vista
como um fio de água no meio das pedras.
Só que não se podia distinguir
os fios e as águas que conversavam entre si,
sem preconceito.
E até moravam junto, vez e outra.

Depois, minha morte vai amadurecer de novo
mas não será da mesma natureza.
E aprenderei a falar com o mundo.

E o mundo vai amadurecer como uma pêra
e depois vai vir uma semente
com o mesmo nome.
Porém, já serei eterno.
La mia morte sta iniziando a maturare
e io poi la mangerò come una pera,
gettando via il torsolo
e poi spunterà un seme
con lo stesso nome
che crescerà e maturerà.
Ma già non si tratta più della mia morte —
non è che stupore per la terra —
progenie di una futura morte.
Poi le generazioni perdono di vista
la propria morte che sbuca
come un rivolo d’acqua fra i sassi,
visibile a questo e a quel profeta.

Ma niente turberà la specie:
anche la vita è stata vista
come un rivolo d’acqua fra i sassi.
Solo che non si potevano distinguere
i rivoli e le acque che chiacchieravano fra loro,
senza pregiudizi.
E talvolta abitavano addirittura insieme.

Dopo, la mia morte tornerà a maturare
ma non avrà la stessa natura.
E io apprenderò a parlare con il mondo.

E il mondo maturerà come una pera
e poi spunterà un seme
con lo stesso nome.
Io, però, sarò già eterno.
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Concetto Pozzati
Pera (1967)
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