É o nosso primeiro crepúsculo...


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É o nosso primeiro crepúsculo...
È il nostro primo crepuscolo...


É o nosso primeiro crepúsculo.
Sobre o mar, a noite começa a ser
Uma espécie de possibilidade.
A tua mão escreve com as ondas 
Nervosos postais,
O teu cabelo esvoaça ao encontro da brisa.
Juntos aqui, junto ao mar,
Quem é cada um de nós,
A que outro se mistura,
Com o ocaso, a brisa, o rumor?
Continuas a escrever.
Em mim pousa a profunda calma do mar,
Há feridas antigas que voltam para dentro,
E desaparecem, não deixando sequer cicatriz.
Ouvi-te realmente dizer
Que esta é a paisagem de seres feliz?

È il nostro primo crepuscolo.
Sopra il mare, la notte comincia ad assumere
Una parvenza di possibilità.
La tua mano scrive con le onde 
Cartoline nervose,
I tuoi capelli si agitano scossi dalla brezza.
Qui vicini, vicino al mare,
Chi è ciascuno di noi,
Con che altro si fonde,
Con il tramonto, la brezza, il rumore?
Tu continui a scrivere.
In me s’adagia la profonda calma del mare,
Ci sono vecchie ferite che ritornano dentro,
E spariscono, senza neppur lasciare cicatrici.
Ti ho davvero sentito dire
Che è questo l’ambiente per sentirti felice?

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Alexander Shenderov
Spiaggia al crepuscolo (2020)
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Escuto o gotejar...


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Escuto o gotejar...
Ascolto il gocciolio...


escuto o gotejar
dos minutos
na taça do tempo

escuto o esvoaçar
dos minutos
na areia da clepsidra

escuto a liturgia
dos minutos
nas harpas da água

escuto o jorro
dos minutos
sangue da pêndula.
Ascolto il gocciolare
dei minuti
nella coppa del tempo

ascolto il planare
dei minuti
sulla sabbia della clessidra

ascolto la liturgia
dei minuti
nelle arpe dell’acqua

ascolto lo sgorgare
dei minuti
sangue del pendolo.
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Gerrit Dou
Natura morta con clessidra, portapenne e stampa (1647)
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As palavras rebanho de metáforas...


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As palavras rebanho de metáforas...
Le parole gregge di metafore...


as palavras
rebanho de metáforas

e de insônias
pastam

reminiscências da infância
nos prados da língua.
le parole
gregge di metafore

e d’insonnie
brucano

reminiscenze d’infanzia
sui prati della lingua.
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Joan Miró
Donna, uccelli, costellazioni (1976)
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A noite escorrega...


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A noite escorrega...
La notte scivola fuori...


A noite escorrega
 do abismo. Só o rumor
  da mortalha da treva.

Na tarde épica
 pardais tocam Mozart
  numa guitarra elétrica.

Com seus gestos antigos
 rastejam entre os gatos
  as sombras dos mendigos.

Conduz o teu destino
 como se levasses
  a infância de um menino.

O tempo é teu invento
 teu brinquedo de argila
  em perpétuo movimento
La notte scivola fuori
 dall’abisso. Solo col fruscio
  d’un tenebroso sudario.

Nella serata epica
 passeri suonano Mozart
  con una chitarra elettrica.

Coi loro gesti antichi
 sgusciano in mezzo ai gatti
  le ombre dei mendicanti.

Governa il tuo destino
 come se disponessi
  dell’infanzia d’un bambino.

È tua invenzione il tempo
 il tuo giocattolo d’argilla
  in perpetuo movimento.
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Loïc Le Groumellec
Megaliti (2004)
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O tempo nos desfolha...


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Girassóis de barro (1997) »»
 
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O tempo nos desfolha...
Il tempo ci sfoglia...


O tempo nos desfolha
com sua foice de murmúrios

somos o rebanho de cabras
pastando o caos

somos os tufos de relva
nas frestas da rocha
batida pelo mar

onde a nau de Ulisses
ainda ancora

somos a escória do mito
a rota em que navega
a nossa penúria.
Il tempo ci sfoglia
con la sua falce di sussurri

siamo il gregge di capre
che pascola nel caos

siamo i ciuffi d’erba
fra i solchi delle rocce
battute dal mare

ove il vascello d’Ulisse
tuttora è all’ancora

siamo la scoria del mito
la rotta su cui naviga
la nostra miseria
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Ernst Ludwig Kirchner
Il ritorno delle capre (1920)
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