Estrelas


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Estrelas
Stelle


Fixar estrelas
no mapa móvel
zodíaco.

Jogar com astros
e fixar-se
no próprio jogo.

Nomear constelações
— submeter os astros
à palavra.

Buscar estrelas. Viver estrelas
  — animal siderado
    e siderante.
Fissare le stelle
sulla mappa mobile
zodiaco.

Giocare con gli astri
e collocarsi
nel loro stesso gioco.

Dar nomi alle costellazioni
— sottomettere gli astri
alla parola.

Cercare le stelle. Vivere le stelle
  — animale fulminato
    e fulminante.
________________

Frederick de Wit
Planisfero celeste (XVII sec.)
...

Eros


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Eros
Eros


Cego?
Não: livre.
Tão livre que não te importa
a direção da seta. 

Alado? Irradiante.
Feridas multiplicadas
nascidas de um só
  abismo.

Disseminas pólens e aromas.
És talvez a
  primavera?

Supremamente livre
  — violento —
não és estátua: és pureza
    oferta.

Que forma te conteria?
Tuas setas armam
  o mundo
enquanto — aberto — és abismo
  inflamadamente vivo.
Cieco?
No: libero.
Così libero che non t’importa
la direzione della freccia.

Alato? Radioso.
Ferite moltiplicate
nate da un unico
  abisso.

Dissemini pollini e aromi.
Sei forse la
  primavera?

Supremamente libero
  — violento —
non sei statua: sei purezza
    offerta.

Che forma t’includerebbe?
Le tue frecce armano
  il mondo
mentre — aperto — sei abisso
  infuocatamente vivo.
________________

Caravaggio
Amor vincit omnia (1602)
...

Elegia


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Elegia
Elegia


Mas para que serve o pássaro?
Nós o contemplamos inerte.
Nós o tocamos no mágico fulgor das penas.
De que serve o pássaro se
desnaturado o possuímos?

O que era vôo e eis
que é concreção letal e cor
paralisada, íris silente, nítido,
o que era infinito e eis
que é peso e forma, verbo fixado, lúdico

O que era pássaro e é
o objeto: jogo
de uma inocência que

o contempla e revive
— criança que tateia
no pássaro um
esquema de distâncias —

mas para que serve o pássaro?

O pássaro não serve. Arrítmicas
brandas asas repousam.
Ma a che serve un uccello?
Noi lo contempliamo inerte.
Noi lo tocchiamo nel magico fulgore delle penne.
A che serve un uccello se
snaturato lo possediamo?

Ciò che era volo, ecco
che è letale solidità e colore
paralizzato, tacita iride, nitida,
ciò che era infinito, ecco
che è peso e forma, voce sospesa, ludica.

Ciò che era uccello, è
oggetto: gioco
di un’innocenza che

lo contempla e rivive
— bimbo che tasta
sull’uccello uno
schema di distanze —

ma a che serve l’uccello?

L’uccello non serve. Disarmoniche
docili ali riposano.
________________

Frederick Carl Frieseke
Uccello in gabbia (1937)
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Transposição


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Transposição
Trasposizione


Na manhã que desperta
o jardim não mais geometria
é gradação de luz e aguda
descontinuidade de planos.

Tudo se recria e o instante
varia de ângulo e face
segundo a mesma vidaluz
que instaura jardins na amplitude

que desperta as flores em várias
coresinstantes e as revive
jogando-as lucidamente
em transposição contínua
Nel mattino che si desta
il giardino non è più geometria
è gradazione di luce e acuta
discontinuità di piani.

Tutto si ricrea e l’istante
varia d’angolazione e aspetto
secondo la stessa vitaluce
che ovunque inaugura giardini

che ridesta i fiori in vari
coloristanti e li ritempra
esponendoli lucidamente
in incessante trasposizione.
________________

Vincent van Gogh
Iris (1889)
...

Tempo


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Tempo
Tempo


O fluxo obriga
qualquer flor
a abrigar-se em si mesma
sem memória.

O fluxo onda ser
impede qualquer flor
de reinventar-se em
flor repetida.

O fluxo destrona
qualquer flor
de seu agora vivo
e a torna em sono.

O universofluxo
repele
entre as flores estes
cantosfloresvidas.

– Mas eis que a palavra
cantoflorvivência
re-nascendo perpétua
obriga o fluxo

cavalga o fluxo num milagre
de vida.
Il flusso obbliga
qualche fiore
a raccogliersi in se stesso
senza memoria.

Il flusso onda essere
impedisce a qualche fiore
di reinventarsi come
fiore replicato.

Il flusso spodesta
qualche fiore
del suo stato d’essere vivo
e glielo riproduce nel sonno.

Il cosmoflusso
ripudia
tra i fiori quelli
cantofiorevita.

– Ma ecco che la parola
cantofioreesistenza
rinascendo perpetua
spodesta il flusso

cavalca il flusso in un miracolo
di vita.
________________

Daniel Adenitan
Blossom (2023)
...

Primeiro amor


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Poemas dos dias (2022) »»
 
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Primeiro amor
Primo amore


Tentei todas as formas de mágoa
Na minha própria mágoa: nenhuma servia.
Nada havia sido escrito para mim.
Os teus olhos não estavam escritos
Em lado nenhum; ninguém estivera
Antes de mim na minha solidão.
E havia gritos à procura da minha boca,
Dentro do meu amor por ti,
O amor nada sabia de si próprio
Por ninguém, livro nenhum ‑
Ia-se criando à tua imagem.
O primeiro amor, que é também o último,
Jamais está escrito.
Então, quase acreditei na força
De um grito inédito, inaudito:
Concedam-me este amor
E moverei o mundo ‑
Dirigindo-me não sei a quem;
Por descobrir estava que sentir não é poder,
Que o sol não se move, nem as outras estrelas,
Que para o amor não basta amarmos,
Eternos e morituros.

Ho sperimentato tutte le forme di dolore
Nel mio stesso dolore: nessuna ha funzionato.
Nulla era stato scritto per me.
I tuoi occhi non erano scritti
Da nessuna parte; nessuno era stato lì
Prima di me nella mia solitudine.
E vi erano grida in cerca della mia bocca,
Dentro il mio amore per te,
L’amore nulla sapeva di sé stesso
Per nessuno, per nessun libro ‑
Si stava creando a tua immagine.
Il primo amore, che è anche l’ultimo,
Non è mai scritto.
Allora, ho quasi creduto nella forza
D’un grido senza precedenti, inaudito:
Mi si conceda questo amore
E muoverò il mondo ‑
Rivolgendomi non so a chi;
Stavo per scoprire che sentire non è potere
Che il sole non si muove, né l’altre stelle,
Che per l’amore non è sufficiente che amiamo,
Noi eterni e morituri.

________________

Malisa Catalani
Gea (2020)
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Revelação


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Revelação
Rivelazione


A porta está aberta
como se hoje fosse infância
e as coisas não guardassem pensamentos
formas de nós nelas inscritas.

A porta está aberta. Que sentido
tem o que é original e puro?
Para além do que é humano o ser se integra
e a porta fica aberta. Inutilmente.
La porta è aperta
come se oggi fosse infanzia
e le cose non custodissero pensieri
forme di noi inscritte in loro.

La porta è aperta. Che senso
ha ciò che è originale e puro?
Al di là di quel ch’è umano, l’essere si completa
e la porta rimane aperta. Invano.
________________

Lorenzo Bonechi
Figure su paesaggio (1986)
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Ode


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Ode
Ode


E enquanto mordemos
frutos vivos
declina a tarde.

E enquanto fixamos
claros signos
flui o silêncio.

E enquanto sofremos
a hora intensa

lentamente o tempo
perde-nos.
E mentre addentiamo
frutti vivi
scende la sera.

E mentre stabiliamo
segnali chiari
scorre il silenzio.

E mentre soffriamo
l’attimo intenso

lentamente il tempo
ci perde.
________________

Fernand Leger
Natura morta (1900)
...

O nome


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O nome
Il nome


A escolha do nome: eis tudo.

O nome circunscreve
o novo homem: o mesmo,
repetição do humano
no ser não nomeado.

O homem em branco, virgem
da palavra
é ser acontecido:
sua existência nua
pede o nome.

Nome
branco sagrado que não
define, porém aponta:
que o aproxima de nós
marcado do verbo humano.

A escolha do nome: eis
o segredo.
La scelta del nome: è tutto.

Il nome circoscrive
l’uomo nuovo: lo stesso,
ripetizione dell’umano
nell’essere senza nome.

L’uomo in bianco, vergine
della parola
è puro accadimento:
la sua nuda esistenza
chiede un nome.

Nome
bianco sacro che non
definisce, ma addita:
che ce lo avvicina
marchiato dalla parola umana.

La scelta del nome: ecco
il segreto.
________________

Berthe Morisot
La culla (1872)
...

O equilibrista


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O equilibrista
L'equilibrista


Essencialmente equilíbrio:
nem máximo nem mínimo.

Caminho determinado
movimentos precisos sempre
medo controlado máscara
de serenidade difícil.

Atenção dirigida olhar reto
pés sobre o fio sobre a lâmina
ser numa só idéia nítida
equilíbrio. Equilíbrio.

Acaba a prova? Só quando
o trapézio oferece o vôo
e a queda possível desafia
a precisão do corpo todo.

Acaba a prova se a aventura
inda mais aguda se mostra
mortal intensa desumana
desequilíbrio essencialmente.
In sostanza equilibrio:
né massimo né minimo.

Percorso determinado
movimenti precisi sempre
paura controllata maschera
di ardua serenità.

Attenzione ferma sguardo diritto
piedi sul filo sulla lama
stare su un’unica idea chiara
equilibrio. Equilibrio.

Termina la prova? Solo quando
il trapezio prospetta il volo
e la potenziale caduta sfida
la precisione di tutto il corpo.

La prova termina se l’avventura
si rivela ancor più cruciale
mortale intensa disumana
squilibrio in sostanza.
________________

August Macke
Funambolo (1914)
...

Meada


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Meada
Intreccio


Uma trança desfaz-se:
calmamente as mãos
soltam os fios
inutilizam
o amorosamente tramado.

Uma trança desfaz-se:
as mãos buscam o fundo
da rede inesgotável
anulando a trama
e a forma.

Uma trança desfaz-se:
as mãos buscam o fim
do tempo e o início
de si mesmas, antes
da trama criada.

As mãos
destroem, procurando-se
antes da trança e da memória
Disfare una treccia:
con calma le mani
sciolgono i capelli
vanificando
ciò che con amore fu tramato.

Disfare una treccia:
le mani cercano il fondo
della rete inesauribile
annullando la trama
e la forma.

Disfare una treccia:
le mani cercano la fine
del tempo e l’inizio
di se stesse, prima
della trama creata.

Le mani
distruggono, cercandosi
prima della treccia e della memoria
________________

John William Godward
Un compito congeniale (1915)
...

Ludismo


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Ludismo
Luddismo


Quebrar o brinquedo
é mais divertido.

As peças são outros jogos:
construiremos outro segredo.
Os cacos são outros reais
antes ocultos pela forma
e o jogo estraçalhado
se multiplica ao infinito
e é mais real que a integridade: mais lúcido.

Mundos frágeis adquiridos
no despedaçamento de um só.
E o saber do real múltiplo
e o sabor dos reais possíveis
e o livre jogo instituído
contra a limitação das coisas
contra a forma anterior do espelho.

E a vertigem das novas formas
multiplicando a consciência
e a consciência que se cria
em jogos múltiplos e lúcidos
até gerar-se totalmente:
no exercício do jogo
esgotando os níveis do ser.

Quebrar o brinquedo ainda
é mais brincar.
Rompere il giocattolo
è più divertente.

I pezzi sono altri giochi:
inventeremo un altro segreto.
I cocci sono altre realtà
che prima eran celate dalla forma
e il gioco fracassato
si moltiplica all’infinito
ed è più reale del suo intero: più lucido.

Fragili mondi ottenuti
dalla frantumazione di uno solo.
E la scoperta di plurime realtà
e il gusto delle realtà possibili
e il libero gioco impostato
contro la limitazione delle cose
contro la forma precedente dello specchio.

E la vertigine delle nuove forme
moltiplicando la conoscenza
e la conoscenza che ne deriva
tra giochi multipli e lucidi
fino a ricrearsi totalmente:
nell’esercizio del gioco
si esauriscono i livelli dell’essere.

Rompere il giocattolo è ancor
più che giocare.
________________

Franz Marc
Forme spezzate (1914)
...

Fala


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Fala
La parola


Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem o amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade.)
Tutto
sarà difficile da dire:
la parola reale
non è mai dolce.

Tutto sarà duro:
luce impietosa
eccessiva esperienza
troppa cognizione dell'essere.

Tutto sarà
in grado di ferire. Sarà
prepotentemente reale.
Così reale da farci a pezzi.

Non c’è pietà nei segni
né nell’amore: l’essere
è eccessivamente lucido
e la parola è densa e ci ferisce.

(Ogni parola è crudeltà).
________________

Olafur Eliasson
The sun has no money (2008)
...

Destruição


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Destruição
Distruzione


A coisa contra a coisa:
a inútil crueldade
da análise. O cruel
saber que despedaça
o ser sabido.

A vida contra a coisa:
a violentação
da forma, recriando-a
em sínteses humanas
sábias e inúteis.

A vida contra a vida:
a estéril crueldade
da luz que se consome
desintegrando a essência
inutilmente.
La cosa contro la cosa:
l’inutile crudeltà
dell’analisi. La crudele
conoscenza che fa a pezzi
l’essere conosciuto.

La vita contro la cosa:
la violazione
della forma, che viene ricreata
in umane sintesi
sagge e inutili.

La vita contro la vita:
la sterile crudeltà
della luce che si consuma
disintegrando l’essenza
inutilmente.
________________

Lorenzo Lippi
Sant’Agata, particolare (1638-1644)
...

A tarde compõe-se no céu…



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Fonte:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (luglio 2026) »»
 
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________________


A tarde compõe-se no céu…
Il pomeriggio si dispiega nel cielo…


A tarde compõe-se no céu,
Teatral, florida, clara:
Espessura de aves do Verão.
Mas em mim soam os tambores da chuva,
Tantos tambores tentaculares...
É a alegria de estar vivo
Tantas vezes pontuada
Por longos espaços de pedras longas,
Rajadas de silêncio,
Buracos de mim.
Il pomeriggio si dispiega nel cielo,
Teatrale, esuberante, chiaro:
Spesso stormo di uccelli estivi.
Ma in me risuonano i tamburi della pioggia,
Tanti tamburi tentacolari...
È la gioia d’esser vivo
Così spesso punteggiata
Da lunghi tratti di lunghe pietre,
Esplosioni di silenzio,
Buchi dentro di me.
________________

Sarah Goodnough
Uccelli in volo (2011)
...

Cervantes


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Miguel Torga »»
 
Poemas ibéricos (1965) »»
 
Francese »»
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________________


Cervantes
Cervantes


O génio é humilde como a natureza.
É tambem numa lenta e obscura
Tenacidade
Que realiza
Os milagres que faz…
Num apagado esforço pertinaz,
A partir dum lampejo de ironia,
Transforma dia a dia,
Hora a hora,
O louco temporal que em mim vivia
No louco intemporal que vive agora.

Umile è il genio come la natura.
È appena grazie a una lenta e oscura
Pertinacia
Che realizza
I miracoli che fa…
In uno sforzo tacito e ostinato,
Partendo da uno sprazzo d’ironia,
Trasforma giorno per giorno,
Ora per ora,
Il folle temporale che in me viveva
Nel folle intemporale che in me vive ora.

________________

Juan de Jáuregui
Ritratto di Miguel de Cervantes Saavedra (1600)
...

Que somos nós...


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Manuel Alegre »»
 
O canto e as armas (1967) »»
 
Francese »»
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Que somos nós...
Che siamo noi...


Que somos nós senão o que fazemos?
Que somos nós senão o breve traço
da vida que deixamos passo a passo
e é já sombra de sombra onde morremos?

Que somos nós se não permanecemos
no por nós transformado neste espaço?
Que serei eu senão só o que faço
e é tão pouco no tempo em que não temos

para viver senão o tempo de
transformar neste tempo e neste espaço
a vida em que não somos mais do que

o sol do que fazemos. Porque o mais
é sombra de sombra e o breve traço
de quem passamos para nunca mais.

Che siamo noi se non quel che facciamo?
Che siamo noi se non la breve traccia
d’una vita che passo a passo lasciamo
già ombra dell'ombra in cui moriremo?

Che siamo noi se non permaniamo
nello spazio da noi stessi trasformato?
Che sarei io, se non soltanto ciò che faccio,
che è così poco nel tempo in cui per vivere

non abbiamo altro se non il tempo di
trasformare in questo tempo e in questo spazio
la vita in cui non siamo niente più che il

sole di quello che facciamo. Perché il resto
è ombra dell'ombra e la breve traccia di chi
un dì abbiamo incrociato e poi mai più.

________________

Sergio Padovani
Esistenza (2024)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

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