Desde as cozinhas na cave…


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Desde as cozinhas na cave…
Dalle cucine sotterranee…


Desde as cozinhas na cave onde
marroquinos preenchiam tacinhas escacadas
com um doce cor-de-laranja suspeita
até às retretes com as paredes cheias
suponho que de palavrões em várias línguas
tudo era muito cosmopolita a casa
para mim bastante duvidosa ou talvez fosse só eu
que andasse suspeitosa nunca o saberei
lá não hei-de voltar
jamais no meu quarto começou por estar
uma americana que se não se chamava
Daisy pouco lhe faltava
fingia que lia Rich Man, Poor Man
gritava de noite à janela Shut up!
porque realmente saía muita gente
sempre em grita e riso do passage
de que esqueci o nome onde havia poeirentos
vidros azuis translúcidos salitre osgas
depois apareceu-me uma Stefania
que se dizia ruiva veneziana
e viver na Via Cava Aurelia
nunca acreditei em Roma
fazia por tudo e por nada queixas
ao gordo guardador das chaves
que dormia de tronco nu debaixo
de um cobertor branco de pelúcia
dois ou três gatos geralmente pretos perto
(embora estivesse muito abafado o tempo)
lá não hei-de voltar
Dalle cucine sotterranee dove
dei marocchini riempivano piccole ciotole screpolate
con un dolce d’un sospetto color arancione
fino ai bagni le cui pareti erano ricoperte
suppongo di parolacce in varie lingue
tutto aveva un’aria assai cosmopolita, la casa
mi sembrava alquanto losca o forse ero io
che la trovavo piuttosto sospetta, non lo saprò mai
tanto laggiù non ci devo più tornare
mai più nella mia camera, all’inizio c’era
un’americana che se non si chiamava
Daisy poco ci mancava
ella fingeva di leggere Rich Man, Poor Man
e di notte gridava alla finestra Shut up!
perché davvero un sacco di gente usciva
sempre gridando e ridendo dal passaggio
di cui non ricordo il nome dove c’erano polverosi
vetri blu traslucidi salnitro gechi
e poi è comparsa una Stefania
che diceva d’essere una rossa veneziana
e di vivere in Via Cava Aurelia
non ho mai creduto a Roma
mi lamentavo di tutto e di niente
con il grasso custode delle chiavi
che dormiva a torso nudo sotto
una coperta bianca di peluche
due o tre gatti, di solito neri, addosso
(malgrado il tempo fosse caldo e soffocante)
tanto laggiù non ci devo più tornare
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Giovanni Maranghi
Due (1988)
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