Era uma vez...


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Era uma vez...
C’era una volta...


“Era uma vez”:
Aqui começa o tempo anulado,
O oásis, a cidade
Que surge perante a caravana
Vergada pelo peso do deserto
E do céu nítido.
Aqui começam as danças verdes,
Aqui começa a escorrer a origem.
Aqui “era uma vez”:
Aqui a gárgula das palavras,
Aqui começa uma lenta leveza,
Um esvoaçar de espanto,
Aqui começam os alfabetos
Das línguas como tapetes voadores,
Casas de açúcar, florestas.
Aqui começa a voz nascida
Dentro de tudo: animais, casas,
Árvores, águas, ventos.
“Era uma vez”:
Aqui se sepulta o pensamento,
Aqui se combinam os quatro elementos
De não se existir
Na redoma de uma vida caducifólia.
“Era uma vez”, “Era uma vez”:
Aqui se abrem os céus do voo,
Aqui se recomeça a alquimia da infância,
Aqui se aboliu toda a idade.

“C’era una volta”:
Comincia qui il tempo abolito,
L’oasi, la città
Che sorge davanti alla carovana
Piegata dal peso del deserto
E dal cielo limpido.
Qui cominciano le verdi danze,
Qui comincia a scorrere l’origine.
Qui “c’era una volta”:
Qui è il doccione delle parole,
Qui comincia una lenta levità,
Uno sfarfallio di sorprese,
Qui cominciano gli alfabeti
Delle lingue come tappeti volanti,
Case di zucchero, foreste.
Qui comincia la voce nata
Dentro ogni cosa: animali, case,
Alberi, acque, venti.
“C’era una volta”:
Qui si seppellisce il pensiero,
Qui si combinano i quattro elementi
Per non continuare ad esistere
Nella campana di vetro di una vita fugace.
“C’era una volta”, “C’era una volta”:
Qui si spalancano i cieli del volo,
Qui ricomincia l’alchimia dell’infanzia,
Qui sono rimosse tutte le età.

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La volpe e la cicogna
Incisione da "Fables from incunabula" (1479)
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