Élegia para a minha campa


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Élegia para a minha campa
Elegia per la mia tomba


Agora, só,
que é o meu corpo terra confundida
na terra desta Serra minha Mãe;
agora, só,
a minha voz que sempre cantou mal
ao Céu se eleva…
Agora, só,
que no ventre da Serra minha Mãe repousa
meu corpo de Poeta,
de Poeta mudo em vida, por ausente
do ventre maternal os nove meses;
agora, só, claríssima se eleva
a minha voz-louvor,
a minha voz-carícia a minha Mãe,
ao Céu…
Agora, só,
que os meus lábios são terra de onde nascem
as moitas de folhado e de alecrim,
a minha voz saudosa de cantar
se elevará
até aonde o Céu tem cor e fim.
Se elevará a minha voz, perfume
desprendido, suavíssimo, dos matos
que surgiram de mim…

Agora, só,
que sou terra na terra misturada,
que a minha voz é voz de rosmaninho, eu poderei tratar por tu
a meu Irmão Frei Agostinho… Agora, só, a meu Irmão,
que comigo nasceu naquele Dia
em que ao Céu se entregou,30
ébria de Sol e Maresia,
nossa Mãe Serra…
Ora, son solo,
ora che il mio corpo è terra mescolata
con la terra di questa mia Madre Serra;
ora, son solo,
ora la mia voce che ha sempre cantato male
al Cielo s’eleva…
Ora, son solo,
ora che nel grembo della mia Madre Serra riposa
il mio corpo di Poeta,
di Poeta muto in vita, assente
dal grembo materno per nove mesi;
ora, che son solo, chiarissima s’eleva
la mia voce-lode,
la mia voce-carezza a mia Madre,
al Cielo…
Ora, son solo,
ora che le mie labbra sono terra da cui nascono
gli arbusti frondosi e il rosmarino,
la mia voce ansiosa di cantare
s’eleverà
fin dove il Cielo ha colore e fine.
S’eleverà la mia voce, profumo
sprigionato, soavissimo, dei boschi
che da me sono nati…

Ora, son solo,
ora che io sono terra mescolata alla terra,
che la mia voce è voce di rosmarino, io potrò dare del tu
al mio Fratello Fra’ Agostino… Ora, soltanto, Fratello mio,
che con me nascesti quel Dì
in cui al Cielo si offrì,
ebbra di Sole e Salsedine,
nostra Madre Serra…
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Egon Schiele
Tote Muttter I - Madre morta I (1910)
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