Anotações para uma biografia da Terra


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Anotações para uma biografia da Terra
Appunti per una biografia della Terra


A Terra tem 46 anos.
Até os 7 anos de idade
dela nada se sabe.
Até os 42
sabe-se muito pouco.
Os dinossauros só apareceram
quando a Terra já tinha
45 anos completos.
Os mamíferos entraram em cena
nos últimos 8 meses.
Exatamente
na metade da última semana
alguns macacos
parecidos com o homem
evoluíram para um homem
parecido com o macaco.
Três dias antes de completar 46 anos
a Terra sofreu
a última glaciação completa.
O homem moderno surgiu
nas últimas 4 horas.
Há apenas 1 hora
descobriu a agricultura
e se fixou à terra
como sedentário.
A revolução industrial
ocorreu no último minuto.
Nos 60 segundos seguintes
o homem conseguiu
transformar um paraíso
num lixo.
La Terra ha 46 anni.
Fino all’età di 7 anni
di lei non si sa nulla.
Fino ai 42
se ne sa molto poco.
I dinosauri comparvero solo
quando la Terra aveva già
45 anni compiuti.
I mammiferi entrarono in scena
negli ultimi 8 mesi.
Esattamente
a metà dell’ultima settimana
alcune scimmie
somiglianti all’uomo
si sono evolute in un uomo
somigliante a una scimmia.
Tre giorni prima di compiere 46 anni
la Terra ha subito
l’ultima glaciazione completa.
L’uomo moderno è spuntato
nelle ultime 4 ore.
Appena 1 ora fa
ha scoperto l’agricoltura
e si è stabilito sulla terra
divenendo stanziale.
La rivoluzione industriale
si è svolta nell’ultimo minuto.
Nei 60 secondi seguenti
l’uomo è riuscito
a trasformare un paradiso
in un immondezzaio.
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Dalip Singh
Pollution (2018)
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Urdidura


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Urdidura
Orditura


ao ouvir o canto da sereia
o sonâmbulo
pôs-se em posição de aranha
e partiu para invenções

atravessando o primeiro espelho
armou-se para uma grande história
deixando o nome
escrito a giz

trocando de vida como se troca de roupa
planejou diferentes estradas
mas antes de se lançar
apanhou o teodolito
e topografou os picos e os vales

só então começou a descer
liso como um raio de luz
o perfeito homem-aranha
que auscultou no próprio coração
o deslumbramento do infinito instante
al sentire il canto della serena
il sonnambulo
si mise nella posizione del ragno
e partì alla scoperta
 
attraversando il primo specchio
si attrezzò per una grande storia
lasciando il nome
scritto a gesso
 
cambiando vita come si cambia d’abito
studiò differenti percorsi
ma prima di buttarsi
prese il teodolite
e cartografò le cime e le valli
 
solo allora cominciò a scendere
liscio come un raggio di luce
il perfetto uomo-ragno
che auscultò nel proprio cuore
l’incantamento dell’infinito istante
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Odilon Redon
Il ragno che piange (1881)
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Branco no branco...


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69 Poemas de Amor (2008) »»
 
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Branco no branco...
Bianco su bianco...


Branco no branco, cantou
Bashô. Despes o vestido,
dispo o teu corpo.
A tua sombra na parede
branca. Sorris.
Apagas a luz.
Sabes que a tela da tua pele
me vai iluminar.
Debruças-te no meu peito:
sabes que o teu hálito me vai
acender. Branco
no branco.
Derramados
um no outro. Quem é luz?
Quem é sombra?
A cotovia
começa a cantar.
Bianco su bianco, cantò
Bashô. Ti togli il vestito,
io spoglio il tuo corpo.
La tua ombra sulla parete
bianca. Sorridi.
Spegni la luce.
Sai che il tessuto della tua pelle
m’illuminerà.
Ti sporgi sul mio petto:
sai che il tuo alito mi
accenderà. Bianco
su bianco.
Traboccati
l’uno nell’altro. Chi è luce?
Chi è ombra?
L’allodola
comincia a cantare.
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Louise Nevelson
Monochromatic (1962)
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Velho como as flores...


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Arte de bem morrer (2007) »»
 
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Velho como as flores...
Vecchio come i fiori...


Velho como as flores
o vinho respira
no meu copo.
Velho como as aves 
o tinto que bebo
com amigos
que partiram.
Vecchio come i fiori
il vino respira
nel mio bicchiere.
Vecchio come gli uccelli 
il rosso che bevo
con amici
che se ne sono andati.
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Filippo de Pisis
Natura morta con nudino e vino rosso (1924)
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Um pouco mais


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Um pouco mais
Un po’ di più


Esta manhã não lavei os olhos -
pensei em ti.

Se o teu ouvido se fechou à minha boca
poderei escrever ainda poemas de amor?
A arte de amar não me serve para nada.

Um fogo em luz trasformado.
Subitamente, a sombra.

Há dias em que morro de amor.
Nos outros, de tão desamado,
morro um pouco mais.
Questa mattina non ho lavato gli occhi -
pensavo a te.

Se il tuo udito si nega alla mia bocca
potrò scrivere ancora poesie d’amore?
L’arte d’amare non mi serve a nulla.

Un fuoco trasformato in luce.
E all’improvviso, l’ombra.

Ci son giorni in cui muoio d’amore.
Negli altri, son così disamato,
che muoio un po’ di più.
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Rembrandt
Autoritratto con capelli scompigliati (1628)
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