Passado, Presente, Futuro


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Passado, Presente, Futuro
Passato, Presente, Futuro


Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
Io fui. Ma ciò che fui più non mi somiglia:
Mille strati di polvere mascherano, come veli,
Questi quaranta volti diseguali,
Così marcati dal tempo e dai fortunali.

Io sono. E quel che sono è davvero poco:
Rana fuggita dal pantano, che saltò,
E nel saltare più in alto che poté,
Nell’aria d’un altro mondo si squarciò.

Resta da vedere, se resta, ciò che sarò:
Un volto ricomposto, prima della fine,
Un canto da batrace, piuttosto rauco,
Una vita che proceda in qualche modo.
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Raphaël Chanterou
Uomo con maschere (1930)
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Oceanografia


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Oceanografia
Oceanografia


Volto as costas ao mar que jà entendo,
a minha humanidade me regresso,
e quanto hà no mar eu surpreendo
na pequenez que sou e reconheço.

De naufrágios sei mas que sabe o mar,
dos abismos que sondo, volto exangue,
e para que de mim nada o separe,
anda um corpo afogado no meu sangue.
Volto le spalle al mar che già conosco,
alla mia umanità faccio ritorno,
e quel che c’è nel mare lo riscopro
in certe mie mediocrità di cui son conscio.

Di naufragi ne so ben più io del mare,
dagli abissi che esploro, torno esangue,
e affinché da me nulla lo separi,
vaga un corpo affogato nel mio sangue.
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Ivan Aivazovsky
Naufragio (1876)
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No silêncio dos olhos


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No silêncio dos olhos
Nel silenzio degli occhi


Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?

Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?
In che lingua si dice, in che nazione,
in che altra umanità s’è conosciuta
la parola che ricomponga la confusione
che in questo scompiglio s’è generata.

Che mormorio di vento, quali dorati
canti d’uccello posato su alti rami
diranno, in un soffio, le cose che, muti,
nel silenzio degli occhi confessiamo?
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Jackson Pollock
Occhi nel caldo (1946)
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No coração, talvez...


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No coração, talvez...
In fondo al cuore, forse...


No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta,
Na total consciência nos retalha.

O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
In fondo al cuore, forse, o per meglio dire:
Una ferita inflitta col pugnale,
Da cui sfugge la vita, ahimè sprecata,
Che in tutta la coscienza ci fa male.

Desiderare, volere, non riuscire,
Disillusa ricerca della motivazione
Che dia un senso al nostro essere fortuito,
Forse è questo che duole, in fondo al cuore.
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Vassily Kandinsky
Primo acquerello astratto (1913)
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Negócio


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Negócio
Transazione


Quanto de mim é ouro, não se vende.
O resto desprezado, com o ouro,
Eu o darei a quem o ouro entende.
Quanto c’è d’oro in me, non lo si vende.
Il rimanente spregiato, insieme all'oro,
Io l’offrirò a chi d'oro s'intende.
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Michelangelo Pistoletto
Autoritratto oro (1960)
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