Passeio


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Passeio
Deambulazione


De um exílio passado entre a montanha e a ilha
Vendo o não ser da rocha e a extensão da praia.
De um esperar contínuo de navios e quilhas
Revendo a morte e o nascimento de umas vagas.
De assim tocar as coisas minuciosa e lenta
E nem mesmo na dor chegar a compreendê-las.
De saber o cavalo na montanha. E reclusa
Traduzir a dimensão aérea do seu flanco.
De amar como quem morre o que se fez poeta
E entender tão pouco seu corpo sob a pedra.
E de ter visto um dia uma criança velha
Cantando uma canção, desesperando,
É que não sei de mim. Corpo de terra.
D’un esilio trascorso tra la montagna e l’isola
A vedere il non essere della roccia e l'infinita spiaggia.
D’una continua attesa di navi e chiglie
A rivedere la morte e la nascita di alcune onde.
Dello sfiorare così le cose, puntuale e lenta,
E neppure nel dolore arrivare a capirle.
Di intuire il cavallo sulla montagna. E isolata
Riprodurre la dimensione aerea del suo fianco.
Di amare, come chi muore, ciò che s’è fatto poeta
E percepire così poco il suo corpo sotto la pietra.
E d’aver visto un giorno un’antica creatura
Cantare una canzone, disperata,
È che nulla so di me. Corpo di terra.
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Carlo Carrà
Donna al mare (1931)
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Aquela


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Do Amor (1999) »»
 
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Aquela
Quella


Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
Amarezza d’esser io e non un’altra.
Amarezza per non essere, amore, quella
Che molte figlie ti diede, si sposò fanciulla
E per la notte si prepara e si pregusta
Oggetto d’amore, premurosa e bella.

Amarezza per non essere la grande isola
Che ti trattiene e non ti dà tormento.
(La notte è una belva in avvicinamento)
Amarezza d’essere acqua in mezzo alla terra
E aver la superficie inquieta e mobile.
E al tempo stesso multipla e immobile
Non sapere se t’aspetta o se è distante.
Amarezza d’amarti, se ti disorienta.
E pur essendo acqua, amore, mi vorrei di terra.
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Henri Matisse
La Giapponese (1905)
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Que este amor não me cegue...


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Cantares do sem nome e de partidas (1995) »»
 
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Que este amor não me cegue...
Che quest’amore non m'accechi...


Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
 
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
 
Que este amor só me veja de partida.
Che quest’amore non m'accechi e non mi segua.
E di me stessa non s’accorga mai.
Che mi dispensi dall'essere incalzata
E dal tormento
Di sapere che solo per lui io sto vivendo.
Che lo sguardo non si perda tra i tulipani
Perché forme tanto perfette di bellezza
Nascono dallo sfolgorio delle tenebre.
E il mio Signore dimora nel buio rutilante
D'immaginarie edere su d’un alto muro.

Che quest’amore solo mi lasci inappagata
Esausta di fatiche. E per tante fragilità
Ch’io divenga piccina. E minuscola e tenera
Come sono soltanto i ragni e le formiche.

Che quest’amore mi veda solo sul punto di partire.
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James Siena
Shifted lattice (2006)
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Ver-te. Tocar-te...


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Do Desejo (1992) »»
 
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Ver-te. Tocar-te...
Vederti. Toccarti...


Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade.
Vederti. Toccarti. Che rifulgere di maschere.
Che disegni e rictus sul tuo volto
Come vigorosi arabeschi dei tappeti antichi.
Quanto diventi triste se ripeto
Il sinuoso sentiero che percorro: un desiderio
Senza padrone, un adorarti intenso ma libero.
E quanto mi rabbuio se di me azzanni
Parole e residui. Mi sorgono fami
Ansie di corpi consistenti, lune pallide
Coltelli, tempeste. Vederti. Toccarti.
Cautela.
Crudeltà.
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Isabel Ruiz Perdiguero
Impulso (2011)
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Tenta-me de novo


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Tenta-me de novo
Tentami di nuovo


E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Perché mai dovresti volere la mia anima
Nel tuo letto?
Ho detto parole liquide, allettanti, aspre
Oscene, perché era così che ci piaceva.
Però non ho finto goduria piacere lascivia
Né ho sottaciuto che l’anima sta oltre, in cerca
Di Quell’Altro. E ti ripeto: perché dovresti
Volere la mia anima nel tuo letto?
Rallegrati al ricordo di coiti e trionfi.
O tentami di nuovo. Costringimi.
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Egon Schiele
La morte e la fanciulla (1915)
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