Aniversário


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Francisco Carvalho »»
 
Girassóis de barro (1997) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Aniversário
Compleanno


Ontem celebrei meu aniversário
mas não recebi telegramas
nem rosas de papel crepon pelo correio.
Recebi um ramalhete de mentiras
uma gravata de listras obliquas
uma taça de fel cravejada de ódio.

Ontem celebrei meu aniversário
vesti meu paletó de espantalho
pus um brasão de escárnio na lapela.
Os retratos me sorriram da parede
e seus bigodes me olharam com desdém
fitando em mim a fina flor da escória.

Ontem celebrei meu aniversário
entre apertos de mão e golfadas de vinho.
Mas não me desejaram felicidades
nem muitos anos de vida à minha calvície.
Recebi um cebolão de meu bisavô
desencarnado no alvorecer da República
uma descompostura da sogra do filho pródigo
uma taça de fel cravejada de ódio.

Ontem celebrei meu aniversário.
Fui bastante aplaudido
pelo sarcasmo dos vivos e dos mortos.
Ieri ho festeggiato il mio compleanno
ma non ho ricevuto telegrammi
né rose di carta crespata per posta.
Ho ricevuto un mazzetto di bugie
una cravatta a strisce oblique
una coppa di fiele costellata d’odio.

Ieri ho festeggiato il mio compleanno
mi sono messo il cappotto da spaventapasseri
ho appuntato un buffo distintivo sul rever.
I ritratti mi sorridevano dalla parete
e i loro baffi mi guardavano con sdegno
vedendo in me il fior fiore della feccia.

Ieri ho festeggiato il mio compleanno
fra strette di mano e fiumi di vino.
Ma non mi hanno augurato buona sorte
né cent’anni di vita alla mia calvizie.
Ho ricevuto un orologio del mio bisnonno
deceduto agli albori della Repubblica
una strigliata dalla suocera del figliol prodigo
una coppa di fiele costellata d’odio.

Ieri ho festeggiato il mio compleanno.
Sono stato parecchio acclamato
dal sarcasmo dei vivi e dei morti.
________________

Christian Boltanski
Sono felice, è il mio compleanno (1974)
...

Variações sobre a morte


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Francisco Carvalho »»
 
Rosa dos Minutos (1996) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Variações sobre a morte
Variazioni sulla morte


Quando o homem perde
o primeiro fio de cabelo
começa a dialogar com a morte.

A morte, ausência
de todas as sensações,
é a mais ostensiva das presenças.

Ninguém consegue fugir da morte
pela simples razão de que
somos hospedeiros dela.

A morte chega, apaga
a luz dos teus olhos e acende
os seus negros castiçais.

Algum dia te visitará
uma sombra de olhos de areia
e bruscamente cerrará tuas pálpebras.

Morte, ó ceifeira veloz.
Quantas são as espigas
que abastecem o teu celeiro?
Quando l’uomo perde
il suo primo capello
comincia il dialogo con la morte.

La morte, assenza
di tutte le sensazioni,
è la più palese delle presenze.

Nessuno riesce a sfuggire alla morte
per la semplice ragione che
ne siamo il ricovero.

La morte arriva, spegne
la luce dei tuoi occhi e accende
i suoi neri candelabri.

Un giorno ti farà visita
un’ombra dagli occhi di sabbia
e bruscamente sbarrerà le tue palpebre.

Morte, rapida mietitrice.
Quante sono le spighe
che stipano il tuo granaio?
________________

Francisco de Goya
Il tempo / El tiempo (1810)
...

Se eu fosse a Paris


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Francisco Carvalho »»
 
Rosa dos Minutos (1996) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Se eu fosse a Paris
Se io andassi a Parigi


Se eu fosse a Paris
não gostaria de ver a Torre Eiffel
nem as grandes avenidas nem os bulevares
nem os parques nem a Catedral de Notre Dame
nem o sangue que jorra dos gestos
e da alma dilacerada do Pensador de Rodin.

Se eu fosse a Paris
não compraria postais de Brigitte Bardot
não veria as águas do Sena trespassadas de luar
nem seu corpo de molusco invertebrado
nem os barcos que partem nem os barcos que voltam
com suas entranhas consteladas de murmúrios.

Se eu fosse a Paris
não visitaria Montmartre nem iria às Praças
da Concórdia, da República e da Ópera
nem aos cafés onde pintores, artistas e boêmios
desenharam utopias no mármore das mesas
entre espirais de fumaça e fagulhas de vinho.

Se eu fosse a Paris
correria ao Museu do Louvre para me embriagar
com o fulgor dos nus femininos de Renoir
roçar a alma no Moinho de la Galette
passear os olhos no retrato de Madame Charpentier
ou no mistério da Menina com a Gavela.

Como jamais irei a Paris
nas asas de um pássaro de aluguel
não ouvirei o Bolero de Ravel
nem verei o palácio de cristal da Imperatriz.
Mas isso não me toma menos infeliz.
Se io andassi a Parigi
non m’interesserebbe vedere la Torre Eiffel
né i grandi viali né i boulevard
né i parchi né la Cattedrale di Notre-Dame
né il sangue che sgorga dai gesti
e dall’anima straziata del Pensatore di Rodin.

Se io andassi a Parigi
non comprerei cartoline di Brigitte Bardot
né guarderei le acque della Senna sotto i raggi della luna
né il suo corpo di mollusco invertebrato
né le barche che partono né le barche che tornano
con le viscere costellate di sussurri.

Se io andassi a Parigi
non visiterei Montmartre né andrei alle Piazze
della Concordia, della Repubblica e dell’Opera
né in quei caffè dove pittori, artisti e bohémien
disegnarono utopie sul marmo dei tavolini
tra spirali di fumo e faville di vino.

Se io andassi a Parigi
correrei al Museo del Louvre per inebriarmi
col fulgore dei nudi muliebri di Renoir
per sfiorare con l’anima il Molino della Galette
per posare lo sguardo sul ritratto di Madame Charpentier
o sul mistero della Ragazza col fascio di grano.

Ma dato che non andrò mai a Parigi
sulle ali di un uccello in affitto
non ascolterò il Bolero di Ravel
né vedrò il palazzo di cristallo dell’Imperatrice.
Ma questo non mi rende meno infelice.
________________

Camille Claudel
Ragazza giovane con un covone (1886)
...

Banquete


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Francisco Carvalho »»
 
Rosa dos Minutos (1996) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Banquete
Banchetto


A morte é um pássaro veloz
que habita dentro de nós.

A morte às vezes passeia
com sua túnica de areia.

A morte é uma pantera
de pálpebras de cera.

A morte apaga a memória
menos o fogo do purgatório.

A morte de negro se veste
para ceifar a sua messe.

A morte, látego dos pobres
celeiro de espigas podres.

A morte prepara o azeite
pras velas do seu banquete.
La morte è un uccello veloce
che abita dentro di noi.

La morte a volte passeggia
con la sua tunica di sabbia.

La morte è una pantera
con palpebre di cera.

La morte cancella ogni memoria
tranne il fuoco del purgatorio.

La morte si veste di nero
per falciare la sua messe.

La morte, flagello dei miseri
granaio di spighe putride.

La morte prepara l’olio
per le candele del suo banchetto.
________________

Galileo Chini
La falciatrice (1918)
...

Três estudos sobre o vazio


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Francisco Carvalho »»
 
Galope de Pégaso (1994) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Três estudos sobre o vazio
Tre studi sul vuoto


I
Tenta não decifrar o universo.
Mergulha no coração do vazio
como a neve caindo sobre os campos
e as abelhas pousando numa flor.

II
Os objetos bailam no vazio
como as plumas de um pássaro
assassinado pela flecha do caçador.
O mistério pode ser o teu olhar
seduzido pela nudez da flor.

III
Tenho andado à procura de Deus
no meio das trevas do meu coração.
Mas só escuto o som dos objetos
dentro da vasta noite dos meus sentidos.
O vazio, além do tempo e da busca.
I
Cerca di non decifrare l’universo.
Sprofonda nel cuore del vuoto
come la neve che cade sopra i campi
e come le api che si posano su un fiore.

II
Gli oggetti fluttuano nel vuoto
come le piume d’un uccello
ucciso dalla freccia del cacciatore.
Il mistero può essere il tuo sguardo
sedotto dalla nudità del fiore.

III
Sono andato in cerca di Dio
nel fitto delle tenebre del mio cuore.
Ma non sento altro che il suono degli oggetti
dentro la vasta notte dei miei sensi.
Il vuoto, al di là del tempo e della ricerca.
________________

Ettore Colla
Meridiana ellittica (1987)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (554) Orides Fontela (15) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (361) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)