Poema


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Poema
Poesia


Crispou-se a minha mão sobre o teu sexo,
Fecharam-se-me os olhos sem querer…
De que abismos voava até ao fundo?
E a minha mão sondava
E triturava
Aquele mundo
Tão pequenino e tão complexo:
O teu mistério de mulher.
Mi si rattrappì la mano sopra il tuo sesso,
Mi si chiusero gli occhi, senza ch’io volessi...
Di quale abisso stavo volando al fondo?
E la mia mano esplorava
E stritolava
Quel mondo
Così piccino eppur complesso:
Il tuo mistero di donna.
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Henri de Toulouse-Lautrec
A letto (1893)
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Ode a Eros


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Ode a Eros
Ode a Eros


Eros, Cupido, Amor, pequeno Deus travesso
Com quem todos brincamos!
Brincando nos ferimos,
Ferindo-nos gozamos,
Se rimos já choramos,
Mal que choramos rimos...
Já, voltados do avesso,
Por igual o voltamos,
O torturamos nós como ele nos tortura,
Descemos aos recessos da criatura...

Pequenino gigante!
Sonhava, ou não sonhava,
Quem te representou risonho e pequenino
Que de Hércules a clava
Não pesa como pesa a tua mão de infante,
Nem seu furor destrói
Como nos dói
Teu riso de menino?

Nas tuas leves setas
Nas flâmulas gentis
Que cantam os poetas
E os namorados juvenis,
Que longos ópios e letais licores,
Que pântanos de lodo e que furores,
Que grinaldas de louros e de espinhos,
Que abissais labirintos de caminhos!

Mascarilha de seda e de veludo
Sob a qual o olhar brilha, a boca ri,
Que olhar ambíguo ou mudo,
Que boca atormentada
Não terás além ti
Na mascarada?

Pai da Crueldade e da Piedade,
Filho do Crime e da Beleza,
Que infante serás tu, que, desde que há Idade,
Aos Ícaros opões a mesma astral parede,
E os Lázaros susténs dos restos dessa mesa
Em que se bebe sempre a mesma sede,
Se come
A mesma fome?

Divindade nocturna
Que te cinges de rosas,
Suprema fúria mascarada
Que a porta abres do céu... escancarada
Sobre o negro vazio duma furna,
Que a urna de cristal nas mãos formosas
Vens ofertar às bocas sequiosas
E escorres sangue do cristal da urna,
Que tens tu afinal, ao fundo da caverna
Sempre aos mortais vedada:
A eterna morte... o nada,
Ou a vida eterna?
Eros, Cupido, Amore, piccolo Dio ribaldo
Con cui tutti giochiamo!
Giocando ci feriamo,
Ferendoci godiamo,
Se ridiamo poi piangiamo,
Dopo aver pianto subito ridiamo. . .
Già, voltati a rovescio,
Del pari lo rivoltiamo,
ci tortura,
Scendendo ai recessi della creatura...

Minuscolo gigante!
Sognava, o non sognava,
Chi ti rappresentò ridente e piccino
Che d’Ercole la clava
Non pesa quanto pesa la tua mano d’infante,
Né il suo furor distrugge
Quanto ci affligge
Il tuo sorriso di bambino?

Nei tuoi lievi strali
Nelle fiammelle gentili
Che cantano i poeti
E i giovani innamorati,
Che spossanti morfine e letali liquori,
Che pantani di limo e che furori,
Che ghirlande d’alloro e di spini,
Che abissali labirinti lungo i cammini!
 
Mascherina di seta e di velluto
Sotto cui lo sguardo brilla, la bocca ride,
Che sguardo ambiguo o muto,
Che bocca tormentata
Non vedrai a te innanzi
Nella mascherata?

Padre di Crudeltà e di Pietà,
Figlio del Crimine e della Bellezza,
Che pargolo sarai tu, che, da tempo immemorabile,
Agli Icari frapponi la stessa parete astrale,
E i Lazzari sostenti coi resti della tavola
Ove si beve sempre la stessa sete,
Si mangia
La stessa fame?

Divinità notturna
Tu che t’adorni di rose,
Suprema furia mascherata
Tu che apri la porta del cielo... spalancata
Sopra il nero vuoto d’una grotta,
Tu che l’urna di cristallo nelle mani aggraziate
Vieni ad offrire alle bocche assetate
E versi sangue dal cristallo dell’urna,
Che cosa tieni tu infine, in fondo alla caverna
Sempre agli uomini preclusa:
L’eterna morte... il nulla,
O la vita eterna?
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William-Adolphe Bouguereau
Sussurri d'amore (1825-1905)
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Novo epitáfio para um poeta


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Novo epitáfio para um poeta
Nuovo epitaffio per un poeta


Na terra nua, as asas desdobraram,
Espigaram,
Deram flor.
Se ali passar alguém
Que tenha o olfacto fino e o dom do humor,
Dirá que aquele morto é um amor:
Dá flor e cheira bem.
Sulla nuda terra, le ali si spiegarono,
Misero spighe,
Diedero fiori.
Se di lì passerà qualcuno
Che abbia fine olfatto e buon umore,
Dirà che quel morto è un amore:
Dà fiori ed emana un buon profumo.
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Robert Combas
Senza titolo (1994)
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Novo epitáfio para uma velha donzela


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Novo epitáfio para uma velha donzela
Nuovo epitaffio per una vecchia donzella


Não conheceu do amor as vãs complicações
Nem o prazer e as suas decepções.
Por isso é que os fiéis das sensações
Tiveram sua vida por frustrada.
Viveu de leve, humilde e afável, encerrada
No mistério sem mito em que morreu.
Da sua vida mais intensa, nada
Chegou ao mundo, que não era seu.

Sobre esta laje fria,
Por memória
Dessa ignorada história
Inscreveu esta coisa fugidia
Aquele de quem foi secretamente amada.
Dell’amor non conobbe le vane complicazioni
Né il piacere e le sue delusioni.
Ed è perciò che i seguaci delle sensazioni
Ritennero la sua vita frustrata.
Visse sobriamente, umile e gentile, racchiusa
Nel mistero senza mito in cui morì.
Della sua vita più intensa, nulla
Giunse al mondo, che non era suo.

Su questa fredda lapide,
In memoria
Di questa storia ignorata
Incise questo ricordo labile
Colui che l’ha segretamente amata.
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Edvard Munch
Karen sulla sedia a dondolo (1883)
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A minha voz pode esquecer-te…



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Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (aprile 2025) »»
 
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A minha voz pode esquecer-te…
La mia voce ti può dimenticare…


A minha voz pode esquecer-te,
Mas não o meu silêncio.
De sofrer por ti fiz a minha casa –
O escárnio e o absurdo
Passam sempre, por mais que durem.
A casa fica.
Que me esqueças é a única morte,
O único deserto.
La mia voce ti può dimenticare,
Ma il mio silenzio, no.
Dello struggermi per te ho fatto la mia casa –
Il disprezzo e l’assurdo
Passano sempre, pur se lunghi a durare.
La casa resta.
Che tu mi dimentichi è l’unica morte,
L’unico deserto.
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Vilhelm Hammershøi
Danza della polvere al sole (1900)
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