Procissão das bestas


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Procissão das bestas
Processione di bestie


  também para Dante Milano

Mundos de conflitos que o silêncio engole,
Sombras lentas e pesadas
Reduzem os olhos a bagaços.
Ruminações da memória
No branco da vida extenuada
Na paisagem sem ninguém.
Nos gritos soltos
Sem a devolução do eco.

No oco das mãos
Ausente o suor de outra mão,
Formas amadas levadas pelo vento
Às nuvens que condensam o cansaço da
 terra,
Canções da carne traduzidas na rosa,
Promessas de fé em cada espera,
Na palavra esquecida do próprio som,

Circunferência de fogo em labaredas
Consumindo a ternura no cansaço.
Imaturas searas de amor,
Morte nos ossos das jornadas sem motivo.

Fadiga anterior à união dos sexos
Decompostos na traição de análises mútuas,
Espreitando sadicamente dois corpos nus fundidos
 na derrota.

Lodo cobrindo pés, atolando ventres,
Transformando bocas em esgotos
Reduzindo o amor a ato
Que o silêncio engole
Como fétida flor da noite.
  ancora per Dante Milano

Mondi in conflitto che il silenzio inghiotte,
Ombre lente e pesanti
Dagli occhi illividiti.
Ruminazioni della memoria
Nel bianco della vita estenuata
Nel paesaggio spopolato.
Nelle grida lanciate
Senza ritorno d’eco.

Nel cavo delle mani
Assente il sudore dell’altra mano,
Amate forme portate dal vento
Verso le nuvole che condensano la stanchezza della
 terra,
Canzoni di carne tradotte in una rosa,
Promesse di fede in ogni attesa,
Nella parola dimentica del proprio suono,

Cerchio di fuoco tra fiamme
Che esauriscono la tenerezza nello sfinimento.
Messi immature d’amore,
Morte nelle ossa per viaggi immotivati.

Tensione che precorre l’unione dei sessi
Madidi nella perfidia di reciproche esplorazioni,
Scrutando sadicamente due corpi nudi fusi nella
 disfatta.

Melma che avvolge i piedi, rende viscidi i ventri,
Trasformando le bocche in fognature
Riducendo l’amore ad atto
Che il silenzio inghiotte
Come fetido fiore della notte.
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Franz von Stuck
La caccia selvaggia (1889)
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