Derrota


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Derrota
Disfatta


Mágoa índica, doída saudade ao sol-
poente de praias na distância, travado
na garganta o soluço à luz
crepuscular que persiste e teima
não tornar-se olvido. Sal saudade,

padrão, dura lembrança erguida
contra obturações e fissuras do tempo,
assim principia uma jornada
de longas tribulações: o que fomos
jamais seremos, evocativas sombras

que somos de grandeza envilecida,
voz asfixiada no sono entorpecente
das consciências sem remorso. Saudade,
corpos de morena canela na areia
alongados. Travo a terebintina,

doirado, sumarento mel
de dulcíssimos frutos, fermento
de orientes perdidos na rota inversa
de argonautas privados de deuses e mitos.
Cansados de tantas pátrias, de pátrias

rejeitados, na pátria indesejados,
silentes volvemos, vultos espectrais
no mar lento de negrume e escombros,
ao cais cinzento do destino original,
às exéquias do sonho em campa anónima.

Por mortalha o precário resguardo
deste discurso penosamente vencido
nas longas diuturnidades da insónia.
Ainda que cantar seja seu modo,
não canta, chora meu canto.
Mestizia indiana, dolente rimpianto al calar
del sole di spiagge assai distanti, bloccato
in gola il singhiozzo nella luce
crepusculare che perdura e insiste
a non farsi oblio. Sale del rimpianto,

cippo, duro ricordo innalzato
contro riparazioni e fessure del tempo,
così comincia un percorso
di lunghi tormenti: quel che siamo stati
non saremo mai più, ombre evocative

che siamo, a grandezza sminuita,
voce soffocata nel suono soporifero
delle coscienze senza rimorso. Rimpianto,
corpi di brunita cannella allungati
sulla sabbia. Sentore di trementina,

dorato, succulento miele
di dolcissimi frutti, germe
di orienti perduti lungo la rotta contraria
di argonauti deprivati di dei e miti.
Logorati da tante patrie, da patrie

ripudiati, in patria indesiderati,
in silenzio torniamo, visi spettrali
nel pigro mare di ruderi e tenebre,
al grigio approdo della meta iniziale,
alle esequie del sogno su una fossa anonima.

Come sudario il precario ricetto
di questo discorso penosamente vinto
nel lungo perpetuarsi dell’insonnia.
Benché cantare sia la sua norma,
non canta, piange il mio canto.
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Emiliano di Cavalcanti
Due donne (1935)
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