Já ninguém parte de madrugada…



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Já ninguém parte de madrugada…
Ormai più nessuno parte all’alba…


Já ninguém parte de madrugada
E partir já não é haver alguém
Que prenda um olhar profundo
Lançado do alto das falésias de uma despedida.
Perdeu-se esse hábito tão português
Do adeus mordido nos lábios.
Momento algum me serve de engaste
Com este lugar e, indiferentes aos lugares
Se vão desmoronando na distância.
Em outro lado me espera a minha vida.
E vou partir numa hora
Em que já ninguém pensa em mim
E ninguém conseguirá reunir palavras bastantes
Para alcançar a altura de uma pergunta
E perguntar por mim.
Já ninguém parte de madrugada
O caminho de ferro é dos poucos rios
Que ainda vive e viaja
Entre os vários lugares
Onde me espera a minha vida.
Vou chegar de madrugada,
A madrugada vazia de um lugar
Onde nada me espera
A não ser a minha vida.
O futuro não desinquieta
O passado que não há.
Onde futuro e passado
Não se desinquietam mutuamente.
Ormai più nessuno parte all’alba
E partire non vuol dire che ci sia qualcuno
Che assume uno sguardo profondo
Lanciato dall’alto delle falesie di un addio.
S’è persa quest’abitudine così portoghese
Dell’addio morso tra le labbra.
Non ci sono momenti che possano incastrarsi
In questo luogo e, indifferenti ai luoghi
Si vanno sgretolando in lontananza.
Dall’altra parte m’aspetta la mia vita.
Ed io partirò in un momento
In cui ormai nessuno pensa più a me
E nessuno riuscirà a riunire abbastanza parole
Per pervenire alla vastità di una domanda
E chiedere di me.
Ormai più nessuno parte all’alba
La ferrovia è uno dei pochi fiumi
Che ancora vive e viaggia
Tra i vari luoghi
Dove la mia vita m’attende.
Arriverò all’alba,
L’alba vuota di un luogo
Dove nessuno m’attende
Se non la mia vita.
Il futuro non stravolge
Il passato che non c’è.
Dove futuro e passato
Non si stravolgono reciprocamente.
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René Magritte
Tempo trafitto (1938)
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