Écloga


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Nos braços da exigua luz (1976) - Poesia Reunida 1967-2000 »»
 
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Écloga
Egloga


Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes, tu a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefação de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituísse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
das fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.

Ho sognato di te anche se nessun sogno
possa avere abitanti, te che io chiamo
amore, vorrei che ogni anno potesse aggiungere
un po’ più di convinzione a
questa parola. È vero, il sogno
potrà aver fatto sì che, in questa
rarefazione di entrambi, la tua presenza
s'imponesse - come se ogni accenno
della poesia ti restituisse un corpo
che io sento nel dire il tuo nome,
confondendo le tue
labbra col bordo di questa tazzina
di caffè già freddo. Allora, lo bevo
tutto d'un sorso: lo stesso si può fare
con l’amore, dato che tra me e te
s’è insediato tutto questo spazio -
terra, acqua, nuvole, fiumi e
l'oscuro lago del tempo
che l’inverno ruba alla trasparenza
delle fonti. È questo, però, che
fa sì che la solitudine non sia altro
che un luogo comune: sapere
che esisti, qui, e stare con te,
pur se solo il silenzio mi
risponde quando, una volta di più
ti chiamo.

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Giorgio Morandi
Natura morta con manichino (1918)

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