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Cemitério de Ayuruoca...
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Cimitero di Ayuruoca...
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Cemitério de Ayuruoca:
túmulo esquecido de minha mãe,
onde deixei umas flores amarelas.
À distância de apenas um braço,
o túmulo recente da tia Geni.
Tia Geni de coração enorme,
e voz aborrecida.
Tão aborrecida
que minha mãe usava-a
como pílula para dormir,
nas vezes que a visitava.
No ritmo da conversa
entrava num sono profundo.
O sono perfeito que procurara,
aflita, sem lugar, a semana inteira.
Foi com alguma surpresa
que percebi, sob meus pés,
as duas, ali, juntas, deitadas,
minha mãe e minha tia,
as duas dormindo o sono
do qual ninguém acorda,
e que alguns dizem eterno.
Pois que eterna é também essa visita,
que nunca, e nunca mais se acaba.
túmulo esquecido de minha mãe,
onde deixei umas flores amarelas.
À distância de apenas um braço,
o túmulo recente da tia Geni.
Tia Geni de coração enorme,
e voz aborrecida.
Tão aborrecida
que minha mãe usava-a
como pílula para dormir,
nas vezes que a visitava.
No ritmo da conversa
entrava num sono profundo.
O sono perfeito que procurara,
aflita, sem lugar, a semana inteira.
Foi com alguma surpresa
que percebi, sob meus pés,
as duas, ali, juntas, deitadas,
minha mãe e minha tia,
as duas dormindo o sono
do qual ninguém acorda,
e que alguns dizem eterno.
Pois que eterna é também essa visita,
que nunca, e nunca mais se acaba.
Cimitero di Ayuruoca:
il sepolcro dimenticato di mia madre,
ove ho deposto dei fiori gialli.
Alla distanza di un braccio appena,
il sepolcro recente della zia Geni.
Zia Geni dal cuore immenso,
e dalla voce soporifera.
Talmente soporifera
che mia madre la usava
come pillola per dormire,
quando l’andava a trovare.
Cullata dal ritmo della parlata
entrava in un sonno profondo.
Quel sonno perfetto cui anelava,
afflitta, smarrita, tutta la settimana.
Fu con un certo stupore
che avvertii, sotto i miei piedi,
loro due, lì, vicine, distese,
mia madre e mia zia,
dormendo entrambe il sonno
da cui mai nessuno ritorna,
e che certi dicono eterno.
Ed è eterna anche questa visita,
che mai e poi mai ha fine.
il sepolcro dimenticato di mia madre,
ove ho deposto dei fiori gialli.
Alla distanza di un braccio appena,
il sepolcro recente della zia Geni.
Zia Geni dal cuore immenso,
e dalla voce soporifera.
Talmente soporifera
che mia madre la usava
come pillola per dormire,
quando l’andava a trovare.
Cullata dal ritmo della parlata
entrava in un sonno profondo.
Quel sonno perfetto cui anelava,
afflitta, smarrita, tutta la settimana.
Fu con un certo stupore
che avvertii, sotto i miei piedi,
loro due, lì, vicine, distese,
mia madre e mia zia,
dormendo entrambe il sonno
da cui mai nessuno ritorna,
e che certi dicono eterno.
Ed è eterna anche questa visita,
che mai e poi mai ha fine.
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Paul Klee Cimitero (1920) |
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