Antielegia à enchente


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Antielegia à enchente
Antielegia all’alluvione


Amo a água maternal,
água de me beber o sonho,
ou de ir-me purificando
na chama da luz.
E banha o tempo.

Amo a vegetação
da água, quando
a natureza se acende
no fulgor dos animais.
Ou a chuva que, em ervas,
canta e o sol na água nua,
como mulher que, de amor,
se apura.

Mas chuva, se excessiva,
mata, inunda casas, estronda
cargas de velhas nuvens,
afoga e é como as enchentes
roem a sombra de meu povo,
em tambor bate a fome.
E o desastre não socorre
a imberbe vida.

E vejo ruas, praças invadidas,
com água que nos engole,
água de perversa índole,
ferina, desatenta.
E sei que nosso pampa
na peleja, resiste.

Erguemos a cabeça
e a água não derruba
o povo. Não, a água
não. O povo é mais
que o rio, a enchente.

O povo é força
que brota na semente.
E árvore de gerações
faz a floresta,
que, de crescer,
não cessa.
Amo l’acqua materna,
acqua che il mio sogno beve,
o che mi purifica
alla fiamma della luce.
E bagna il tempo.

Amo la vegetazione
dell’acqua, quando
la natura s’accende
nello splendore degli animali.
O la pioggia che, tra l’erba,
canta e il sole sull’acqua nuda,
come donna che, con l’amore,
s’eleva.

Ma la pioggia, se eccessiva,
uccide, inonda case, fa rintronare
masse di vecchie nuvole,
affoga ed è come se la piena
divorasse l’ombra della mia gente,
la fame rimbomba come un tamburo.
E la calamità non va in aiuto
alla vita nascente.

E vedo strade, piazze invase
dall’acqua che c’inghiotte,
acqua d’indole perversa,
ferina, indifferente.
E so che la nostra pampa
in questa lotta, resiste.

Alziamo la testa
e l’acqua non abbatte
la gente. No, l’acqua
no. La gente è più forte
del fiume, della piena.

La gente è forza
che germina nella semente.
Ed è albero che da generazioni
fa la foresta,
che, di crescere,
mai non cessa.
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Claude Monet
Inondazione a Giverny (1886)
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