Regras de protocolo


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Regras de protocolo
Regole di protocollo


Os que não têm lugar à mesa
devem rodar delicadamente para trás
e afastar-se sem barulho e sem notícia.
Os lugares foram reduzidos por forma a
um número crescente de convidados deixar
de ter lugar no banquete, sem qualquer aviso prévio
ou desculpa improvisada. Prontamente.

Conhecer as regras é necessário,
ignorá-las
é soberano.
Coloro che non hanno un posto al tavolo
devono tornare discretamente indietro
e allontanarsi senza chiasso né scalpore.
I posti sono stati ridotti cosicché
un numero crescente di invitati cesserà
d’avere un posto al banchetto, senza alcun preavviso
o giustificazione improvvisata. Prontamente.

Conoscere le regole è necessario,
ignorarle
è sovrano.
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Robert Delaunay
Rithme 3 (1938)
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Os livros mortos


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Os livros mortos
I libri morti


Alguns dizem não deixaremos a poesia,
ela atravessará connosco a miséria do mundo
e aonde quer que cheguemos ela falará por nós.
Outros pensam só num resto de decência,
para a proteger com as mãos, como uma frágil chama
se protege do vento.

Eu não sei. Todos os poemas queimados em praça
 pública
por louros estudantes arianos e belos,
todos os poetas exilados
em campos de trabalho e redenção pelo povo,
todos os que tiveram de passear
sob apupos e com orelhas de burro na cabeça,
porque burgueses afinal burgueses,
todos esses tiveram o seu prémio afinal.

Para os novos senhores é indiferente:
um simples jogo de linguagem sem pertinência
e sem valor acrescentado nas palavras
não lhes merece qualquer menção. Deixam-nos para
 trás,
porque somos todos nós afinal tão supérfluos e
 irrelevantes
como as palavras que caem
dos nossos livros mortos
Alcuni dicono che non lasceremo la poesia,
essa attraverserà con noi la miseria del mondo
e ovunque arriveremo, essa parlerà per noi.
Altri pensano solo ad un rimasuglio di decenza,
da proteggere con le mani, come una fiamma fioca
si protegge dal vento.

Io non so. Tutte le poesie bruciate sulla pubblica
 piazza
da biondi studenti belli ed ariani,
tutti i poeti esiliati
in campi di lavoro e di redenzione del popolo,
tutti quelli che hanno dovuto camminare
dileggiati e con le orecchie d’asino in testa,
perché borghesi, dopotutto borghesi,
tutti questi infine hanno avuto la propria ricompensa.

Per i nuovi signori è indifferente:
un semplice gioco linguistico senza rilevanza
e senza valore, potenziato dalle parole,
non dà loro diritto ad alcuna menzione. Ci lasciano
 perdere,
perché tutti noi in fondo siamo tanto superflui e
 irrilevanti
quanto le parole che cadono
dai nostri libri morti.
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Anselm Kiefer
"Des Herbstes Runengespinst" (2005)
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Nossa Senhora de Rocamadour (4)


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Nossa Senhora de Rocamadour (4)
Nostra Signora di Rocamadour (4)


Nós peregrinos caminhamos para ti desde todas as
 derrotas,
filhos espúrios da História, enjeitados de todos os triunfos,
chegamos a ti com o olhar turvo e a pisada amarga
e não somos bonitos de ver: caminhamos sobre toda a
 miséria
que o mundo amassou.

Somos muitos séculos e muitas dores,
chegamos a ti com as feridas abertas
e o coração endurecido. Mas viemos.
Que tu nos recebas é o que nos espanta,
que tu nos esperes é o que nos maravilha,
aqui estamos.

Senhora do lado escuro do tempo,
Virgem Negra da grande Dor,
um anjo não estará ao teu lado quando nos vires
 chegar,
nenhuma gota de água nos virá benzer
e a música continuará calada à beira do teu rosto
que não sorri.

Nós peregrinos para ti caminhamos
e assim será sobre todas as coisas

e todos os tempos.
Noi pellegrini ci rechiamo da te reduci da ogni
 disfatta,
figli bastardi della Storia, rifiutati da ogni trionfo,
a te giungiamo con lo sguardo torvo e il passo pesante
e non siamo belli da vedere: camminiamo sopra tutta la
 miseria
che il mondo ha ammucchiato.

Siamo molti secoli e molti dolori,
a te giungiamo con le ferite aperte
e il cuore indurito. Ma siamo venuti.
Che tu ci riceva, ci stupisce,
che tu ci attenda, ci meraviglia,
noi siamo qui.

Signora del lato oscuro del tempo,
Vergine Nera del grande Dolore,
non ci sarà un angelo a te accanto quando ci vedrai
 arrivare,
non ci sarà goccia d’acqua per benedirci
e la musica continuerà a tacere accanto al tuo viso
che non sorride.

Noi pellegrini ci rechiamo da te
e così sarà sopra tutte le cose

e tutti i tempi.
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Statua di Nostra Signora di Rocamadour
Vergine nera del XII secolo
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Imitado de Alberto Caeiro


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Imitado de Alberto Caeiro
Al modo di Alberto Caeiro


Ontem um homem das cidades
veio explicar-me os valores da vida.
Disse-me que a minha sobrevivência era um privilégio
e o aconchego dos banqueiros uma justiça.
Falou-me de uma nova sociedade, feita da esperteza
 e água fresca.
Deixei-o falar.
Ele não sabe que ficou também do lado dos que
 perdem
e até o descobrir virão mais rosas
e a areia cobrirá todos os jardins.
Ieri, un uomo delle città
è venuto a spiegarmi i valori della vita.
Mi ha detto che la mia sopravvivenza è un privilegio
e il benessere dei banchieri una giustizia.
Mi ha parlato di una nuova società, fatta di sagacia
 e d’acqua fresca.
L’ho lasciato parlare.
Egli non sa d’essere finito anche lui dalla parte dei
 perdenti
e, prima che lo scopra, fioriranno altre rose
e la sabbia coprirà tutti i giardini.
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Marinus van Reymerswale
Gli esattori (XVI secolo)
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Ed è subito sera


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Ed è subito sera
Ed è subito sera


Fez-se noite de repente.
Os meus livros escurecem nas estantes,
as coisas todas ganharam um triste e elegante tom
 de sépia
e os meus filhos, esses, constroem por si próprios as
 suas vidas.
Eu nunca plantei uma árvore.

Vem perto de mim:
de todas as cidades que atravessámos
nenhuma nos deu o mágico elixir,
mas todas nos ensinaram alguma coisa
daquilo que cresce ainda dentro de nós.
E d’un tratto s’è fatta notte.
I miei libri s’offuscano sui ripiani,
tutte le cose hanno assunto una triste ed elegante
 sfumatura di seppia
e i miei figli, loro, si fabbricano da sé stessi le
 proprie vite.
Io non ho mai piantato un albero.

Vienimi accanto:
di tutte le città che abbiamo attraversato
nessuna ci ha dato l’elisir magico,
ma tutte ci hanno insegnato qualcosa
di ciò che cresce ancora dentro di noi.
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Ad Minoliti
Nightlife (2017)
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