Os dois estranhos


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Os dois estranhos
I due estranei


Todos os amantes terminam separados.
O amor é um barco que veleja
a maré que se levanta quando a balsa fende a água
  unida na laguna que suga os clarões da terra
o avanço de uma hélice na noite estrelada.
Aos que viram o dia abrir-se como a cauda de um pavão
ou atravessam a tarde coberta de escamas
aos que ficam abraçados em camas sempre estreitas
e partilham a respiração do êxtase ouvindo uma torneira
  gotejar na sombra
está reservada a separação
como uma tatuagem que o tempo inscreve na anca
  bem-amada.
A porta antes fechada se abre para sempre
para que os corpos se cruzem e não se reconheçam.
Amor é escuridão. E quando a luz se acende
somos dois estranhos que evitam olhar-se.

Tutti gli amanti finiscono col separarsi.
L’amore è una barca che veleggia
è marea che s’alza quando lo scafo fende l’acqua unita
  sulla laguna che assorbe i bagliori della terra
è l’avanzata d’una lumaca nella notte stellata.
A coloro che han visto il giorno aprirsi come coda di pavone
o che attraversano la sera coperta di squame
a coloro che restano abbracciati in letti sempre stretti
e condividono il respiro dell’estasi ascoltando un rubinetto
  che gocciola nell’ombra
è riservata la separazione
come un tatuaggio che il tempo disegna
  sull’anca beneamata.
La porta prima chiusa s’apre per sempre
perché i corpi s’incrocino senza riconoscersi.
L’amore è oscurità. E quando la luce s’accende
siamo due estranei che evitano di guardarsi.

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Edward Hopper
Escursione nella filosofia (1959)

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