Todas as noites procuro...


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Todas as noites procuro...
Tutte le notti cerco...


Todas as noites procuro no céu
o meu mundo verdadeiro...
– planeta de carne de lágrimas
onde as fontes pensam,
as árvores gritam,
as pedras sangram
e o vento fala a nossa língua
que as flores da Terra não atendem
no enleio do cio dos insectos...

Um mundo com outra paisagem
tão diferente desta natureza
de ninfa de sol azul
que, todas as manhãs,
vem, com as suas blandícias de mulher,
algemar de flores as minhas mãos
que querem combater.
Tutte le notti cerco in cielo
il mio mondo vero...
– pianeta di carne di lacrime
ove le fonti pensano,
gli alberi gridano,
le pietre sanguinano
e il vento parla la nostra lingua
che i fiori della Terra non afferrano
nello scompiglio degli insetti in estro...

Un mondo con un altro paesaggio
assai differente da questa natura
di ninfa del sole blu
che, tutte le mattine,
viene, con le sue lusinghe di donna,
a porre manette di fiori alle mie mani
che chiedono di combattere.
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Wifredo Lam
Uragano (1945)
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Quero voar...


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Quero voar...
Vorrei volare...


Quero voar
- mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.

Quero morrer
- mas descem das nuvens
braços de angústia
que me seguram pelos cabelos.

E assim suspenso
no clamor da tempestade
como um saco de problemas
- tapo os olhos com as lágrimas
para não ver as algemas...

(Mas qualquer balouçar ao vento me parece Liberdade.)
Vorrei volare
- ma spuntano dal fango
artigli di terra
che mi agguantano le caviglie.

Vorrei morire
- ma scendono dalle nuvole
braccia d’angoscia
che mi tengono per i capelli.

E così sospeso
nel fragore della tempesta
come un sacco colmo di pene
- riempio gli occhi di lacrime
pur di non vedere le catene...

(Ma qualunque ondeggiamento al vento mi pare Libertà.)
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Lorenzo Quinn
Support (2017)
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Gorbatchov


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Gorbatchov
Gorbaciov


A fonte do sol desvelou-se
A foice dos olhos finalmente colheu
Todo o mistério e cegou todo o medo.
Sim, o teu nome é o nome da transparência,
O teu nome é o nome da terra reunificada,
O teu nome é o nome da queda,
Da separação gerada pelo silêncio.
O teu nome é uma página
Onde as pombas finalmente nidificam,
O teu nome é o fruto da oliveira.
O teu nome não cabe no espaço imenso do Leste.
E, por isso, te golpearam
E te fragmentaram.
O teu nome morre rapidamente.
Eu, impotente e pávido, vejo a tua morte.
Choro-te e as minhas lágrimas
Destroem estas palavras inúteis.
La fonte del sole s’è rivelata
Un battito d’occhi finalmente ha colto
Tutto il mistero e offuscato ogni timore.
Sì, il tuo nome è il nome della trasparenza,
Il tuo nome è il nome della terra riunificata,
Il tuo nome è il nome della caduta,
Della separazione generata dal silenzio.
Il tuo nome è una pagina
Ove le colombe finalmente nidificano,
Il tuo nome è il frutto dell’ulivo.
Il tuo nome non appartiene all’immenso spazio dell’Est.
E, perciò, t’hanno colpito
E t’hanno sbriciolato.
Il tuo nome muore rapidamente.
Io, impotente e pavido, vedo la tua morte.
Ti piango e le mie lacrime
Cancellano queste parole inutili.
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Georges Braque
Due uccelli su fondo blu (1959)
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Posso lá compreender os teus olhos...


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Posso lá compreender os teus olhos...
Non riesco proprio a capire i tuoi occhi...


Futuro: a Censura não deixou publicar
estes versos n'«O Diabo».


Posso lá compreender os teus olhos resignados
com qualquer mecânica de Primavera!

Eu que estou farto das canções vazias dos pássaros
e dos montes de pedras
que já ninguém sabe quem criou
neste enredo da preguiça das árvores
a repetirem sonâmbulas
a herança azul
do primeiro caos da criação.

Eu que quero outra luz,
outro sol,
outra morte,
neste planeta de cadáveres
enfurecido de flores.

Eu que só choro diante das paisagens
quando me lembro que por dentro das pedras
corre, negro e escondido,
o sangue humano de todos os fuzilados.

A Primavera queremos nós criá-la.
Nós, os homens.
Futuro: la Censura non ha permesso
di pubblicare questi versi su «Il Diavolo».


Non riesco proprio a capire i tuoi occhi arrendevoli
davanti a qualsiasi meccanicismo della Primavera!

Io che sono stufo di insulse canzoni d’uccelli
e di monti di pietra
che nessuno sa più chi li ha creati
in questa trama di pigrizia degli alberi
che ripropongono sonnambuli
l’azzurra eredità
del primo caos della creazione.

Io che voglio altra luce,
altro sole,
altra morte,
in questo pianeta di cadaveri
tempestato di fiori.

Io che piango davanti alla natura solo
quando mi rammento che dentro le pietre
scorre, nero e nascosto,
il sangue umano di tutti i fucilati.

La Primavera vogliamo crearla noi.
Noi, gli uomini.
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Cláudio Cesar
senza titolo (1990)
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Nunca encontrei um pássaro morto na floresta...


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Nunca encontrei um pássaro morto
na floresta...
Non ho mai trovato un uccello morto
nel bosco...


Nunca encontrei um pássaro morto na floresta.

Em vão andei toda a manhã
a procurar entre as árvores
um cadáver pequenino
que desse o sangue às flores
e as asas às folhas secas…

Os pássaros quando morrem
caem no céu.
Non ho mai trovato un uccello morto nel bosco.

Invano ho vagato ogni mattina
tra gli alberi cercando
un cadavere minuscolo
che donasse il sangue ai fiori
e le ali alle foglie secche…

Gli uccelli quando muoiono
cadono nel cielo.
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Joan Miró
Siesta (1925)
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