VII - numa grande árvore morta...


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VII - numa grande árvore morta...
VII - sopra un grande albero morto...


numa grande árvore morta
– mas viva
as aranhas engenharam longas teias
se derramando sobre o lago sereno
sopra un grande albero morto
– ma vivo
i ragni hanno ordito lunghe tele
che si estendono sopra il lago sereno
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Liam Rainsford
Albero caduto (2014)
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Ternura


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Ternura
Tenerezza


Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
Scosto dalle tue spalle il lenzuolo,
pervaso di tenerezza stropicciata,
della frescura che viene dopo il sole,
quando dopo il sole finisce la giornata...

Guardo gli abiti a terra: che tempesta!
Ci son resti di tenerezza qui e là
come fantasmi perduti per la città
ove si sia scatenata una tempesta...

Tu cominci a rivestirti, lentamente,
ed anch’io di tenerezza mi sto vestendo,
per fronteggiare là fuori quella gente
che della nostra tenerezza va ridendo...

Ma nessuno si sogna con che fretta ci spogliamo
non appena da soli noi due ci ritroviamo!
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Dario Fo
Coppia di amanti (1983)
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Casa


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Casa
Casa


Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão…

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.
Tentai di sfuggire alla zona più scura
che esiste sul tuo corpo, e rinunciai.
Era peggio della morte ciò che immaginai:
era l’angoscia di restare senza sepoltura.

Bevvi tra i tuoi fianchi la follia
di non poterti vivere distante:
tu sei l’ombra della mia casa natale,
tu sei la notte che di notte si fa mia.

Solo dentro di te ci sono corridoi
e nelle stanze interne c’è un aroma di frutta
che veste di frescura il tenebrore...

Solo dentro di te sbocciano fiori.
Solo dentro di te la notte ascolta
ciò che in silenzio esce dal mio cuore.
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Marc Chagall
Gli amanti (1928)
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Maria Lisboa


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Maria Lisboa
Maria Lisbona


É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração, a fragata.

Em vez de corvos no chaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.

É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas veias o latido
do motor duma traineira.

Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria;
seu apelido: Lisboa.
Pesciaiola con le babbucce,
si muove come una gatta.
Nel suo cesto, la caravella,
nel suo cuore, la flotta.

Invece dei corvi sullo scialle,
i gabbiani si vanno a posare.
Quando il vento la reca al ballo,
al ballo balla col mare.

È di conchiglie il vestito,
ci sono alghe tra i suoi capelli,
e nelle vene si sente il palpito
del motore di un naviglio.

Vende sogni e profumi di mare
ogni tempesta indovina.
Il suo nome è Maria
e il suo cognome: Lisbona.
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Abandono


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David Mourão-Ferreira »»
 
À Guitarra e à viola (1954-1960) »»
 
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Abandono
Abbandono


Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar

Levaram-te a meio da noite
A treva tudo cobria
Foi de noite numa noite
De todas a mais sombria
Foi de noite, foi de noite
E nunca mais se fez dia.
 
Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.
A causa del tuo libero pensiero
T’hanno recluso in un carcere distante
Così distante che il mio lamento
Fino a te non riesce ad arrivare
E tu soltanto senti il vento
E tu soltanto senti il mare

T’hanno preso nel cuore della notte
Tutto la tenebra avvolgeva lì intorno
Fu di notte, in una notte
Di tutte la più infausta
Fu di notte, fu di notte
E mai più si fece giorno.
 
Ai! Di quella notte il veleno
d’avvelenarmi non ha cessato
Sento soltanto il silenzio
Che il tuo posto ha occupato
E almeno tu senti il vento
E almeno tu senti il mare.
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