Linhas cruzadas


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Linhas cruzadas
Linee incrociate


Ai de mim!
Que não pedi p'ra nascer
E sou forçado a viver!

A Natureza espreitava
O desejo de meus pais.
E foi pedir ao destino
Que lhes cruzasse os caminhos
Que eles haviam de seguir.
Ah! Pobre mãe!
Antes tivesses nascido
Toda crivada de espinhos,
Estéril como cardo seco!
Mas tinhas olhos de moira:
Um lírio branco murchou
E o teu ventre concebeu
Este farrapo que eu sou.

Duas rectas que se cruzam,
Eis um ponto.
Esse ponto, em movimento,
Há-de ser recta também.
Essa recta e outra recta
Hão-de formar outro ponto,
Novo ponto, nova recta,
E sempre, assim sem remédio.

Eu sou um ponto nascido
De duas vidas cruzadas:
Trouxe comigo um impulso
Que me deu a Natureza
Para seguir um caminho
E a trajectória marcada.
O que me espera? Não sei.
Apenas sei que caminho,
Para um caminho de fel,
Para a certeza do Nada.
Comecei, era menino,
Sou cansado caminhante,
Serei velho peregrino,
E o Nada sempre distante.

Ai de mim!
Que não pedi p'ra nascer
E sou forçado a viver!
Ahimè!
Che non ho chiesto di nascere
E sono forzato a vivere!
 
La Natura spiava
La libido dei miei genitori.
E si rivolse al destino
Per far incrociare i cammini
Che avrebbero dovuto seguire.
Ah! Povera mamma!
Se almeno tu fossi nata
Tutta coperta di spine,
Sterile come un cardo secco!
Ma avevi begli occhi di mora:
Un giglio bianco appassì
Ed il tuo ventre concepì
Questo relitto che sono.
 
Due rette che s’incrociano,
Ed ecco un punto.
Questo punto, in movimento,
A sua volta una retta sarà.
Questa retta e un’altra retta
Formeranno un altro punto,
Nuovo punto, nuova retta,
E così sempre, senza pietà.
 
Io sono un punto nato
Da due vite incrociate:
Porto con me un impulso
Che m’ha impresso la Natura
Perché io segua un cammino
E la traiettoria prescritta.
Che cosa m’aspetta? Non so.
So solo che cammino,
Per un cammino dolente,
Per la certezza del Nulla.
Cominciai che ero un bambino,
Sono un esausto viandante,
Sarò un vecchio pellegrino,
E il Nulla, sempre distante.
 
Ahimè!
Che non ho chiesto di nascere
E sono forzato a vivere!
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Piet Mondrian
Composizione II (1929)
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