Preso Político


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Preso Político
Prigioniero politico


I
Quiseram pôr-me inteiro numa ficha.
O dia e a noite são iguais por dentro.
Não há papel que conte a minha vida
mais que estes versos de punhal à cinta.
A barba cresce, e cresce a voz armada
descendo pelos muros tão tranquila;
tão tranquila que já nem desespera
de ser apenas voz, não uma guerra.

Quiseram pôr-me inteiro numa ficha.
Não há papel que conte a minha vida
mais que estes versos, esta mão estendida
por sobre os muros só de medo e pedra.

II
Quando saíres, amigo, não me esqueças.
Fico à espera da tua novidade.
Olha bem que farás da liberdade:
quando saíres, amigo, não me esqueças.

Quero mais fazimento que promessas.
São de prata os enganos da cidade
com que outros sujeitam a vontade.
Não me esqueças, amigo, não me esqueças.
I
Volevano farmi stare tutto su una scheda.
Giorno e notte sono uguali dentro.
Non c’è documento che racconti la mia vita
meglio di questi versi, con un pugnale alla cinta.
La barba cresce, e cresce la voce armata
scendendo lungo i muri in tutta calma;
con tanta calma che più non si dispera
d’esser solo una voce, non una guerra.

Volevano farmi stare tutto su una scheda.
Non c’è documento che racconti la mia vita.
Meglio di questi versi, di questa mano tesa
sopra i muri fatti solo di paura e di pietra.

II
Quando uscirai, amico, non mi scordare.
Starò in attesa d’avere tue notizie.
Bada bene a quel che farai della libertà:
quando uscirai, amico, non mi scordare.

Preferisco le azioni alle promesse.
Sono d’argento gli inganni della città
coi quali altri sottomettono la volontà.
Non mi scordare, amico, non mi scordare.
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Giuseppe Uncini
Muro di cemento (1957)
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