Poesia


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Carlos Drummond de Andrade »»
 
Alguma poesia (1930) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Poesia
Poesia


Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Un'ora ho sprecato pensando ad un verso
che la penna non vuol scrivere.
Lui però sta qui dentro
inquieto, vivo.
Se ne sta qui dentro
e non vuole uscire.
Ma la poesia di questo momento
inonda la mia vita intera.

________________

Norman Rockwell
La luce fa la differenza (1925)
...

Poema de Sete Faces


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Carlos Drummond de Andrade »»
 
Alguma poesia (1930) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Poema de Sete Faces
Poesia a sette facce


Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Quando son nato, un angelo sghembo
di quelli che vivono in ombra
mi ha detto: Vai, Carlos, sii gauche nella vita.

Le case spiano gli uomini
che corrono dietro alle donne.
La sera forse sarebbe azzurra,
se non ci fossero tanti desideri.

Passa il tram ed è pieno di gambe:
gambe bianche nere e gialle.
Perché tante gambe, mio Dio, si chiede il mio cuore.
I miei occhi però
non chiedono nulla.

L'uomo dietro ai suoi baffi
è serio, semplice e forte.
A stento conversa.
Ha pochi, rari amici
l'uomo dietro ai baffi e agli occhiali.

Mio Dio, perché m’hai abbandonato
pur sapendo che io non ero Dio
pur sapendo che io ero fragile.

Mondo mondo vasto mondo,
se io mi chiamassi Raimondo
sarebbe una rima, ma non una soluzione.
Mondo mondo vasto mondo,
più vasto è il mio cuore.

Non dovrei dirtelo
ma questa luna
ma questo cognac
mi emozionano maledettamente.

________________

Oliver Quinto
Caricatura di Carlos Drummond de Andrade (1951)
...

No meio do caminho


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Carlos Drummond de Andrade »»
 
Alguma poesia (1930) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


No meio do caminho
Nel mezzo del cammino


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nel mezzo del cammino c'era una pietra
c'era una pietra nel mezzo del cammino
c'era una pietra
nel mezzo del cammino c'era una pietra.

Non mi scorderò mai di quell'avvenimento
nella vita delle mie stanche retine.
Non mi scorderò mai che nel mezzo del cammino
c'era una pietra
c'era una pietra nel mezzo del cammino
nel mezzo del cammino c'era una pietra.

________________

Giuseppe Penone
Idee di pietra (2008)
...

Infância


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Carlos Drummond de Andrade »»
 
Alguma poesia (1930) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Infância
Infanzia


Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro... que fundo !

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Mio padre montava a cavallo e andava in campagna.
Mia madre restava seduta a cucire.
Il mio fratellino dormiva.
Io bambino tutto solo in mezzo ai manghi
leggevo la storia di Robinson Crusoe,
lunga storia che non finisce mai.

Nel mezzogiorno bianco di luce una voce che ai tempi lontani
della schiavitù aveva imparato a cantare nenie - mai scordate
chiamava per servire il caffè.
un caffè nero più nero della vecchia negra
caffè delizioso
caffè buono

Mia madre restava seduta a cucire
e guardando verso di me:
- Shh... non svegliare il piccino.
Sulla culla s’era posato un moscerino
E mandava un sospiro... profondo !

Lontano mio padre cavalcava
nell’immensa boscaglia della fattoria.

E io non sapevo che la mia storia
era più bella di quella di Robinson Crusoe.

________________

Granger
Robinson Crusoe (1920)
...

A rua diferente


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Carlos Drummond de Andrade »»
 
Alguma poesia (1930) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


A rua diferente
La via è diversa


a minha rua estão cortando árvores
botando trilhos
construindo casas.

Minha rua acordou mudada.
Os vizinhos não se conformam.
Eles não sabem que a vida
tem dessas exigências brutas.

Só minha filha goza o espetáculo
e se diverte com os andaimes,
a luz da solda autógena
e o cimento escorrendo nas formas.

Nella mia via stanno tagliando alberi
posando binari
costruendo case.

La mia via s’è svegliata diversa.
I vicini non ci si abituano.
Loro non sanno che nella vita
c’è bisogno di queste crudeltà.

Solo mia figlia si gode lo spettacolo
e si diverte con le impalcature,
la luce della saldatrice autogena
e il cemento che scorre nelle armature.

________________

Yves Tanguy
Il Ponte (1925)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (19) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)