Brancos


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Brancos
Bianchi


lavo a roupa branca
e a estendo
no varal

à noite
atraída pelo branco

vem a lua cheia
iluminar
o meu quintal

e pousa
ao lado da roupa
no varal
lavo i capi bianchi
e li stendo
sullo stendino

per la notte
attratta dal bianco

sorge la luna piena
a illuminare
il mio cortile

e s’adagia
accanto alla biancheria
sullo stendino
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Berthe Morisot
Uno stenditoio di lavandaie (1875)
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Trens urbanos


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Trens urbanos
Treni urbani


Não são como os ratos ou os vira-latas.
Nunca desviam, os trens.
Este sempre acompanha o rio morto vivo.
Aqui dentro, uns lutam pra dormir, outros, pra acordar.
Uns achando que a vida é preparação pra morte
Outros, que a morte é o motor da vida.
Outros não acham nada. Sobrevivem
Os meus botões pensam:
morte em vida é que é o problema
Cocteau pensava além: a vida é uma queda na horizontal.
O trem pára. A porta se abre. Na falta,
qualquer rua, pra mim, é rio.
Non sono come i topi o i cani randagi.
Non deviano mai, i treni.
Questo qui costeggia sempre il fiume morto vivo.
Qui dentro, certi lottano per dormire, altri, per svegliarsi.
Certi convinti che la vita è preparazione alla morte
Altri, che la morte è il motore della vita.
Altri convinti di niente. Sopravvivono
Penso tra me e me:
il vero problema è la morte in vita
Cocteau andava oltre: la vita è una caduta orizzontale.
Si ferma il treno. S’apre la porta. In mancanza d’un treno,
qualunque strada, per me, è fiume.
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Isaac Levitan
Il treno sulla ferrovia (1891)
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Totem


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Totem
Totem


Uma baleia morta sobre a areia
muda o centro de gravidade
de um dia azul de cartão-postal.

As ondas perguntam e perguntam
por que se perdeu.

Apinhados ao longe
os homens só sabem repetir em alvoroço
o que as ondas perguntam.

Um homem se destaca dos demais:

19 metros, 40 toneladas —
brutal incerteza que aflora
abalando o centro de um dia azul.
Una balena morta sulla sabbia
muta il centro di gravità
di un giorno blu da cartolina illustrata.

Le onde chiedono e richiedono
perché s’è perduta.

Ammucchiati a distanza
gli uomini sanno solo ripetere agitati
quel che le onde domandano.

Un uomo si evidenzia tra la folla:

19 metri, 40 tonnellate —
brutale incertezza che affiora
turbando il centro di un giorno blu.
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Esaias van de Velde
La balena spiaggiata (1617)
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Tormenta


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Tormenta
Martirio


e vieram os pássaros
e bicaram-lhe os olhos

e vieram os martelos
e pregaram-lhe as unhas

e vieram os funis
e forçaram-lhe
goela abaixo
o que não queria
de jeito nenhum
e vennero gli uccelli
e gli beccarono gli occhi

e vennero i martelli
e gli inchiodarono le unghie

e vennero gli imbuti
e gli spinsero
giù in gola
quel che non desiderava
affatto
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Andres Serrano
Tortura (2015)
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Tiranias


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Tiranias
Tirannie


Antigamente
diziam: cuidado,
as paredes têm ouvidos

então,
falávamos baixo
nos policiávamos

hoje
as coisas mudaram:
os ouvidos têm paredes

de nada
adianta
gritar.
Un tempo
si diceva: attenzione,
le pareti hanno orecchie

allora,
parlavamo piano,
ci dominavamo

oggi
le cose son cambiate:
le orecchie hanno pareti

non serve
a niente
gridare
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Meret Oppenheim
L'orecchio di Giacometti (1977)
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