Soneto amargo de convívio humano


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Soneto amargo de convívio humano
Sonetto amaro dell’umana convivenza


A pouco se reduz esta aventura:
rio sombrio de palavras feito,
onde cada garganta é um parapeito
sobre o líquido engano que murmura…
 
De pedra, de silêncio e hostilidade,
somos estátuas verdes mas esquivas.
Odiar? Amar? – Apenas tentativas
falhadas nas esquinas da saudade.
 
E já nenhuma esp’rança nos consegue
manter o morto corpo desatento:
somente partilhamos o tormento
a que vai cada um de nós entregue.
 
Que no entanto o rio nos iluda,
com sua eterna melopeia aguda.
A ben poco quest’avventura si riduce:
è fiume ombroso fatto di parole,
dove ogni gola è un davanzale
sopra il liquido inganno che fluisce…

Di pietra, di silenzio e d’avversione,
siamo statue verdi ma scontrose.
Odiare? Amare? – Appena tentativi
falliti nei recessi della nostalgia.

Né ormai speranza alcuna è capace
di rincuorarci il morto corpo disattento:
condividiamo solamente il tormento
a cui ciascuno di noi due si concede.

E che frattanto il fiume c’illuda,
con la sua eterna melopea acuta.
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Fausto Bertasa
Superficie in movimento (2001)
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Sala de Espera


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Sala de Espera
Sala d’attesa


Quem foi antes de mim não demorou,
aqui, senão o tempo de cansar-se....
Fiquei, na sala verde, eu só:
a sós comigo, só
impuro e sem disfarce...

Verde, também, a vida onde esperamos
o fim que bem sabemos nos espera...
Mas enquanto aqui estamos
sejam verdes os ramos
e verde a Primavera...

Quem por aqui passou, passou
em busca dum pavor que lhe faltara...
Fiquei, na sala verde, eu só.
(Agora nem me dou
à flor mais rara...)

Perto me aguarda a simples decisão.
(Que por enquanto, aqui, é só a espera.)
- E, arrependido, o coração
vai dizendo que não
à Primavera.
Chi c’è stato prima di me non s’è attardato,
qui, se non il tempo di stancarsi....
Sono rimasto, nella sala verde, io soltanto:
da solo con me, solo
impuro e senza fingimenti...

Verde, ugualmente, la vita di cui attendiamo
la fine che, ben lo sappiamo, ci attende...
Ma fintanto che qui restiamo
siano verdi i rami
e verde la Primavera....

Chi è passato di qui, è passato
in cerca d’un orrore che gli mancava...
Sono rimasto, nella sala verde, io soltanto.
(Adesso neppur mi offro
al fiore più raro....)

D’appresso m’aspetta la semplice decisione.
(Ché intanto, qui, è solamente attesa.)
- E, pentito, il cuore
s’è messo a dire di no
alla Primavera.
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Anne Russinof
Green Whirl (2017)
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I - estou diante da Natureza...


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Narlan Matos »»
 
Rebanhos de estrelas (2023) »»
 
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I - estou diante da Natureza...
I - sto davanti alla Natura...


estou diante da Natureza pura
com minha harpa e minha lira
e não a contemplo como coisa em si
mas como um templo
sto davanti alla Natura pura
con la mia arpa e la mia lira
e non la contemplo come cosa in sé
ma come un tempio
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Claude Gellée Lorrain
Paesaggio con pastori (1644)
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Praia do Esquecimento


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Praia do Esquecimento
Spiaggia dell’oblio


Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada.
A minha vida nem consente
rumor de gente
na praia desolada.

Apenas decisão de esquecimento:
mas só neste momento eu a descubro
como a um fruto rubro
de que, sem já sabê-lo, me sustento.

E do Sol amarelo que há no céu
somente sei que me queimou a pele.
Juro: nem dei por ele
quando nasceu.
Fuggo dall’ombra; chiudo gli occhi: non c’è nulla.
La mia vita neppur consente
rumoreggiar di gente
sulla spiaggia brulla.

Non è che ferma volontà d’oblio:
ma solo in questo momento io la scopro
come fosse un frutto vermiglio
di cui, pur senza saperlo, mi nutro.

E del Sole giallo che sta in cielo
so solamente che la pelle m’ha bruciato.
Giuro: neppur m’ero accorto di lui
quando s'è levato.
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John Miller
Levar del sole sulla baia (1999)
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Elegia do Ciúme


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Elegia do Ciúme
Elegia della gelosia


A tua morte, que me importa,
se o meu desejo não morreu?
Sonho contigo, virgem morta,
e assim consigo (mas que importa?)
possuir em sonho quem morreu.

Sonho contigo em sobressalto,
não vás fugir-me, como outrora.
E em cada encontro a que não falto
inda me turbo e sobressalto
à tua mínima demora.

Onde estiveste? Onde? Com quem?
— Acordo, lívido, em furor.
Súbito, sei: com mais ninguém,
ó meu amor!, com mais ninguém
repartirás o teu amor.

E se adormeço novamente
vou, tão feliz!, sem azedume
— agradecer-te, suavemente,
a tua morte que consente
tranquilidade ao meu ciúme.
Della tua morte a me che importa,
se il mio desiderio non è morto?
È te che sogno, vergine morta,
e così riesco (ma poi che importa?)
a possedere in sogno chi è morto.

È te che io sogno anelante,
tu non mi sfuggirai, come un tempo.
E ad ogni incontro a cui mi presento
ancora mi turbo e sussulto
per ogni tuo minimo indugio.

Dove sei stata? Dove? Con chi?
— Mi desto, cereo e furente.
D’un tratto, io so: con nessun altro,
amor mio!, con nessun altro
il tuo amore tu mai spartirai.

E se m’addormento di nuovo
mi sento felice!, senza frenesia
— ti ringrazio, riconoscente,
per la tua morte che consente,
infine, quiete alla mia gelosia.
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Christian Köhler
Otello con Desdemona addormentata (1859)
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