Declaração


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Declaração
Dichiarazione


Teorias são brinquedos
Que, por mim, não tomo a sério.
Tomo a sério os meus enredos.
Crer… só sei crer no Mistério.

De doutrinas não me importo!
Sinto-me bem no mar alto.
Só me recolho ao meu porto.
Convidam-me, e sempre eu falto.

De escolas, não sou aluno.
Se comunico, é em verso.
Sou muito diverso,
E uno.
Le teorie sono passatempi
Che io però non prendo per davvero.
Prendo sul serio i miei maneggi.
Credere… credo solo nel Mistero.

Delle dottrine non m’importa molto!
Mi sento a mio agio in alto mare.
Rientro solamente nel mio porto.
Se m’invitano, finisco col mancare.

Di scuole, non sono alunno.
Se comunico, è col verso.
Sono molto diverso,
E uno.
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Guy Fouré
Invito alla preghiera (2017)
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Sucata


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Sucata
Ferraglia


I
Fecha esses olhos, fecha-os,
Que a sua luz ofende.
Mas não! arranca-os, deixa-os
Na praça em que se vende
Toda a sucata inútil.
Quiçá os compre um velho poeta fútil.

II
A sua luz ofende, humilha.
Não compartilha
Das pequeninas luzes
Que alumiam os vários alcatruzes
De cada nova nora.
Fecha esses olhos, fecha-os, ou arranca-os, deita-os
 fora!
Não vês que vão perdendo todo o emprego?
Desfaz-te de eles, ─ fica cego.

III
Na praça em que se vende
Toda a sucata inútil,
Quiçá os compre um velho poeta fútil.
Já nada, a este, ofende.
Servir-lhe-ão
Talvez de claridade,
Talvez de companhia ou diversão.
Coitado! Vive ao pé da Eternidade.
I
Chiudi i tuoi occhi, chiudili,
Che la loro luce offende.
Ma no! strappali, lasciali
Nella piazza dove si vende
Tutta la ferraglia inutile.
Magari li comprerà qualche poeta futile.

II
La loro luce offende, umilia.
Non assomiglia
Ai lumicini gialli
Che illuminano i vari secchielli
Di ogni nuova noria.
Chiudi quegli occhi, chiudili, o strappali, buttali
 via!
Non vedi che van perdendo il loro scopo?
Disfati di loro, ─ rimani cieco.

III
Nella piazza in cui si vende
Tutta la ferraglia inutile,
Magari li comprerà qualche poeta futile.
A costui, ormai, più nulla l’offende.
Gli serviranno
Forse per la luminosità,
Forse come compagnia o passatempo.
Misero! Vive sul limitare dell’Eternità.
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Ferdinando Brambilla
La bottega dell'antiquario (1898)
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Estação término


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Estação término
Stazione finale


Como um navio no mar
A meio da noite a casa,
E o vento e a chuva em redor.
Lá dentro, a um canto do lar
Onde um bom tronco se abrasa,
O homem sentado espera.
Se alguém chegar,
Terá luz, terá calor.
Batem à porta. Quem dera
Que fosse realidade!
Já teve tais decepções
O homem que há tanto espera!
Mas agora, alguém batera
Que chega da tempestade,
Que percorreu solidões...
«Entre quem é!» Pode ser
Alguém que venha roubar,
Assassinar, ofender...
«Entre quem é!» Não importa
Se alguém vem que bate à porta.
O homem só quer abrir.
Chegou, por fim, a saber
Que, venha lá quem vier,
Seja quem for,
Só um dos dois pode ser
Desde que não a fingir:

A Morte, o Amor.
Come sul mare un bastimento
Nel cuor della notte la casa,
E tutt’intorno pioggia e vento.
Là dentro, vicino al focolare
Dove un bel ciocco sta ardendo,
L’uomo seduto è in attesa.
Se giungerà qualcuno,
Troverà luce e calore.
Battono alla porta. Chissà
Che non sia realtà!
Ha sofferto già tante delusioni
L’uomo che da tanto è in attesa!
Ma ora, ha bussato qualcuno
Che viene dalla tempesta,
Dopo aver percorso solitudini...
«Avanti chi è!» Può essere
Qualcuno che venga per rubare,
Uccidere, offendere...
«Avanti chi è!» Non importa
Se qualcuno viene a battere alla porta.
L’uomo non desidera che aprire.
È riuscito, infine, a capire
Che, chiunque stia per venire,
Non importa chi sia,
Solamente uno dei due può essere
Salvo che non sia un impostore:

La Morte, l’Amore.
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Edvard Munch
Autoritratto (1923-24)
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Poema


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Poema
Poesia


Crispou-se a minha mão sobre o teu sexo,
Fecharam-se-me os olhos sem querer…
De que abismos voava até ao fundo?
E a minha mão sondava
E triturava
Aquele mundo
Tão pequenino e tão complexo:
O teu mistério de mulher.
Mi si rattrappì la mano sopra il tuo sesso,
Mi si chiusero gli occhi, senza ch’io volessi...
Di quale abisso stavo volando al fondo?
E la mia mano esplorava
E stritolava
Quel mondo
Così piccino eppur complesso:
Il tuo mistero di donna.
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Henri de Toulouse-Lautrec
A letto (1893)
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Ode a Eros


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Ode a Eros
Ode a Eros


Eros, Cupido, Amor, pequeno Deus travesso
Com quem todos brincamos!
Brincando nos ferimos,
Ferindo-nos gozamos,
Se rimos já choramos,
Mal que choramos rimos...
Já, voltados do avesso,
Por igual o voltamos,
O torturamos nós como ele nos tortura,
Descemos aos recessos da criatura...

Pequenino gigante!
Sonhava, ou não sonhava,
Quem te representou risonho e pequenino
Que de Hércules a clava
Não pesa como pesa a tua mão de infante,
Nem seu furor destrói
Como nos dói
Teu riso de menino?

Nas tuas leves setas
Nas flâmulas gentis
Que cantam os poetas
E os namorados juvenis,
Que longos ópios e letais licores,
Que pântanos de lodo e que furores,
Que grinaldas de louros e de espinhos,
Que abissais labirintos de caminhos!

Mascarilha de seda e de veludo
Sob a qual o olhar brilha, a boca ri,
Que olhar ambíguo ou mudo,
Que boca atormentada
Não terás além ti
Na mascarada?

Pai da Crueldade e da Piedade,
Filho do Crime e da Beleza,
Que infante serás tu, que, desde que há Idade,
Aos Ícaros opões a mesma astral parede,
E os Lázaros susténs dos restos dessa mesa
Em que se bebe sempre a mesma sede,
Se come
A mesma fome?

Divindade nocturna
Que te cinges de rosas,
Suprema fúria mascarada
Que a porta abres do céu... escancarada
Sobre o negro vazio duma furna,
Que a urna de cristal nas mãos formosas
Vens ofertar às bocas sequiosas
E escorres sangue do cristal da urna,
Que tens tu afinal, ao fundo da caverna
Sempre aos mortais vedada:
A eterna morte... o nada,
Ou a vida eterna?
Eros, Cupido, Amore, piccolo Dio ribaldo
Con cui tutti giochiamo!
Giocando ci feriamo,
Ferendoci godiamo,
Se ridiamo poi piangiamo,
Dopo aver pianto subito ridiamo. . .
Già, voltati a rovescio,
Del pari lo rivoltiamo,
ci tortura,
Scendendo ai recessi della creatura...

Minuscolo gigante!
Sognava, o non sognava,
Chi ti rappresentò ridente e piccino
Che d’Ercole la clava
Non pesa quanto pesa la tua mano d’infante,
Né il suo furor distrugge
Quanto ci affligge
Il tuo sorriso di bambino?

Nei tuoi lievi strali
Nelle fiammelle gentili
Che cantano i poeti
E i giovani innamorati,
Che spossanti morfine e letali liquori,
Che pantani di limo e che furori,
Che ghirlande d’alloro e di spini,
Che abissali labirinti lungo i cammini!
 
Mascherina di seta e di velluto
Sotto cui lo sguardo brilla, la bocca ride,
Che sguardo ambiguo o muto,
Che bocca tormentata
Non vedrai a te innanzi
Nella mascherata?

Padre di Crudeltà e di Pietà,
Figlio del Crimine e della Bellezza,
Che pargolo sarai tu, che, da tempo immemorabile,
Agli Icari frapponi la stessa parete astrale,
E i Lazzari sostenti coi resti della tavola
Ove si beve sempre la stessa sete,
Si mangia
La stessa fame?

Divinità notturna
Tu che t’adorni di rose,
Suprema furia mascherata
Tu che apri la porta del cielo... spalancata
Sopra il nero vuoto d’una grotta,
Tu che l’urna di cristallo nelle mani aggraziate
Vieni ad offrire alle bocche assetate
E versi sangue dal cristallo dell’urna,
Che cosa tieni tu infine, in fondo alla caverna
Sempre agli uomini preclusa:
L’eterna morte... il nulla,
O la vita eterna?
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William-Adolphe Bouguereau
Sussurri d'amore (1825-1905)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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