Mar


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Mar
Mare


I
De todos os cantos do mundo
Amo com amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

II
Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

I
Di tutti i recessi del mondo
Amo con amore più forte e più profondo
Quella spiaggia estasiata e nuda
Ove mi unii al mare, al vento e alla luna.

II
Respiro la terra gli alberi e il vento
Che la primavera riempie di profumi
Ma tutto ciò che cerco e a cui aspiro
È il selvaggio effluvio delle onde
Che salgon verso gli astri come un grido puro.

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Félix Vallotton
Chiar di luna (1895)

Poema de Helena Lanari


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Poema de Helena Lanari
Poesia di Helena Lanari


Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como frutos nítidas como pássaros
Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas
Sem perder sequer um quinto de vogal

Quando Helena Lanari dizia o "coqueiro"
O coqueiro ficava muito mais vegetal

Mi piace ascoltare il portoghese del Brasile
Dove le parole recuperano la propria sostanza totale
Concrete come frutti e vivide come uccelli
Mi piace ascoltare la parola con tutte le sue sillabe
Senza perdere neanche un quinto di vocale

Quando Helena Lanari pronunciava “coqueiro”
La palma da cocco risultava molto più vegetale

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Aldemir Martins
Marina con 'coqueiros' (2003)

Ítaca


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Ítaca
Itaca


Quando as luzes da noite se reflectirem imóveis
  nas águas verdes de Brindisi
Deixarás o cais confuso onde se agitam palavras
  passos remos e guindastes
A alegria estará em ti acesa como um fruto
Irás à proa entre os negrumes da noite
Sem nenhum vento sem nenhuma brisa só um sussurrar
  de búzio no silêncio

Mas pelo súbito balanço pressentirás os cabos
Quando o barco rolar na escuridão fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília de um segundo nascimento

O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto

Quando le luci della notte si rifletteranno immobili
  nelle verdi acque di Brindisi
Tu lascerai la confusione del molo dove s’agitano parole
  passi remi e gru
In te la gioia rimarrà luminosa come un frutto
Andrai a prua fra i tenebrori della notte
Senza alcun vento senza alcuna brezza solo un sussurrare
  di conchiglia nel silenzio

Ma per l’improvviso rollio percepirai le cime
Della nave quando s’addentrerà nell’oscurità compatta
Ti troverai spersa all’interno della notte nel respiro del mare
Perché questa è la vigilia d’una seconda nascita

Il sole unito al mare ti desterà nell’intenso blu
T’alzerai con la lentezza dei resuscitati
Avendo ritrovato la tua essenza la tua saggezza iniziale
Emergerai confermata e riunita
Stupita e giovane come le statue arcaiche
Con i gesti ancora avvolti tra le pieghe del tuo manto.

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Silvana Marra
Marea (2013)

Escuto


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Escuto
Ascolto


Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

Ascolto ma non so
Se quel che odo è silenzio
O dio

Ascolto senza sapere se sto udendo
Il risuonare delle pianure deserte
O l’attenta coscienza
Che ai confini dell'universo
Mi decifra e mi scruta

So solo che procedo come chi
È guardato amato e conosciuto
E perciò in ogni gesto metto
Solennità e azzardo.

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Felice Casorati
Silvana Cenni (1922)

Crepúsculo dos Deuses


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Crepúsculo dos Deuses
Crepuscolo degli Dei


Um sorriso de espanto brotou nas ilhas do Egeu
E Homero fez florir o roxo sobre o mar
O Kouros avançou um passo exactamente
A palidez de Atena cintilou no dia

Então a claridade dos deuses venceu os monstros
  nos frontões de todos os templos
E para o fundo do seu império recuaram os Persas

Celebrámos a vitória: a treva
Foi exposta e sacrificada em grandes pátios brancos
O grito rouco do coro purificou a cidade

Como golfinhos a alegria rápida
Rodeava os navios
O nosso corpo estava nu porque encontrara
Sua medida exacta
Inventámos: as colunas de Sunion imanentes à luz.
O mundo era mais nosso cada dia

Mas eis que se apagaram
Os antigos deuses sol interior das coisas
Eis que se abriu o vazio que nos separa das coisas
Somos alucinados pela ausência bebidos pela ausência
E aos mensageiros de Juliano a Sibila respondeu:

«Ide dizer ao rei que o belo palácio jaz por terra quebrado
Febo já não tem cabana nem loureiro profético
  Nem fonte melodiosa.
A água que fala calou-se»

Un sorriso di stupore sbocciò sulle isole Egee
E Omero fece fiorire la porpora sul mare
Il Kouros avanzò esattamente d’un passo
Il pallore d’Atena scintillò nel giorno

Ecco che il chiarore degli dei vinse i mostri
  sui frontoni di tutti i templi
E i Persiani si ritirano fino ai limiti estremi del loro impero

Celebrammo la vittoria: la tenebra
Fu esposta e sacrificata in vasti recinti bianchi
Il grido roco del coro purificò la città

La repentina gioia come delfini
Attorniava le navi
Il nostro corpo era nudo perché aveva trovato
La sua giusta dimensione
Concepimmo: le colonne di Sunion immanenti alla luce
Il mondo era ogni giorno più nostro

Ma ecco che scomparvero
Gli antichi dei sole interiore delle cose
Ecco che s’aprì il vuoto che ci separa dalle cose
Restammo allucinati dall’assenza ebbri d’assenza
E ai messaggeri di Giuliano la Sibilla rispose:

«Andate a dire al re che il bel palazzo giace al suolo distrutto
Febo non abita più qui non ha più lauro oracolare
  né sorgente melodiosa.
L’acqua parlante s’è ammutolita»

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Michelangelo Buonarroti
La Sibilla Cumana (Cappella Sistina)
(1508-1512)

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