A solidão


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A solidão
La solitudine


A noite abre os seus ângulos de lua
E em todas as paredes te procuro

A noite ergue as suas esquinas azuis
E em todas as esquinas te procuro

A noite abre as suas praças solitárias
E em todas as solidões eu te procuro

Ao longo do rio a noite acende as suas luzes
Roxas verdes e azuis

Eu te procuro.

La notte apre le sue falci di luna
E su tutti i muri io ti cerco

La notte erige i suoi angoli blu
E in tutti quegli angoli ti cerco

La notte dischiude le sue piazze solitarie
E in ogni solitudine ti cerco

La notte accende le sue luci lungo il fiume
Luci verdi violette e blu.

E io ti cerco.

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Giorgio de Chirico
L'Enigma dell'Arrivo e del Pomeriggio
(1911-1912)

Para atravessar contigo o deserto do mundo...


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Para atravessar contigo o deserto do mundo...
Per attraversare con te il deserto del mondo...


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.

Per attraversare con te il deserto del mondo
Per affrontare insieme il terrore della morte
Per vedere la verità, per perder la paura
A lato dei tuoi passi camminai

Per te lasciai il mio regno il mio segreto
La mia notte veloce il mio silenzio
La mia perla rotonda e il suo oriente
Il mio specchio la mia vita la mia immagine
E abbandonai i giardini del paradiso

Qua fuori alla luce senza il velo del giorno duro
Senza gli specchi vidi che ero nuda
E la brulla distesa si chiamava tempo

Perciò con i tuoi gesti mi vestisti
E a vivere imparai in pieno vento.

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Alberto Burri
Cretto bianco (1974)

O poema


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O poema
La poesia


O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

La poesia mi condurrà nel tempo
Quando io non sarò più io
E solitaria passerò
Fra le mani di chi legge

La poesia qualcuno la declamerà
Alle messi

Il suo passaggio si confonderà
Col rumore del mare con lo spirar del vento

La poesia abiterà
Lo spazio più tangibile e più attento

Nell’aria tersa nelle sere trasparenti
Le sue sillabe tonde

(O antiche o lunghe
Eterne dolci sere)

Pur se io muoia la poesia troverà
Una spiaggia ove infrangervi le onde

E fra quattro spesse pareti
Di profonda e consunta solitudine
Qualcuno confonderà sé stesso
Con questa poesia nel tempo

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Pierre Auguste Renoir
La lettrice (1876)

Exílio


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Exílio
Esilio


Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

Quando la patria che abbiamo non l’abbiamo
Perduta per silenzio e per rinuncia
Persino la voce del mare si fa esilio
E la luce che ci circonda è come grate.

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Piet Mondrian
Composizione con grigio e ocra (1918)

Despedida


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Despedida
Separazione


Na estação na tarde o fumo
O rumor o vaivém as faces
Anónimas
Criam no interior do amor um outro cais

As lágrimas
O fogo da minha alma as queima antes que brotem

Di sera alla stazione il fumo
Il rumore il viavai i volti
Anonimi
Creano dentro l’amore un’altra banchina

Le lacrime
Il fuoco della mia anima le estingue prima che spuntino

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Claude Monet
La stazione di Saint-Lazare (1877)

Nuvola degli autori (e alcune opere)

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