Diamante


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Diamante
Diamante

 e navegas com o tempo escultor de lápides
 Dora Ferreira da Silva, “Koré”

o que passou
é duro
como lápide

e risca com seu cristal
o precipício da memória

nas paredes do que passou
o vento não faz eco

há apenas o som
de cascalho seco
e a rochosa disciplina
do tardo

o que passou
é vazio
como lápide

e o horológio
— cada ponteiro um cinzel —
esculpe lápides

 y navegas con el tiempo escultor de lápidas
 Dora Ferreira da Silva, “Koré”

lo que paso
está duro
como una lápida

y raya con su cristal
el precipicio de la memoria

las paredes de lo que paso
el viento no hace eco

hay apenas el sonido
de gravilla seca
y la rocosa disciplina
de la tarde

lo que paso
esta vació
como lápida

y el reloj
— cada puntero un cincel —
esculpe lápidas

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Caspar David Friedrich
Cementerio del claustro en la nieve (1810)
...

Diamante


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Diamante
Diamante

 e navegas com o tempo escultor de lápides
 Dora Ferreira da Silva, “Koré”

o que passou
é duro
como lápide

e risca com seu cristal
o precipício da memória

nas paredes do que passou
o vento não faz eco

há apenas o som
de cascalho seco
e a rochosa disciplina
do tardo

o que passou
é vazio
como lápide

e o horológio
— cada ponteiro um cinzel —
esculpe lápides

 e navighi col tempo scultore di lapidi
 Dora Ferreira da Silva, “Koré”

ciò ch’è passato
è duro
come lapide

e raschia col suo cristallo
il baratro della memoria

sui muri di ciò ch’è passato
il vento non fa eco

c’è solo il suono
di pietrisco secco
e la rocciosa disciplina
dell’ottuso

ciò ch’è passato
è vuoto
come lapide

e l’orologio
— ogni lancetta uno scalpello —
scolpisce lapidi

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Caspar David Friedrich
Cimitero del monastero sotto la neve (1810)

Grão


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Grão
Granello

aprende a chamar
o silício
pela alcunha

e a mastigar
sem medo
o osso limpo das horas

tudo que tens
é essa
mastigação

degusta teu dia
como
grão sem limites

impara a chiamare
il silicio
col suo nomignolo

e a masticare
senza paura
l’osso mondo delle ore

tutto ciò che hai
è questa
masticazione

degusta il tuo giorno
come
granello senza limiti

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Jim Denevan
Cerchi di sabbia (Land-art, opera effimera)

Nu


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Nu
Nudo

1.
o tempo te
recobre
pele de gaze
peso
de cobre

couro de tempo
esticado
em tuas costas

não gostas
dessa casaca
mas dela não
podes
te despir

não curtes
esse couro mas
ele te fere
como segunda
pele
nessa casaca
tua casa
tua casca

2.
estás sempre
nu
vestido de
 tempo

nu
diante do espelho
 partido

nu diante do exército
de formigas
 ferozes que

marcham
contra ti
e arrastam grãos
 de terra
para o tecido
de tua camisa

tua veste de
brisa tem
– sempre mais –
o peso
do cobre

teu canto de
guerra
– cada dia mais –
encerra o tom
de dobre

1.
il tempo ti
ricopre
pelle di garza
peso
di rame

cuoio di tempo
teso
sulla tua schiena

non ti piace
questa casacca
ma non te ne
puoi
svestire

non conci
questo cuoio ma
lui ti ferisce
come seconda
pelle
in questa casacca
tua casa
tua scorza

2.
tu sei sempre
nudo
vestito di
 tempo

nudo
davanti allo specchio
 infranto

nudo davanti alle truppe
di formiche
 feroci che

marciano
contro di te
e trascinano granelli
 di terra
per il tessuto
della tua camicia

la tua veste di
brezza ha
– sempre di più –
il peso
del rame

il tuo canto di
guerra
– ogni giorno di più –
cela rintocchi
a morto

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Masaccio
Cacciata dei progenitori dall’Eden (1425)

Fidelidade


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Fidelidade
Fedeltà

só a pedra é fiel
a sim mesma:

a lesma {e seus
coleios}

a lesma {e sua
gosma}

de molusco} é
sempre

o avesso do que
se supõe

mas a pedra ¿não
será ela

mesma uma forma
dura de lesma?

solo la pietra è fedele
a se stessa:

la lumaca {e le sue
contrazioni}

la lumaca {e la sua
bava

di mollusco} è
sempre

l'opposto di quel che
si suppone

ma la pietra: non
sarà lei

stessa una forma
dura di lumaca?

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István Orosz
Lumaca (2003)

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