Passando dos cinquenta


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Rota de colisão (1993) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Passando dos cinquenta
Oltre i cinquanta


Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.
Il mio collo s’increspa.
Immagino che sia
per il muovere la testa
osservando la vita.
E s’increspano le mani
stanche dei propri gesti.
E le palpebre
così strizzate al sole.
Solo della bocca non so
il senso delle rughe
se per i tanti sorrisi
o per serrare i denti
sulle cose taciute.
________________

Paul Cezanne
La signora in blu (1904)
...

No escuro manchado de luz


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Rota de colisão (1993) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


No escuro manchado de luz
Nel buio macchiato di luce


Em noites de lua cheia
é tão intensa a vida
no jardim
que durmo aflita
como quando adormeço
no cinema
e a história leva adiante
amor e lutas
além das minhas pálpebras
fechadas.
Nelle notti di luna piena
così intensa è la vita
in giardino
che io dormo agitata
come quando m’addormento
al cinema
e la storia porta avanti
amori e lotte
al di là delle mie palpebre
chiuse.
________________

Giulio Turcato
Superficie lunare (1968)
...

Morte sob o sol


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Rota de colisão (1993) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Morte sob o sol
Morte sotto il sole


Quando se abate uma casa
não se crava o machado de um só golpe
bem junto da raiz.
Nem é de pé que ela cai
com suas ramagens.
Uma casa
se mata devagar.

Extirpa-se primerio o corrimão da escada
abrindo para a queda os inúteis degraus.
Retiram-se as ferragens
as madeiras internas.
Depois se arrancam portas e janelas
vazam-se na fachada os alizares cegos.
E quem passa já sabe.
Aquí não mais se mora.
Só então é a vez das telhas
esfoladas sem sangue uma por uma.

Ossos à mostra
jaz
mais que morto
o descarnado esqueleto
no jardim.
Crua laparotomia dos meus fantasmas
a casa em que vivi é posta abaixo.
Vão-se os espectros todos sem abrigo
desfazendo as imágenes superpostas.
Vão nossos sons gravados na poeira.
E as palavras
palavras tantas que fiamos juntos
e que as paredes guardam entranhadas
são desfeitas a golpes de marreta.
Quando si abbatte una casa
l’ascia non penetra in un sol colpo
fino alla sua radice.
E neppure è in piedi che cade
con tutta la ramaglia.
Una casa
si uccide con lentezza.

Per primo si estirpa il corrimano della scala
aprendo la caduta agli inutili gradini.
Si toglie la ferraglia
e il legname interno.
Dopo si spiantano porte e finestre
si asportano dalla facciata le cornici cieche.
E chi passa già lo sa.
Qui non si abita più.
Solo allora è il momento delle tegole
sfilate senza sangue una per una.

Con le ossa in mostra
giace
più che morto
lo scheletro scarnificato
nel giardino.
Cruda laparotomia dei miei fantasmi
la casa in cui ho vissuto è rasa al suolo.
Se ne vanno gli spettri ormai senza riparo
disperdendo le effigi sovrapposte.
Se ne vanno i nostri suoni incisi nella polvere.
E le parole
tante parole che insieme abbiam tessuto
e che le pareti serbavano nell’intimo
vengono dissolte a colpi di mazzetta.
________________

Paul Cezanne
Casa con le pareti incrinate (1892-1894)
...

Lá fora, a noite


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Rota de colisão (1993) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Lá fora, a noite
Là fuori, la notte


É quando a família dorme
– inertes as mãos nas dobras dos lençóis
pesados os corpos sob a viva mortalha –
que a mulher se exerce.
Na casa quieta
onde ninguém lhe cobra
ninguém lhe exige
ninguém lhe pede
nada
caminha enfim rainha
nos cômodos vazios
demora-se no escuro.
E descalços os pés
aberta a blusa
pode entregar-se
plácida
ao silêncio.
È quando la famiglia dorme
– inerti le mani tra le pieghe dei lenzuoli
pesanti i corpi sotto il vivo sudario –
che la donna si concretizza.
Nella casa quieta
dove nessuno la reclama
nessuno la esige
nessuno la implora
niente
s’aggira finalmente regina
nelle stanze vuote
indugia nel buio.
E a piedi scalzi
con la blusa aperta
può offrirsi
placida
al silenzio.
________________

Paul Delvaux
L'attesa (1948)
...

Canção para um homem e um rio


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Rota de colisão (1993) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Canção para um homem e um rio
Canzone per un uomo e un fiume


Porque era um homem sincero
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas sincero não era
era só homem
e deixei nos junquilhos a esperança
de dar à minha espera serventia.

Porque era um homem forte
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas forte ele não era
era só homem
e entre pedras deixei o meu desejo
de abandonar o arado, a forja, e a lança.

Porque podia me amar
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas amante não era
era só homem
e na água afoguei a minha sede
de palavras mais doces que ambrosia.

Porque era um homem
só homem
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Credendo che fosse un uomo sincero
al fiume lo portai tra le giunchiglie.
Ma sincero non era
era soltanto un uomo
e lasciai tra le giunchiglie la speranza
di appagare infine la mia attesa.

Credendo che fosse un uomo forte
al fiume lo portai tra le giunchiglie.
Ma forte non era
era soltanto un uomo
e tra i sassi lasciai il mio desiderio
d’abbandonare l’aratro, la forgia e la lancia.

Credendo che mi potesse amare
al fiume lo portai tra le giunchiglie.
Ma amante non era
era soltanto un uomo
e nell’acqua affogai la mia sete
di parole più dolci dell’ambrosia.

Poiché era un uomo
soltanto un uomo
al fiume lo portai tra le giunchiglie.
________________

Oskar Kokoschka
Due nudi (1913)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (553) Orides Fontela (14) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (360) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)