Entre mim e ele...


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Entre mim e ele...
Tra lui e me...


Entre mim e ele há uma relação mimética
Se me movo ele move-se
se estou quieto ele mantém-se imóvel

Não sei se sou eu que me duplico
se é um outro de mim que emerge
Às vezes julgo que estou diante de um espelho
e não me reconheço
e todavia ele retrata a aparência da minha identidade
Mas é nos raros momentos em que tudo está assente
como se o mundo fosse definitivo
que encontro o alento para me manter calmo
e nada esperar já que tudo é a germinação do ócio
quando a luz promete o que nunca dá
e apesar disso o instante é a culminação voluptuosa
de ser tudo o que pode ser à beira do impossível

Tra lui e me c’è una relazione mimetica
Se io mi muovo lui si muove
se sto tranquillo lui si mantiene immobile

Non so se sono io che mi duplico
o se è uno diverso da me che emerge
Talvolta penso di stare davanti a uno specchio
e non mi riconosco
benché questo rimandi l'effigie della mia identità.
Ma è nei rari momenti in cui tutto è assente
come se il mondo fosse definitivo
che trovo il coraggio di mantenermi calmo
e non aspettarmi nulla giacché tutto germina per inerzia
quando la luce promette quel che non dà mai
e ciò nonostante l'istante è la culminazione voluttuosa
d'essere tutto ciò che può essere al limite dell'impossibile

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René Magritte
La riproduzione vietata (1937)

Alguns dizem que...


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Alguns dizem que...
Certi dicono che...


Alguns dizem que eu escrevo de mais
como se tivesse escrito alguma coisa
Não, todas as minhas inscrições foram acenos
a algo que nunca atingi
e que era a única coisa que eu desejava dizer

Sei hoje que talvez não fosse nada
mas seria a descompressão a nulidade liberta
que restabeleceria a circulação solar
nas palavras e nos músculos na visão da terra
Seria a maravilha a surpreendente simplicidade

Quis envolver-me na sombra e subir com a sombra
e a sombra era o fogo não o lume tranquilo
da lucidez e do verde das árvores
Apenas entrevi o ouro da água
e não me banhei nela não a sulquei com um barco de folhas
Dispersei-me na areia sem me apagar
e fui sempre uma sombra obstinada

Certi dicono che io scrivo troppo
come se avessi scritto qualcosa
No, tutti i miei scritti sono stati accenni
a qualcosa che non ho mai centrato
e che era l’unica cosa che volessi dire

Oggi capisco che forse non era niente
ma servirebbe da decompressione da genuina vacuità
che ristabilirebbe la circolazione solare
nelle parole e nei muscoli nella visione della terra
Sarebbe la meraviglia la sorprendente semplicità

Ho voluto circondarmi d’ombra e con l'ombra salire
e l'ombra era il fuoco non la fiamma tranquilla
della lucidità e del verde degli alberi
Ho appena intravisto l’oro dell’acqua
e non mi ci bagnai non la solcai con una barca di foglie
Mi son disperso nella sabbia senza svanire
e sempre sono stato un’ombra ostinata

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Alighiero Boetti
Segno e disegno (1978)

Agrípia


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Agrípia
Agrípia


Agrípia, foi a partir de ti que eu renasci
na luminosa corola de um sorriso
e os meus navios cinzentos e perdidos
seguiram a bondade do teu rumo.
Esta casa não seria a minha casa
se não fosse a tua branca arquitectura
e o teu hálito límpido que me guarda
nas suas tranquilas coordenadas.
Por ti o horizonte está em casa
e nele eu vivo contigo a ondulada
permanência da alma iluminada.

Agrípia, è grazie a te ch’io son rinato
nella luminosa corolla d'un sorriso
e i miei vascelli grigi e smarriti
hanno seguito la generosità del tuo richiamo.
Questa casa non sarebbe la mia casa
se non ci fosse la tua bianca architettura
e il tuo alito limpido che mi ripara
tra le sue tranquille coordinate.
Grazie a te ho l’orizzonte in casa
e in esso io vivo con te l’oscillante
permanenza dell'anima illuminata.

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Frida Kahlo
Lucha Maria, la ragazza di Tehuana (1942)

É por ti que vivo...


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É por ti que vivo...
È per te che vivo...


Amo o teu túmido candor de astro
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva

Por ti eu sou a leve segurança
de um peito que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata

Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto

Amo il tuo turgido candore d’astro
la tua pura e delicata integrità
la tua eterna adolescenza segreta
la tua ardente e altera fragilità

Per te io sono la lieve sicurezza
d'un cuore che pulsa e canta la sua fiamma
che s’innalza e s’inchina al tuo alito d'uccello
o alla pioggia dei tuoi petali d'argento

Se custodissi un tesoro, non lo terrei per me
perché a te io voglio offrire la pace d'un sogno aperto
che permanga e fluisca lento nelle tue vene
e che sia un profumo o un bacio un sospiro solare

Io t’offro questo fragile fiore questa pietra di pioggia
perché tu senta la verde frescura
d'un frutteto di bianche cortesie
perché è per te che vivo ed è per te che nasco
perché amo l'oro vivo del tuo volto

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Gustav Klimt
Ritratto di Adele Bloch-Bauer (1907)

É por ti que escrevo...


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É por ti que escrevo...
È per te che scrivo...


É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia

Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul

É porque amo a cálida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de água iluminada
o teu sorriso solar

é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a túmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um oásis
para a oferenda do meu sangue inquieto

onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

È per te che scrivo per te che non sei musa né dea
ma la donna del mio orizzonte
nell'imperfezione e nella non-coincidenza del quotidiano

A te io auguro l’ovale quiete
in cui tu possa identificarti nella limpidezza d'un centro
in cui la felicità si riveli come un giardino bianco
ove tu riconosca la dalia dalla tua azzurra identità

È perché io amo l’ardente bellezza del tuo petto
la pura latitudine della tua fronte
il tuo sguardo d’acqua luminosa
il tuo sorriso solare

è perché senza te non conoscerei il girasole dell'orizzonte
né la tumida integrità del grano
che io cerco le fragranti parole d'un’oasi
per l'offerta del mio sangue inquieto

ove presagisco la rossa traiettoria di un sole
che chiede di risplendere su ampie pianure
solcate dalla sontuosità d’un tranquillo fiume

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Trono Ludovisi
Bassorilievo greco classico (460-450 a.C.)

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (17) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)