Vandalismo


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Vandalismo
Vandalismo


Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Com os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos.

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

Il mio cuore ha cattedrali immense,
Templi di vetuste e longinque date,
Ove un nume d’amor, in serenate,
Canta il virgineo alleluia delle credenze.

Sulla fulgida ogiva e sui colonnati
S’irradian luci catartiche ed intense
Scintillio di lampade sospese
E d’ametiste e di corone e argenti.

Con i vecchi Templari medievali
Un giorno entrai in queste cattedrali
E in questi templi limpidi e benigni.

E sollevando il gladio e brandendo l'asta,
Con la veemenza dell'iconoclasta
Infransi l’immagine dei miei stessi sogni!

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Claude Monet
Cattedrale di Rouen in pieno sole (1894)
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Soneto - Ao meu primeiro filho


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Soneto - Ao meu primeiro filho
Sonetto - Al mio primo figlio


Ao meu primeiro filho nascido
morto com 7 meses incompletos.
2 fevereiro 1911

Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,

Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
Em tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!

Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!

Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na noumenalidade do NÃO SER!

Al mio primo figlio nato morto
a 7 mesi non completati.
2 febbraio 1911

Infelice aggregato di sangue e calce,
Frutto scarlatto di carne agonizzante,
Figlio della grande forza fecondante
Della mia bronzea trama neuronale,
 
Quale potere embriologico fatale
Ha distrutto, con la sinergia d'un gigante,
Nella tua morfogenesi infantile
La mia morfogenesi ancestrale?!
 
Frazione della mia plasmatica sostanza,
In che posto ti toccherà passar l’infanzia,
Tragicamente anonimo, a imputridire?!
 
Ah! Che tu possa dormire, feto obliato,
Panteisticamente disgregato
Nella noumenologia del NON ESSERE !

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Jago
Lookdown (2020)
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Soneto - A meu Pai depois de morto


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Soneto - A meu Pai depois de morto
Sonetto - A mio Padre dopo morto


Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra.
Em seus lábios que os meus lábios osculam
Microrganismos fúnebres pululam
Numa fermentação gorda de cidra.

Duras leis as que os homens e a hórrida hidra
A uma só lei biológica vinculam,
E a marcha das moléculas regulam,
Com a invariabilidade da clepsidra!...

Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos
Roída toda de bichos, como os queijos
Sobre a mesa de orgíacos festins!...

Amo meu Pai na atômica desordem
Entre as bocas necrófagas que o mordem
E a terra infecta que lhe cobre os rins!

Putrido Padre mio! La Morte rese vitreo il suo sguardo.
Sulle sue labbra che le mie labbra baciarono
Microorganismi mortiferi pullulano
In una fermentazione untuosa come cedro.

Dure leggi quelle che gli uomini e l’orrida idra
Ad un’unica legge biologica vincolano,
E la marcia delle molecole regolano,
Con l’invariabilità della clessidra!…

Putrido Padre mio! E la mano che coprii di baci
Brulica tutta di vermi, come certi formaggi
Sopra la tavola di orgiastici festini!…

Amo mio Padre nell’atomico disordine
Tra le bocche necrofaghe che lo mordono
E la terra infetta che gli copre le reni!

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Cândido Portinari
Gruppo che veglia un morto (1955)
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Soneto - A meu Pai morto


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Soneto - A meu Pai morto
Sonetto - A mio Padre morto


Madrugada de Treze de Janeiro,
Rezo, sonhando, o ofício da agonia.
Meu Pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse à minha Mãe que me dizia:
"Acorda-o"! deixa-o, Mãe, dormir primeiro!

E saí para ver a Natureza!
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma névoa no estrelado véu..-

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,
Como Elias, num carro azul de glórias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

Sul far del giorno del Tredici gennaio,
Recito, in sogno, l’ufficio d’agonia.
Mio Padre a quell’ora accanto a me moriva
Senza un gemito, come un mite agnellino!

Ed io neppur sentii il suo ultimo respiro!
Quando mi ridestai, pensai ch’egli dormisse,
E a mia madre che diceva “Sveglialo!” dissi:
Lascialo, Madre, lascia che dorma ancora!

Ed uscii per ammirare la Natura!
Ovunque quell’abisso di bellezza pura,
E nulla che offuscasse lo stellato velo...-

Ma mi parve veder, tra le stelle in festa,
Come Elia, su d’un glorioso carro celeste,
L’anima di mio Padre che saliva al Cielo!

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Kostandin Zografi
Elia sul carro di fuoco (fine XVIII sec.)
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Soneto - A meu Pai doente


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Soneto - A meu Pai doente
Sonetto - A mio Padre malato


Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!

Que coisa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as árvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Mágoas crescendo e se fazendo horrores!

Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?!

- Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
É bom, é justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!

Ovunque andrai, Padre, ovunque andrai,
Anch’io verrò, lungo le stesse vie...
Tu, per alleviare le sofferenze tue,
Io, per alleviare le afflizioni mie!

Che cosa triste! Il campo è senza fiori,
Ed io senza certezze e gli alberi così nudi
E tu che gemi, e l’orrore dei nostri due
Dolori che van crescendo, diventando orrori!

Padre mio, t’han ferito?! Che mano perversa,
Indifferente ai mille tormenti tuoi
Poté colpirti tanto senza provar rimorso?!

- Forse la mano di Dio?! Ma Dio in fondo
È buono, è giusto, ed essendo giusto, Dio,
Dio non doveva affliggerti a tal punto!

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Edvard Munch
Agonia (1915)
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