Também de rasgões...


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Altra traduzione:
António Ramos Rosa »»
 
A Intacta Ferida (1991) »»
 
Francese »»
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Também de rasgões...
Anche di lacerazioni...


Também de rasgões é feito o poema
entre uma possível estrela e a carne dolorosa
E nele se desenha a sombra de um crânio
ou as mãos vazias que perderam o rasto
de um segredo evidentemente submerso no opaco

Anche di lacerazioni è fatta la poesia
tra una possibile stella e la carne dolorosa
E sopra vi si disegna l'ombra d'un cranio
o le mani vuote che hanno perso la traccia
d'un segreto evidentemente sommerso nel torbido

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Alberto Burri
Sacco e Rosso (1959)

A casa


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Collezione:
 
Altra traduzione:
António Ramos Rosa »»
 
O Não e o Sim (1990) »»
 
Francese »»
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A casa
La casa


A tua voz é vegetal e eleva-se com o vento.
Quero demorá-la, fazer dela uma casa
ou um tronco. Que seja a minha noite
com um ardor de eternidade. E a sabedoria
de estar entre plantas tranquilas.
Tudo estará comigo perto de uma nascente
e eu mover-me-ei entre nocturnas veias
e sobre as pedras lisas.
Vejo os barcos da sombra entre as constelações
e estou perto, estou perto. A minha casa é aqui.
La tua voce è vegetale e s'alza col vento.
Voglio abitarla, fare di lei una casa
o un tronco. Che sia la mia notte
con un impeto d'eternità. E la consapevolezza
di trovarmi tra piante tranquille.
Per me tutto sarà vicino a una sorgente
ed io mi muoverò entro notturne vene
e sopra le pietre lisce.
Vedo le barche dell'ombra tra le costellazioni
ed io vi sto vicino, molto vicino. La mia casa è qui.
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Paul Klee
Città di sogno (1921)

Apreender com as palavras...


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António Ramos Rosa »»
 
O Livro da Ignorância (1988) »»
 
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Apreender com as palavras...
Cogliere con le parole...


Apreender com as palavras a substância mais nocturna
é o mesmo que povoar o deserto
com a própria substância do deserto
Há que voltar atrás e viver a sombra
enquanto a palavra não existe
ou enquanto ela é um poço ou um coágulo do tempo
ou um cântaro voltado para a sua própria sede

Talvez então no opaco encontremos a vértebra inicial
para que possamos coincidir com um gesto do universo
e ser a culminação da densidade
Só assim as palavras serão o fruto da sombra
e já não do espelho ou de torres de fumo
e como antenas de fogo nas gretas do olvido
serão inicialmente matéria fiel à matéria
Cogliere con le parole la più notturna essenza
è lo stesso che popolare il deserto
con l’essenza stessa del deserto
C’è da tornare indietro e vivere l'ombra
mentre la parola non esiste
o mentre essa è un pozzo o un coagulo di tempo
o una brocca rovesciata dalla sua stessa sete

Forse allora troveremo nel fosco la vertebra iniziale
per poter coincidere con un moto dell'universo
ed essere il punto culminante della densità.
Solo così le parole saranno il frutto dell’ombra
e non certo dello specchio o delle torri di fumo
e come antenne di fuoco nelle fessure dell’oblio
saran fin dal principio materia fedele alla materia
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Antonello da Messina
San Gerolamo nello studio (1474-1475)

Árvores


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António Ramos Rosa »»
 
No Calcanhar do Vento (1987) »»
 
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Árvores
Alberi


O que tentam dizer as árvores
no seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverencia, a ressonância, a transparência
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve integridade.
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.
Che cosa tentano di dire gli alberi
nel loro lento silenzio e nei loro vaghi sussurri,
il senso del loro stare nel luogo in cui stanno,
la riverenza, la risonanza, la trasparenza
e gli accenti chiari e ombrosi d’un’aerea frase.
E le ombre e le foglie sono l’innocenza di un’idea
che tra l’acqua e lo spazio ha raggiunto una lieve integrità.
Nel magico spirare della luce vi sono barche trasparenti.
Non so se è aria se è sangue che sgorga dai loro rami.
Odo la finissima spuma delle loro gole verdi.
Non sto, non starò mai lontano da quest’acqua pura
e da questi antichi fari d’ ignote isole.
Che pura serenità della memoria, che orizzonti
circondano il pozzo silenzioso! È un cantare nel sonno
e il vento e la luce sono il respiro d’un bimbo
che dal ramo d’un albero abbraccia il mondo
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Vincent van Gogh
Albero di gelso (1889)

O presente absoluto


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Altra traduzione:
António Ramos Rosa »»
 
Volante verde (1986) »»
 
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O presente absoluto
Il presente assoluto


Duas bocas descobrem o veludo incandescente
e saboreiam o sabor perfeito de um fruto liso
que é um sumo do universo. Com a sua espuma constante
os amantes tecem uma abóbada leve de seda e espaço.
Vivem num volume cintilante o presente absoluto.

  Corpos encerrados em superfícies delicadas
abrem-se como velas vermelhas e o calor brilha,
clareiras acendem-se numa tranquilidade branca,
os olhos embriagam-se de miríades de cores
e todos os vocábulos são recentes como o orvalho.

  Criam a origem pela origem, num corpo duplo e uno,
transformam-se subindo morrendo em verde orgia,
inertes renascem de onda em onda radiantes,
reconhecem-se no vento que os expande e os dissolve,
o mundo é uma brecha, um esplendor, um redemoinho.
Due bocche scoprono il velluto incandescente
e assaporano il perfetto sapore d'un frutto liscio
che è un succo dell'universo. Con la loro schiuma costante
gli amanti intessono una volta leggera di seta e spazio.
Vivono in un volume scintillante il presente assoluto.

Corpi racchiusi in superfici delicate
s'aprono come vele vermiglie e il calore brilla,
radure si rischiarano in una bianca quiete,
gli occhi s’inebriano di miriadi di colori
e tutti i vocaboli sono recenti come la rugiada.

  Creano l'origine dall'origine, in un corpo doppio e unico,
si trasformano ascendendo e morendo in verde orgia,
inerti rinascono di onda in onda sfolgoranti,
si riconoscono nel vento che li dilata e li dissolve,
Il mondo è una breccia, uno splendore, un vortice.
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Scuola Pahari (India del Nord)
Incontro di Radha e Krishna tra gli alberi (1785 circa)

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (17) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)