Cântico III


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Cântico III
Cantico III


Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.

Non dire dove termina il giorno.
Dove comincia la notte.
Non proferire vane parole.
Le parole del mondo.
Non dire dove comincia la Terra,
Dove termina il cielo
Non dire fino a dove esisti tu.
Non dire fino a dove esiste Dio.
Non proferire vane parole.
Liberati della triste vanità di parlare.
Pensa, in assoluto silenzio,
Fino alla gloria di restare in silenzio,
Senza pensare.

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Jeroen Buitenman
Giclée mask (2000)

As três moças trazem um sol torrado...


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As três moças trazem um sol torrado...
Le tre ragazze portano in sé un sole tostato...


As três moças trazem um sol torrado,
Falam com sílabas de coco e palmeira
E ar verde e aves coloridas.
As três moças falam com dentes brancos,
Falam como se andassem nuas
Em busca da terra grávida de água.
Gesticulam como se dançassem
Diante da madrugada.

Le tre ragazze portano in sé un sole tostato,
Parlano con sillabe di cocco e di palma
E d’aria verde e d’uccelli variopinti.
Le tre ragazze parlano con denti bianchi,
Parlano come se camminassero nude
In cerca di terra gravida d’acqua.
Si muovono come se danzassero
Al cospetto dell’aurora.

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Emiliano Di Cavalcanti
Donne, fiori e are (1966)
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Cumpri. Não que tenha cumprido...


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Poemas Sociais (2019) »»
 
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Cumpri. Não que tenha cumprido...
Ho completato. Non è che abbia completato...


Cumpri. Não que tenha cumprido
Quanta luz havia para acender;
Não que tudo tenha sido destinado,
Mas cumpri quanto a minha visão
Me deixou cumprir.
Por isso, tudo cumpri.
Ho completato. Non è che abbia completato
D’accendere tutta la luce che andava accesa;
Non che tutto sia stato portato a termine,
Ma ho completato quanto la mia visuale
M’ha permesso di completare.
Perciò, tutto ho completato.
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Marc Chagall
Consummatum est (1937)
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Ah! Há séculos que carregamos...


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Ah! Há séculos que carregamos...
Ah! Sono secoli che sopportiamo...


Ah!

Há séculos que carregamos
Os chibos dos deuses,
Anafados, moleirões.
Esperamos o teólogo
Que nos venha livrar
Destas varizes da alma
E os mande todos à merda!
 (Obrigado, O’Neill)

Ah!

Sono secoli che sopportiamo
I lacchè degli dei,
Panciuti, rammolliti.
Siamo in attesa del teologo
Che venga a liberarci
Da queste varici dell’anima
E li mandi tutti a spalar merda!
 (Grazie, O’Neill)

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Fernando Botero
Il Presidente (2004)
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A vida de família


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A vida de família
La vita in famiglia


a vida de família tornou-se bem difícil
com as contas a pagar os filhos a fazer
ou a evitar a ranhoca a limpar
a vida de família não tem razão de ser
não tem ração de querer

a vida de família jangada da medusa
é o tablado da antropofagia

mas ficam os retratos cristo virgem maria
e os sobreviventes, que vão chupando os dentes

la vita in famiglia s’è fatta assai difficile
coi conti da pagare i figli da fare
o da evitare il moccio da pulire
la vita di famiglia non ha ragione d’essere
non ha razione da richiedere

la vita in famiglia zattera della medusa
è il palcoscenico dell’antropofagia

ma restano i ritratti cristo la vergine maria
e i sopravviventi, che risucchiano l’aria fra i denti

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Jan de Bray
Ritratto di famiglia (1626-1627)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

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