A forma oficia o barro...


Nome :
 
Collezione :
Fonte :
 
Altra traduzione :
Nuno Rocha Morais »»
 
Poesie inedite »»
nunorochamorais.blogspot.com (luglio 2022) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


A forma oficia o barro...
La forma glorifica la creta...


A forma oficia o barro,
É muitos indivíduos informes,
Uma revoada de equívocos
Que não admitem réplica,
Manancial: sou.
Aqui estão coisas que não chegarão a ser,
Tantos e tantos futuros. Seja.
Há talvez um nome que me procura,
Élitro e música que desce
De onde não pode ser ouvida
Para o último seu destino primeiro,
Onde não será ouvida,
Porque o seu verdadeiro destino é este,
A duração, deixando a memória
De uma vibração inscrita no espaço,
No som do tempo e do espaço,
Como a anilha na pata de uma estrela.
O ser estrangeiro é enorme
Dentro de mim, devora-me,
Perde-me: talvez dure,
Não sei, vibre, nome de música própria.

La forma glorifica la creta,
È molti individui informi,
Uno stormo di equivoci
Che non ammettono replica,
Sorgente: sono io.
Qui ci sono cose che non arriveranno ad esistere,
Tanti e tanti futuri. Che io sia.
Forse c’è un nome che mi sta cercando,
Elitra e musica che discende
Da dove non può essere udita
Verso il suo primo e ultimo destino,
Dove non sarà udita,
Poiché il suo vero destino è questo,
La durata, lasciando la memoria
D’una vibrazione inscritta nello spazio,
Nel suono del tempo e dello spazio,
Come l’anellino sulla zampa d’una stella.
L’essere dentro di me straniero
È enorme, mi divora,
Mi perde: può darsi che duri,
Non so, che vibri, nome della musica stessa.

________________

Arnaldo Pomodoro
Sfera grande (1998)
...

Foto no álbum


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Passageira em Trânsito (2009) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Foto no álbum
Foto nell’album


A minha mãe casou em campo aberto
às vésperas da guerra, uma das tantas.
O seu magro tailler
seu chapéu de menina
e o enorme buquê,
flores silvestres
colhidas pela tropa da montanha.
Tão jovem minha mãe e
diante dela
aquele altar cercado de soldados
na mira cega das metralhadoras.
Se sorri não se vê
na foto antiga.
Mas meu pai
de uniforme
cruza os braços por sobre as cartucheiras
adianta o pé na bota de campanha
e posa
vencedor da sua batalha.
Mia madre si sposò all’aperto
alla vigilia della guerra, una delle tante.
Il suo smilzo tailleur
il suo cappello da bimba
e l’enorme bouquet,
fiori selvatici
colti dalla truppa di montagna.
Tanto giovane mia madre e
davanti a lei
quell’altare accerchiato da soldati,
cieco bersaglio delle mitragliatrici.
Non si vede se sorride
nella vecchia foto.
Ma mio padre
in uniforme
con le braccia incrociate sopra la giberna
avanza il piede nello stivale da combattimento
e posa
vincitore della sua battaglia.
________________

Banksy
Kids on guns (2003)
...

Essa chuva


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Passageira em Trânsito (2009) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Essa chuva
Questa pioggia


Essa chuva não cai
ela é atirada como se atiram pedras,
lapida o ar ferindo folha e telha
sangrando em lama o chão
por entre talos.
Essa chuva não cai
ela é lançada com acerto de flecha
por mão que bem conhece o seu ofício.
E para o olho ausente
tudo é alvo.
Questa pioggia non cade
viene lanciata come si lanciano le pietre,
lapida l’aria e ferisce foglie e tegole,
fa sanguinare in melma il suolo
in mezzo ai gambi.
Questa pioggia non cade
viene lanciata con esattezza di freccia
da una mano che sa bene il suo mestiere.
E per l’occhio assente
tutto è bersaglio.
________________

Pompeo Mariani
L'acquazzone (1925)
...

Entre ferro e fio


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Passageira em Trânsito (2009) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


Entre ferro e fio
Tra ferro e filo


Como punhal
sem sangue
e sem ruído
a agulha vara a carne do tecido.
Ouvem-se apenas
do metal vencido
a queixa do dedal
e um leve sibilar
ferindo as fibras.
A linha se insinua
serpente que
entre trama e urdidura
de outros fios se defende
e ponto a ponto
impõe
nova estrutura.
A essa falsa fronteira
que sem ser cicatriz
o corte emenda escondida na beira
a essa semovente arquitetura
batizamos
costura.
Come pugnale
senza sangue
e senza schianto
l’ago trapassa la carne del tessuto.
S’odono appena
del metallo vinto
il lamento del ditale
e un lieve sibilare
nel ferire le fibre.
La refe s’insinua
serpente che
fra trama e ordito
da altri fili si difende
e punto per punto
impone
nuova struttura.
Questa falsa frontiera
che senza esser cicatrice
il taglio rammenda nascosta nel suo orlo
questa semovente architettura
l’abbiamo battezzata
cucitura.
________________

Felice Casorati
Cucitrice (1931)
...

E são tantas


Nome :
 
Collezione :
 
Altra traduzione :
Marina Colasanti »»
 
Passageira em Trânsito (2009) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


E são tantas
E sono tante


As ruínas da guerra fedem
a urina e fezes.
Naquilo que foi casa
e vida alheia
os homens
  como cães
erguem a pata
sobrepondo um desprezo
a outro desprezo.

Das ruínas da guerra
o vencedor não diz
foi meu trabalho
nem põe placa de bronze com seu nome.
Ninguém chama ao desfeito
    construção
embora a destruição seja uma obra.

As ruínas da guerra
são cracas
a arrancar da terra.
E a eles a vida não se achega
porque a boca da morte
ainda bafeja.
Le macerie della guerra puzzano
d’orina e di feci.
Laddove ci fu casa
e vita altrui
gli uomini
  come cani
alzano la zampa
sovrapponendo un disprezzo
a un altro disprezzo.

Delle macerie della guerra
il vincitore non dice
fu opera mia
né vi pone una targa di bronzo col suo nome.
Nessuno definisce le rovine
    costruzione
benché la distruzione sia un’azione.

Le macerie della guerra
sono parassiti
da estirpare dalla terra.
E ad essi la vita non s’accosta
perché il fiato della morte
ancora spira.
________________

Ludwig Meidner
Brucia la città (1913)
...

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (553) Orides Fontela (14) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (360) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)