No amor que sentes põe amor...


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No amor que sentes põe amor...
Nell’amore che senti mettici amore...


No amor que sentes põe amor, mais nada.
Guarda o ciúme para quem odeias
E, se algum dia hás-de cortar as veias,
Seja a do tédio ou da renúncia a estrada
Que tu escolheres, não da paixão frustrada...

Pede à carne só carne, e não ideias;
Triste recurso das solteiras feias...
Nell’amore che senti mettici amore, e nient’altro.
Serba la gelosia per colui che hai in odio
E, se un giorno penserai al suicidio,
Sia quella del tedio o della rinuncia la strada
Che sceglierai, non della passione frustrata...

Solo carne chiedi alla carne, e non pensieri:
Triste scusante di zitelle insicure...
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Sebastian Matta
Così fan tutte (1970)
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Natal de longe


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Natal de Longe
Natale da lontano


Natal!...Natal!...
A boca o diz,
A mão o escreve,
O coração já não sente.

Que a emoção,
Vibração
Das asas da fantasia
No voo do pensamento,
Deixou-se ficar parada
Só porque a noite está quente;
Só porque ser indolente
É como parar na estrada
E desistir da jornada,
Sem coragem de voltar
Pelo caminho tão rude!

Natal!... Natal!...

A doce força que tinha
Devorou-a a latitude.
Natale!...Natale!...
La bocca lo dice,
La mano lo scrive,
Ma più non lo sente il cuore.
 
Giacché l’emozione,
Vibrazione
Delle ali della fantasia
Nel volo del pensiero,
S’è lasciata bloccare
Solo perché la notte è rovente;
Solo perché l’essere indolente
É come fermarsi per strada
E desistere dalla camminata,
Senza il coraggio di ritornare
Lungo un cammino tanto pesante!
 
Natale!... Natale!...
 
La dolce forza che aveva
La latitudine se l’è divorata.
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Andy Warhol
Albero di Natale (1957)
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Rosa


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Rosa
Rosa

Nem toda
rebeldia
dispara balas
ou palavras
ásperas.

Rosa Parks
apenas
recusou-se a
dar seu lugar
no ônibus.

E sua rebeldia
foi enorme.

Non ogni
rivolta
spara pallottole
o parole
violente.

Rosa Parks
semplicemente
si rifiutò di
cedere il suo posto
sull’autobus.

E la sua rivolta
fu enorme.

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Tony Scherman
Rosa Parks (2019)
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Linhas cruzadas


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Linhas cruzadas
Linee incrociate


Ai de mim!
Que não pedi p'ra nascer
E sou forçado a viver!

A Natureza espreitava
O desejo de meus pais.
E foi pedir ao destino
Que lhes cruzasse os caminhos
Que eles haviam de seguir.
Ah! Pobre mãe!
Antes tivesses nascido
Toda crivada de espinhos,
Estéril como cardo seco!
Mas tinhas olhos de moira:
Um lírio branco murchou
E o teu ventre concebeu
Este farrapo que eu sou.

Duas rectas que se cruzam,
Eis um ponto.
Esse ponto, em movimento,
Há-de ser recta também.
Essa recta e outra recta
Hão-de formar outro ponto,
Novo ponto, nova recta,
E sempre, assim sem remédio.

Eu sou um ponto nascido
De duas vidas cruzadas:
Trouxe comigo um impulso
Que me deu a Natureza
Para seguir um caminho
E a trajectória marcada.
O que me espera? Não sei.
Apenas sei que caminho,
Para um caminho de fel,
Para a certeza do Nada.
Comecei, era menino,
Sou cansado caminhante,
Serei velho peregrino,
E o Nada sempre distante.

Ai de mim!
Que não pedi p'ra nascer
E sou forçado a viver!
Ahimè!
Che non ho chiesto di nascere
E sono forzato a vivere!
 
La Natura spiava
La libido dei miei genitori.
E si rivolse al destino
Per far incrociare i cammini
Che avrebbero dovuto seguire.
Ah! Povera mamma!
Se almeno tu fossi nata
Tutta coperta di spine,
Sterile come un cardo secco!
Ma avevi begli occhi di mora:
Un giglio bianco appassì
Ed il tuo ventre concepì
Questo relitto che sono.
 
Due rette che s’incrociano,
Ed ecco un punto.
Questo punto, in movimento,
A sua volta una retta sarà.
Questa retta e un’altra retta
Formeranno un altro punto,
Nuovo punto, nuova retta,
E così sempre, senza pietà.
 
Io sono un punto nato
Da due vite incrociate:
Porto con me un impulso
Che m’ha impresso la Natura
Perché io segua un cammino
E la traiettoria prescritta.
Che cosa m’aspetta? Non so.
So solo che cammino,
Per un cammino dolente,
Per la certezza del Nulla.
Cominciai che ero un bambino,
Sono un esausto viandante,
Sarò un vecchio pellegrino,
E il Nulla, sempre distante.
 
Ahimè!
Che non ho chiesto di nascere
E sono forzato a vivere!
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Piet Mondrian
Composizione II (1929)
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Luto


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Luto
Lutto

“Luto é coisa de rico”,
diz a viúva
do pedreiro negro
abatido pela polícia.
 
Em vez de prantear
seu morto,
ela foi obrigada
a levantar-se e sair.
 
As meninas mais velhas
tomam conta
dos irmãos menores.
 
E a mãe, agora responsável
única pelo sustento
de quatro filhos,
sai muito cedo para
limpar casas alheias.
 
Casas de quem tem
— quando chega a hora —
o luxo do luto.

“Lutto è roba da ricchi”,
dice la vedova
del muratore negro
abbattuto dalla polizia.
 
Invece di piangere
il suo morto,
ella fu obbligata
ad alzarsi e ad uscire.
 
Le bambine più grandi
si prendono cura
dei fratelli minori.
 
E la madre, ora responsabile
unica per il mantenimento
di quattro figli,
esce molto presto
per pulire le case degli altri.
 
Case di chi ha diritto
— quando giunge l’ora —
al lusso del lutto.

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Cândido Portinari
Retirantes (1936)
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Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adalgisa Nery (43) Adilia Lopes (45) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) Antonio Osorio (42) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (41) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Carlos Nejar (42) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Fernando Assis Pacheco (42) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Luís Peixoto (44) José Régio (41) José Saramago (40) José Tolentino de Mendonça (42) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (42) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Micheliny Verunschk (40) Miguel Torga (32) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (33) Nuno Rocha Morais (557) Orides Fontela (43) Paulo Leminski (43) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (31) Poesie inedite (364) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (29) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (48) Sebastião da Gama (17) Sophia de Mello Breyner Andresen (33) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)