Fagulha


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Fagulha
Scintilla


Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.

Eu queria rir, chorar
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
Curiosa ho aperto
il cielo.
Così, scostando lievemente le tende.

Avrei voluto ridere, piangere,
o per lo meno sorridere
con la stessa levità con cui
l’aria mi baciava.
Avrei voluto entrare,
un cuore dopo l’altro,
integra,
o per lo meno muovermi un po’,
con quella frugalità che caratterizzava
i turbamenti che mi toccavano.

Avrei voluto addirittura
saper vedere,
e in un moto tondeggiante
come le onde
che, invisibili, mi cingevano,
abbracciare con le retine
ogni frammento di materia viva.

Io avrei voluto
(soltanto)
avvertire l’indistinguibile
nell’estrema levità che fluttuava.

Io avrei voluto
prendere una bracciata
d’infinito nella luce che con me si fondeva.

Io avrei voluto
cogliere l’inavvertito
nei minimi istanti dello spazio
nudo e pieno.

Io avrei voluto
per lo meno tenere aperte le tende
nell’incapacità di toccarle.

Io non sapevo
che rivoltare il mondo
fosse un’esperienza mortale.
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Anna Morroni
Come in una risacca (2021)
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