Velho Colono


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Velho Colono
Vecchio colono


Sentado no banco cinzento
entre as alamedas sombreadas do parque.
Ali sentado só, àquela hora da tardinha,
ele e o tempo. O passado certamente,
que o futuro causa arrepios de inquietação.
Pois se tem o ar de ser já tão curto,
o futuro. Sós, ele e o passado,
os dois ali sentados no banco de cimento.

Há pássaros chilreando no arvoredo,
certamente. E, nas sombras mais densas
e frescas, namorados que se beijam
e se acariciam febrilmente. E crianças
rolando na relva e rindo tontamente.

Em redor há todo o mundo e a vida.
Ali está ele, ele e o passado,
sentados os dois no banco de frio cimento.
Ele a sombra e a névoa do olhar.
Ele, a bronquite e o latejar cansado
das artérias. Em volta os beijos húmidos,
as frescas gargalhadas, tintas de Outono
próximo na folhagem e o tempo.

O tempo que cada qual, a seu modo,
vai aproveitando.
Seduto sulla panchina grigia
tra i vialetti ombrosi del parco.
Lì seduto da solo, a quell’ora di sera,
lui e il tempo. Il passato certamente,
ché il futuro causa brividi d’inquietudine.
Infatti ha quell’aria d’essere già assai corto,
il futuro. Soli, lui e il passato,
tutti e due lì seduti sulla panchina di cemento.

Ci sono passeri che cinguettano tra il fogliame,
certamente. E, dove le ombre sono più dense
e fresche, gli innamorati si baciano
e s’accarezzano febbrilmente. E i bambini
si rotolano nell’erba e ridono ingenuamente.

Intorno c’è tutto il mondo e la vita.
Lì c’è lui, lui e il passato,
tutti e due seduti sulla panchina di freddo cemento.
Lui, l’ombra e la foschia nello sguardo.
Lui, la bronchite e lo stanco pulsare
delle arterie. Tutt’in giro gli umidi baci,
le fresche risate, i colori dell’autunno
imminente tra le fronde e il tempo.

Il tempo di cui ciascuno, a suo modo,
si va approfittando.
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Vincent Van Gogh
Panchina di pietra nel manicomio di Saint Rémy (1889)
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