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Poema barroco
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Poesia barocca
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Os cavalos da aurora derrubando pianos
Avançam furiosamente pelas portas da noite.
Dormem na penumbra antigos santos com os pés feridos,
O poeta calça nuvens ornadas de cabeças gregas
E ajoelha-se ante a imagem de Nossa Senhora das Vitórias
Enquanto os primeiros ruídos de carrocinhas de leiteiros
Atravessam o céu de açucenas e bronze.
Preciso conhecer meu sistema de artérias
E saber até que ponto me sinto limitado
Pelos sonhos a galope, pelas últimas notícias de massacres,
E pelo vagido da criança recém-parida na Maternidade.
Preciso conhecer os porões de minha miséria,
Tocar fogo nas ervas que crescem pelo corpo acima,
Ameaçando tapar meus olhos, meus ouvidos,
E amordaçar a indefesa e nua castidade.
É então que viro a bela imagem azul-vermelha:
Apresentando-me o outro lado coberto de punhais,
Nossa Senhora das Derrotas, coroada de goivos,
Aponta seu coração e também pede auxílio.
Avançam furiosamente pelas portas da noite.
Dormem na penumbra antigos santos com os pés feridos,
Dormem relógios e cristais de outro tempo, esqueletos de atrizes.
O poeta calça nuvens ornadas de cabeças gregas
E ajoelha-se ante a imagem de Nossa Senhora das Vitórias
Enquanto os primeiros ruídos de carrocinhas de leiteiros
Atravessam o céu de açucenas e bronze.
Preciso conhecer meu sistema de artérias
E saber até que ponto me sinto limitado
Pelos sonhos a galope, pelas últimas notícias de massacres,
Pelo caminhar das constelações, pela coreografia dos pássaros,
Pelo labirinto da esperança, pela respiração das plantas,E pelo vagido da criança recém-parida na Maternidade.
Preciso conhecer os porões de minha miséria,
Tocar fogo nas ervas que crescem pelo corpo acima,
Ameaçando tapar meus olhos, meus ouvidos,
E amordaçar a indefesa e nua castidade.
É então que viro a bela imagem azul-vermelha:
Apresentando-me o outro lado coberto de punhais,
Nossa Senhora das Derrotas, coroada de goivos,
Aponta seu coração e também pede auxílio.
I cavalli dell’aurora travolgendo pianoforti
S’addentrano furiosamente nelle porte della notte.
Nella penombra dormono antichi santi coi piedi feriti,
Il poeta indossa nuvole ornate di profili greci
E si prostra davanti all’icona di Nostra Signora delle Vittorie
Mentre i primi cigolii dei barrocci dei lattai
Percorrono il cielo di fiordaliso e bronzo.
Bisogna che io conosca il mio sistema d’arterie
E sappia fino a che punto mi sento limitato
Dai sogni a briglia sciolta, dalle recenti notizie d’eccidi,
E dal vagito del neonato appena partorito nella Maternità.
Bisogna che io conosca i sotterranei della mia miseria,
Che dia fuoco alle erbacce che mi crescono sul corpo,
Col rischio che si tappino i miei occhi, le mie orecchie,
E si raffreni la nuda e indifesa castità.
Ecco che ora giro la bella immagine rossa e blu:
Nel mostrarmi il lato opposto coperto di pugnali,
Nostra Signora delle Disfatte, coronata di viole,
Addita il suo cuore e chiede a sua volta aiuto.
S’addentrano furiosamente nelle porte della notte.
Nella penombra dormono antichi santi coi piedi feriti,
Dormono orologi e cristalli d’altra epoca, scheletri di attrici.
Il poeta indossa nuvole ornate di profili greci
E si prostra davanti all’icona di Nostra Signora delle Vittorie
Mentre i primi cigolii dei barrocci dei lattai
Percorrono il cielo di fiordaliso e bronzo.
Bisogna che io conosca il mio sistema d’arterie
E sappia fino a che punto mi sento limitato
Dai sogni a briglia sciolta, dalle recenti notizie d’eccidi,
Dal movimento delle costellazioni, dalla coreografia degli uccelli,
Dal labirinto della speranza, dal respiro delle piante,E dal vagito del neonato appena partorito nella Maternità.
Bisogna che io conosca i sotterranei della mia miseria,
Che dia fuoco alle erbacce che mi crescono sul corpo,
Col rischio che si tappino i miei occhi, le mie orecchie,
E si raffreni la nuda e indifesa castità.
Ecco che ora giro la bella immagine rossa e blu:
Nel mostrarmi il lato opposto coperto di pugnali,
Nostra Signora delle Disfatte, coronata di viole,
Addita il suo cuore e chiede a sua volta aiuto.
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Gian Lorenzo Bernini Estasi di Santa Teresa (1647-1652) |
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