Infância


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Infância
Infanzia


I
Ser criança é ser-se quem se é,
É ser capaz de dizer
"O rei vai nu"
Mesmo quando o papá deita olhares furibundos
E diz "Cresce" como quem diz:
"Aprende a mentir".

II
Ah! Criança, pequena e trémula ave
Que sabes tu acerca do caminho
Demasiado escuro para os teus olhos?

Ah! Criança, pequena e trémula ave
Que vil crueza te expulsou do ninho
Para o mundo de espelhos e de jogos?

Ah! Criança, pequena e trémula ave
Entre dor e vida há uma ténue linha
E tu não poderás nunca esquecê-la.

Ah! Criança, pequena e trémula ave
A vida não é só dor:
É também sorriso multicor.

III
Esta noite, o céu é seara
Onde a lua traça um rútilo sorriso.
Esta noite, abre-se o fresco pórtico
Para o poema puro e perfeito.
O poema é esta noite.
Toda esta noite sabe a início.
Ao longe, ouve-se um rumor de um mar,
O mar da máquina. Rumor longínquo.
Perto, está apenas a noite
Sedosa, macia, morna, meiga.
As estrelas são espigas de luz.
Esta noite todos somos
Janelas abertas para a noite,
Janelas respirando o Estio tranquilo.
A noite não é de mágoa:
Passa a sua mão fresca
Sobre a testa febril da alma.
O afago azul é, hoje,
A cor da infância.
I
Esser bambini è essere sé stessi,
È esser capaci di dire
"Il re è nudo"
Anche se il papà lancia sguardi infuriati
E dice "Cresci" come per dire:
"Impara a mentire".

II
Ah! Bambino, trepido uccellino,
Che ne sai tu di quel cammino
Troppo oscuro per i tuoi occhi?

Ah! Bambino, trepido uccellino,
Che vile crudeltà t’ha scacciato dal nido
Per un mondo di specchi e d’inganni?

Ah! Bambino, trepido uccellino,
Tra dolore e vita c’è una linea sottile
E tu mai te la potrai scordare.

Ah! Bambino, trepido uccellino,
La vita non è solo dolore:
È anche un sorriso multicolore.

III
Questa notte, il cielo è un campo di grano
Ove la luna traccia uno sgargiante sorriso.
Questa notte, s’apre il fresco varco
Per la pura e perfetta poesia.
La poesia è questa notte.
Tutta questa notte ha sapor d’inizio.
Da lungi, s’ode un rumore di mare,
Un mare di macchinari. Rumore lontano.
Da presso, non c’è che la notte
Setosa, soffice, mite, amena.
Le stelle sono spighe di luce.
Questa notte siamo tutti
Finestre aperte alla notte,
Finestre che respirano la tranquilla Estate.
La notte non è notte d’affanno:
Passa la sua mano fresca
Sulla fronte febbrile dell’anima.
La sua carezza azzurra è, oggi,
Il color dell’infanzia.
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Vassily Kandinsky
Paesaggio con torre (1908)
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