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Cemitério Adalgisa
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Cimitero Adalgisa
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Moram em mim
Fundos de mares, estrelas-d'alva, Ilhas, esqueletos de animais, Nuvens que não couberam no céu, Razões mortas, perdões, condenações, Gestos de amparo incompleto, O desejo do meu sexo E a vontade de atingir a perfeição. Adolescências cortadas, velhices demoradas, Os braços de Abel e as pernas de Caim. Sinto que não moro. Sou morada pelas coisas como a terra das sepulturas É habitada pelos corpos. Moram em mim Gerações, alegrias em embrião, Vagos pensamentos de perdão. Como na terra das sepulturas Mora em mim o fruto podre, Que a semente fecunda repetindo a vida No sereno ritmo da Origem. Vida e morte, Terra e céu, Podridão, germinação, Destruição e criação. |
In me convivono
Fondali marini, stelle mattutine, Isole, scheletri d’animali, Nuvole che il cielo non ha accolto, Morti ideali, perdoni, condanne, Gesti di salvaguardia incompleta, La voluttà del mio sesso E l’anelito di raggiungere la perfezione. Adolescenze spezzate, vecchiaie rimandate, Le braccia di Abele e le gambe di Caino. Sento che non sono io ad abitare. Sono abitata dalle cose come la terra delle tombe È popolata di corpi. In me convivono Generazioni, gioie in embrione, Incerti pensieri di perdono. Come nella terra delle tombe Abita in me il frutto marcio, Che il seme feconda rinnovando la vita Nel ritmo sereno dell’Origine. Vita e morte, Terra e cielo, Marciume, germinazione, Distruzione e creazione. |
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| Ismael Nery La baia di Botafogo (1928) |

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