Os Anos Quarenta


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Os Anos Quarenta
Gli Anni Quaranta


Amo-te mais quando olho quando
para a torneira do gás quando estou nu à noite
 quando

e começo a mexer em pânico os ossos da mão direita

há domingos há a infância em que se parou numas
 escadas altas
ouvia-se a guerra ia-se para a cama por causa do ciclone
e quando o vento vem e decepa e quando

as árvores da rua é a mãe que recorta
uns papéis
brancos para colar nos vidros
ou quando (da capo) esse homem
nu à noite quando olha
e vejo vê-se
o indicador direito
manchado de nicotina

depois uma vez desfila
a vitória! surpreendo-os na sala
que me dão dinheiro e corro a comprar barros
na feira e quando quando coisas assim
partia logo e isso era a tristeza
volto a pensar: que queria eu na infância
o sol? outro nome sobre o meu tão frágil?

amo-te mais à noite portanto
quando dobro as calças e começo
quando esse gesto útil quando
bate numas pernas e vê-se
de trinta e cinco anos
Ti amo di più quando guardo quando
si blocca il rubinetto del gas quando sto nudo di notte
 quando

e comincio ad agitare in panico le ossa della mano destra

ci sono domeniche c’è l’infanzia in cui ci si bloccò su alte
 scale
si ascoltava la guerra si andava a letto a causa del ciclone
e quando il vento viene e abbatte e quando

gli alberi della via c’è la madre che ritaglia
dei foglietti
bianchi per incollarli ai vetri
o quando (da capo) quell’uomo
nudo di notte quando guarda
e vedo si vede
l’indice destro
macchiato di nicotina

e poi una volta è sfilata
la vittoria! li sorprendo nella stanza
mi danno dei soldi e corro a comprar stoviglie
alla fiera e quando quando cose così
partivo subito e questo dava tristezza
torno a pensare: cosa desideravo io da bambino
il sole? un altro nome prima del mio così fragile?

ti amo di più di notte e dunque
quando piego i calzoni e comincio
quando quel gesto utile quando
si batte sulle gambe e ci si ritrova
ai trentacinque anni
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Oswaldo Guayasamin
Madre e figlio (1987)
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